Archive for janeiro, 2013

corpo e alma

Não sobrevive uma sociedade – aqui, uma sociedade anônima – sem que seus parceiros, os sócios cumpram as cláusulas contratadas ou que moralmente cada indivíduo associado despenda todo o esforço necessário para que a empresa dê lucros, se expanda e proporcione progresso…

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Para apaziguar ânimos de “ascetas, que tem por base o aniquilamento do corpo e o dos materialistas que se baseia no rebaixamento da alma”, o Espiritismo vem afirmar à humanidade que o convívio harmônico de ambos – corpo e alma – será necessário, pois a cada dia, mais e mais, pesquisadores descobrem relações de dependência entre ambos.

Corpo e espírito não são adversários. Embora o espírito anseie por sua libertação da carne, o que ocorrerá mais hoje ou mais amanhã, dado a efemeridade da matéria e a sua natureza espiritual, esse mesmo espírito precisará compreender que na presente vivência precisará estabelecer uma formidável parceria com o corpo do qual temporariamente é cativo, mas paradoxalmente associado.pagvip_1091_10148

Meu corpo físico não é, portanto, nem o vilão nem o mocinho da presente parceria: Todas as mazelas e todas as virtudes que meu corpo físico exteriorizar é uma produção única de meu espírito, ou…

… O indivíduo que possuir um corpo escultural e desejar prostituí-lo evidenciará tão somente um anseio do espírito. Roubar, matar, maltratar fisicamente familiares… são  ‘vontades’ do espírito as quais o corpo executa.

E aqui está a importância desta parceria: A boa índole do espírito ou o bom acervo que já conseguiu reunir nesta ou em outras vivências, proporcionará ao corpo também materializar boas ações; em caso contrário, este também exteriorizará ações de uma parceria nefanda.

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Tal qual uma tela de cinema ou de computador, meu corpo somente exterioriza imagens que são geradas pelo projetor cinematográfico ou pelo PC que é o meu espírito.

(Item 11 do cap. XVII do ESE – Sede perfeitos) – (Evangelho no lar do dia 29 de janeiro deste verão quente de 2013).

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Visivelmente abatido, cansado e emocionado, às 00:30h de hoje, 28 de janeiro, um major da Brigada Militar, já com seus cabelos embranquecidos, dava uma entrevista a uma não menos consternada repórter e apresentadora da RBS. Dizia o militar que ali estava, no Centro Poliesportivo de Santa Maria, fazia quase vinte e quatro horas; que possuía duas jovens filhas e que as havia desaconselhado, como pai, de irem à boate Kiss, na noite anterior. Externava, ainda, à repórter, que ‘estava ali exercendo sua profissão e que, apesar da consternação geral que se abatia sobre as diversas equipes que atendiam as também diversas fases, precisava ser frio e tocar o trabalho das equipes que lhe competiam’. Ao final da entrevista, visivelmente comovidos os dois, a repórter aconselhou-o a ir para casa, descansar e abraçar suas filhas que, atendendo-o, teriam deixado de ir à boate…

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“Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só; mas se morrer produzirá muito fruto. Quem ama sua vida a perde e quem odeia a sua vida neste mundo, guardá-la-á para a vida eterna” – (João, 12: 24 e 25).

“Homens que vivem na reclusão absoluta para fugir ao contato do mundo [deixam de] fazer mais de bem do que se faz de mal, visto [esquecerem] a lei de amor e de caridade” (Questão 770 de O livro dos Espíritos).

O episódio primeiro, a exortação de Jesus através de João e a questão 770 me conduzem a realizar algumas considerações sobre a tragédia que se abateu sobre Santa Maria, Brasil e o mundo:DESAPEGO

  • Se o major não houvesse germinado, crescido sobre o altruísmo, aquela população de profissionais e voluntários, – mais ou menos quinhentos no Poliesportivo – vítimas em triagem e familiares, não estariam colhendo os frutos de sua generosa vocação;
  • As sementes somente germinam, crescem e principalmente frutificam quando inseridas em sociedade e desapegadas de seu comodismo, ou fora de seu desapego defensivo – clausura, isolamento, contemplação… Instalam em si, com esse processo, o desapego saudável;
  • Num primeiro momento em que se discutem soluções e medidas a tomar, partindo-se do pressuposto que a tragédia teria sido mais negligência do que acidente, não se pode ignorar que essa prevenção começa em casa: Minha filha ao ser recomendada da inconveniência de ir à ‘balada’ em determinado ambiente, poderá me retrucar, ‘sai, velho! – ou coroa – Não entendes nada de night!’ Mas também poderá agir da forma que agiram as filhas do major em questão;
  • O contato do mundo, deste mundo de Provas e Expiações, é lógico que ainda não é o desejado, pois sua ‘promoção’ ainda está por vir. Cabe-me, e a todos, a missão de fazer mais de bem do que se faz de mal. Enquanto isto não acontecer, Planeta e planetários ainda estarão susceptíveis a ‘necessárias’ catástrofes como esta;
  • Há, pois, um aviso mais ou menos velado da Divindade nestes episódios que parecem lamentáveis, porém educativos: Enquanto leis humanas não se adequarem ou forem consoantes às Divinas e o zelo de pais terrenos, das autoridades e o próprio zelo de cada um forem um arremedo do Divino Zelo, de nada adiantará a solicitude da Divina Providência;
  • O indivíduo que ama por inteiro, aquele que não esquece a lei de amor e de caridade, agirá com coerência em todos os segmentos em que atuar, – família, profissão, sociedade… – até na hora de dizer um ‘não’ ao seu adolescente/jovem: ‘Não, meu filho! Em nome do amor, de tua preservação e por minha ainda gerência sobre ti, isto não te convém!’ e
  • Importar-se, – do latim importare ou trazer para dentro – sempre será o legítimo desapego saudável ou aquele que praticarei entendendo que a sociedade isso me impõe. Numa cômoda defensiva como me importaria? Do menor núcleo, a família, às responsabilidades mais amplas e complexas das autoridades, importar-se por cumprimento e fiscalização de regras, poderá poupar inúmeras vidas.

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Fechar as cortinas da janela de minha alma, ficando à deriva de uma sociedade que me compete, enclausurado, por exemplo, não é nenhum tipo de desapego; este, de cunho estritamente moral, só será verdadeiro quando germinar, crescer e frutificar.

As boas conquistas de minha alma serão os únicos bens que transportarei para a Vida: Diretamente proporcionais ao desapego saudável elas sempre serão inversas ao desapego defensivo, o da clausura.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Desapego, pag. 25 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013; dia D+1 da tragédia de Santa Maria).

Escravo

Conta-me a história de meu País – literatura, artes, imagens, obras de ficção… – que a escravidão negra no Brasil começa no período colonial e estende-se até o final do império. Os negros que muitas vezes sob o efeito da chibata eram forçados a trabalhos na indústria açucareira, mineração e alguns trabalhos domésticos, ao se recolherem à senzala, à noite, cantavam e dançavam ao som de lamentosas canções, demonstrando dessa forma que seus corpos eram escravos, mas não as suas almas. Tais lazeres contrariavam seus senhores por não vê-los subjugados por inteiro. Ao promoverem suas fugas das fazendas, esses indivíduos requeriam mais a liberdade física, já que de espírito estavam libertos.

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Ao ser criado o meu espírito simples e ignorante, deu-me de inhapa o Criador a minha liberdade. Dessa forma a liberdade sempre fez parte da organizada Lei Divina, tornando-me uma Sua criatura naturalmente não subjugável.

  À medida que mentes saíram de sua natural ignorância e atingiram determinado grau de imoral esperteza – os espertalhões – começaram a subjugar semelhantes: Atendendo aos apelos do orgulho, vaidade, egoísmo e ganância, esses indivíduos involuíam, ou saíam do estado de ignorância e passavam a ignorar as Naturais Leis.

Hammed me diz que há duas espécies de jugo, o que me impõem e aquele que eu me imponho, ou me torno escravo de alguém ou de algo.

Ser escravo de alguém pode significar, literalmente, aquela escravidão que sofreram meus irmãos que vieram da África. Mas também poderá significar que por falta de opinião, por desejo de promoção ou por algum tipo de idolatria eu me submeta à opinião de terceiros. Enquanto que os escravos negros tinham seus corpos escravizados, aqui eu terei minha mente escravizada.

Ser escravo de algo significa submeter-me ao jugo de uma série de paixões, mazelas, vícios morais… Ou algo a que idolatro, segundo o próprio Hammed, por falta de uma opção melhor. No fundo, no fundo, quando me torno escravo de algo, também estarei me tornando escravo de alguém: ‘Toma essa cervejinha que ela te fará alegre e corajoso e além do mais ficarás mais homem!’, dir-me-á o encarnado rodeado de desencarnados afins que o estarão secundando. Subjugado a algo pressupõe, pois, ‘subordinação’ a encarnados e desencarnados.liberdade

Sob a vontade de Deus e ao desejar me talhar à sua imagem, me torno o único governador de mim mesmo.

Se o dogma, herança de um passado assombroso, cerceador de liberdade de mentes, ficou para trás, preciso ter cuidados com o dogmatismo que poderá me causar a mesma subjugação a algo ou a alguém e que, fugindo a uma naturalidade, poderá me causar embaraços semelhantes aos causados aos ditos ‘hereges’ de outrora.

Fazer uma ‘cavalo de batalha’ em torno de pequenas regrinhas do dia-a-dia, além de ferir a fraternidade de uma sociedade, poderá resultar na intolerância com cheiro – ou fetidez? – a dogmatismo.

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Ao me ajustar à Vontade de Deus ou à Lei de Deus ou Naturais, vivenciarei o mais absoluto senso de realidade, já que o meu Grande Fiador – de sustentação, resguardo e inspiração – me proporcionará a desindexação do algo ou alguém, o que resulta em liberdade e alegria amplas.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Alegria, pag. 21 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

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Nestes tempos de movimento intenso em ‘minha’ praia em que pessoas se acotovelam em supermercados, farmácias, bancos… Estava eu na fila da fiambreria de meu mercado onde pedira à gentil funcionária duzentos gramas de queijo e mais duzentos de presunto sem capa. Após me entregar ambos a atendente, sorrindo, me perguntou:

– Algo mais, senhor?

– Sim! Respondi-lhe. Bom dia!…

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Entrando no assunto de ‘movimento intenso’, que é cíclico no Balneário Cassino, cabe-me salientar que todos são responsáveis em amortecer ou abrandar os ânimos, para que esta convivência se torne o mais saudável possível.

Em ambiente de fluxo intenso como o supermercado, cada qual possui sua razão: O veranista temporário tem pressa; ele acredita que o tempo gasto em cada fila do mercado é ‘o’ tempo a menos que ele estará aproveitando de um curto e caríssimo veraneio. O morador, que de certa forma vê ‘invadidos’ locais onde se acostumou a resolver seus problemas, se irrita, alegando que sua tranqüilidade durante o veraneio é quase nula.

‘Voltando à fiambreria’, sou de opinião que o equilíbrio, o bom ânimo e, principalmente, ‘me desarmar’ optando pela cortesia, será a melhor receita. Tentar manter a jovialidade no rosto, a boa educação, e principalmente a gentileza, poderá diminuir o ímpeto de ambas as partes.

Para mim que optei em adotar este lugar para morar, procuro encarar o assunto tentando me enquadrar na questão 388 de O livro dos Espíritos, acreditando que “os encontros que ocorrem, algumas vezes, de certas pessoas e que se atribuem ao acaso, [são] o efeito de uma espécie de relações simpáticas…” e que “há entre os seres pensantes laços que ainda não [conheço]…”Frases-de-amizade-verdadeira-para-amiga

Por que ao estacionar meu automóvel na orla acho o vizinho de minha direita tão simpático, cumprimento-o e ele responde? E por que o da esquerda não me dá a mínima chance de saudá-lo e acho-o tremendamente antipático? Primeiro: Ambos os encontros não são acaso. Segundo: Os laços da afeição e da antipatia não são gratuitos. Terceiro: Não se trata de brandura ou ‘birra’ com um ou com o outro, mas um puro magnetismo, que envolve este trio e que não é de hoje…

Dir-me-ia hoje Hammed que vivemos na atualidade a mais grave das privações humanas – a incapacidade de manifestar nosso amor e carinho de modo claro e honesto e sem nenhum receio de ser mal interpretados e que o amor, esse nobre sentimento somente se efetiva quando expressado em atos e atitudes.

Necessário dizer que de povo para povo a fraternidade e a união entre os homens se manifestam de formas diferentes: O americano não ousa se tocar muito e os brasileiros que lá fazem isso, são mal vistos; o oriental se harmoniza e se saúda com reverências; já os brasileiros abraçam, beijam, falam tocando com as mãos… sem nenhum receio de ser mal interpretados!

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 Se eu te disser que sou religioso, tu poderás desconfiar de mim e desejar conferir através de minha religiosidade se, realmente, sou religioso…

… Explico: Conferir minha religiosidade significa verificar se o amor está expresso em meus atos e atitudes.

Se minha religião – do latim ‘ligare’ ou ‘religare’ – não servir para vincular ânimos acirrados, contendas, disputas, tumultos… à moral do Mestre Jesus, que diz que todos são irmãos e filhos de um Pai amoroso, minha religiosidade será de ‘meia pataca ou de pataca nenhuma’.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Amor, pag. 189 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013, indo ao ‘lotado’ supermercado Guanabara).

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Tenho nítida ainda na lembrança aquela imagem de, quando ainda guri, me equilibrando sobre os trilhos do trem. Nos antigos tempos da RFFSA lá no meu velho Seival, abria os braços e sentia-me o máximo quando me conseguia ‘manter sobre a linha’. Com passos cuidadosos lá me ia equilibrando… Feliz!

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Não posso ignorar que a pessoa que consegue manter um bom humor constante sempre será uma companhia agradável, visto que uma das prerrogativas com a qual me presenteia a Vida Maior é ser jovial. O próprio Mestre desejou que minha alegria fosse plena. Embora sabendo que, como terráqueo não há como subtrair-me de certas alegrias momentâneas e até fugazes, concordo, entretanto, que não há escapatória para que a verdadeira alegria advenha de manter-me sobre os trilhos da Lei.

Mas o que diz a Lei a esse respeito? Na questão 614 de O Livro dos Espíritos, a Espiritualidade me informa que “a Lei Natural é a Lei de Deus e a única verdadeira para a felicidade do homem. Ela indica o que deve fazer e o que não deve fazer, e ele não é infeliz senão quando se afasta dela.” Lendo a presente questão, consigo não só compreendê-la como também fazer-lhe uma analogia à minha alegria de guri quando conseguia me manter, em meu folguedo, sobre os trilhos do trem.

Quando realizo coisas em dissonância com o ‘trilho’, – “o que deve fazer e o que não deve fazer o homem” – certamente que estarei na contramão da alegria real, ou a única verdadeira para a minha felicidade.

Da mesma forma que ninguém é responsável por minha infelicidade, ninguém, senão eu serei o responsável por decretar minha alegria e felicidade, visto ser ela unicamente produto de minha sintonia com as Divinas ou Naturais Leis.

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A alegria que, na visão da igreja mais tradicional, já foi associada ao termo tentação, está também muito atrelada a carnaval. E este está aí! Mas quem disse que no período de carnaval eu precisarei me tornar um infeliz, desejando me afastar deles – dos trilhos da Lei?

Há exato um ano, publicava ‘onde estiver meu carnaval, aí estará meu coração’ e fazia nessa crônica, uma alusão a Mateus 6, 21 “porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”.  Neste período, então, ‘eu’ abrirei meu baú carnavalesco e ‘eu’ – e somente eu – retirarei dele o que bem desejar: Poderá ser alegria, confraternização, reencontros agradáveis ou, numa segunda alternativa, – e macabra – dissimulação, falsidade, disfarces, engodo…

Ou seja, quem determinará se desejarei me manter nos trilhos durante o ‘reinado de momo’, serei eu se, ao tentar tomar o rumo sadio e dentro de certa ética, partir para uma direção na qual não estarei machucando – ofendendo, afrontando, provocando – a mim mesmo e aos outros. Ou abrir o meu baú e daí retirar fantasias, adereços, acessórios e – o que há de mais perigoso nesse baú de carnaval – as minhas máscaras com as quais estaria me travestindo para encobrir meus atos e afrontas.

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A partir do momento que entrego minhas sensações à administração e ao socorro de minha Divindade, estarei vivendo a mais natural e verdadeira alegria.

Qualquer que seja a causa que eu venha a defender, se ela estiver consoante às Divinas Leis, ou sobre os seus ‘trilhos’, essa causa sempre será o passaporte para a verdadeira felicidade.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Alegria, pag. 17 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

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Minha Divindade não só sabe exatamente a quantidade de fios de cabelo que possuo em minha cabeça, – e olha que os estou perdendo continuamente – como também sabe muito bem da urgência, necessidade e utilidade das coisas que lhe peço em minhas rogativas…

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“Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porque todo aquele que pede recebe, quem procura acha, e se abrirá àquele que bater à porta…”

Cheio de ‘forças de expressão’ o enunciado de Jesus que me é apresentado por São Mateus, deseja me informar que se um pai terreno, imperfeito, dá boas coisas ao seu filho, quanto mais não me atenderá o meu Pai que está nos Céus. O que o Mestre, entretanto, não deseja com isso me dizer é que me serão concedidas futilidades ou coisas sem necessidade ou sem utilidade…

Há que se considerar, ainda, a urgência do favor que eu estiver solicitando: E se eu, dentro da infinita concepção da Divina Justiça, precisar ficar ainda mais um tempo sem esse favor? Será muito lógico para os Divinos Planos que ainda tenha que esperar um pouco mais o benefício pleiteado, ou que ele nem venha ainda ‘nesta’ minha passagem por aqui!

Dentro dessa concepção, o ideal seria eu ‘peneirar’ os meus pedidos, ou torná-los mais lógicos e razoáveis, pois coisas que poderão me parecer razoáveis, no ajuizamento Divino poderão ser supérfluas.plenitude-deus

Se Deus me concedeu – e aqui parafraseio os Espíritos da Codificação – a mais do que ao animal, o desejo incessante do melhor, colocou-me à disposição uma Lei de Progresso e deseja que dela eu usufrua para o meu bem e daqueles que me rodeiam, não deverei esquecer que, continuamente, para achar, terei de procurar e para que se me abra, terei de bater… O meu concurso aqui será vital!

Quem desejaria para si o pior? De sã consciência, ninguém! Ao me utilizar da Divina Lei de Progresso, com meu esforço, com a ajuda dos encarnados e o auxílio das Boas Falanges, estarei com a ‘faca e o queijo na mão’ para melhorar minha posição.

Sendo uma Lei Natural, não haverá nenhum ‘pecado’ em desejar melhorar minha posição… O que não posso e nem devo é permitir que a minha nova circunstância venha em detrimento ou seja danosa às boas coisas já conquistadas para o acervo de minha alma.

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Os favores que pedirei à minha Divindade serão sempre ajuizados por minha liberdade de escolhas e exatamente consoantes ao estágio evolucional que já consegui atingir.

Estágio evolucional não é o que leio, escuto, me ensinam ou me mostram, mas aquilo que de melhor possuo no momento e que posso exibir na ‘tela cheia’ de minha existência.

Considere-se, finalmente, a relatividade dos pedidos feitos ao Pai dos Céus: O meu melhor de hoje me facultará realizar determinados pedidos, já o meu melhor de amanhã, a realizar pedidos de outra natureza…

E que não se subestime a sábia Justiça Divina: “Pedi e se vos dará…” Ou não!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. A busca do melhor, pag. 231 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Verão de 2013).

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Encerro aqui um ciclo de vários trabalhos feitos em sintonia com o Livro ‘Renovando atitudes’. Obrigado a Francisco do Espírito Santo Neto (psicógrafo) que, sob os ditames de Hammed (Espírito), encanta a mim e ao público que o lê.

N16

“A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.

A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos… Tudo bem!

O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum… é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos e acreditar mais ou menos.

Senão, a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos. ”

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As expressões acima não fazem parte da única vez que nosso ilustre Chico Xavier nos fala em ‘metades’. No capítulo 29 do Livro da esperança1, sob o ditame de Emmanuel, quando aborda o tema meio-bem, o filho de Pedro Leopoldo compara à pessoas mais ou menos, as que realizam a prática do meio-bem.

Chico abre o capítulo com a exortação de Fénelon “fazei o sublime esforço que vos peço: ‘Amai-vos’ e vereis a Terra em breve transformada em paraíso, onde as almas dos justos virão repousar”2, mas não esquece a advertência de Jesus “E porque estreita é a porta e apertado o caminho que leva à vida, poucos há que a encontrem.”3

Encontrar a vida da qual aqui nos fala Jesus através do antigo coletor de impostos e narrador Mateus seria, segundo nossos conselheiros Emmanuel e Chico, não admitir metades ou coisas mais ou menos. Chico, como nós, conviveu e acostumou-se a ver em nosso País coisas mais ou menos ou meias coisas: Meias verdades, meias administrações, meias beneficências, meios carinhos, meios socorros e cooperações, caridades interesseiras, meias abnegações… Enfim, vários meios-bens!

Não temos a menor dificuldade em discernir entre o bem e o mal, pois nossa consciência funciona como a bússola que nos anunciará qual desses caminhos a escolher. A grande dificuldade, entretanto, que se nos apresentará será o bem ‘mascarado’, ou o bem com trejeitos de mal, o meio-bem:

O mal é o grande vilão que não nos levará a lugar nenhum, tão pouco à vida à qual se refere Mateus. O mal é a negação do “amai-vos”, a estrada e porta largas, justamente porque o mal é extremamente confortável de praticar. Ninguém faz muito esforço para praticar o mal!

O bem, ao contrário do mal, por possuir um caminho apertado e uma porta estreita, nos exige o supremo esforço do “amai-vos”. Muito mais difícil de praticar do que o mal, o bem nos oferece extremado regozijo e somente ele terá a capacidade de nos introduzir no caminho que leva à vida. O bem não reclama bem, é a abnegação total e somente ele nos fará “ver a Terra em breve transformada em paraíso, onde as almas dos justos virão repousar”.2Falsidade

Extremamente arriscado, entretanto, é o meio-bem: Este é a ação na qual despendemos uma energia ineficaz e quenão nos levará a lugar algum, tão pouco à vida:

  • Não haverá nenhuma remuneração para o trabalhador que colabora na administração ou se engaja em tarefas beneficentes da casa espírita. Muito pelo contrário, em nos considerando os maiores beneficiados por tais labores, a colheita ficará a cargo do Administrador Maior e da Beneficente Providência. Se algum regalo desejarmos obter em troca será unicamente a fraternidade dos que conosco ombreiam. Realizarmos tais tarefas, desejando tributos de gratidão ou privilégios é realizarmos tão somente o meio-bem;
  • Sentirmo-nos necessários cooperadores sempre que adentrarmos em miseráveis casebres onde o saneamento e a higiene lhes passam ao largo e desejar de socorridos esquálidos, maltrapilhos e mal cheirosos concessões constrangedoras, não é alimentar ou assistir a necessitados, mas é a atitude do meio-bem, impondo-lhes [pesadas] cargas nos ombros;
  • Acolhermos crianças infelizes, elogiarmos companheiros, e protegermos amigos, para de todos obtermos a servidão, o retorno de elogios ou a mais vil escravidão, será o mais ignóbil meio-bem e pelo qual nosso Divino Tutor não terá a menor consideração; e
  • Repartirmos nossas ‘sobras’, no intuito de realizar caridade e com isso recebermos a consideração e veneração dos humildes, é realizarmos o legítimo meio-bem, completamente na contramão do óbolo da viúva que, incondicionalmente depositou na urna a única dracma que possuía;

Todas as ações de meio-bem que realizarmos nunca chegará a nos resgatar do mal porque todas elas estarão atendendo unicamente ao nosso orgulho, egoísmo e vaidade.

A prática do meio-bem é uma das mais estranhas atitudes de pessoas que, ao enaltecerem a eficácia da abnegação praticam o mais desprezível ‘toma lá da cá!’

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A boa obra é fonte cristalina… O interesse, a cobiça, o desejo de regalos, de agradecimentos e elogios – ou o meio-bem – é o barro que sempre enlameará e tisnará a límpida água de beber.

Bibliografia;

1. Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, cap. Meio-bem do Livro da esperança, Ed. CEC;

2. Guillon Ribeiro, O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 9 do Cap. XI; e

3. Mateus, 7-14.

Publico este tema na primeira pessoa do plural, por fazer parte de exposição doutrinária – (Verão de 2013).

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“Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si mesmo…”

O perdão que ofereço ao meu inimigo é nada mais, nada menos, que uma remissão: Por que ele se tornou meu inimigo? Porque algo eu lhe fiz em algum momento em que junto vivemos!

As vivências, os encontros e principalmente os desencontros, – ou aqueles reencontros complicados – servem para que indivíduos compreendam que sendo todos filhos de um mesmo Pai Agregador, este Chefe de Família desejará que seus tutelados ‘acertem seus ponteiros’, pois afinal, não procederia assim um comum e bom pai terrestre?

Partindo do pressuposto que o endividado sou eu e que não estarei fazendo nenhum favor ao meu desafeto ao perdoá-lo, mas o estarei fazendo principalmente a mim, o meu perdão não poderá possuir nenhum tipo de condicionante: Perdoar-te-ei, se, – por exemplo – doravante não recaíres em mesmos equívocos… Perdão é perdão e a partir dele zeram-se as pendências e que cada qual se encarregue de não mais adquirir e acumular conflitos.

De mais a mais, ao ferir o princípio de liberdade, com qualquer tipo de interferência no ‘modus vivendi’ de meu companheiro de caminhada, já estarei acumulando pendências que um dia precisarão ser resolvidas junto a ele.

A este respeito, me diria Hammed que o perdão concede a paz de espírito, mas essa concessão nos escapará da alma se estivermos presos ao desejo de dirigir os passos de alguém, não respeitando o seu propósito de viver, ou seja, o meu perdão jamais poderá ser delimitado, pois tão pouco o meu Pai que está no Céu me submete restrições ao me perdoar.

Oportuno aqui, o fragmento de São Paulo: “… Porque se sois duros, exigentes, inflexíveis, se tendes rigor mesmo por uma ofensa leve, como quereis que Deus esqueça que, cada dia, tendes maior necessidade de indulgência?…”

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Redimir-me e compensar aquele que comigo convive em desordem, é o propósito primeiro do perdão, porque só o fato dele estar em mesma rota comigo, poderá ser um indício de que lhe sou devedor.

Perdoar-me, perdoá-lo, sempre será a mais honesta constatação da falibilidade de ambos, ‘vinhos de uma mesma pipa’ e ‘massas de um mesmo barro’.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Autoperdão, pag. 223 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Verão de 2013). 

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“Estamos em reunião. Não bata. Não entre” e “Entre sem bater. Em silêncio”. Estas são as recomendações escritas em verso e anverso numa placa que existe para ser dependurado na porta da Casa Espírita Recanto de Luz, em determinadas atividades… Sempre que alguém a ‘colocava’ um pouco desnivelada, do meu banco já ‘ficava em cólicas’, desejando me levantar e aprumá-la. Hoje, sempre que me é permitido eu mesmo o faço, só que, para tentar driblar meu TOC… a coloco o mais desnivelado possível…

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“Sede, pois, vós outros, perfeitos, como o vosso Pai Celestial é perfeito”. A expressão do Mestre talvez seja muito mais profunda que se possa imaginar: Como o meu Pai é perfeito, assim me deseja. Nunca disse, entretanto, Jesus, que o Pai me queria perfeccionista, como portador de TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo – ou de outras bizarrices.

Naturalmente, – e ninguém mais natural que o Pai – não me desejará ver super isto ou super aquilo, porque Super é Ele e o caminho que leva à perfeição é lento.

Todas as tendências perfeccionistas são doentias ou instrumentos dos quais me utilizo para me auto prevenir ou revelar que em minha meninice, juventude ou em vivências anteriores fui muito exigido para realizar as coisas corretamente.

O perfeccionista, ao não admitir tropeços em suas mínimas atitudes, revela-se uma pessoa antinatural, pois quem, neste Planeta, não estará sujeito a equívocos? Ou seja, e como me advertiria Hammed, o transtorno dos perfeccionistas é não se aceitarem como espíritos falíveis, não aceitando também os outros nessa mesma condição.

Se, em determinado dia, eu me permitisse ter tanta obsessão ou compulsão na perseguição de determinadas virtudes, como as emprego em algumas manias, já poderia estar bem mais próximo do início de minha evolução.

Aos que riram da abertura desta crônica, perguntaria: Levante o dedo quem não possui uma determinada compulsão, obsessão, mania? Certamente todos recolherão seu dedo – ou suas pedras -, pois todos os tipos de TOC, que se venha a desenvolver são próprios deste Planeta de Provas e Expiações. É muito provável que, ao desenvolver qualquer tipo de mania – arrumação, limpeza, ordenação… – eu esteja procurando um refúgio para o meu orgulho ou receoso de ser repreendido, observado, ‘ficar falado’. Eis aqui uma necessidade de proteção.

* * *BB8148-004

Mas, o que dirá a visita ao chegar à minha casa:

  • Se toda a grama não estiver bem cortada e todas as folhas recolhidas?
  • E se a pintura da casa não estiver impecável?
  • E se a caixa de gordura estiver transbordando?
  • E se toda a cozinha estiver limpinha, mas o fogão apresentar algumas marcas de gordura?
  • E se o banheiro não estiver bem aromatizado?
  • E se o carro… – e aí a coisa pega! Se houver uma ‘duna’ dentro dele, o que irá pensar? E se ele, então, estiver ‘meio’ sujo, ou ‘meio’ limpo, que horror! Meu orgulho não permitirá isso; precisará estar ‘muito’ limpo!

Será que fechei o carro? Será que dei as seis voltas na porta? E quando for acometido de insônia por descobrir que um de meus móveis poderá servir de ‘lousa’, de tanto pó que possui… Aí, meu amigo, é TOC na certa!

Todas essas anomalias compulsivas, as citadas ou deixadas de citar são ecos de um passado mais ou menos remoto no qual passei por inúmeras reprovações. E não desejo ser reprovado novamente, pois meu orgulho não suportaria!

Em hipótese nenhuma, desejo aqui enfraquecer a vontade de cada um em aperfeiçoar-se e sim tentar barrar – em mim primeiro – e nos demais, desejos de perfeição presunçosa, visto que a perfeição é a resultante de uma evolução lenta e gradual.

* * *

Ao me declarar compulsivo por perfeição, corro o risco de embaraçar minha evolução, pois estarei testemunhando ao “Perfeito Pai Celestial” a maior prova de meu orgulho.

Sintonia e expressões em itálico são do cap. Perfeição versus perfeccionismo, pag. 219 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – Imagens: 1. Perfeição; 2. Perfeccionismo – (Verão de 2013). 

ansiedade

“A verdadeira prosperidade não se expressa em quantia de bens materiais… mas no receber e no dividir todo [o] imenso tesouro de possibilidades herdado pela nossa Criação Divina”. (Hammed)

Por ser a prosperidade uma atitude de espírito, e, na maioria das vezes assim não ser entendida pela humanidade, esta a procurará em satisfações fugazes, totalmente na contramão da verdadeira prosperidade:

  • Jovens que não desejam ‘parecer encalhados’, se lançam a relacionamentos temporários e interesseiros. ‘Ficam’, – como dizem – correndo o risco de contabilizarem resultados inconseqüentes;
  • Casais se cansam de relacionamentos de 15, 20, 30… anos. Tais quais as crianças de hoje em dia, co-relacionam suas uniões a brinquedos descartáveis que preferem trocar a mandar consertá-los;
  • Na luta contra a falta de recursos, pessoas prosperarão e em amontoando moedas essas não serão suficientes à sua completa satisfação;
  • Outras, com os olhos cheios de poder, mas com o coração vazio, escravizarão e desdenharão de subalternos; e
  • Títulos acadêmicos importantes e renomados poderão não preencher o vazio de recém formados que caminham no sentido oposto de seus juramentos…Insatisfação-crônica-com-a-vida
  • Em todas estas e em muitas outras situações, os envolvidos, insatisfeitos, colocam-se na contramão da prosperidade ao não compreenderem que esta só residirá no receber e no dividir todo [o] imenso tesouro de possibilidades herdado pela nossa Criação Divina.

O verdadeiro afeto de jovens, a compreensão de casais, a partilha do agora próspero, sentir-se o patrão dependente de seus colaboradores empregados ou ser o acadêmico fiel a um juramento prestado é entrar em sintonia e dar valor à centelha de Criação Divina que cada indivíduo possui, ou…

… Sair de uma contramão da prosperidade que somente lhe gerará insatisfações.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Tuas insatisfações, pag. 215 de Renovando atitudes, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Nova Era) – (Verão de 2013).