Archive for dezembro, 2012

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“Sensibilidade é patrimônio do espírito que já atingiu certo grau de percepção e detecção [da parte essencial] dos fatos. Faculdade esta alicerçada no ‘senso de realidade’, que tem a capacidade de penetrar nas idéias novas, captá-las e analisá-las sutilmente, com admirável eficiência e exatidão.”

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O camarada que ‘se derrete’ perante a cena romântica de um filme ou se arrepia ante a cena mais violenta do mesmo filme, poderá ser considerado uma pessoa sensível?

O sensitivo que escreve algo muito bonito e verdadeiro ou o que se apega somente a manifestações espetaculares do mundo espiritual poderá ser considerado uma pessoa sensível?

O eloqüente orador que se debruça sempre em cima de velhas idéias a respeito de velhos temas, que não consegue inovar, apresentando, por exemplo, novas idéias sobre um tema antigo ou uma forma nova de apresentar seu assunto poderá ser considerado uma pessoa sensível?animal-de-estimacao 

Hammed me ensina hoje: Que não há realidade em ambas as cenas do filme; que a realidade do sensitivo só começará ao praticar as coisas lindas que escreveu ou assimilar – através de mudanças – as informações bombásticas recebidas do mundo espiritual; e que o eloqüente orador só sensibilizará seus ouvintes no momento que compreender que a doutrina é dinâmica, flexível…

… Ou, o autor espiritual deseja me informar que sensibilidade, mais que lágrimas, espetaculosidades ou idéias retrógradas… é “senso de realidade”.Carinho 2 

Sensibilidade então é aquela bagagem que o andarilho de Deus conseguiu reunir no aproveitamento das muitas estradas percorridas e que perante um fato consegue analisá-lo, verificar sua essência e tomar uma atitude não com os sentidos externos, mas com o grande sentido da percepção que passando pelo coração e filtrado pela razão é logo posto em execução.

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A detecção e a análise do fato sempre serão feitas pela minha razão. Utilizando-me do “senso de realidade”, as percepção e sensibilidade de meu coração executarão a tarefa.

Aproveitando intervenção de querida amiga que me dizia hoje que ‘o importante não é mudar de ano, mas mudar de atitudes’, chego à conclusão que sua afirmativa é “senso de realidade”, pois desejar que por si só o ‘ano novo’ me proporcione melhores atitudes será não detectar a essência da oportunidade do tempo que se me apresenta pela frente.

UMA BOA MUDANÇA DE ANO E DE ATITUDES PARA MIM E MEUS QUERIDOS!

Sintonia e expressões em itálico são do cap. Grau de sensibilidade, pag. 195 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Verão de 2012). 

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“… E olhando aqueles que estavam sentados ao seu redor: Eis, disse, minha mãe e meus irmãos; porque todo aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”

A expressão do Mestre, um tanto aguda, em hipótese nenhuma deseja dizer o que à primeira vista se pensa. Não seria justo atribuir a Jesus uma renegação aos seus consangüíneos.

A verdade é que ao realizar este questionamento, Jesus se declara, mais do que um ‘elo de ligação’ entre a humanidade e o Pai, o decodificador dos anseios desse Pai com respeito a toda uma Família Universal pela qual zela.

Minhas atitudes, portanto, em prol dos demais que se assentam ao redor de Cristo, poderão determinar o meu grau de parentesco com eles; determinarão se sou, por exemplo, seu pai ou seu irmão, visto que somente minhas atitudes sensatas indicarão que estarei fazendo a vontade de Deus. Faria eu a grande diferença, se ao realizar minhas ações eu as soubesse filtrar: Não tanto o que poderei fazer, mas o que deverei fazer, no âmbito dessa grande Família Universal.

O nômade e peregrino indivíduo que já conseguiu fazer um bom aproveitamento de suas diversas vivências, não terá muita dificuldade de conviver com parentes heterogêneos, de castas, posições, credos, e gostos diversos, pois no aproveitamento de tais relações ele acaba somando experiências que contribuirão em sua evolução.

Na consangüinidade ou muito além dela as reencarnações me proporcionarão reencontros e desencontros: Quando os primeiros poderão me servir de regozijo, os segundos serão oportunidades benfazejas para reajustes, resgates e realinhamentos. Se todos, sentados ao redor do Cristo, não como meros espectadores, mas tendo-O como o irmão mais velho e Elo principal com o Pai dessa Família, toda a família estará no rumo certo e…

… Os que ainda não estiverem um dia estarão, pois o Pai lhes dará inúmeras oportunidades de reencontros!

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Meu grau de parentesco contigo é diretamente proporcional aos esforços que ambos despendemos em “fazer a vontade do Pai”.

Sintonia e expressões em itálico são do cap. Desapego familiar, pag. 191 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Verão de 2012). 

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O noticiário local veiculou recentemente a história de uma mãe que, tendo seu filho assassinado, viu-se com este problema e o de não mais poder engravidar. Durante anos essa mãe, independente de outras atitudes que tomasse como movimentar ONGs, fazia, diariamente, a oração do perdão pelo assassino. Hoje essa mãe e seu esposo possuem uma filhinha com mais de sete anos… 1

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Surpreendentemente, Hammed me ensina que o termo “raiva”, mais que crueldade, violência ou vingança, deseja significar “estado de alerta”, ou aquela energia que despendo e de acordo com meu degrau evolucional a transformarei em “construção ou destruição”.Com raiva e com uma evolução ainda claudicante, estarei destruindo; já com o prazer mostrarei atitudes muito longe das animalescas e estarei construindo.

Agir como esta mãe agiu mais que demonstrar uma atitude antinatural, evidencia o instrumento de defesa de que se utilizou para mostrar à sociedade que não se nivelaria à atitude animalesca do assassino – a da destruição – mas que desejaria mostrar o seu lado evoluído – o da construção.

A história adaptada, porém verdadeira, me põe frente a frente com dois tipos de evolução, desde o ‘homo erectus’ até os dias de hoje: A de uma mãe que evoluiu e a de um assassino que não pode ser comparado nem aos animais.10222012___agca_22102012173149 

Se, à luz da Doutrina é importante eu não ignorar os pregressos ranços que envolveram agredida e agressor, não poderei aqui desprezar a fantástica recuperação de uma das partes e o comprometimento e estagnação da outra.

Nunca fugindo a um antigo instinto de defesa e preservação, trazidos de meus primórdios animalescos, meus naturais auto cuidados ou estados de alerta poderão externar melindre, raiva ou ódio… Mas poderão, também e de uma forma mais evoluída significar audácia, persistência ou determinação. Ambos conduzirão à destruição ou construção; estagnação ou evolução; raiva ou prazer.

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Extinguiu-se do coração dessa mãe a raiva? Não! Simplesmente houve uma transformação: O que a terminaria de destruir – a raiva – ela sublimou para construção. Qualquer um dos sentimentos a ‘protegeria’, mas ela resolveu optar pelo segundo, mais condizente com as Leis Universais…

… Leis essas que lhe deram uma linda menina. O conjunto de construtivas atitudes que tomou ‘não trouxe seu filho de volta’… Mas lhe trouxe uma filha!

Talvez tenha ela canalizado para a causa que abraçou, em favor de pais e parentes com mesmo problema – uma ONG, talvez… – todos os sentimentos menores que pudesse ter, confirmando com isso que desejaria a construção em detrimento da destruição.

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A raiva brota de um natural e primitivo sentimento de preservação; quando sublimada, poderá construir ao invés de natural e ordinariamente destruir.

1. História adaptada, porém verdadeira; 2. Sintonia e expressões em itálico são do cap. Um impulso natural, pag. 185 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Verão de 2012). 

COM GRATIDÃO, DEDICO ESTE ‘RECOMEÇO’ A SILVIA GOMES…

Uma das mais lindas imagens que possa haver é a do pequenino caminhando sob os pés do adulto… Crescido, já não mais precisará tanto desse ‘veículo’ e caminhará já sobre os próprios pés. Já o Concurso Divino para caminhadas inequívocas, esse sempre será necessário…

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O bom do erro não é o erro em si, mas a oportunidade que ele me oferece para “renovação de atitudes”.

A primeira conclusão a que chegaria se minha existência fosse unicamente esta é a de que não poderia errar… Quantos equívocos já não cometi e ainda cometerei nesta e em outras oportunidades que tive e ainda terei? Pessoas que comigo convivem cometem também equívocos e esses sempre serão a escola para o aprendizado da renovação.

Com a existência única não haveria ‘tempo suficiente’ para as conseqüentes considerações sobre equívocos meus ou dos outros, de forma a lançar-me a uma necessária reparação.

Equívocos seculares, milenares, rusgas centenárias não serão saneadas numa só existência, mas há necessidade de muitas delas para o início de um processo de perfeição.

Tome-se como exemplo Francisco Cândido Xavier e Madre Teresa de Calcutá: Sob quantos equívocos chegaram ao seu processo de regeneração? Teriam ‘gasto’, nesse processo, somente uma vida? Muito pelo contrário. Não me enganaria em afirmar que ambos – e tantos outros ícones – são o somatório de todos os seus feitos, incluído, também, seus equívocos.

Equivocar-se, portanto, é algo perfeitamente normal. Anormal é deixar de fazer algo com o receio de cometer erros.

Detentor de um livre arbítrio, possuo a capacidade de escolher entre a melhor e a pior atitude. As piores atitudes não serão, entretanto, o fim da linha, pois apesar de cometê-las, minha liberdade continuará a me convidar às boas atitudes, pois…

… Erros e acertos são apenas convites: Enquanto os primeiros me convidam a uma reflexão os acertos me convidam a uma perseverança. E tal equação é válida para mim e para meus assemelhados, pois, como me diria Hammed, “se criaturas como nós aceitamos as falhas dos outros, por que o Criador, em sua infinita compreensão não nos aceitaria como somos?”

Seria Deus aquele Pai carrasco que me dá um brinquedo ‘quebrável’ e me exige que não o quebre?

Todo o caminho trilhado até agora foi o compatível com a minha competência espiritual, mas “se, porém, achamos hoje que ele não é o mais adequado, não nos culpemos; simplesmente mudemos de direção…”

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Deus, pura Justiça e Bondade, e por saber quão esburacada será minha rota a percorrer, é tal qual o feixe de molas que suaviza o deslocamento de meu veículo em seus percursos. Sabedor de todo o meu íntimo, coloca à minha disposição as Falanges do Acerto, sempre aptas a me ditar o bom senso de minhas atitudes; se considerar como normais minhas falhas e dessas Falanges não desistir, também elas de mim não desistirão…

… Dessa forma, estarei fazendo de meus erros uma oportunidade para “renovação de atitudes”, desde que haja honestidade e boa vontade na reflexão sobre meus equívocos.

 (Sintonia e expressões em itálico são do cap. Todos são caminhos, pag. 181 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Primavera de 2012). 

Em recente visita a uma importante vinícola da Serra Gaúcha, tive o privilégio de acompanhar uma robotizada linha de produção que, no início, recebia a garrafa, seu conteúdo e a rolha… Ao final da linha o produto final acabava encaixotado e pronto para, diria, sua ‘morte’ ou o consumo. Mas antes de tudo isso, onde estaria a ‘essência’ de tudo isso? Na videira! Ou na planta que a cada ano irá se renovar, espocando seus brotos, florescendo e produzindo novos cachos que novamente reiniciarão o ciclo produtivo…

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Dir-me-ia Hammed que “os fenômenos de nascimento e morte são etapas de um processo natural da vida”… Nascer – ou renascer – o espírito, ou essência, num corpo de carne e com ele conviver, zero, cinco, cinqüenta, cem… anos, para depois entregá-lo ao túmulo, será só uma das etapas a ser cumprida pelo meu espírito.

O que minha alma fará e como encarará as provas oferecidas pela presente etapa é o que será considerado: Ou o processo terá avançado na ‘linha de produção’ se minha alma não houver desperdiçado essa etapa benfazeja.

Em encarnar, desencarnar, novamente reencarnar e na repetição de todas essas etapas não há, em momento sequer, por parte de meu espírito a interrupção de sua essência e tão pouco tais processos deixarão de serem os aliados de minha alma/espírito. De nada me serviria, portanto, encarar essas etapas como adversárias, pois todos os infortúnios que se me apresentarem será divinas ou regeneradoras razões.

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Neste nomadismo em que eu, minha família, meus amigos e minha grande família universal vivem cada qual encarará de uma forma diferente as suas ‘perdas’… Independente de credos e crenças, todos sentirão o apartamento da alma do corpo de seus queridos de uma forma muito doída; seriam antinaturais se assim não procedessem.

O que a Doutrina Espírita tenta elucidar aos seus simpatizantes, estudiosos e militantes é que a essência, a vida, – como a essência/seiva das videiras – essa não cessa; muito pelo contrário, numa alternância de encarnada/desencarnada, se perpetuará e cumprirá sempre todas as etapas de um natural processo.

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“E, quando este (corpo) mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (I Cor 15:54 e 55).

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Pesos inúteis, pag. 173 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) –

Foto nº 1 –  Linha de produção da Vinícola Salton, Bento Gonçalves-RS – (Primavera de 2012). 

Quem chega à região de Bento Gonçalves, se depara com algumas curiosidades. Declino algumas, numa ordem que estabeleci – para mim – como importante:

1. Em repartições turísticas, em sua maioria exploradas por particulares, não se vê um único ‘palito de fósforo’ no chão. Na estação de Bento Gonçalves fui a um banheiro público – e químico – com um perfume de fazer inveja a todos os que já vi;

2. Qualquer espumante que se beba é ‘somente’ espumante… O da Peterlengo ganhou (judicialmente) o status de Champagne;

3. Nas primeiras fileiras dos vinhedos ainda se vêem roseiras. Hoje, somente decoração, já foram antigamente, um anúncio das predadoras formigas, pois estas antes de atacar os vinhedos, ‘atacavam’ as roseiras. Em muitos vinhedos ainda os potentes plátanos servem de sustentação aos vinhedos contra possíveis vendavais;

4. Muito comum nos passeios de Maria Fumaça, os artistas te tirarem para dançar;

5. Na vinícola Salton há uma Santa Ceia pintada com as faces de funcionários da vinícola. Ainda nessa vinícola os jardins são comparados, por exemplo, aos do Jardim Botânico de Curitiba;

6. A Igreja de Nossa Senhora das Neves, no Vale dos Vinhedos e inaugurada em 1907, durante forte seca, foi construída com a doação de 300 litros de vinho por família;

7. A primeira ponte, sobre o Rio das Antas, veio a baixo, fazendo algumas vítimas;

8. Em Caminhos de Pedra há umbus centenários que chegaram a abrigar em suas raízes, imigrantes recém chegados à região em 1875;

9. Na Casa da Ovelha, em Caminhos de Pedra há uma diversidade muito grande de produtos feitos a partir do leite de ovelha… Cada fêmea pode produzir até 4,5 litros de leite/dia;

10. Em Caminhos de Pedra, a Casa de Pedra da Cantina Strapazzon já serviu de cenário para algumas filmagens, entre elas “O quatrilho”. Nessa propriedade preservam-se as quatro moradias de seus donos;

11. Em Carlos Barbosa há, no Show Roon da Tramontina, um presépio feito a partir de resíduos inox (sucatas) de colheres, facas, garfos e outros produtos da empresa;

12. “Se o vinho atrapalha seus negócios, largue os negócios”… é só uma das curiosas frases dos corredores da Vinícola Aurora, maior do País e terceira do mundo; e

13. Guias das vinícolas, geralmente enólogas, poderão repedir o gesto de Napoleão Bonaparte, ao abrir um espumante com espada – sem fio – para isso apropriada.

Com estas curiosidades, encerro minha saga por essa bela região… OBRIGADO BENTO!

(Primavera quente de 2012). – Fotos: 1. Limpeza! 2. ‘Santa Ceia’; 3. Jardins da Salton; 4. Roseiras ‘contra formigas’; 5. Umbú centenário; 6. Frases da Aurora; e 7. Espada ‘à Napoleão’.

 

D. Cristiane já havia atendido a uma turma de turistas de fora do estado, mas sem sinais de cansaço nos recebeu, com sorriso largo e um ‘portuliano’ fluente e gracioso, na primeira casa, a de pedra, construída em 1876 por Giovanni Strapazzon. Entre uma degustação e outra de ótimos vinhos, sucos, grapas e licores – Amaretto, o melhor deles – a simpática senhora nos contava que ali foram filmadas cenas de O quatrilho e que tal evento impulsionaria a visitação à sua propriedade.

Num lote todo emoldurado por belos parreirais, D. Cristiane nos dizia e nos mostrava que ali estavam erguidas as quatro casas construídas de 1876 para cá: A primeira, de pedra – onde foi filmado parte de O quatrilho – a segunda, em madeira, que está sendo restaurada, a terceira, onde em seu porão funciona a cantina, e a quarta casa, mansão da família, construída recentemente com o intuito de sediar uma pousada.

Entre uma degustação e outra de salame, copa, queijo e licores, nossa querida ‘anfitriã’, ainda nos contava historinhas como a da eira, beira, tri eira. Dizia ela que antigamente, pelos idos de 1940, as casas possuíam no beirado dos telhados, eira, beira ou tri eira ou ‘nada disso’ e os jovens que desejavam se casar, antes de conhecerem a moça da casa olhavam primeiro para o beirado da construção; caso não tivesse eira nem beira,nem chegavam a falar com o pai da moça. Se a casa tivesse beira ou tri eira, se ‘encorajavam’ e falavam com o pai da pretendida. Verificando que sua casa possuía tri eira, arrisquei afirmar que para ela tinha sido ‘fácil’ arrumar um bom partido… A jovem senhora, entretanto, desconversou.

Perguntada, ainda, se nunca tivera vontade de se mudar para o outro lado da cidade – o glamoroso Vale dos Vinhedos – a senhora me explicou que ali seu Giovanni havia recebido – e pago – seu lote e que suas gerações ali se fixaram e procuraram fazer o ‘melhor possível’.

A conversa no porão da casa de 1940 continuava agradável, pois os produtos eram gostosos, as explicações francas, e a honestidade, trabalho e alegria estavam estampados na fronte daquela senhora, de uma quarta geração de imigrantes que chegaram àquelas terras em 1875.

Obrigado, D. Cristiane, por nos mostrar talvez e em minha opinião, o melhor lado de Bento Gonçalves.  Grazie di tutto e che il Padre celeste e Maria, Madre di Gesù a proteggerti sempre!

 

Fotos: 1. Giovani Valduga (Guia), D. Cristiane e Maria de Fátima; 2. Casa de Pedra; 3. Casa de madeira (em restauração); 4. Cantina (Casa de 1940); 5. Mansão (Pousada); e 6. Detalhe da ‘eira, beira e tri eira’ – (Final de uma primavera quente de 2012).

 

Distante 120 km de Porto Alegre, Bento Gonçalves, sem nenhuma ‘maquiagem’, esbanja trabalho e simpatia. Desde a volta ao passado, através de um passeio de Maria Fumaça ou pela rota dos Caminhos de Pedra, passando pelo famosíssimo e promissor Vale dos Vinhedos e dando uma esticada até o Vale do Rio das Antas, tudo é de encher os olhos.

1. Maria Fumaça – O passeio de Maria Fumaça é um culto ao passado. Com duas rotas – Bento/Garibaldi/Carlos Barbosa e vice versa – seis vagões são puxados por uma antiga máquina a vapor. Sempre lotados, os comboios param em pequenas e antigas estações de trem muito bem cuidadas, onde há degustação de espumantes e sucos naturais de uva. Com a composição em movimento de 20km/h há apresentações teatrais, musicas gauchescas e muita música italiana, quando homens e mulheres dos grupos ‘tiram’ os passageiros para dançar.

2. Vale do Rio das Antas – No Vale está situada a vinícola Salton, onde é possível uma visitação por passarelas superiores muito seguras de toda a ‘engrenagem’ da empresa incluindo uma linha de produção totalmente robotizada. Diria que no início da linha entra a garrafa com a bebida e a rolha e no final da linha o

produto sai encaixotado. Há muitas outras atrações no Vale, mas o visitante que para ali se dirige deseja ver mesmo é o desenho que o rio faz entre as montanhas, como a ‘ferradura’, por exemplo. A ponte sobre o rio, com sua arquitetura ímpar, faz parte desse maravilhoso cenário.

3. Vale dos vinhedos – Impossível ir a Bento e não visitar o Vale dos vinhedos. Além do charme das encostas caprichosamente cultivadas com vinhedos, no Vale estão localizadas importantes vinícolas como a Miolo e a Casa Valduga. Inúmeros produtores que aí detém seus lotes desde 1875 – chegada dos primeiros imigrantes – os conservam produtivos e, na qualidade de associados, sempre ‘entregarão’ sua safra a uma das importantes vinícolas da região, em número de trinta, mais ou menos.

4. Caminhos de Pedra – Situados na direção oposta ao Vale dos Vinhedos, no distrito de São Pedro, Caminhos de Pedra preservam as primeiras casas de pedras ocupadas pelos imigrantes desde 1875. O silêncio e a ‘calmaria’ imperam em Caminhos de Pedra, onde descendentes dos imigrantes – quarta geração – tocam diversos negócios. Em Caminhos de pedras há pousadas, restaurantes e cantinas e pode-se destacar a Cantina Strapazzon, Casa Madeira, Casa da Ovelha, Casa da Erva Mate Ferrari… Em cantina Strapazzon, por exemplo, é possível se ver, muito bem cuidadas, a primeira casa, de pedra – onde foi filmado parte de O quatrilho – a segunda, em madeira, que está sendo restaurada, a terceira, onde funciona a cantina e a quarta casa, mansão da família, construída recentemente com o intuito de sediar uma pousada. Caminhos de Pedra é tudo silêncio e harmonia; ótimo lugar para quem sai do agito passar todo o tempo de refazimento que for possível.

Impossível, ainda, deixar de citar aqui a Vinícola Aurora, maior do País e terceira do mundo, que fica no centro da cidade e parte abaixo dela, pois avenidas da cidade passam por cima dos ‘porões’ do estabelecimento.

Como esquecer, ainda, no vizinho município de Garibaldi a Vinícola de mesmo nome e a Peterlongo, especializadas em espumantes. Aliás, esta última, a única no País que seus espumantes atingem o status de champagne,

título esse adquirido judicialmente, pois quinze anos antes que a Cidade de Champagne, França, a Peterlongo produziria seu primeiro champagne.

Como não citar Carlos Barbosa, município também vizinho, seu Futsal e a Tramontina com seu Show Roon onde se entra e não se quer mais sair.

Em fim, muito trabalho e simpatia numa região que sabe receber o visitante e que, nua e crua, é exatamente o que é ‘sem nenhuma maquiagem’, como diria um dos tantos guias que atendem aos visitantes.

Fotos: 1. Passeio de Maria Fumaça; 2. Barris de carvalho na Vinícola Salton; 3. Curva da Ferradura no Rio das Antas; 4. Modernidade na Vinícola Miolo; 5. e 6. Igreja construída ‘com’ vinho; 6. Encostas do Vale dos vinhedos; 7. Casa de Pedra da Cantina Strapazzon; e 8. Presépio no Show Roon da Tramontina, feito dos resíduos de material inox. – (Final de uma primavera quente de 2012).

 

“Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E disse-lhes: ‘Vinde após mim e vos farei pescadores de homens. ’” *

É impossível ler esta citação do evangelista sem considerarmos a região em que vivemos: O quadrante leste/sul de nosso estado é, por uma generosidade da natureza, banhado por duas bacias importantes, um punhado de lagoas, uma laguna de extrema importância – a dos Patos –, um canal natural – o de São Gonçalo – que liga a laguna à Lagoa Mirim, e uma Estação Ecológica, a do Taim. Esse complexo todo forma a chamada Costa Doce. Ao longo desse sistema, e por ser a região vocacionada para tal, desenvolvem-se seis das dezesseis colônias de pesca do Rio Grande do Sul (Z-1, Z-2, Z-3, Z-8, Z-11 e Z-16). Volta e meia escutamos notícias das dificuldades desses profissionais, principalmente por ocasião do defeso, período estabelecido pelo IBAMA, no qual a pesca é vetada.

Jesus vivia também à época de sua Encarnação Redentora, em uma área que, além de pastoril, apresentava características semelhantes às supramencionadas: Onomatopeicamente combinando com Nazareno ou Galileu, o lago de Genesaré ou mar da Galiléia era o pesqueiro favorito do Mestre, digamos, a sua praia: Quantas vezes, às suas margens o Divino Amigo não lançou as suas redes, os seus espinhéis, as suas esperas!? Alegorias à parte, esse seria o palco onde faria pregações memoráveis, pronunciamentos e admoestações que não se perderiam nos milênios subseqüentes.

Pois foi neste cenário que Ele, mais que convidar pescadores, convocou-os a serem pescadores de almas; e urgia fazê-lo! “O” Pescador em breve se afastaria e a missão precisava ser delegada. Pedro, André e os demais, apesar de suas ignorâncias, entenderam os propósitos de Jesus.

Hoje, os convocados somos nós; precisaremos, entretanto, estar muito atentos ao tipo de cardume que desejaremos incorporar ou o público alvo a atingir ante a nossa convocação. Adolf Hitler, por exemplo, era um exímio pescador, cercado de auxiliares capacitados, no entanto muito suspeitas eram as técnicas que utilizava na atração de seu pescado. Se, por um lado, nosso Mestre convidou pescadores de peixes a pescar determinadas espécies de almas, o médium e gênio do mal também utilizava técnicas próprias no assédio a seus asseclas.

Os gênios do bem, tais qual os do mal, sempre estiveram em nosso Planeta lançando as suas redes; é próprio de um Sistema de Provas e Expiações esses contrastes, visto sermos um povo santo e pecador. Dessa forma, convivemos, ao longo das décadas, séculos e milênios com pescadores e pastores se alternando em seus propósitos.

Se outrora o convite foi feito aos apóstolos, ainda hoje podemos ouvi-lo do Amável Barqueiro que talvez nos diga assim: Podeis vir comigo, podeis tornar-vos pescadores de almas, quando não mais estiver por aqui encarnado, timoneareis a minha Palavra, vós a lançareis à esquerda e à direita do mar impetuoso… Se fordes habilidosos, vossas redes encher-se-ão de almas sedentas de minhas verdades!

Muitos peregrinos do bem, em detrimento do mal, entenderam os divinos propósitos e se lançaram ao pastoreio ou aos pesqueiros; nem todos foram intitulados santos, porque não se enquadravam ao rebanho dito tradicional… Mas o Altíssimo os entendeu, a todos, como os Pedros e os Andrés de outrora: Dessa forma, por aqui desfilaram, entre tantos outros, Martin Luther King, Chico Xavier, Irmã Dulce, Dom Bosco, Nelson Mandela, Madre Teresa, Bezerra de Menezes… E aqui os misturamos propositalmente, independente da santidade declarada ou não. Será mesmo que não pertenciam ao mesmo rebanho? É evidente que sim, pois o propósito era comum: O devotamento ao bem.

Não nos iludamos, porém… Os Hitleres estão por aí disfarçados nas ilusões de todas as espécies, nos apelativos diversos, nos cantos das sereias que poderão invadir nossos pesqueiros e nos lobos que sempre tentarão ceifar nosso rebanho.

Como vemos, pescadores, cardumes, pastores e rebanhos, os há de todas as espécies o que precisamos é nos enquadrar!

 Subsídio: * Mateus, cap. 4, vv. 18 e 19 – (Primavera de 2011)

Pub em ‘O Clarim’, Dez/2012.