Archive for janeiro, 2012

“Não se colhem figos nos espinheiros, nem cachos de uvas dos abrolhos.” Estava eu cuidado justamente de uma pequena figueira que tenho em casa, já carregada com uns 50 figos e também provando as primeiras uvas de minha parreira doméstica – que tenho mais para sombra – e me veio à cabeça esta mensagem de Jesus e que nos foi catalogada por Dr. Lucas no cap. VI, v. 44.

Jesus tinha verdadeira predileção pelas metáforas, uma linguagem necessária à sua época e útil ainda hoje, visto que falava e fala ainda para almas e corações por vezes cobertos por abrolhos ou espinheiros.

Como, pois, extrair de meu coração palavras adequadas se nele eu deixar crescer esse tipo de ervas? Como exalarei o hálito de doces palavras como figos e uvas se ainda não saquei as ervas do pomar que existe dentro de minha alma? Quem tipo de palavras desejarei lançar ao meu público seja ele do tamanho que for se ainda não promovi aquela faxina na quinta do meu coração.

Optando pelos espinheiros e pelos abrolhos que oprimem meu peito, minhas palavras serão escuras e pouco ou nada acrescentarão na vida de meus interlocutores.

Mas se me decidir pelos gostosos figos e uvas maduras minhas palavras serão coloridas, clareadoras e confortadoras; serão luzes na vida daqueles que me cercam!

Minhas palavras, portanto, poderão ser tais quais figos e uvas gostosas ou espinheiros e abrolhos. Tudo dependerá do reparo que venho promovendo em meu peito.

(Verão de 2011/12 – Esta pequena crônica realiza um ‘ensaio’ para a exposição de 16 Jan).

Meus três filhos são angelicais… Não riam! Quando ouço os queixumes de meus amigos a respeito dos ‘seus’, me obrigo a assim considerá-los. Mas vocês continuam rindo!… Vou então chamá-los de excelentes filhos!

Vocês diminuirão um pouco o riso, mas continuarão com um só…risinho irônico e deduzindo que se meus filhos são excelentes levo mérito nisso porque soube educá-los, tentei instruí-los e, principalmente, tentei incutir-lhes uma boa formação moral. Irei concordar somente em parte: Também muitos de meus amigos cumpriram todas essas etapas e… Não adiantou!

Fico me perguntando, então porque fui privilegiado nesse aspecto?! Se, afinal de contas, não fui um bom filho, tampouco um bom afilhado, fui um genro mais ou menos…

A resposta pode estar vindo do Alto: Tanto os bons, muito bons, excelentes… filhos como os maus, péssimos… filhos, são todos missionários: Todas as atitudes, de todos eles fazem parte de ensinamentos, às vezes incompreensíveis, dentro de um lar. O bom filho estará resgatando e aliviando alguma coisa. O mau filho estará me sinalizando com um grito de alerta!

Quando fazíamos, minha velhinha e eu, o Evangelho no Lar de ontem – 10 Jan – e ao abordar o item 3. do cap. Honrai o vosso pai e a vossa mãe, quase tive um treco, pois considerei não ter sido um bom filho… Também considerei que agora não convém chorar o leite derramado. Mas considerei, principalmente, que se meus filhos são angelicais hoje – Está bem! Excelentes! -, e amanhã passarem a não sê-lo, ainda assim estarão me ensinando e me ajudando em meu resgate! É obvio!

Enveredando para o lado do texto evangélico, se meus filhos amanhã ou depois não me devotarem respeito, atenções, submissão e condescendência; se não me assistirem na necessidade e não me proporcionarem repouso na velhice… Ainda assim os considerarei missionários, pois, certamente estarão colaborando com meu livramento!

Tomara que isso não aconteça… E se acontecer, tomara que eu tenha estômago!

Um beijo, meus filhos!

(Verão de 2011/12).

Estreou – e reestréia todo ano – recentemente, na emissora de televisão mais tradicional do País, o programa que vai ao ar todos os anos e que aqui me furto de citar o nome em respeito aos meus queridos leitores de bem; também como reverência e consideração aos queridos ‘facers’ que generosamente acompanham meus links por aquela útil página de relacionamento.

Estou meus amigos, há léguas de ser uma pessoa moralizada, embora a persiga todos os dias, mas não me conformo com a desfaçatez de pessoas ditas literatos ou empresários de sucesso, apresentadores ou cronistas sérios que se prestam ao papel de colocar no ar – e dizem eles uma nave que trafega bem alto – libertinagens, bebedeiras, rusgas, falsidades…

Mas o que me dói mais, é que minha ‘secretária’ – e querida amiga – trabalha duro vários dias na semana para angariar seu salário mínimo. Me dói ver o ambulante de minha praia agüentar um dia de sol para ‘tentar’ vender o seu produto – milho, redes, bebidas, chapéus, óculos, quinquilharias… – muitas vezes sem sucesso. É evidente que não me aflige vê-lo trabalhar: Somente fico fazendo comparações salariais.

Convido-os todos a me ajudarem a repudiar tais bandalheiras; um pouquinho por dia, um ‘copinho d’água’, como dizia um dia destes uma anônima amiga ‘facebookiana’; uma gotinha só no incêndio; quem sabe o óleo do samaritano colocado na ferida do infeliz…

Utilizo-me, aqui, queridos, de um termo bem gauchesco: Vamos, quem sabe, erguer entre nós, uma ‘Baita’ Bandeira Branca, tentando sinalizar, quem sabe, uma nave mais adequada.

Um ‘baita’ abraço!

(Verão de 2011/12).

Para tornar minha vida mais leve, procurarei ser amável, sorridente e solidário com o estranho que estacionar seu carro ao meu lado, sempre considerando que o mesmo poderá não ser ‘tão’ estranho;

Tentarei respeitar o degrau de cada uma das pessoas que me cercam, pois se está à minha volta, faz parte de uma Escadaria Universal, considerando, ainda, que se não houvesse o primeiro estágio, não haveria o último;

Procurarei me debruçar, especialmente neste período de férias, mais sobre os livros do que sobre panelas; mais sobre o descanso do que sobre vassouras;

Procurarei domar a máxima de que a idéia melhor sempre será a minha, respeitando os limites das pessoas, considerando suas razões, evitando lhes impor minhas falas e conceitos;

Quem sabe para aliviar minha dor, precisarei travestir-me de palhaço ou curtir ‘o’ que está à minha volta… Importar-me-ei com o ambulante, sorrirei para o tratorista, para o gari e acharei hilário o que se me apresentar como hilário;

Para tornar minha vida mais leve, permitirei que pessoas façam coisas para mim; não hesitarei em receber um colo, ao invés de me tornar paternalista, maternalista e fraternalista em demasia.

Se acredito, meu amigo, que tais propósitos serão bons para mim, não posso afirmar que o serão para ti, mas, se quiseres tentar… Um bom proveito!

(Verão ventoso de 2011/12).

Li, com muito gosto, Jesus e o Espiritismo de Carlos Baccelli, ditado por Inácio Ferreira. Nos dois primeiros terços do livro, os autores citam inúmeras evidências – que chamam de coincidências – de que Chico tenha sido a reencarnação de Kardec no século XX. Concordo e acho que realmente todas as evidências – ou coincidências – são reais.

É no último terço da publicação, porém, que o doutor mostra a carta que tinha na manga ao descrever o tipo de recepção que Kardec teve ao retornar à Vida Espiritual: Conta que lá estava presente toda a falange do Espírito da Verdade: São Luís, Santo Agostinho, Cáritas, Isabel de França, Irmã Rosália, Fénelon… E muitos outros anônimos. O próprio Espírito da Verdade materializou-se, então, tomando forma humana.

Do trecho, sintetizado por Inácio Ferreira – às pg. 240 e 241 -, destaco dois parágrafos das falas do Espírito da Verdade que se referem exatamente à carta na manga guardada por nosso ilustre psiquiatra:

 “… Conforme vos tenho dito, ficareis conosco por breve período, no indispensável refazimento de vossas energias, e, sob o amparo do Cristo, voltareis a Terra, acendendo novas luzes aos que anseiam pelo conhecimento da Verdade que liberta.

Muitos destes que aqui se encontram, neste momento, haverão de vos acompanhar na próxima empreitada, que terá início nos albores do século XX… ”

Kardec, a fim de cumprir o anunciado pelo Espírito da Verdade ficaria no Plano Espiritual de 1869 a 1910, o ano em que Chico – ou Kardec? – renasceria em Pedro Leopoldo.

Se os autores – sérios em minha opinião – estão com a razão ou não, para mim não faz a menor diferença… A diferença que faz, não só para mim, mas para todos os Cristãos Espíritas seja a ratificação da Terceira Revelação, que começa com Kardec, de família nobre, instruído e vivendo em Paris e continua com Chico, de família humilde, pouco instruído e nascido num lugarejo chamado Pedro Leopoldo. Não tem lá seus caprichos a Espiritualidade?

(Verão, ventoso, de 2011/12).

Para tornar minha vida mais leve, insistirei, sempre em dar o primeiro passo na direção do desafeto, na certeza de que o Universo providenciará o resto;

Procurarei investir em amizades novas, sem, entretanto, desleixar aquelas do meu engajamento;

Tentarei me deliciar mais com as falas e o aroma do vento, das flores, dos pássaros, do mar e somente o suficiente com o normal aroma de meu banheiro, peculiar e particular só dele;

Procurarei, diariamente, tomar um remédio a menos – e só um! -, tentando confiar mais minha saúde à Divina Providência;

Procurarei rir de meus amigos, rir para meus amigos e, quem sabe, rir até de mim mesmo, considerando que minha simploriedade me aproxima mais da simplicidade do que da importância;

Ainda sobre simplicidade, procurarei me espelhar no Mestre que não abortava oportunidades de estar com Madalena, pescadores, cobradores de impostos, cegos, coxos, lunáticos… Ao invés de se entreverar com ditos doutores da lei, outros pseudo-sábios do templo e afins;

Em fim, para tornar minha vida mais leve, apesar de perseguir todos os propósitos do bem, me permitirei deslizes, lançando, dessa forma, um olhar de compreensão para minha fraca natureza humana.

Se acredito, meu amigo, que tais propósitos serão bons para mim, não posso afirmar que o serão para ti, mas, se quiseres tentar… Um bom proveito!

(Verão ventoso de 2011/12 – praia impraticável)

“Se estás, portanto, para fazer a tua oferta, diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: Dali não sairás antes de teres pago o último centavo”1

Em nosso convívio diário, quer seja no lar, no trabalho remunerado ou no voluntário, estaremos convivendo com pessoas mais ou menos próximas, mais ou menos afetuosas e a nossa oferta estará aí representada pela atividade que desenvolveremos, principalmente em se tratando da espontânea.

Nossas oblatas que aqui chamaremos de ofertas, para inserir-nos no contexto de Mateus, depositadas na Casa Espírita ou noutro segmento de nosso voluntariado, deveriam sempre estar precedidas de um culto aos desafetos: Uma rápida irradiação, um pedido de desculpas ou uma prece sincera endereçada àqueles que ainda não amamos tanto. Podemos ter a certeza que tais gestos, além de humildes e em consonância com a máxima de Jesus, ensetarão uma predisposição para que a Providência Divina se encarregue de um bom desfecho para esses desamores.

Como começaremos as diversas atividades específicas do altar da Casa Espírita se não nos sentimos perfeitamente reconciliados?

  • Como aspirar uma reconciliação com um próximo às vezes nem tão próximo se estamos longe de reconciliar-nos conosco mesmos, estorvando novas investidas em nossa recuperação?
  • Como iniciar uma reconciliação com um próximo distante, ante nossas asperezas com o cônjuge que está vinte e quatro horas ao nosso lado?
  • Como intermediar a caridade através do passe, ante nossa claudicância em resolver as pendências com nosso filho problema?
  • Como realizar nosso intercâmbio mediúnico, atendendo irmãozinhos que não vemos se ainda somos ásperos com aqueles que vemos?
  • Como adentrar numa sala de estudo para receber ou transmitir as lições de nosso Divino Professor se nas intervenções práticas que a vida nos cobra estamos muito aquém da média que o Mestre nos recomenda?

Urge, pois, nossa boa vontade para um acordo com nosso adversário! A reconciliação deverá se realizar enquanto estivermos em caminho com ele, senão correremos sérios riscos de ficar aprisionados à sua  faixa de vibração e esta poderá ser muito estreita e, ainda… Quando pagarmos o último centavo a inflação poderá estar altíssima!

De mais a mais, com que cara prosseguiremos a realizar nossas empreitadas amorosas, se não tornarmos efetivo o ditame do Mestre do Perdão, Reconciliar primeiro, depois ofertar?

(Subsídio: Mateus, V, 23-26).

(Verão de 2010/11, “já bem abaixo do meio”) – Pub. ‘O Clarim’, Jan 2012.

Encontro, quase que diariamente, na minha praia, muitos rostos daqui, de uma família que já estabeleceu e estreitou laços devido a um comprometimento.

Também encontro, anualmente, rostos que pareço conhecer a anos. E no ano seguinte esses rostos se repetem. Até quando dou falta de um desses rostos, procuro me informar, tentando saber o que aconteceu com aquele parente.

Mas seria o encontro cíclico com esses rostos, casual? Yo no lo creo! O Pai zela, certamente, por esta Família Universal e promove encontros de pessoas que, aparentemente, nada tem a ver.

Esses encontros são gostosos e geram algumas fraternidades. É lógico que as pessoas não têm muito a perder, pois se encontram de férias, de sangue doce… Mas não é só isso; há algo de espiritual nessa história toda!

Não acredito, pois numa família desconhecida; tão pouco na casualidade. É Providência Divina, mesmo!

Viver em sociedade proporciona gratas surpresas. Hay quem não goste!

Na foto, restos  do navio ‘Altair’ encalhado em nossa costa há mais de 30 anos.

(Verão de 2011/12).

Tenho o privilégio de viver o ano todo na maior e mais democrática praia do mundo, o Balneário Cassino. É lógico que gostaria de não parar por aqui com os adjetivos à minha praia, mas, infelizmente dizer que é também a praia mais limpa do mundo seria uma inverdade. E, quanto a isso nossa Mãe Natureza não leva nenhum demérito, pois o descrédito aí é atribuído aos seus usuários.

A quem então responsabilizar? Aos turistas que aqui comparecem ciclicamente? Absolutamente! Seja o veranista Riograndino, Uruguaio, Catarinense, Pelotense… Não há como estigmatizar, visto que aqui é uma questão de educação.

Veraneio passado estava com o carro estacionado ao lado de uma família na qual pai e filho se deliciavam com seus picolés. Ao término da guloseima, o pai fincou o pauzinho na areia e jogou a embalagem – de plástico e extremamente leve – ao vento… O gurizinho, é lógico, fez o mesmo! Perdeu esse pai uma ótima oportunidade de ensinar!

Essa é a atitude anti-cultural; e ela não tem vínculo à procedência do turista.

Também nosso Mestre, quando por aqui esteve – não falo em nossa praia, é lógico! –, mais que dizer muitas coisas Ele as mostrou através de suas atitudes.

Saindo um pouco da orla e entrando mais na zona urbana – onde há muito descuido, também – há mensagens interessantes a deixar ao público em geral: Nas esquinas, dar a preferência a um idoso, a um ciclista, a um pedestre… Dar um sorriso, um bom dia, um boa tarde ou trocar uma gentileza àquele desconhecido – se é que nesta grande família universal deveria havê-lo – que cruza por mim…

Mas, voltando ao nosso assunto, os resíduos estão por aí, nas dunas, na orla, nas ruas. Para fazer minha parte, reuni alguns e resolvi virar ‘arteiro’. É só uma gota d’água, mas fiquei feliz!

Fotos: 1. Este verão (palitos, canudinhos…); 2. Verão passado (Machu picchu?)

(Verão e muito quente de 2011/12)

Ante tua Natureza perfeita e a despeito de ser Tua centelha, me sinto um grãozinho…

Como não me embevecer ante este ‘marzão’, apesar do poder que me deste para navegá-lo, palmilhá-lo, dominá-lo?

Como não me emocionar perante a rosa, a alamanda, o gerânio, apesar de me teres confiado o sagrado privilégio de semeá-los, adubá-los, escorá-los?

Como não ficar boquiaberto, ante a perfeição de todos os Teus ciclos renovadores – primavera, verão, outono, inverno… -, apesar da faculdade da compreensão com a qual me presenteastes?

Como, Pai, que, apesar de Teres permitido me tornar um animal pensante, não me comoverei com esta quantidade de irmãos menores que povoam meu Planeta?

Apesar de todos os meus sons bizarros após a espreguiçada matinal, a pequena corruíra não desiste de, diariamente, redobrar seu canto mavioso na minha janela…

Meu Pai, apesar de me considerar um grande arquiteto e um pintor de bom gosto ainda não consegui enfileirar harmoniosamente os grãos na espiga de milho e nem pintá-los com o amarelo ouro que lhe providenciaste…

Não obstante eu pensar que domino as palavras e as reúno em pensamentos, Pai, ainda não consegui redigir todas aquelas mensagens que escreveste com canetas estelares, com as órbitas Planetárias e com os riscos traçados pelos Teus cometas…

Mas Pai, apesar de pequeno grão, meu consolo é saber que sou parte de Ti e que estou integrado a todo este Universo por Ti gerado.

Protege-me, me guarda e permite que meu desempenho por aqui seja mais um contraponto e menos uma agressão!

Que assim seja, amém!

(Verão quente de 2011/12).