Archive for novembro, 2011

Imaginemos o preto e o branco… Agora, misturemos os dois e ambos nos darão o tom de cinza que desejarmos. E cinza nos lembra aquela cinza que, normalmente, é resultado de uma combustão: Resultante, por exemplo, daquela brasa que se forma dentro do fogão à lenha ou da churrasqueira que, nós homens, tão bem sabemos pilotar.

Enquanto não soprarmos a cinza, só veremos o preto e o branco, disfarçados de cinza. Mas quando a sopramos, surge aquele vermelho vivo da brasa que, quanto mais soprada, mais avermelhada ficará.

Assim é nossa vida: Se ficarmos limitados entre o preto e o branco, aqui representados pela preguiça, acomodação, ignorância, jamais vislumbraremos o imenso arco-íris que está à nossa volta!

Perdoe-nos o preto e o branco, mas nossa vida poderá ser bem mais colorida! (Primavera de 2009)

Cheguei ao último capítulo do livro com os olhos marejados… Mas de que adiantariam as lágrimas se o livro não imprimisse em mim propósitos de melhora? O livro narra a história de Morrie Schwartz (1916-1995), acometido de uma ELA – esclerose lateral amiotrófica -; mais precisamente as últimas 14 semanas de sua última encarnação, nas quais ele – o treinador, mestre  – transmite a Mitch Albom – o treinado, discípulo -, máximas como:

“Para mim, viver significa poder se responsável pelo outro… Falar com os outros. Sentir com os outros… Quando isso acabar, Morrie acabou”;

 “Sejam responsáveis uns pelos outros… Amem-se uns aos outros ou pereçam!”;

“Não tem sentido ficar curtindo vingança ou teimosia… Dessas coisas eu me arrependo na vida. Orgulho. Vaidade…”;

“Não é só aos outros que precisamos perdoar… A nós também… Pelo que não fizemos. Por tudo o que devíamos ter feito”;

“A morte não é contagiosa. É natural como a vida. Faz parte do contrato… Se fazemos disso (da morte) um cavalo de batalha, é porque não nos consideramos como parte da natureza”;

“Enquanto pudermos amar uns aos outros… Podemos morrer sem desaparecer”; e

“A morte é o fim de uma vida, mas não de um relacionamento.”

Morrie não se definia católico, protestante, evangélico, espírita… Admitiu a Mitch que falava com Deus somente muito próximo de seu desencarne. Profundamente religioso, no sentido de religar corações, atitudes, conceitos… Essa era sua religião.

Morrie mudou a vida do autor Mitch, certamente de muitos dos 10 milhões que compraram o seu livro, mexeu com a minha e talvez possa mexer com a de meu leitor. “Amem-se ou pereçam!” (Primavera de 2011).

Manhã linda, ensolarada,
saí feliz da vida,
para fazer minha caminhada…
Mas no início do percurso,
aconteceu um acidente:
Fui atacada por uma matilha
E ‘um’ me brindou com os dentes.
Senti pena do bichinho
na rua abandonado…
Talvez só estivesse dizendo:
‘Me olha, quero ser amado’!
Dono sem alma
nem coração,
quer ‘guardas’, ‘segurança’,
esquece que ele é apenas um cão.
Sedentos de amor, carinho,
tentando sair do abandono
e no desejo de um ninho,
procuram por qualquer dono.
Animais abandonados,
tem aos montes, é um horror…
E o povo, pobre coitado,
quem cuida da sua dor?
Corri para o posto médico,
‘não tinha médico’, nem vacina
só abnegados enfermeiros,
defendendo a medicina!
Lavaram, colocaram PVPI
mandaram para casa voltar
observar com atenção,
para a ‘coisa’ não piorar.
Confio muito em Deus,
quero muito sempre crer,
agora sou vou rezar
para eu ou cusco ‘não morrer’!
(Maria de Fátima S. Silveira, ‘a vítima’) – (Primavera de 2011).

Mitch Albom – “Se você tivesse um dia inteiro de perfeita saúde, o que faria?

Morrie Schwartz – …Eu me levantaria de manhã, faria os meus exercícios, tomaria uma bela refeição de brioches e chá, nadaria por alguns minutos, receberia meus amigos para um bom almoço. Eu os receberia em grupos de dois ou três para falarmos de suas famílias, de seus problemas, falar do que representamos uns para os outros. Depois daria um passeio por um jardim com árvores, contemplaria as cores, olharia os pássaros, observaria a natureza que não vejo há tanto tempo. À noite iríamos todos em um restaurante onde servissem uma boa massa, talvez um pato… eu adoro pato… depois dançaríamos o resto da noite. Eu dançaria com todos os presentes, até ficar exausto. Depois viria para casa e dormiria um sono profundo e tranqüilo.

Mitch Albom (Refletindo) – Tão simples. Tão banal. Depois de todos esses meses, incapaz de mexer uma perna ou um pé, como poderia encontrar perfeição num programa tão simples?”   

Observações deste blogueiro: 1. Morrie Schwartz (Foto acima, com o autor), estava na penúltima semana de encarnado. 2. Os negritos são meus.

(A última grande lição, Mitch  Albom, pg. 113)

 Costumo sempre caçoar de meus filhos, dizendo-lhes que possuo, além da sede balneária, mais três, a da Buarque, a metropolitana – São José dos Pinhais, muito pertinho da bonita Curitiba – e uma terceira, muito próxima do céu, o ‘Cerro’, como carinhosamente chamam e velada por dois anjos. Pois bem, lá estivemos ontem. Fomos… fazer uma inspeção e encontramos tudo muito bem organizado: A sede mudando seu rosto e os caseiros muito centrados e preocupados, também, em avaliar e aprimorar os seus. Quando falo em sede, me refiro ao local onde se reúnem as almas de uma família num único pensamento e numa única torcida… essa sede acaba se estabelecendo em nosso pensamento e a geografia, nesse caso é totalmente desimportante. Talvez esteja filosofando um pouco e para tal me valho do comentário do caseiro e filósofo do meio quando diz que “migramos porque é a lei do progresso… Se é para o Capão, para São José ou se para um dos quatro cantos do Rio Grande, não importa! Migramos porque se faz necessário, porque como diz nossa mãezinha, temos alguma missão nesses diversos recantos. E como bem fazem os pássaros, migramos para reproduzir e semear os ensinamentos e exemplos adquiridos do nosso eterno lar – os corações de nossos amados pais, nossos mestres maiores!…” A propósito, lá pelo Cerro, além de estar tudo em ordem, o churrasco do caseiro surpreendeu  à minha velhinha e a mim! (Fotos: 1. Sensibilidade; 2. Os ‘caseiros’) – (Primavera de 2011).

“O ano é 1979. Há um jogo de basquete na Brandeis. O time vai muito bem, e a torcida estudantil começa a cantar: ‘Somos o Número Um! Somos o Número Um!’ Morrie está sentado por perto, intrigado com os aplausos. A certa altura, em meio a ‘Somos o Número Um’, ele se levanta e grita: ‘Que mal faz ser o número dois?’

Os estudantes olham-no. Param de cantar. Ele senta-se de novo, sorrindo, triunfante.”

Se não houvessem os números dois, três, quatro… Oitenta, não haveria o número ‘um’. O que é significativo neste ensinamento de Morrie é que não deve haver constrangimento em estar em um patamar diferente. (Comentário deste blogueiro).

(A última grande lição, Mitch Albom, pg. 103)

Saqsaywaman, Tambomachay, Ollantaytambo e Macchu Pichu, nomezinhos difíceis, mas com significados. Todos no Peru, o primeiro, ruínas de um templo dedicado ao deus raio; o segundo, dedicado às águas; o terceiro e o quarto, reverências a montanhas sagradas. Aprendi, desde o tempo de escola que meus ‘ancestrais’ eram politeístas: Possuíam tal comportamento religioso os guaranis, do oeste de meu estado gaúcho – esses meus ancestrais legítimos, mesmo -, ainda os guaranis em Missiones, na Argentina, os do império Inca, em quase toda a Cordilheira Andina, Os Astecas, os Maias… Tal comportamento preocupava nossos queridos jesuítas, dominicanos e religiosos de outras ordens, todos ansiosos em torná-los monoteístas. Mas será que esses povos – que, na maioria tiveram seu apogeu lá por 1500 e aqui me refiro ao povo inca – eram mesmo politeístas ou naturalistas? Sim, porque, se vivendo numa região extremamente árida como a de Cuzco, logo após perceberem o raio, ouviam logo o trovão e após este vinha a chuva tão benfazeja e necessária; as montanhas eram contrafortes naturais que os protegiam de ataques diversos. Todos estes fenômenos, encarados com naturalidade não estariam fazendo parte da Providência de um só Deus? De um Deus que deles tomava conta através de seus fenômenos naturais? Encantei-me e aprendi demais em uma semana no Peru. Cuzco possui mais de uma igreja em cada quadra, todas museus, abertas à visitação paga, mas o povo peruano rural, principalmente o que mora nas montanhas, continua reverenciando e se beneficiando destes aspectos naturais, falando o kechua e realizando suas oferendas para que não lhes falte a chuva, para que as fontes lhes irriguem maizes e papas e para que a montanha seja o seu porto seguro. (Fotos, Nov 2010: 1. Saqsaywaman; 2. Tambomachay; 3. Ollamtaytambo; 4. Macchu Pichu) – (Primavera ventosa de 2011).

 Localizado no Parque Nacional de Aparados da Serra, o Itaimbezinho é o mais charmoso dos cinco grandes cânions do Parque. Sedia-se no tranqüilo município de Cambará do Sul-RS, distante 200 km da capital gaúcha. Visitar Cambará e seus cânions e não visitar o Itaimbezinho seria como… Ir a Roma e não ver o papa, ir ao Peru e não sentir Machu Picchu, ir a Paris e não escalar a torre Eiffel. De mais a mais, de todos os cânions é o mais acessível à terceira idade, visto que a trilha maior – nem é trilha, é uma estrada de chão – possui apenas 3 km e a outra menor até calçada é. Cambará e todos os seus aspectos naturais, respiram energia pura. Ao invés das praias, e até por ser local muito frio – registra as mínimas do estado, quase sempre – os hotéis e pousadas da cidade são equipados com lareiras e lençóis térmicos. Passeio ideal para o inverno. O lugar impressionou demais à minha velhinha e a mim. (Na foto, ‘minha’ velhinha, Nov 2009) – (Primavera ventosa de 2011).

Morrie Schwartz (Dialogando com Mitch) – “Temos uma forma de lavagem cerebral em nosso país… Repete-se uma coisa constantemente… Possuir coisas é bom. Mais posses é bom. Mais consumo é bom. Mais é bom… O cidadão comum fica tão zonzo com tudo isso que perde a perspectiva do que é verdadeiramente importante. Em toda parte por onde andei, conheci pessoas querendo abocanhar alguma coisa… São pessoas tão famintas de amor que aceitam substitutos. Abraçam coisas materiais e ficam esperando que essas coisas retribuam o abraço… Não se pode substituir  amor, ou suavidade, ou ternura, ou companheirismo, por coisas materiais.”

(A última grande lição, Mitch Albom, pg. 83 – Os negritos  e os ítálicos são meus).

A propósito de minha crônica O “valor” de dois denários, abro o ESE no item 6 do cap. XV e encontro, entre quatro pontos-e-vírgulas as expressões de São Paulo … “;não é desdenhosa; … ; não suspeita mal;”, e aqui o apóstolo dos gentios se refere à caridade. Socorro-me de meu querido Aurélio e lá encontro definições para desdenhar: Desprezar, escarnecer, menoscabar, depreciar, fazer pouco de… E para suspeitar: Recear, supor ou considerar mal, desconfiar, tachar por suspeitas.

Todas as fugas, todos os rodeios, todas as interpretações interesseiras, todas as brasas para meu assado, que deslizarem destas duas recomendações de Paulo a respeito da caridade, estarão ferindo e fadigando essa minha virtude. Eu posso até ter um pensamento e atitudes diferentes do que ali está escrito, mas a partir daí a excelência de minha caridade já não será tão excelente.

É, meus amigos! Parece que a caridade não admite mesmo muitos meios-termos, manobras, desculpas, astúcias ou artimanhas! (Primavera ventosa de 2011).