Archive for dezembro, 2011

No apagar das luzes deste 2011, deparo-me com um ano novinho pela frente… Mas credo! É 2012 que chega, um ano por sinal muito mal falado, muito mal prognosticado por profetas, magos, ‘mercadores’ e pessimistas de plantão de todos os tempos. Não desejo flagelos! Ninguém, a não ser os que os vendem como mercadoria os desejam. Se há um apocalipse ou um cataclismo que desejo para este novo ano é para todos aqueles maus súbitos morais que ainda me tentam todos os dias… Desejo, sim, para eles, uma catástrofe! Melhorar, quem sabe, o hálito de meu verbo e tentar extrair de dentro de minha alma somente palavras consoladoras e não as apocalípticas provenientes das feras que talvez um dia tenha aquerenciado dentro de meu ser e teimem em se libertar. É meus amigos, que seja a derrocada deste e de tantos outros demônios que insisto em alimentar e endeusar. Este, pois, é o único sinistro que desejaria para 2012.

O momento é de confraternização e de agradecimento por todos os apoios que recebi no ano que ora finda: A um Divino Plano de amor, à minha querida família, aos companheiros de lutas na Casa Espírita, à querida amiga do Penso, logo existo, incentivadora incondicional, a todos aqueles que, com muita paciência, acompanham minhas publicações no blog do velhinho, aos leitores, colaboradores, editores, assessor de imprensa da Editora O Clarim, onde publico minhas idéias. Aos novos amigos do facebook, muitos comuns à editora já mencionada e que encontro diariamente, compartilhando as idéias que insisto em divulgar… E ao amigo que reencontrei depois de 44 anos e que iluminou meu Natal… Um beijo, Francisco!

Se o apocalipse que vier em 2012 for as minhas lutas contra todas as minhas tempestades internas e para isso me servir do concurso amigo de toda essa gente querida supracitada, esse é o apocalipse que eu desejo.

UM ANO NOVINHO E ILUMINADO PARA TODOS!

Fraternalmente, Cláudio.

(Verão de 2011/12).

Perfeição da natureza – O Artesão que enfileirou os grãos de milho na espiga e os coloriu de amarelo ouro, certamente impressionaria a Niemayer e a Van Gogh.

Perfeição da natureza (2) – O mar diuturnamente irá murmurar ou rumorejar, independente de o perceber ou isso me satisfazer.

Perfeição da natureza (3) – As alamandas – flores de um amarelo intenso – não se importam com sua efemeridade; sabem que irão encantar os transeuntes por apenas algumas horas, mas que novos botões se preparam para substituir-lhes, amanhã, a mesma beleza.

Cura – É mais lógico eu dizer, Pai, se eu quiser podes me curar do que se quiseres podes me curar!

Males – Há males que vêm para melhor… Mas a maioria só piora, mesmo!

Mediunidade – A precariedade de minha mediunidade não chega a ser um desastre, pois me revela que mais importante é o Evangelho.

Necessitado – Quando desejarem ajudar a um necessitado, não se acanhem… Sou o maior deles!

O homem espírita – Se, por um lado, e segundo Eurípedes Barsanulfo, “o homem espírita admite-se vaidoso e personalista, melindroso e egoísta”, tem o amor para lhe cobrir essa multidão de pecados.

Olhos para ver – A partir de meu engajamento, olhos para ver será muito pouco… Eles precisarão ver, ouvir, sentir e, sobretudo, agir.

Orgulho – Meu orgulho me torna frágil e ainda não consegue administrar a vaidade de alguns companheiros de labuta.

Palavras e palavras – Sou responsável pelos bichos e pelas flores que libero através de minhas palavras… Afinal, aquerenciei-os, todos, um dia, dentro de minha alma.

(Verão de 2011/12).

Um documentário veiculado hoje pelo History Channel me causou indignação ante o aparato de segurança consignado ao sumo pontífice e a suposta riqueza do Estado do Vaticano a qual nunca é possível mensurar visto ser o banco do Vaticano um mistério.  A polícia suíça, responsável pelo estado é uma das mais bem aparelhadas do mundo e seus treinamentos, de tiro, por exemplo, causam inveja ao exército Americano. O Banco do Vaticano é um segredo guardado a sete chaves… Por quê?

Ante tamanho disparate, fico a me lembrar dos responsáveis pelas segunda e terceira revelações:

Jesus, doce como um favo de mel, era um romeiro que possuía somente uma túnica, um par de sandálias e não tinha, muitas vezes, onde reclinar a cabeça. Certamente diariamente quando Jesus adentra ao Vaticano, deve se escandalizar como aconteceu no episódio dos vendilhões do templo. Não tenho dúvidas que lhe sobra hoje indignação e faltam chicotes para coibir tanta imoralidade.

Apesar de filho único, os pais não deixaram bens a Kardec; deixaram-lhe, entretanto, uma educação esmerada. Pouco se comenta sobre as dificuldades financeiras de nosso codificador. Sabe-se que sua esposa Amélie Gabrielle Boudet dispunha de alguns imóveis que lhe garantiriam recursos tanto para o sustento do casal como para as obras da codificação.

Em Jesus e o Espiritismo, pg. 157, identifiquei curioso diálogo entre Dr. Inácio Ferreira – espírito – e o psicógrafo Carlos Baccelli abordando o assunto em questão:

– “Sobre certo aspecto, a gente fica com pena do Codificador! Concorda?

– Meu filho, muitas vezes, quando Kardec estava dormindo, Amélie se levantava e, sem que ele percebesse, colocava-lhe dinheiro no bolso do paletó! No outro dia, ao perceber a generosidade da esposa, que tudo fazia para não constrangê-lo, ele se comovia às lágrimas…

– Sendo pobre, ele era constantemente acusado pelos opositores do Espiritismo de ter milhões…

– Na ‘Revue Spirite’ de 1862, se refere à calúnia de um padre V., que escreveu, dizendo que ele vivia uma vida principesca e que a sua mesa era extremamente farta. – ‘Que diria o padre – rebateu Kardec -, se visse minhas refeições mais faustosas, nas quais recebo os amigos? Achá-las-ia bem mais magras que a magra de certos dignitários da Igreja, que provavelmente as repeliriam para a mais austera Quaresma’”.

Coincidências ou não, lia o capítulo bem no horário em que o programa era apresentado. Possibilitou-me a ocasião, estabelecer este paralelo entre o Vaticano e a vida franciscana dos autores da segunda e terceira revelações.

Bom proveito!

 (Verão de 2011/12).

Às vésperas de comemorarmos mais uma Data Magna da Cristandade, questionamos nossa compreensão sobre o evento…

Ao anunciar-nos que “acabara de nascer-nos o Salvador”, o Emissário Celeste dá-nos a compreender que o Professor chegava Pessoalmente e não ministraria nenhuma lição, mas a mostraria através da manjedoura, da estrebaria e dos espectadores, humildes pastores de bois, cabras e carneiros.

No anonimato até os trinta anos, a partir daí esse Professor passou a nos ditar matérias, umas lógicas, outras paradoxais:

“… ninguém vem ao Pai, senão por Mim…”;

“Eu sou a Luz que vim ao mundo…” – luz é um roteiro e o melhor é o exemplo;

“Amai os vossos inimigos… orai por eles”.

E o Mestre desejará que assimilemos suas Divinas Matérias, ministradas da manjedoura ao Gólgota, quando diz a Dimas: “Hoje estarás comigo no paraíso…”, demonstrando-lhe benevolência ante seu contrito arrependimento, compreensão e boa vontade.

E nós, por aqui domiciliados temporariamente, cercados de professores inativos e ativos, entendemos que o que eles mais desejam, em seu ministério, é que seus discípulos assimilem suas lições de linguagem, matemática, ciências… Realizar-se-ão com seus pupilos escorregando para a glória.

Nosso Divino Professor sentir-se-á regozijado se, às vésperas de data tão superior, entendermos sua lição maior: Que Ele nasceu para nós, que seu nascimento nos diz respeito, nos atinge, nos afeta e, sobretudo, nos convoca.

(Subsídios: Lucas, II, 10 e XXIII, 43; João, VIII, 12 e XIV, 6;  Mateus, V, 43; Vinícius, Na Seara do Mestre).

Desejo a todos os meus leitores os melhores votos de um Natal com muitas luzes no coraçãozinho de cada um… Que o mesmo lhes sirva de meditação e de regozijo junto às suas queridas famílias.

(Primavera de 2010, preparando um estudo sobre Natal).

Quando leio o livro Jesus e o Espiritismo, dos supracitados autores, deparo-me com doutrina, cumplicidade, simplicidade e muito, mas muito bom humor. Dialogando o tempo todo, o espírito – Dr. Inácio – se dirige ao psicógrafo chamando-o sempre de meu filho. Deliciem-se com alguns fragmentos:

  Sobre a necessidade de que Cristo fique em evidência“É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo, cap. 3, v. 30):

– “Coisa rara, não doutor?

– Raríssima, até nos tempos atuais, entre os espíritas, principalmente. Não é fácil reconhecer o mérito do outro.”

Reencarnação –“… Esses espíritos, digamos nórdicos, quando imaginavam a possibilidade de voltar à Terra como descendentes da raça negra, esperneavam e ainda esperneiam, meu filho!… Você já pensou num homem representante da raça ariana reencarnando como mulher negra parideira, rodeada de filhos, de pano amarrado à cabeça, lavando fraldas sujas num tanque?!…”

Curiosidade sobre as três revelações –“… Moisés foi retirado das águas do Nilo num berço de vime; Jesus nasceu sobre uma manjedoura coberta de palha e o espiritismo ‘emergiu’ de uma cestinha de vime!

– Mas, em si, o vime não tem nada a ver?…

– É claro que não, mas a simplicidade tem!  A simbologia é esta!”

Sobre psicógrafos

– “Hoje, felizmente, o maior número é de médiuns intuitivos e inspirados!

– Felizmente, por quê?!

– Porque a gente transmite a idéia e deixa o resto com vocês! … Daqui para a frente todo médium será cada vez mais consciente, e tomara que sua lucidez mediúnica seja acompanhada por maior senso de responsabilidade no cumprimento do dever.”

(Verão de 2011/2012).

Abri a postagem de 17 de dezembro – ‘Mínimas’ e curtas do velhinho – exatamente com os dois pensamentos que transcrevo na íntegra: ‘Minha evolução passará, inevitavelmente, pelo trato aos irmãos menores da criação – menores, maiores, minúsculos -. Perguntem ao Chico – o de Assis – se não estou certo!?’ e ‘Apesar da praia vazia e ventosa, não me senti só… Meu amigo não o permitiu; deixou-me afagar a sua cabeça e até me estendeu uma de suas quatro patas’… Referia-me, aqui a um vira-lata baio que, docemente se aconchegou à minha roda de chimarrão solito, pois minha velhinha fazia a sua caminhada. Pois o vira-lata baio hoje estava lá novamente, só que desta vez preferiu a companhia de uma jovem que comia algumas guloseimas… Comia e repartia com o cusco; comia e repartia, comia e repartia. Ao invés de ficar enciumado, comecei a me emocionar com a atitude da veranista. Minha velhinha também emocionada dirigiu-se à jovem, deu-lhe um afetuoso abraço e a parabenizou. Peguei o rascunho dos dois pensamentos supracitados – que, por acaso ainda estavam comigo – e também me dirigi à jovem, fazendo questão de lhe informar que publicara tais pensamentos 3 dias atrás.

Clara – vou inventar-lhe este pseudônimo em homenagem a São Francisco de Assis – contou-me que como eu, era muito cachorreira e passou a relatar os cuidados que despendia a cães e a outros irmãos menores na cidade onde morava.

Pois é, meus amigos, ante esta comovente história, vocês nem precisarão consultar a Chico ou a Clara de Assis sobre as razões deste blogueiro, até porque ambos estão num patamar infinitamente superior ao meu… A bondosa e sensível Clara do Vale dos Vinhedos esteve por aqui, em nossa praia, ratificando meus ajuizamentos sobre essa irmandade tão querida e tão abandonada.

Obrigado, moça! A despeito da brevidade, passaste como um clarão pela maior, mais democrática praia do mundo e, lamentavelmente, também com o maior número de cães abandonados.

(Fato acontecido na manhã de 19 de dezembro – Primavera linda de 2011).

Animais – Minha evolução passará, inevitavelmente, pelo trato aos irmãos menores da criação – menores, maiores, minúsculos -. Perguntem ao Chico – o de Assis – se não estou certo!?

Animais (2) – Apesar da praia vazia e ventosa, não me senti só… Meu amigo não o permitiu; deixou-me afagar a sua cabeça e até me estendeu uma de suas quatro patas.

Desconfiômetro – Para o corpo, loção; para as bruxas, poção e, para a minha alma noção!

Dr. Inácio Ferreira – Gosto demais do doutor. Acho que nossas franquezes são gêmeas.

Elogios – Encaro-os tão somente, como o combustível necessário para continuar.

Espíritos – Apesar dos pesares, prefiro a radicalidade de alguns Espíritos Superiores do que a desfaçatez dos trevosos… Estes só me engabelam, aqueles me puxam as orelhas. 

Evolução – Apesar de me considerar um peregrino me arrastando pela crosta do Planeta, tenho consciência da responsabilidade para com ele e das oportunidades que me oferece.

Felicidade – Persigo a felicidade. Dificilmente me adaptarei à infelicidade!

Generosidade – Pode até ser paradoxal, mas a generosidade deverá sempre vir logo após a desventura.

Idéias – Quando verifico que minhas idéias são consoantes às de alguns veneráveis vultos, sinto vontade de continuar…

Intuição – Tenho certeza que um dos meus Amigos volta e meia mateia comigo.

Mateada literária – Ainda promovo uma qualquer dia… Vão sobrar pérolas e faltar lápis e papel!

(Primavera chuvosa de 2011).

Meu amigo – e sempre que falar aqui em ‘meu’, entendam-no como sendo ‘nosso’ – está no hospital novamente. Tenho, porém, a absoluta certeza que meu amigo, além dos cuidados do Plano Espiritual e da família, é claro, está cercado pelo zelo de profissionais de ponta, pois, como dizia o Dr. Bezerra de Menezes, “… Os médicos espirituais trabalham em conjunto com os abnegados médicos encarnados… inspirando-os ao diagnóstico adequado… Jamais desprezemos a medicina terrena porque os médicos são os primeiros médiuns da nossa cura.” (B. de Menezes/De Lucca – Recados do meu Coração – Pg. 115). Mas meu amigo encontrava-se, sim num leito da abnegada Santa Casa de Rio Grande quando minha velhinha lhe telefonou desejando saber notícias… Ao invés de falar de si, meu amigo respondeu com outra pergunta: Desejava saber de certa amiga em comum, que há meses não aparecia na Casa e temia estar ela necessitada de algumas coisas. Minha velhinha, sentindo a preocupação do amigo preso a uma cama, retornou a ligação, lhe dando informações que realmente a pessoa estava enfrentando problemas de saúde própria e das netas, mas que ficasse tranqüilo, pois o DAPS resolveria o problema logo, logo…

Eurípedes Barsanulfo, no livro Quem sabe pode muito, quem ama pode mais, justo à pg. 62, diz que “o homem espírita admite-se vaidoso e personalista, melindroso e egoísta.” Concordo com o venerável amigo espiritual, mas o mesmo também haverá de concordar comigo que o amor cobre a multidão dos pecados. E se o personalismo e o egoísmo são pecados – e o são, de fato – a sensibilidade, a misericórdia e a compaixão de meu amigo, inerte numa cama de hospital, é uma multidão de amor.

Fica tranqüilão, meu amigo, a amiga comum foi assistida e… Obrigadão! Deste a mim e a todos uma aula que não imaginaria receber!

(Primavera de 2011).   

Nunca os coloquei em meu carro, mas me divirto à beça vendo-os e os analisando, chegando a me distrair – e isso é perigoso! – na análise. Estou falando, aqui, dos adesivos da Família Feliz. Pois outro dia, verifiquei, na traseira de um carro que o que deveria ser normal… Extrapolou! Tratava-se de uma família enorme: Havia pai, mãe, muitos filhos, cachorro, gato, tartaruga e – pasmem! – a sogra e uma cunhada solteirona. Estão se perguntando como cheguei à sábia conclusão que eram esses personagens?! A sogra era muito velha e feia; a cunhada solteirona, também feia, estava toda desgadelhada… Ri muito de minhas conclusões e minha velhinha me acompanhou no riso, pois fiquei imaginando as reivindicações das duas ao proprietário do carro e clã da família em apreço. Da sogra: Colocaste minha filha aí… Terás que colocar a mim, também e, é lógico, o genro obedeceu. Da cunhada solteirona: Poxa cunhado, to mal, encalhada, ‘largada’… Coloca-me ao menos em ‘evidência’ na traseira do teu carro.

É! A vida é boa, mas com humor fica ótima! Comecem a prestar atenção nesses adesivos. Posso até não querê-los, mas que são divertidos são!

(Finalzinho da primavera de 2011).

Mergulhados no mais absoluto silêncio desta manhã de outono, entre um mate e outro nossos sentidos da audição e da visão se aguçam e ouvimos ao longe o mar rumorejando majestoso… Perto das casas, um ou outro ladrido dos cães da vizinhança e uma revoada de quero-queros anunciam que a alvorada já se fez… E nada mais. O silêncio é absoluto! Pela vidraça percebemos que os plátanos e a parreira já podados alargam-nos a vista para os primeiros raios do sol que realizam um contraponto com o céu mais azul que já vimos.

Sem a agitação da TV, do rádio e com os telefones emudecidos, ampliam-se-nos as percepções, de modo que melhor podemos ouvir nossos pensamentos…

Emoldurados por este cenário, perguntamo-nos que outro seria mais apropriado para a prece e a meditação?

Via de regra, o burburinho de nossas prioridades diárias, marginaliza esta que deveria ser uma prática diária… No afã de resolver mil coisas – inclusive as supérfluas -, corremos o risco de esta prática ficar à deriva ao término de nossa jornada!

Recordamo-nos das vezes mais marcantes em que nosso Divino Mestre se colocou em oração:

  • No início de seu ministério recolheu-se ao deserto, como numa espécie de retiro… Aí, numa frenética luta os espíritos do bem e os do mal resolveram disputar-Lhe a corte. No final sabemos que os emissários do bem O serviram.
  • Quando, no notável Sermão da Montanha alguns discípulos lhe pediram que os ensinasse a rezar, o Divino Orador falou-lhes em nome de um Pai de todos, Justo e Bondoso que não desejaria mais as antigas leis viciadas e vinculadas ao olho por olho, dente por dente e à hipótese de se perdoar só sete vezes. “Quando orardes, exortou-os, dizei: Pai nosso, que estais nos céus – Não um Pai exclusivista, mas de todos, principalmente dos caídos -; Venha a nós o vosso Reino – um reino compartilhado, onde vassalos são herdeiros -; Perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos os que nos tem ofendido – Perdoar sim, se preciso quatrocentas e noventa vezes: Apelava Jesus aqui para a matemática, pois sabia que de linguagem seus compatriotas e, convenhamos, nós, os demais, seríamos muito ruins.
  • No Getsêmani, na véspera do veredicto, totalmente apaixonado por sua causa e por seus amados, também Se deixou envolver pelo aroma das oliveiras, da quietude e beleza do lugar e dos primeiros serenos daquela noite de agonia e preces; e até a derradeira hora, no mais profundo colóquio com o Pai, entristecido, rogava-Lhe que se fizesse a Sua vontade.
  • Suas últimas palavras, ao deixar a carne desfigurada, em forma de oração e imolação, proferiram: Pai, em tuas mãos entrego meu Espírito. Num misto de louvor, súplica e agradecimento, transferia-se para a Morada Original.

Quando abordamos oração, nosso lado poético reporta-nos à nossa mais tenra idade, quando algum adulto nos incentivou a ficar de joelhos e a ingressar na prática de algumas fórmulas.

Crescemos e lemos em algum lugar que um homem de joelhos ficava mais alto…

Hoje, temos a absoluta certeza que já não mais precisaremos de rituais para estabelecer esse canal com a espiritualidade; nem as fórmulas serão tão importantes… Como a velocidade do mais eficiente servidor nossa comunicação com o Alto se estabelecerá na forma do pensamento: Ligeira e eficaz… Afinaríamo-nos, aí, com a questão 658 do LE: Agrada a Deus a Prece? – “A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, pois, para ele, a intenção é tudo. Assim, preferível lhe é a prece do íntimo à prece lida, por muito bela que seja…”1

A esta altura de nossas filosofias gaudérias, talvez nossos olhos sexagenários já estejam um pouco marejados, mas não nos importamos, pois temos a absoluta certeza que este momento de prece e reflexão estará estabelecendo com a divindade a mais absoluta via aberta ao louvor, à suplica e à gratidão… É desta forma que didaticamente compreendemos a oração:

  • Bendizer – Bendizer um pai biológico, render-lhe homenagens, reconhecer seu valor, prestar atenção às suas virtudes, é um honra para qualquer filho… Quem de nós não gostaria de dizer: Meu pai é ótimo, sábio, domina muitas ciências, mas meu pai a despeito de tudo isso é imensamente bom e justo… Encher-nos-íamos de orgulho, não é verdade? Tais virtuosidades acima enumeradas são apenas um arremedo em se falando do Pai Eterno. Bendizer um Deus dessa forma coloca qualquer filho para cima. O antigo testamento, repleto de salmos, está aí a nos mostrar os louvores do povo de uma determinada época.  É bem verdade, também, que os filhos de Abraão, de Isaac e de Jacó, tinham seus interesses e muitas vezes regozijavam-se com seu Deus ante as derrocadas de seus inimigos. Na Nova Lei ou na Lei Aperfeiçoada por Jesus esses revanchismos seriam abolidos. Maria, a Mãe de Jesus, não se furtou de recitar o Magnificat, ante a alvissareira notícia da maternidade e olhem que não falamos, aqui, de uma maternidade qualquer! Maria recitando esse salmo demonstrava como seu espírito exultava em Deus seu Salvador;
  • Suplicar – Eternos pedintes, esta situação não nos apequena ante a divindade… Muito pelo contrário, as parábolas e os ensinos de Jesus estão repletos de manifestações amorosas do Pai sempre preocupado com seus filhos, mormente os mais caídos: Está aí o Filho Pródigo, A Ovelha Perdida, Madalena Contrita, A História de Zaqueu… Através da oração estaremos sempre em contato direto com a Fonte… Pedi e recebereis, batei e ser-vos-á aberto, exortou-nos Jesus, ante a lógica de o Pai entender nossas necessidades;
    • Agradecer – A gratidão seria a mais nobre forma de oração. Quando nosso Divino Médico curou os dez leprosos e um deles – que era justamente um samaritano – retornou para agradecer-Lhe, estaria sintetizada, aqui, a mais linda lição de gratidão: Não eram dez? – Perguntou Jesus – Somente um veio agradecer? Com a gratidão nós não só reconhecemos e reverenciamos a Divindade, mas nos é dado o privilégio de emparceirar-nos com Ela, visto Dela sermos herdeiros.

No Cap. 50 do Livro Tua Casa, nossos queridos autores nos estimulam que “A súplica é o canal por onde passa o alimento espiritual para todos nós, encarnados e desencarnados; por isso é bom – e mais ainda, é nobre – que aprendamos a orar…”2

Vemos nesta citação, também o lado da nobreza: Porque nobre é o nosso Pai, d’Ele herdamos também esse título e a oração estreita-nos o trânsito dentro dessa Abençoada Corte.

 Em se reportando ao culto do Evangelho no Lar, continuam os queridos amigos: “… existem falanges e mais falanges de Espíritos elevados, por ordem de Jesus, na incentivação do estudo do Evangelho em Casa, e não pode existir culto deste tipo sem Oração… Tua Casa precisa de Oração [e] por ela atuarão os Espíritos elevados… Quando uma família se reúne entre as quatro paredes com as intenções de se aproximar cada vez mais do Cristo, uma luz poderosa se fará presente e dissipará todas as trevas…”3

De fato, o Evangelho no Lar, além de incluir louvores, súplicas e agradecimentos – para nossa aprendizagem, o tríplice aspecto da oração -, é o momento adequado para, sob os auspícios da Espiritualidade Amiga, discutir entre as quatro paredes de nossa casa, estudos simples e participativos.

João era um operário simples e solitário… Pela manhã, sempre que se dirigia ao trabalho, entrava numa igreja, olhava para o altar mor e dizia bom dia, Jesus! Quando não tinha tempo pela manhã, repetia o gesto à tarde, formulando boa tarde, Jesus! Um dia João desapareceu… Caíra profundamente doente, numa cama de hospital e lógico, ninguém o visitava, pois nem família possuía… Entretanto, certa feita, as enfermeiras o surpreenderam em íntimo colóquio com um ser invisível; questionado, em sua simplicidade João disse às profissionais que alguém avisara seu Amigo e Este o viera visitar… E mais, lhe prometera que logo estaria bom e assim que isto acontecesse, voltaria a cumprimentá-Lo, diariamente, como sempre o fazia.

A nossa Divindade não quer de nós muitas fórmulas… Um bom dia, um boa tarde, um boa noite e o compromisso de estar em sintonia ou não prevaricarmos ante a naturalidade das Divinas Leis – Trabalho, Sociedade, Progresso, Conservação, Igualdade, Liberdade, resumindo, Justiça, Amor e Caridade… – nos manterão em espírito de oração e estaremos sempre numa via aberta ao louvor, à súplica e à gratidão.

 Bibliografia: 1.  Allan Kardec, Guillon Ribeiro, 71ª Edição; 2. e 3. João Nunes Maia/Ayrtes, Cap. 50 do livro Tua Casa, Editora Fonte Viva, 13ª Edição.

(Outono de 2011)Pub. RIE, Out 2011.