Archive for setembro, 2012

Minha felicidade, a que eu consigo enxergar ainda neste Planeta, sempre será proporcional à quantidade de felicidade que eu semear, adubar e ver germinar…

Se, dando rédeas ao meu egoísmo, viver tecnicamente e estritamente dentro de minha estreita razão, além de não produzir bem estar àqueles pelos quais sou co-responsável, dificilmente produzirei dentro de mim esta ambicionada virtude.

Felicidade produzida pelo doar-se é a antevisão de mundos hierarquicamente mais avançados e felizes que a Terra. Ou seja, como todo o livro tem um prefácio, a felicidade que tento construir por aqui também poderá ser só o prefácio da existente nas “muitas moradas de meu Pai.”

Felicidade é uma questão muito relativa, ou problema de degrau, pois…

…Fulano poderá entender que a sua será maior se mais ele ‘amontoar’, se mais ele receber, se mais ele tiver.

Mas beltrano poderá entender que tudo o que ele possuirá, será

o que ele doar, repartir, facilitar; fique entendido que facilitar, aqui, significa vender a um preço de justo a simbólico. Beltrano aqui, não estaria se importando em ter, mas em ser misericordioso, justo, saber compartilhar, ser… Feliz!

Mas quem me fará feliz? Eu mesmo! Inegavelmente, isso passará muito mais pelo meu coração do que pela estreita razão à qual me referia.

Hammed me diria que “ninguém pode nos fazer felizes ou infelizes [e que] sucessos e fracassos são subprodutos de nossas atitudes construtivas ou destrutivas.”

Construindo, torno-me o regente de meu destino e da minha felicidade junto!

Felicidade é um círculo vicioso ou corrente do bem, ação e reação: Se a produzir para alguém esse também poderá a produzir a um terceiro e o terceiro a devolver para mim.

O consumismo me dá, entretanto, idéias equivocadas de felicidade: Desejará querer me convencer que a felicidade será a tintura nova para o cabelo, ou medidas adequadas para o corpo, ou o scarpin atualizado, a bebida ‘x’, o carro novo ou a conta no banco tal…

No ‘pacote genético’ herdado de meu Pai, a felicidade não só é possível, como está incluída!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Ser feliz, pag. 23 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera de 2012). 

Criado simples e ignorante, em uma era remota, meu Pai não me fez bom nem mau. Baseado no “sereis Deuses” (João X, 34), transferiu-me, entretanto, uma ‘genética’ perfectível, ou utilizando-me de meu livre arbítrio, – uma espécie de faca de dois gumes – eu poderia, desejando ou não, lenta ou rapidamente, inclinar-me à perfeição e ficar o mais ‘parecido’ possível com Ele…

Apercebendo-me que somente um caminho me levaria à perfeição, um dia resolvi tomar as rédeas do bem… Mas quantas encarnações ‘gastei’ para me dar conta disso!?

Na rota da perfectibilidade, não está previsto comercialismo aos Espíritos. Embora responsável unicamente por minha destinação, não devo ignorar minha co-responsabilidade de gratuitos auxílios aos empreendimentos dos companheiros ao meu lado, filhos do mesmo Pai e também perfectíveis.

Mateus, no capítulo X, vv. 1 e 6-10, me conta que Jesus, quando escolheu os ‘herdeiros do Pai’ mais próximos a Si – os apóstolos – teria lhes passado várias recomendações sobre a gratuidade de suas tarefas, tais como “expulsar os espíritos imundos, curar todo mal e toda enfermidade; [enviou-os] às ovelhas que se perderam da casa de Israel [para anunciar-lhes] que o Reino dos céus está próximo.” Recomendou-lhes: “Recebestes de graça, de graça daí! Não leveis nem ouro, nem prata, nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados…”

A sobriedade do viver, o desapego e a gratuidade dos dons, me levam a diversos questionamentos:

  • Fortunas transmitidas de gerações a gerações – ouro, prata, dinheiro nos cintos -, mas sem gerar empregos nem bem estar aos caminheiros não consangüíneos, não seriam talentos enterrados?
  • Os bens inservíveis acumulados à volta de minha casa, sem ‘circularem’, não seriam meu talento a se deteriorar?
  • A gratuidade de minha mediunidade não colocada à disposição para expulsar os espíritos imundos, curar todo mal e toda enfermidade, não seria desconsiderar o meu talento?
  • Desperdiçar a oportunidade de me envolver com as ovelhas que se perderam da casa de Israel [para anunciar-lhes] que o Reino dos céus está próximo, não seria enterrar meu talento?
  • Minha vaidade no me apresentar, vestir, calçar, locomover, contrariando a exortação da ‘quantidade’ de túnicas e calçados, não seria ‘esnobar’ o meu talento?
  • Minha sovinice da túnica e do calçado a mais em meu armário e sem reparti-los, não estaria contrariando a máxima da gratuidade?
  • Somente a razão e minha técnica utilizadas em minha profissão, sem aplicar-lhes meu coração, não estaria enterrando meu talento sem que ele frutificasse?

Professor, médico, dentista, policial, bombeiro, gari, estoquista, frentista, advogado… sempre que utilizar sua técnica e razão aliada ao coração, poderá ter algo mais a oferecer à sua clientela. Esse ‘algo a mais’, não faria parte de uma gratuita e Divina genética?

(Primavera fria de 2012).

Achando-me razoável no quesito julgamento, venho tentando fazer boas escolhas entre o que é ou não certo…

Enquanto essas avaliações servirem à minha vida, tudo bem! Quando começo a catalogar atitudes da vida dos outros, me torno doentio interferindo em procederes alheios.

Normas, regras, preceitos, que um dia colecionei nesta ou em outras vidas, deveriam servir para nortear tão somente as minhas atitudes…

…Isso, porém, não acontece sempre que, ante as atitudes de meu semelhante, vou logo abrindo meu catálogo e o vou medindo, comparando: Este se adéqua, aquele não; este está na bitola, aquele fora… ‘Minha’ bitola, ‘meu’ catálogo, é claro!

E assim irei julgando, rotulando, catalogando, moldando, e não escondendo meus anseios de encaixar pessoas ao meu metódico catálogo, ignorando que elas freqüentam diferentes degraus.

Como empreendedores e fornecedores que elaboram seus catálogos e mostruários, utilizando-se, por exemplo, do padrão de beleza em moda, também eu, infelizmente, passo a montar o mostruário ideal – para mim -, prevalecendo-me do baú de informações que meu Espírito acumulou ao longo de séculos.

E assim vou observando, analisando e catalogando meu próximo conforme esse ideal baú de idéias e de acordo com o mostruário que tenho sempre em mãos, com o intuito de medi-lo e inquiri-lo com pensamentos, palavras, atos e omissões:

  • Dando asas a arrazoados estreitos, meu pensamento sempre saberá se reportar àquele que não se enquadra ao meu catálogo;
  • O chicote de minha língua, tão pouco poupará os que não rezam pelo meu breviário;
  • Minha mão riscará o fósforo que incendiará a fogueira de todos os que considerar desenquadrados; e
  • Serei sempre omisso no apoio àqueles que não desejarem tremular a bandeira que agito!

Considerarei ‘boas’ as pessoas que estiverem dentro de minha “coleção de regras e preceitos”. Serão más as que não de acordo com meu baú moral…

Mas não é bem assim… Dir-me-iam os autores que inspiraram este texto que “devemos julgar os indivíduos de forma não generalizada, apreciando suas singularidades, pois cada pessoa tem uma consciência própria e diversificada das outras.”

Necessário seria que me conscientizasse destas questões agora, para que, considerando girarem as máximas Crísticas em torno de “mesmas medidas”, não seja eu surpreendido ante à Suprema Corte pelo tribunal de minha consciência.

* * *

De mais a mais, julgar pessoas e situações é um tanto relativo… Explico-me: Intérpretes, compositores e poetas de meu passado, sobre os quais possuía restrições, poderão hoje ser meus heróis se comparados aos intérpretes pobres da atualidade, e a compositores de rimas e refrões infelizes e sem nexo, desprovidos de qualquer poética.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Tua medida, pag. 17 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera de 2012, com o frio de volta).  

Emmanuel e Francisco Cândido Xavier no capítulo do Livro da Esperança, intitulado Em louvor da alegria, se utilizariam da instrução de François de Genève,  item 25 do capítulo V do ESE, exortando que durante vosso [exílio] na Terra, tendes de desempenhar uma missão [imprevisível], quer dedicando-vos à vossa família, quer cumprindo as diversas obrigações que Deus vos confiou… Se sobre vós desabarem inquietações e tribulações, sede fortes e corajosos para [suportá-las].”

Tanto a instrução de François como o texto de nossos autores supracitados, dá-me a entender que:

1. Possuo, independente das inquietações e tribulações, representadas por todas as minhas dores físicas ou morais, ‘competência’ para produzir alegrias e bem estar tanto no meio familiar como tecnicamente na profissão que venha a escolher dentro de minha razão e livre arbítrio:

  • Pais de família, mães, filhos, avós… a despeito das dores e de todas as ‘TP’ que sentirem diariamente, precisarão contribuir com sua parcela de bem estar para que a família possua a maior quantidade possível de alegrias;
  • O vizinho que, apesar da amargura de ter visto o filho partir precocemente, não hesitará em cumprimentar-me diariamente, perguntar sobre os meus e, volta e meia, em atitude generosa me entregará, por cima do muro, o quitute que tanto aprecio;
  • O professor mal remunerado, mas que entende que a culpa não é dos aprendizes que estão à sua frente, mas de um sistema que não quer estabelecer prioridades a um País, poderá, apesar de suas dificuldades se tornar uma ‘máquina’ de produzir educação;
  • O médico que acompanha gestações durante os seus nove meses e ‘coloca no mundo’ crianças saudáveis, embora vendo em seu lar que sua amada não consegue engravidar ou perde um, dois, três bebês devido à necessidade de ‘encarnações relâmpago’, será aquele profissional que, mesmo dilacerado, colaborará com a alternância de Espíritos nos dois planos;
  • O policial e o bombeiro poderão estar dando uma segurança e prestando um socorro à sociedade que talvez lhes falte na própria casa;
  • O gari pode ter sua casa humilde rodeada por muitos resíduos, mas recolherá diária e impecavelmente o lixo que eu produza. É o gari gerando bem estar;
  • O político quer seja executivo ou legislativo que deseje ser correto – na contramão da contramão de muitos – e executar e legislar em favor ‘do povo’ precisará enfrentar a ira de uma maioria de seus pares;
  • O estoquista do supermercado que me informará com cara risonha onde estão localizados os produtos, objetos de meu desejo, poderá não tê-los ao alcance de seu salário… Isto não o impede de me produzir regozijo;
  • Da mesma forma, o frentista que ainda nem conseguiu adquirir seu automóvel, não deixará de ser solícito no trato ao meu carro; e…
  • …O profissional do riso? Por detrás de sua máscara talvez esconda amarguras mil, mas quando sobe ao picadeiro se transforma no agente do riso da alegria e do bem estar.

2. Cabeça, tronco e membros de meu organismo ainda classicamente assim dividido, serão se assim eu desejar, uma máquina de produzir bem estar e alegrias. Disse se eu o desejar porquê:

  • Se utilizar minha escassa razão, sem ‘envolver’ o coração, poderei estar utilizando ouvidos, olhos, olfato, boca e ainda as antenas de minhas mãos e braços ou as alavancas de minhas pernas e pés, tão somente para satisfazer meu próprio egoísmo… Mas,
  • …Pensamentos claros, olhares meigos, ouvidos caridosos, palavras construtivas, atrelados às alavancas e antenas de minhas pernas, pés, braços e mãos, poderão ‘fazer a diferença’ na máquina que eu deseje produza alegrias e bem estar.

* * *

As sete maravilhas do Mundo ‘atualizadas’: Poder ver, poder ouvir, poder tocar, poder provar, poder sentir, poder rir e, sobretudo, poder amar, utilizando-me das seis primeiras na produção de afeto, alegria e bem estar.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Em louvor da alegria, pag. 43 do Livro da esperança de Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, Ed. CEC) – (Primavera de 2012). 

Sociedade: embaraçosa para alguns, ‘gerível’ para uma maioria, imprescindível ao todo…

Impossível pensar progresso, sem raciocinar com sociedade.

Totalmente dependente dos dons de seus cidadãos, o progresso é gerado pela competência dos talentos de cada ser humano.

Em todas as épocas a humanidade viu brotar do seio de sua sociedade, todos os gênios que alavancaram o seu progresso, opinando, questionando, influenciando e também se expondo.

Não consigo imaginar Einstein, Da Vinci, Galilei, Niemayer, Descartes, Madre Tereza, Pitágoras, Mozart, Chico Xavier, São João Bosco, Kardec, Irmã Dulce, Ghandi… enclausurados ou isolados num mundinho só seus.

Assim como também não conseguiria imaginar me furtando ou sendo furtado da presença de todas aquelas pessoas que amo e que prestam inestimáveis serviços à comunidade em que vivo.

Eleger a cooperação como fator de impulsão de uma sociedade é utilizar-se de todos os diferenciados dons de cada um de seus membros.

Verifique-se que numa turma de quarenta acadêmicos de medicina, há um mesmo pendor, ou todos ‘pendem’ para uma mesma “obrigação que Deus lhes confiou” (François de Genève), não querendo isto significar que todos os quarenta, ao final da formação irão se especializar na mesma área; graduar-se-ão atendendo a conveniências, inclinações e exigências do progresso de suas sociedades.

Nem todos os militares da Força Terrestre serão infantes combatentes; haverá os cavalarianos, artilheiros, comunicantes, técnicos…

Nem todos os jornalistas hão de ficar confinados às suas bases – emissoras e editoras. Haverá os que se arriscarão a investigações, explorações, conflitos, ações humanitárias…

Sociedade e progresso: Interdependes ou, como ilustraria Kardec na pergunta da questão 768 de O livro dos Espíritos, “o homem, ao buscar a sociedade, há também nesse sentimento – sentimento pessoal – uma finalidade providencial, de ordem geral”. Desejaria o Criador ver Seus filhos reunidos em sociedade ‘providenciando’ a continuação de Sua Obra ou… progredindo. A ordem geral!

(1. François de Genève, item 25 do cap. V do ESE. 2. Sintonia e citações em itálico são do cap. Convívio social, pg. 167 de Mensagens de esperança e paz, de Waldenir A. Cuin, Ed. EME) – (Inverno chuvoso de 2012).

Desejar subir uma escadaria de dois em dois degraus ou correndo poderá ser perigoso. Mais! Poderá ser lastimável… Degraus foram feitos para serem galgados um a um!

Ocupar um degrau inferior é tão somente uma situação temporária. ‘Hay’ que se começar por algum…

‘Vivenciar’ cada degrau poderá ser uma arte: O degrau que ocupei ontem me serviu de suporte para o que ocupo hoje e este para o que ocuparei amanhã.

O Espírito não retrograda. A escadaria da evolução foi construída somente para subir; o Espírito que sobe um degrau, não retrocederá.

Alguns Espíritos sobem os degraus da evolução mais rapidamente, outros se atrasam um pouco e outros bastante.

‘Demônios’, obsessores, os que talvez desenvolveram somente o intelecto e o utilizam para o mal, embora ainda em degraus muito inferiores da escadaria são também destinados a atingir o seu topo, embora este ‘feito’ demore um pouco mais. É a perfeição à qual todos são destinados.

Convidar companheiros para comigo subirem a escadaria é uma atitude normal. Anormal seria eu desejar que todos queiram encetar a escalada, tendo em vista que o degrau é o ‘tempo’ de cada um.

Não há facilidades nessa escalada, portanto será imprescindível vacinar-se contra desânimos, conflitos, lamentações…

Se o cônjuge, os filhos, os amigos, os companheiros de jornada decidirem que ainda não é hora de “matar o seu homem velho”, isso não poderá me causar desânimo ou retardar meu “revestir-me do homem novo”, pois…

…Chegada a ‘hora’, cedo ou tarde, todos retomarão a escalada de sua escadaria.

Depois da borrasca, virá a bonança, ou, como diria Emmanuel, “toda a tempestade é seguida pela atmosfera tranqüila e não existe noite sem alvorecer”.

“Mesmo na dificuldade é preciso seguir”. Subir acompanhado a escadaria já me é difícil, imagina sozinho!

 (Expressões em itálico e sintonia são do cap. Mesmo na dificuldade é preciso seguir, pg. 155 de Mensagens de esperança e paz, de Waldenir A. Cuin, Ed. EME) – (Inverno chuvoso de 2012).

Costuma-se dizer, de uma pessoa muito iluminada e que já conseguiu reunir em torno de si bondade numa tal quantidade que transborda aos que a cercam: ‘Que criaturinha bem boa… essa fizeram e jogaram a fôrma fora’…

Na verdade não é bem assim; a fôrma de todos é a simplicidade e a ignorância que Deus usou para criar todos os Espíritos.

A partir daí e a cada acordo reencarnatório o Criador coloca a todos dentro de ‘embalagens’ diversificadas e de acordo com os avanços já adquiridos pelo ‘produto’.

A embalagem não é o mais importante, mas cabe salientar que, dentro de sua diversidade, algumas são grandes, pequenas, altas, baixas, atraentes, outras nem tanto, pretas, brancas, amarelas, pardas, coloridas…

Dentro de cada embalagem, Deus coloca um manual de bons procederes, que são as Suas Leis ou as Naturais.

O bem será sempre a adaptação do produto às Divinas Leis: Estaria, portanto, o indivíduo se conformando, se amoldado, ou tomando as formas do bem. Inversamente, o mal será a oposição a tudo o que estiver escrito na Lei – ou no manual: O indivíduo – alma/Espírito -, neste caso, estará se deformando, ou perdendo a forma primitiva; diria que ele estaria ficando ‘pior’ até que simples e ignorante.

As pessoas sobre as quais dizem ‘fizeram e jogaram a fôrma fora’, são justamente pessoas de bom intuito, de bondade ímpar e amoldada à Lei de Deus.

“O bem – explica a questão 630 de O Livro dos Espíritosé tudo o que está de acordo com a Lei de Deus e o mal é tudo o que dela se afasta”, correlacionando o bem à conformação e o mal à deformação.

Nenhum Espírito é criado ‘pronto’… A partir de simples e ignorante e se utilizando da generosidade das diversas vidas, ele irá se conformando e buscando uma evolução que é lenta, gradual e nunca retrógrada.

E o destino final? Bem, este é a perfeição, para conformados e deformados. Sim, também para os deformados, pois a fôrma, o molde, é boa!

Para os primeiros demorará menos; para os segundos, mais! Perfeição total? Aos que usufruírem o máximo da fôrma!

(Sintonia com o cap. Distinguindo o bem do mal, pg. 151 de Mensagens de esperança e paz, de Waldenir A. Cuin, Ed. EME) – (Inverno ameno de 2012).

Seria eu recluso apenas se vivesse uma vida monástica ou de clausura? Absolutamente! Torno-me recluso, encarcerado ou encerrado em torno de mim sempre que a insensibilidade a indiferença ou o culto de mesquinhas ilusões se apoderam de mim…

Fulano de tal me causa repulsa, beltrano me enjoa, sicrano me aborrece, fuão não fecha com meus anseios e assim, do alto de meu monastério, que não é nenhum convento, nenhuma abadia, mas apenas meu próprio eu, vou tarjando pessoas que comigo convivem.

Em Lei de Sociedade, a questão 770 de O Livro dos Espíritos me adverte que será um “duplo egoísmo [eu] viver em reclusão absoluta para fugir ao contato pernicioso do mundo”…

Mas por que, do alto de meu monastério vou apenas criticando e repelindo a fulano, beltrano, sicrano ou fuão? Porque, conforme ‘Don Aurélio’, todos esses seres de minha sociedade poderão me contaminar ou serem para mim, para minha família, maus, nocivos, ruinosos, perigosos… Dessa forma é melhor para mim que os afaste, que os olhe bem de longe e de cima… Sabe, com asco?!

Para viver estiolado ou isolado, portanto, palavras utilizadas amiúde no capítulo já citado, não precisarei – e aí a gravidade! – estar recluso em nenhum convento, mas apenas ao monastério de meu covarde egoísmo.

Indo ao fundo da questão deveria eu raciocinar que “pernicioso” é próprio deste meu Planeta de Provas e Expiações e, portanto, será inevitável expor-me a todas as ruínas e perigos que certamente ele me apresentará.

Nunca levarei um tapa se nunca expuser minha cara; ou haverei de perder algo que nunca ganhei?!

Escrever-lhes aqui e agora, na primeira pessoa do singular, expondo minhas franquezas e fraquezas é declarar-lhes minhas dificuldades e, de certa forma, lhes pedir socorro para minhas fragilidades… Isolado ser-me-ia bem mais difícil; juntinho a vocês fica leve!

Se eu viver intensamente, sempre tentando influir nos diversos segmentos de minha sociedade, certamente expor-me-ei muito mais que as pessoas ditas reservadas.

Sou, meu irmão – tu és, todos são – convidado a ser um arremedo do Cristo na difusão da sua Boa Nova e não penses que não advirão hostilidades por esse tipo de ousadia…

Isolado, jamais ‘ganharei’ o mundo; como que, isolado, absorverei os bons viveres dos maravilhosos que comigo convivem?

E a humanidade, fraudada dos grandes vultos que por aqui estiveram ou ainda estão? De quantas obras, descobertas, inventos, escritos, medicamentos, vacinas, máquinas, pronunciados, obras de arte, partituras, revelações… seria ela privada?

A mim não me basta ser partidário do Cristo… preciso tremular a bandeira com seu slogan! Do alto de meu monastério – o da indiferença -, como o conseguirei?

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Participação social, pg. 139 de Mensagens de esperança e paz, de Waldenir A. Cuin, Ed. EME) – (Inverno de 2012).