Archive for dezembro, 2011

Cólera – não me encolerizar, nos dias atuais, é algo hercúleo, ou, entrando na mão direita, ser manso é Divino.

Cólera x indignação – Se, por um lado, a cólera é filhote de minha vaidade, a indignação é fruto de minha autoridade.

Cólera x indignação (2) – Cristo, quando no Gólgota, não Se encolerizou com sua imolação porque estava imbuído de autoridade: O Pai lhe conferira uma missão sublime demais para que tal sentimento Lhe coubesse.

Cólera x indignação (3) – Possibilito-me indignar; encolerizar-me, jamais!

Compreensão – Só quando a compreensão estiver transbordando em minha casa, estarei apto a entender meu vizinho, o atendente da padaria, o estoquista do supermercado, o guardador de meu carro e os comunitários com os quais me engajo.

Compreensão (2) – Por que a pequena e temporária goteira, acima de minha cama me incomoda, enquanto a enxurrada se generaliza tomando conta do bairro ou da cidade toda? (São Lourenço, 2011).

Compreensão (3) – Diferente de simplesmente compreender, perceber – bem mais amplo – me faculta esquadrinhar com os olhos do coração.

Confiança – Impossível é conceber Confiança sem a verdade!

Confiança (2) A confiança, mais que temerária, é uma virtude imprescindível à minha progressão.

Confraternização – Dona Judite se saiu com uma boa: Disse, na última confraternização, que éramos todos médiuns de mesa… Também, com tanta coisa boa!

Confraternização (2) – Fui o primeiro a virar refrigerante na mesa e salgadinhos também. Uma amiga disse que eu parecia uma criança; na verdade, de criança estava longe… Era senilidade mesmo!

(Primavera, quase verão de 2011).

Queixo-me – e não sou só eu – do cansaço, neste final de ano… Afinal de contas, minha alma ainda veste este corpo denso incorporado a calendários tais quais: Inverno, verão, final de ano início de outro. Meu orgulho e minhas incompreensões ainda têm dificuldades em administrar as imperfeições daqueles com os quais compartilho minhas ações. Não tenho dúvidas que a Espiritualidade do Bem não me deixará órfão nesta época diferente do ano como também, não tenho a menor dúvida que remédios benditos – e os únicos – estão ao alcance de minha mão: A compreensão, a tolerância, a paciência e a mansidão, numa luta frenética contra as trevas de meus impulsos mais mesquinhos; dessa forma conseguiria vencer um pouco do cansaço deste final de ano.

Afinal de contas, ainda estou encarnado e após o final de ano, haverá outro, novinho e a me proporcionar novas oportunidades.

(Primavera, quase verão de 2011).

É muito lógico que nosso Pai Eterno ao nos presentear Jesus como Governador, Legislador e Juiz de nosso Planeta Terra, desejou-O portador dos mais excelsos ensinamentos. Sabia nosso Bondoso Criador que nossa Terra estava à deriva ou digamos sem rédeas ou com estas um tanto frouxas. Dessa forma o Sapiente e Amoroso Pai, lá pelos idos do ano – digamos – zero, nos envia um:

Governador – Como Governador ou Administrador, Jesus não nos tira o poder de decisão, apenas nos indica a forma mais lúcida de decidir;

Legislador – A Lei mosaica estava enxovalhada, ou o decálogo um tanto desautorizado. Eram muitas regrinhas e o Divino Legislador desejou simplificá-las: Todas as demais regrinhas reduzir-se-iam a tão somente duas… Mas que duas!

Juiz – Juiz e matemático, pois conseguia convencer seus compatriotas e – convenhamos – também a nós que setenta vezes sete eram quatrocentas e oitenta vezes a perdoar os – e que paradoxo – nossos inimigos… Logo a quem!

Como dissemos, a encarnação de Jesus, neste planeta foi permeada de ensinamentos, mas foi no A e no Z, no alfa e no ômega, ou, parando com as alegorias, na manjedoura e no Gólgota que o Divino Mestre não só nos ensinou como nos mostrou: Que seu reino não era deste mundo, que a simplicidade das coisas era importante em Seu Reinado, que ser pobre era uma questão prioritária… Que o perdão – principalmente aos que o crucificavam como também a Dimas, ao lado d’Ele imolado – seria absurdamente necessário.

Portanto, da manjedoura ao Gólgota, nosso Divino Modelo sempre soube o que fez como Governador, Legislador e Juiz.

Aos meus queridos leitores, os melhores votos de um Natal frugal, comemorado, verdadeiro… Um forte abraço!

(Primavera de 2011).

Aflições – Minhas doenças poderão estar me enfeitando – se as entender como maquiagem – para a grande festa no Plano Espiritual.

Automóvel – Meu automóvel, precisará tornar-se um utilitário – transporte, lazer, ambulância se necessário… – E cuidado excessivo, adoração, brilho, intocabilidade não combinam com utilidade.

Caridade – Minha beneficência, caridade, sensibilidade, têm prioridade sobre a leitura do Evangelho.

Caridade (2) – Quando chegar à Divina Corte não me será questionada a ortodoxia – ou a tradição – de minha fé, mas se realizei ou não a caridade.

Caridade (3) – Os meus dois reais, principalmente se aliados a uma boa palavra, além de contribuírem para a merenda de um desassistido, poderão mostrar-lhe uma luz no final do túnel.

(Primavera de 2011)

 “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado, mas agora pretendeis ver, e o vosso pecado subsiste.”1

As palavras são do Mestre, o texto de João, o mais jovem dos doze, o “discípulo amado” de Jesus e um dos quatro grandes responsáveis pelos Divinos acervos.

Um dia, fomos todos cegos e por isso mesmo até então ignorantes e inocentes. Através das inúmeras vivências que a Providência nos agraciou, passamos a despertar tendências e habilidades virtuosas; começamos a desenvolver, também, e fruto de nosso livre arbítrio, mazelas as mais variadas. Tal qual aconteceu a Paulo de Tarso, na estrada de Damasco – que até então se chamava Saulo – voltamos a enxergar e, a partir daí, tornamo-nos responsáveis por nossos acertos ou nossos pecados. Ora, tudo o que considerávamos prêmios ou castigos, são, na verdade, conseqüências de nossos avanços ou retrocessos.

O sacramento da penitência, confissão ou confiteor – prática da igreja romana – absolve o pecador de sua culpa e a expiação que lhe é imposta pelo sacerdote, servirá para reparar os danos causados pelos seus pecados… Fácil, pois a reforma, aqui, seria dispensada e tão somente substituída por preces mais ou menos demoradas. João, entretanto nos assevera que nosso delito permanece em nós, carecendo, pois, imediatamente a uma contrição, o refazimento através de atos meritórios que contrabalancem o mal que tenhamos feito.

Os erros que um dia praticamos permanecerão como a cicatriz permanece em nossa pele após acontecimentos infelizes; haverá a necessidade que uma plástica muito bem feita venha a encobrir esses estigmas.

E essa recomposição se faz hoje. Além, é lógico, de um possível ajuste perante a justiça terrena, haverá um Supremo Ajuste; deixar esse acordo só para o dia do Tribunal Final será temerário e inconseqüente. Podemos ter a certeza absoluta que o Juiz Superior, que presidirá essa corte, será nossa própria consciência; esta sim nos indicará, no mundo espiritual, a faixa que iremos povoar.

Mas a Vida Maior está aí a nos oferecer, diariamente, oportunidades para realizarmos essa recomposição e então conseguiremos realizar a necessária plástica dos vestígios deixados por nossas trapalhadas, quando:

  • Após lesar um irmão, doarmos a outros, especialmente àqueles mais desprovidos de tudo, meios de suprir-lhes suas carências, considerando, sempre, que as letras miúdas do evangelho devem levar nossas mãos a atitudes graúdas;
  • Após múltiplas arrenegações e estupidezes com nosso cônjuge conseguirmos entender que ele, sim, é o nosso próximo mais próximo e daí a necessidade de enveredarmos pelos caminhos da delicadeza, cortesia e civilidades;
  • Após mal orientar nosso filho, que se dirigiu por caminhos mais estreitos da vida, dedicarmos parte de nosso tempo a outros jovens que, talvez, precisem de socorros de naturezas diversas;
  • Após navegar por anos – e até décadas – pelos rios caudalosos da intransigência, incompreensão e intolerância, conseguirmos timonear nossa embarcação para as águas tranqüilas da afabilidade, da harmonia, e da compreensão;
  • Após um longo período ensimesmado em nosso mundinho egoísta, conseguirmos lançar-nos no tráfego de um mundo real, cheio de armadilhas, mas também – e muito mais – oportunizando-nos exercícios e aprendizados;
  • Após relegar, por anos, a um segundo plano os nossos talentos da didática, literatura, artes, os retomarmos, voltando-nos ao aprendizado, ao ensinamento e, sobretudo, se a isso imprimirmos o amor;
  • Após desgastar nossa saúde física – e mental – com anos a fio de tristezas, angústias e raiva – as quais abalam nosso sistema imunológico -, conseguirmos preceder todas as nossas ações – trabalhos, estudos, orações – de bons eflúvios e pedidos de desculpas àqueles que ainda não conseguimos amar em plenitude, sempre lembrando as admoestações do Mestre: “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta… diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa-a diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão.”2

Pretendendo ver, faremos a grande opção de nossas vidas: Ou nosso pecado subsistirá ou partiremos para uma evolução real. Optando por esta última estaremos, pois, investindo em uma plástica para as nossas cicatrizes, e teremos a grande opção de em vendo, promover a grande cirurgia moral para a nossa existência e chegar com nossa face transfigurada por ocasião de nosso regresso às outras Moradas da Casa do Pai.

Ainda, se nos servir de consolo, não nos agoniemos! Não pretendamos ficar lisinhos de uma hora para a outra, visto que essa reconstituição não se realiza num clique; a Vida Maior – e nós – irá realizando essas intervenções ao longo da pluralidade de nossas existências, sem afobações, mas com firmeza e constância.

(Subsídios: 1. João, IX, 41; 2. Mateus, V, 23-24).

(Verão de 2010/11, quente, porém já em seu final)Pub. ‘O Clarim’, Ago 2011.

O saldo do passeio à região das Missões foi extremamente positivo; sem dúvida ‘seu’ Carlos, ‘dona’ Véra, a guia, ‘dona’ Alzira, a querida ‘benzedeira’ e todas as pessoas de boa vontade daquela área, em muito contribuíram para o aprendizado. Falando em aprendizado, relato a seguir algumas informações gerais, algumas curiosidades e também alguma ou outra lenda, quase maledicência:

1. A ‘Estrutura’ das Reduções: Todas as Reduções tinham uma estrutura padrão, tendo, ao centro uma praça para jogos de guerra e festividades; o cabildo; a igreja; as casas dos índios (todas com varandas); o cotiguassu; o cemitério; o hospital; a quinta ou horta; a casa dos padres (claustro) mais o pátio; e o colégio e o pátio.

2. A praça – Bem ao centro da estrutura, a praça servia para todas as festividades que se possa imaginar: Lúdicas, esportivas, manifestações culturais, religiosas…

3. O cabildo – No cabildo reunia-se o conselho dos caciques que representava o executivo, o legislativo e o judiciário da Redução. Os jesuítas também podiam participar desse conselho porém não interferiam muito nas decisões indígenas. Digamos que esse procedimento era uma forma política de proceder dos religiosos deixando os guaranis mais à vontade, na condução dos seus destinos.

4. As casas dos índios – Todas possuíam varandas; estas eram calçadas e o interior das casas de ‘chão batido’.

5. O cotiguassu – O lugar era reservado a órfãos, viúvas, donzelas solteironas ou mulheres com maridos ausentes por longos períodos. No pátio poderia haver sentinelas guarnecendo o local. Dizem as más línguas que o cotiguassu era um instrumento de prevenção à poligamia e, quem sabe, até um cilício aos próprios jesuítas para não caírem em tentação.

6. O cemitério – Era dividido em quatro partes: meninos, meninas, homens, mulheres; ao centro a divisão formava uma cruz.

7. A quinta ou horta – Cultivado pelos padres, nesse local colhia-se frutas, hortaliças, ervas de chá, temperos; climatizava-se aí, também sementes.

8. O colégio e o pátio – Aí os meninos aprendiam a ler e escrever e as meninas a bordar e tecer.

9. Havia, ainda, outras dependências como oficinas e a adega. É importante considerar que os índios eram extremamente inteligentes – talvez os mais das diversas tribos que viviam nas cercanias -, e nas oficinas, realizavam diversos trabalhos artísticos, salientando-se, entre eles o fabrico de estátuas em madeira e dos próprios instrumentos (violinos, rabecões, rabecas, violoncelos).

10. As imagens – as maiores – eram, em sua maioria, ocas. Como os índios possuíam mais medo do castigo moral que do físico, os jesuítas os atormentavam: Por ocasião de suas  preces, escontiam-se no ‘oco’ das imagens e amedrontavam os coitados… Será lenda?

11. Uma consideração final – Lembram da pergunta que fiz ao ‘seu’ Carlos na chegada? Vou repetir: ‘E daí, vizinho, quem tinha razão, os padres, os índios, os portugueses ou os espanhóis?’ Como ‘seu’ Carlos desconversou, cheguei à minha conclusão sozinho: Entre os índios (que eram os mariscos) estavam os rochedos, representados pelos portugueses e espanhóis que eram os vilões, e os jesuítas que muito bem intencionados empenhavam-se na consecução de seus sagrados propósitos. A serem escravizados pelos imigrantes (portugueses e espanhóis) os índios se submetiam ao monoteísmo dos religiosos; dentro das reduções, portanto, se sentiam protegidos e em semi-liberdade. Dos males o menor!

Foto: Maquete da Redução de San Luiz Gonzaga – (Primavera de 2011).

“Dentro das filosofias
dos Confúcios galponeiros,
domadores – carreteiros
que escutei nas noites frias,
acho que a fieira dos dias,
não vale a pena contar,
e – chego mesmo a pensar
olhando o brasedo perto,
que a vida é um crédito aberto
que é preciso utilizar!”

Disse-o bem – e os negritos são por minha conta – o poeta e payador Jayme Caetano Braun, Gonzagueano e missioneiro como Pedro Ortaça. Pois ‘apeei’ em São Luís quase que por acaso… Digo ‘quase’ porque desejava dar um ‘adeus’ e quem sabe tirar uma foto com o segundo, pois o primeiro só o veria ‘in memoriam’. Mas como o por acaso não existe, encontramos, minha velhinha e eu, uma cidade muito simpática: Com seus 34,5 mil habitantes, o município acolhe seus visitantes com um povo solícito, educado, interessado. Em Informações Turísticas o atendimento foi impecável por uma senhora que lá estava; o mesmo aconteceu no Pinheiro Machado e no MARO, dois museus, pequenos, porém muito bem organizados e retratando, de uma forma muito objetiva parte da história da cidade. No primeiro, a história do senador que morou naquela mesma casa e o busto do meu ‘amigo’ Jayme; no segundo peças de valor, algumas do tempo da redução, outras do outrora do município. O que deixou a desejar: O fato de certa autoridade do município, que agora não vem ao caso, ter mandado demolir o único resquício do tempo das missões, o Colégio Jesuíta da Redução de São Luís Gonzaga, que ficava justamente ao lado da atual igreja matriz que é em estilo gótico, muito bonita e muito bem cuidada. Se consegui falar com o outro meu amigo? Infelizmente não. Pedro, apesar de estar na cidade estava visitando um irmão. Certamente não houve o merecimento!

Os versos são um fragmento de Do tempo, de Jayme C. Braun. As fotos: 1. ‘Um dos amigos’ e este blogueiro; 2. A igreja matriz (Exterior); 3. A igreja matriz (Interior) – (Em 2 de dezembro, primavera de 2011).

Casamento – Repetindo: Mais que honraria, casamento é uma incumbência;

Casamento (2) – Quando digo à minha amada, do alto de meus 61 que minha vida começou aos 18, na verdade estou lhe dando uma nova cantada;

Casamento (3) – Outrora, precisamos de três dias para ‘resolver tudo’; hoje, só preciso de três segundos: O tempo necessário para colocá-la em meu braço;

Casamento (4) – A prova mais cabal da importância da família espiritual está bem ao meu lado… Não somos consangüíneos, porém, fora desta, é o familiar mais importante com o qual o Universo me presenteou!

Simplicidade – As coisas simples da vida, por si só são muito boas; se acompanhadas de humor, ficarão ótimas;

Simplicidade (2) – Às vezes me acho meio simplório… Dou-me conta, então, que assim estou mais próximo da simplicidade do que da importância;

(Primavera de 2011).

Quase quatro décadas!!!
Parece só alguns dias…
Eu tudo recomeçaria
Com as bençãos de “Maria”.
Sempre muito amparados,
Nem pensamos desanimar…
A certeza é absoluta
Sempre vamos nos amar!!!
 

(Poesia de Maria de Fátima S. Silveira – Primavera de 2011)

Há 38 anos cumpríamos minha velhinha e eu, o acima preconizado. Deixamos pais e mães e iniciamos, no centro do estado, a família com a qual tanto havíamos sonhado. Tivemos filhos, um mais belo que o outro e todos realizaram nossas vidas. Hoje todos – também cumprindo a mesma saga -, já cuidam das suas vidas com seus – nossos – queridos companheiros e nós… Cuidamos da nossa, perseguindo, a cada dia, uma qualidade melhor, tanto no aspecto moral, físico, como no intelectual. Se foi fácil? Absolutamente! As lutas foram diuturnas, tivemos que enfrentar um bicho a cada dia… Mas casamento é assim: Como dizia um dia desses não é uma honraria, mas uma incumbência. Estamos, pois, em festa… Há alguns dias atrás, na pequena capelinha de Schöenstatt – Região Missioneira -, renovamos nossos votos – Dona Véra, a querida guia era a testemunha – sem nenhum alarde, afinal, deixamos pai e mãe por uma causa nobre!

Fotos: 1. Casamento em 73; 2. A Virgem de Schöenstatt; 3. Na sua capelinha. – (Primavera de 2011).