Archive for fevereiro, 2013

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Se eu tiver que ir de ré, que seja para frente;

Se eu tiver que espalhar algo aos quatro ventos, que proclame que pessoas me amam e se interessam por mim;

Se eu tiver que ajoelhar, e que não seja para orar ou por ter caído, que eu aproveite e amarre o sapato de meu irmão;

Se eu tiver que chorar, que também soluce, e que minhas lágrimas não só salguem o meu rosto, mas que sejam cheias de emoção, reconhecimento ou louvor;

Se eu tiver que me embriagar, que me inebrie do conforto que recebo de todos os meus amigos;doutores-da-alegria-e-brincadeiras

Se eu desejar ficar desleixado, que eu relaxe meu stress minha impaciência, minha afobação… Aquela minha algariação!

Se eu precisar deixar cair de minhas mãos o evangelho ou o livro de que mais goste, que seja para elas socorrerem, soerguerem, transportarem…

Se eu tiver que me arrazoar, que use o coração para fazê-lo;

Se eu tiver que dizer que te amo, que te faça, antes, qualquer bem para provar o meu amor; e, finalmente,

Se eu tiver que empregar a força que a utilize no combate aos meus defeitos que me tornam menos digno perante mim, perante ti e perante minha Divindade.

(Verão de 2013).

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Muito verdadeiros, os provérbios “ajuda-te que Deus te ajudará” e “o sol nasceu para todos” encontram respaldo em Mateus 7, 7, “pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto…” Dessa forma o Mestre das Boas Conversas me anunciaria que de nada adiantará o sol nascer para mim se dele fugir ou desejar que Deus me ajude sem ‘pedir’, ‘buscar’ ou ‘bater’.

* * *

E hoje a conversa estando relacionada com auto-respeito, concluo que ‘fechar a guarda’ aos inimigos íntimos e ocultos, sabe, aqueles que só eu e Deus sabemos, será a melhor forma de me auto-respeitar e não correr o risco de ficar desmoralizado perante mim e minha Divindade.

Toda vez que escorrego no “vigiai e orai” esses inimigos ocultos capturam minha mente me tornando vulnerável escravo não só em compactuar com o mal, mas com bloqueios na realização do bem.

É lógico que Deus, a Bondade Suprema e Soberana, não se azeda, não se amofina, não se ofende e tão pouco se aborrece com meus escorregões perante os ocultos do mal. Tendo Deus ‘mais o que fazer’ o grande prejudicado serei eu que, refém de meus desvios, estarei impedido de prestar atenção a todas as idéias claras, sintéticas e simples murmuradas pela Vida Maior ao meu ouvido.Orando

O indivíduo que, de certa forma, impede o fluxo da Corrente Divina, longe de perder o respeito de sua Divindade, – já disse que Deus soberanamente não se azeda com isso – abortará, sim, os Divinos Planos, ou adiará o fruto de talentos inatos e singulares, programados somente à sua individualidade.

Quando o [autodesrespeito] se instala em nossa casa mental, passamos a não mais prestar atenção aos avisos e intuições que brotam espontaneamente do reino interior. As vozes de inspiração divina são sempre idéias claras, providas de síntese e simplicidade que a Vida Providencial murmura no imo de nossa alma, me diria hoje o Orientador.

Quando me respeito, respeitam-me todos os outros! E aqui me refiro ao respeito em não permitir intrusos contrários às lides que me são afetas e nas quais acredito. ‘Todos os outros’ poderão ser desencarnados e encarnados que eu não permita me desviarem a atenção aos avisos e intuições de meu reino interior.

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Quando renunciamos ao controle de nós mesmos, outros indivíduos tomarão as rédeas de nossa vida… E não tenho dúvidas que esses outros indivíduos, em sua maioria, serão desencarnados…

Na conquista do auto-respeito, é menos difícil controlar as influências de encarnados do que dos desencarnados!

 (Sintonia e expressões em itálico são do cap. Respeito, pag. 69 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

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Imagina uma cebola: Quando a tomo da cesta ela se apresentará em seu estado bruto; precisarei me utilizar de uma faquinha apropriada e ir retirando a sua casca mais de fora, depois talvez outra e mais outra até que ela fique branquinha – também roxinha… Quanto mais ao seu interior eu chegar, mais ela me mostrará a sua essência…

* * *

Conhecer-me é, alegoricamente, mais ou menos como descascar a cebola: A cada vivência é necessário que eu vá sacando minhas cascas mais grosseiras representadas pelas imperfeições. Quando eu estiver próximo à essência, estarei começando a me conhecer, e capacitado, quem sabe, a ‘temperar’, ou ajudar a dar sabor à minha vida e estender esse tempero à vida de outros…

Percorrendo o capítulo Autoconhecimento, de Os prazeres da alma, verifico que Hammed me diz que autoconhecimento é a capacidade inata que nos permite perceber, de forma gradativa, tudo o que necessitamos transformar… Amplia a consciência sobre nossos potenciais adormecidos, a fim de que possamos vir a ser aquilo que somos em essência.

Perceber de ‘forma gradativa’ – Ora, meu autoconhecimento não se realiza de uma hora para a outra: Precisarei de muitas vivências para, de forma gradativa, ir retirando as ‘camadas da cebola’ que não servirão para temperar adequadamente. É muito provável que essas casquinhas queiram representar todas as minhas maledicências, indelicadezas, desrespeitos e aqui até aqueles inocentes que, quando me dou conta, estão ‘bullyinizando’ amigos ou nem tão amigos. Preconceitos, petulâncias e autoritarismo poderão fazer parte dessas arestas a serem ‘descascadas’;cebola2

Necessidade de ‘transformação’ – É inevitável que eu percorra o mal para me dar de conta o que seja o bem, ou será preciso que o Espírito adquira experiência e, para isso, é preciso que ele conheça o bem e o mal (questão 634).Todos os degraus inferiores que aparentemente estão por baixo servem de suporte para os degraus superiores; só se sobem os degraus de baixo para cima e todos os grandes acertos começaram com equívocos. A transformação é necessária, mas a cebola para se desenvolver na terra precisou de todas as suas camadas mais grosseiras que hoje, para o tempero já não são mais necessárias; e

Vir a ser ‘essência’Essência ou essencial é aquela parte de mim que já se despiu do supérfluo. Ou o que interessará para, como já disse, temperar minha vida e a de outros. Quem, à minha volta, precisará de minhas ‘cascas’? Para que conviver com meu homem velho se meu novo é mais essencial?!

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Inevitável que ‘gaste’ muitas vivências para descobrir minha essência. Somente minha transformação terá o poder de realizar esse feito: Sabe, matar o homem velho para que nasça o novo; descascar a cebola para aproveitar seu cerne…

Tal qual a cebola, riquíssima em flavonóides – antioxidante, antiinflamatório, protetor cardíaco, anti câncer, anti diabético, entre outros… minha essência, a do homem novo, terá o poder de proporcionar infindos bem estares.

Quase esqueço: Há cebolas e cebolas… Há aquelas que descasco depois de muito choro!…

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Autoconhecimento, pag. 61 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

afetividade

Em 2009, quando iniciei os estudos na Casa Espírita, – sou ‘novato’ – me vi o ano todo cercado por mulheres, pois era o único homem de um grupo relativamente grande. Caçoava: ‘Vocês são o meu harém!’ Hoje a situação não é muito diferente: Normalmente participando de grupos de estudos e trabalhos se não sou o único homem, sou um dos poucos. Às despedidas, as coordenadoras fraternalmente se dizem ‘tchau, gurias! Boa semana, gurias!’ No embalo retribuo-lhes os votos afirmando a elas não me importar, pois que já me sinto meio ‘assexuado’…

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Pois hoje Hammed toca no assunto e me dou conta que sendo um ser de natureza espiritual e não o contrário, minhas pilhérias estão consoantes à questão 220 de O livro dos Espíritos: Os Espíritos não têm sexo (…) como o entendeis, pois, os sexos dependem do organismo. Entre eles há amor e simpatia baseados na identidade de sentimentos.

Continua meu querido Orientador: Onde a imposição e a repressão prevalecem, o amor está ausente. A autêntica afetividade está associada a uma ampliação de consciência e um amadurecimento espiritual.intimidade

A grande sacada da vida é o caminho do meio, ou a pessoa manter um equilíbrio entre o profano e o sagrado. Amadurecer espiritualmente sem perder o contato com o ‘secular’, talvez estabeleça esse balanceamento.

Amor – prefiro afetividade, fraternidade, bem… – verdadeiro é representado pelo puro equilíbrio ou aquela relação matrimonial, social, de trabalho, causa comum… onde imposição e repressão sejam zero! Tornada respirável a afetividade, sem imposições e repressões, a caridade, a generosidade e a benevolência passarão a controlá-la:

  • Se a caridade, na visão de Paulo Apóstolo é uma das mais complexas, exigentes, abrangentes e caprichosas das virtudes ao ponto de limitar o ‘clube dos caridosos’, não se pode imaginar afetividade sem a virtude. Segundo o Codificador, a virtude não é “uma das exigências” para se alcançar a Vida, senão a única!
  • Ser generoso é ser filho de Deus, irmão de Jesus: Deus é a Generosidade Absoluta; o Mestre a exemplificou! “Infinitamente Justo e Bom” é o atributo que demonstra a generosidade do Pai. Os trinta e três anos do Bom Rabi foram só generosidade; e
  • Benevolência é o atributo humano, mas de origem Divina, que diferenciará pessoas de pessoas: O benevolente não é maledicente, ou possui profunda compreensão sobre os equívocos alheios ao não os espalhar aos quatro ventos; o benevolente é possuidor de ‘bene volentia’ ou aquela boa vontade de relevar, compreender, entender… compreender que o erro alheio poderá ser o seu de amanhã. O benevolente consegue fazer uma ótima leitura dos desacertos do semelhante.

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O caridoso, generoso e benevolente está muito próximo da questão 220 e das pessoas que na sua identidade de sentimentos sobrelevam-se com amor e simpatia.

O amoramor, fraternidade, afetividade… é uma espécie de equação matemática: A soma de toda a caridade, generosidade e benevolência, já descontadas as imposições e as repressões.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Afetividade, pag. 57 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

fraternidade

18 de fevereiro, 09:30h – Numa das capelas mortuárias do cemitério local, uma pequena multidão de familiares, amigos e conhecidos dava sincero adeus ao pai de querida amiga de minha filha mais moça. Nesse exato horário, um jovem sacerdote da paróquia a que pertencia a família, começava uma impecável, comovida e fraterna celebração acompanhada por católicos em sua maioria e talvez por cristãos de outros credos. Eu era um deles. Mas o que importaria naquele momento é que a mais afetuosa fraternidade se revelava nas lágrimas sentidas dos presentes e de credos de cores diversas. O mais importante, no momento, não era a religião, mas a religiosidade!

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Ora, se as mãos de Deus me criaram perfectível, será impensável atingir um dia a perfeição sem que essa minha ‘nave’ navegue pelos ‘céus’ da fraternidade. Aliás, a condição única! Perfectível também significa que Deus ao me integrar à Natureza não me fez de maneira ‘pronta’; aprontar-me seria a ‘minha’ tarefa…

Tudo o que acontece com a Terra, acontece com os filhos da Terra. O homem não tece a teia da vida: ele é apenas um fio. Tudo o que faz à teia ele faz a si mesmo, diria um chefe Seattle norte americano. Hammed também diz que no futuro, a religião superior ou natural só será fundamentada na mais afetuosa fraternidade e professada individualmente pela criatura que superou o “ser religioso” e desenvolveu em si o “ser religiosidade”.

Ou, se me importar com o navegante meu companheiro, sempre haverá um retorno a mim e em auxílio de minha navegação rumo à perfeição. Parafraseando o chefe indígena sou fio e tecelão, associado a tantos outros fios e tecelões.afetividade-dia-do-amigo

Se dez credos diferentes se utilizarem do mesmo fio – a fraternidade – é muito provável que os credos percam a importância de suas ‘cores’, mas que a teia da perfeição seja construída.

Talvez a fraternidade – amor, caridade, afetividade, benevolência, boa vontade, bem… – seja o melhor traço pelo qual Deus deseje se revelar aos seus filhos… Ou a melhor ou única forma de os filhos de Deus legitimar a sua filiação.

Diversas religiões ao se digladiarem pela supremacia de suas idéias serão tão somente seitas separatistas e não estarão construindo malha nenhuma. Todas, entretanto, as que participarem com o fio da fraternidade, estará ligando ou religando fios a fios… Ou a religiosidade se sobrepondo à religião. Perceber o outro, importar-se com ele, é religiosidade; o egocentrismo de indivíduos, malbaratando recomendações Crísticas, pode ser tão somente religião. A religião poderá ser mais moralizadora, já a religiosidade sempre será a mais ética.

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Bons filhos somente demonstrarão seu amor ao Pai se forem fraternos, ou a afetividade terá o poder de mensurar a qualidade dessa filiação.

Se Deus tivesse assinado os diversos quadros que pintou, Sua assinatura, aposta na humanidade, seus filhos, seria a da fraternidade.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Afetividade, pag. 53 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

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A riquíssima mitologia greco-romana conta a seguinte lenda: “Em uma diferente civilização, os seres possuíam duas cabeças, quatro braços e pernas e dois corpos distintos – masculino e feminino – mas com apenas uma alma… Viviam em pleno amor e harmonia, e justamente esse equilíbrio provocou a ira de alguns deuses do Olimpo. Enfurecidos, enviaram àquela civilização uma tormenta repleta de trovões e relâmpagos, que dividiram os corpos, separando a parte feminina da masculina, repartindo as almas ao meio… Diz a lenda que até hoje os seres lutam na busca de sua outra metade, a sua alma gêmea”.

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O espiritismo, que existiu em todos os tempos, mas que só foi codificado a partir de Kardec começa aí a informar à humanidade que:

  • Os espíritos se comprazem tanto no bem, como mal; mais perfeitos, menos perfeitos… Uma espécie de afinidade;
  • Cada espírito, totalmente individualizado, ocupará ‘um’ corpo e este tão somente exteriorizará o que a alma ‘produzir’;
  • Os espíritos, a cada vivência se alternarão, ora ocupando corpos masculinos, ora femininos. Nada impedirá os Divinos Planos que um espírito ocupe ‘outro’ tipo de constituição física, fora de um padrão ‘dito normal’; e
  • Embora não exista união particular e fatal entre duas almas, espíritos ‘repetirão’ suas companhias, tanto para efetuar ajustes como os iluminados e aprazeirados no bem, para fins de rgozijo…

Portanto, não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre todos os espíritos, mas em graus diferentes, segundo a categoria que ocupam, quer dizer, segundo a perfeição que adquiriram; quanto mais perfeitos, mais unidos… (questão 298).

Necessário se faz um esforço no bem, uma busca pela perfeição, para que minha companheira e eu ‘repitamos’ vivências cada vez mais unidos.

Se o amor deixar de ser banalizado, se deixar de ser um amor simplesmente abaixo da cintura e passar a ser um amor acima da cintura, com sentimento, coração, preocupação, zelo… não precisarei estar procurando por aí minha ‘alma gêmea’ que os deuses apartaram, pois os reencontros acontecerão naturalmente!

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O bem é o único amor verdadeiro que existe, pois consegue sublimar qualquer tipo de afetividade!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Afetividade, pag. 49 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

451- Nascente do Rio Vez

O agora grande rio que se mistura ao oceano, mas ainda guarda a identidade de suas águas, nasceu de um pequeno olho d’água ou da captação de geleiras nas grandes alturas. Ao longo de seus vários quilômetros, contornou montanhas a procura de vales; ora quietou-se ora se precipitou; quem sabe um descanso em lagos formados às suas margens;

Os pássaros que vorazes comem as frutas que lhes ofereço a partir da minguante de julho, logo após as podas, e que me encantarão até o início da primavera, por ocasião desta se recolherão aos seus ninhos para procriarem e ver crescer seus filhotes. No próximo julho serão mais, pois os filhotes lhes farão companhia; e

As árvores possuem um tempo para germinar, crescer, florar e frutificar. Muitas delas ciclicamente, na hora certa e atendendo as necessidades dos homens, perderão suas folhas, tornarão a brotá-las, novos galhos surgirão e enchê-los-ão de sombra quando o escaldante verão chegar. Quando o inverno rigoroso aparecer, a partir de maio, suas folhas cairão para a penetração dos necessários raios do sol…

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Dizem os sábios que a vida poderá ser o fruto de aproximadamente cinco bilhões de anos, ou que o “princípio inteligente” inoculado e gerando vida é fruto de paciencioso e natural processo…

Hammed ao abordar o tema, me diria o que ‘é’ e o que ‘não é’ paciência: Que paciência ‘é’ a capacidade de persistir numa atividade com constância e perseverança, ou o potencial da serenidade, persistência e constância a ser desenvolvido. Que paciência ‘não é’ passividade, estagnação, ociosidade ou paralisação.

 À luz destes ensinamentos, e voltando às analogias iniciais, parece-me desconfortável imaginar o rio, os pássaros e as árvores sem uma constância, perseverança e ritmicidade próprios de suas naturezas. Inimaginável, também, vê-los acomodados, ociosos ou paralisados, interrompendo o sagrado fluxo que lhes são impostos pela Mãe Natureza.

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Paciência também é a grande mensagem passada pelos Espíritos Superiores através da questão 801 de O livro dos Espíritos: Eles – os Orientadores Maiores – ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou desnaturaram, mas que podem compreender atualmente… O decálogo mosaico não foi bem compreendido e até foi desnaturado à época em que foi ditado. Apesar de resumido a dois por Jesus, continuou não bem entendido. O ilustre professor Rivail, em meados do século XIX, ao simplificar o já simples, estabelece o “amar’ não como uma das, mas a única condição de alcançar a Vida, afirmando que “fora da caridade não haveria salvação”. E junto com esta máxima, o Séquito de Amor do Espírito da Verdade daria à humanidade, já considerada madura, todas as informações que poderiam compreender atualmente, ou daquele tempo em diante.

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Paciência – ou a ‘ciência da paz’ – é a virtude que transborda todas as qualidades e equilíbrios da Mãe Natureza.

Quando, dentro de minha natureza ‘afoita’ convivo com uma pessoa paciente, equilibrada, essa me transmite uma paz imensa… Torna-se, para mim, aquele ‘objeto de desejo’, ante a algariação que me é peculiar.

A Natureza está aí a me ditar os mais belos exemplos daquele sossego, quietude, tranqüilidade e paciência que falta à humanidade moderna que se acostumou – ou mal acostumou – com máquinas velozes, tarefas para ontem, intercomunicação de ‘n’ megas, alvoroço nas ruas, repartições e lojas de serviço.

O sossego e a calma interioranos ou da época de meus avôs, parece que ficou no saudosismo dos contadores de histórias e causos.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Paciência, pag. 41 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

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Marcados por Deus, todos os espíritos o foram por ocasião de sua criação. Significa esta marca que todos, uns mais cedo, outros mais tarde, dependendo do esforço de cada um, se tornarão não iguaiszinhos a Deus, mas bem parecidinhos com Ele…

Tal afirmativa é válida, também, para a sabedoria, e esta eu a entenderia como sendo o aproveitamento máximo de todas as atuais dez Leis Divinas ou Naturais: Se, conforme a questão 617 de O livro dos Espíritos, o sábio estuda as leis da matéria e o homem de bem estuda e pratica as da alma, o espírito que conseguir aliar uma à outra, em encarnações subseqüentes, aos poucos se tornará um indivíduo portador de sabedoria, pois a marca de Deus lhe favorece.

A ‘chamada’ do capítulo de hoje de Os prazeres da alma, salienta que o saber implica a facilidade de elaborar idéias simples para explicar coisas aparentemente complexas, utilizando-se os recursos fecundos e inspirativos do universo interior:

Facilidade de elaborar idéias simples: O sábio, – e doravante o entenda como o indivíduo que conseguiu adicionar homem de bem + sábio – já consegue sintetizar suas idéias e sem fazer rodeios e se utilizando de termos compreensíveis, elaborará idéias também simples. Dr. Bezerra de Menezes, em meia página sobre um assunto do dia a dia, consegue conduzir seus leitores à convicção e muitos às lágrimas.bom_samaritano

Explicar coisas aparentemente complexas: O sábio é, antes de tudo, um iluminador, ou, tornando assuntos que antes eram complicados em agora compreensíveis ou descomplicados, ele clareará idéias a indivíduos até então desconexas ou absurdas. Sua tarefa de explicar nada mais é do que aclarar ou tirar da escuridão qualquer tipo de coisas que indivíduos ainda as ignorem.

Utilizar-se os recursos fecundos e inspirativos do universo interior: O sábio lançará mão de sua riqueza interior, aquela que o homem de bem acumulou em várias vivências, e aliando-a às do homem que também domina já algumas ciências, fecundará, inspirará e iluminará outras mentes também candidatas a sábios.

Todas estas são as implicações do saber somente possíveis às criaturas de Deus ou…

Marcados por Deus!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Sabedoria, pag. 37 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

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A mente apegada a fatos, acontecimentos e pessoas é incapaz de perceber a sua essência. Aquele que está agarrado ao ‘ego’, está vazio do ‘sagrado’; aquele que se liberta do ‘ego’ descobre que sempre esteve repleto do ‘sagrado’ (Hammed).

Depositário do Sagrado que sou, por ser de essência Divina, não posso ignorar, porém, que tenho aquerenciado em meu íntimo o ego e toda a sua corte: Orgulho, vaidade, inveja, intolerância, maledicência, ciúme… e tantos outros, todos ‘cc’ – cargos de confiança – de meu egocentrismo.

Constatar isso não significa eu estar desatento a esse conflito que se trava em meu âmago entre o Sagrado e o meu egoísmo: Travar luta diária contra esses naturais parasitas do ‘governo de meu interior’ já se trata de grande avanço para que o Sagrado se instale em definitivo no ‘gabinete de meu coração’, pois…

… De mais a mais, se Deus não é egoísta também não desejou que minha essência o fosse.

Apegar-me a fatos, acontecimentos e pessoas, inevitavelmente dividirá espaço em minha vida com o Sagrado visto eu fazer parte de um orbe a que a isso é próprio:

  • Fatos e acontecimentos sempre causarão em mim impressões de várias dimensões. Meu ego sempre terá a ‘melhor’ opinião sobre o mais trágico acontecimento, como a catástrofe de Santa Maria ao corriqueiro incidente no supermercado;
  • Contrariada que for a minha opinião sobre qualquer ocorrido, logo minha vaidade ficará aborrecida ante as vaidades e opiniões alheias;
  • Opiniões alheias mais precisas ou mais corretas sobre assuntos poderão deixar minha vaidade em apuros;
  • Minhas intolerância e maledicência, perante fatos desagradáveis – para mim até ‘pecaminosos’ – sempre terão o dedo comprido e a lâmina cortante ao apontar culpados e aumentar, promover e divulgar suas culpas; e
  • Pessoas das quais dependo ou que de mim dependem, se tornam o centro das atenções. Esqueço-me que indivíduos são ímpares, que cada qual precisará cuidar de si e que interferências deverão ser rigorosamente as preconizadas por São Paulo, quando estabelece um caminho muito afunilado para o ingresso de indivíduos no ‘clube dos caridosos’.

* * *José e o retorno a Nazaré

Para deixar aflorar meu lado Sagrado eu não precisarei me afastar de necessários fatos, acontecimentos e das pessoas que amo ou nem tanto… Precisarei tão somente estabelecer uma convivência harmoniosa entre eles e a minha essência.

Ganhar o mundo sem perder minha alma significa conviver com fatos e pessoas e deles tirar o melhor aproveitamento possível, continuando dono de minha essência Divina.

Percorrer os fatos, me assenhorear dos acontecimentos discorrendo com lucidez sobre eles e, principalmente, conviver com pessoas respeitando-as é a arte de viver no mundo sem arruinar a minha Vida.

Como me afastar de fatos, acontecimentos e principalmente das pessoas se a doutrina da reencarnação aumenta os deveres da fraternidade? (Questão 205). E não há maior manifestação do Sagrado em cada um do que a sua fraternidade!

Quando, em detrimento do Sagrado, começo a enxergar tudo e todos feios à minha volta, é provável que minha alma esteja precisando de óculos.

Assim como os ecos da natureza se fazem ouvir quando a mata está silenciosa, também eu, quando silenciar o egoísmo e todos os seus ‘cc’, poderei ouvir dentro de mim os ecos de minha essência, a Sagrada.

 * * *

Fatos, acontecimentos e novas amizades virão e passarão… Todos eles, se aproveitados, somente farão aumentar o acervo da essência Divina que possuo.

Viver o profano é inevitável… A arte está em me voltar ao Sagrado sempre que o profano se afastar.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Desapego, pag. 29 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

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“Como é que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, quando não vedes uma trave no vosso olho?… – Hipócritas, tirai primeiro a trave do vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão.” 1

Em mais esta alegoria, Jesus, que era totalmente avesso à hipocrisia, talvez desejasse nos transmitir algo, não relativo ao órgão da visão, mas uma lição relacionada à percepção, ou seja, vislumbrar com os olhos do coração.

Nosso coração, seguindo o raciocínio, deveria estar desentravado de qualquer sentimento que lhe permitisse enxergar os minúsculos ciscos ou as pequenas enfermidades de nossas parcerias. Nas grandes corredeiras, alguns troncos maiores poderão concorrer para que a eles se juntem outras ressacas menores que interrompam, dessa forma, o livre curso do rio.

De tal forma, o nosso coração, que poderá estar entravado pela presunção, orgulho, soberba e vaidade, também não terá o seu fluxo normalizado, enquanto estes achaques não derem lugar às virtudes antônimas: Somente a pureza de coração, a modéstia a simplicidade e, principalmente, a indulgência, torná-lo-ão mais leve e lhe permitirão não ver os olhos empoeirados de nossos irmãos.nao julgueis, atire a primeira pedra...

Minimizar as moléstias de nossos semelhantes é não transformarmos nossa palavra num açoite, nossa língua num estilete e nosso olhar numa lupa de potente ampliação; é, em contraposição, maximizar nossa vigilância, sobriedade, tolerância, complacência…

Aproveitando a deixa de nossos Ilustradores Celestiais, transcreveríamos que “Caridade orgulhosa é um contra-senso, visto que estes dois sentimentos se neutralizam um ao outro… Como poderá um homem, bastante presunçoso… possuir, ao mesmo tempo, abnegação…?” 2

A viga, metáforas à parte, deverá ser desinstalada é de nosso coração e temos a absoluta certeza que foi isso que nosso Divino Professor desejou nos ministrar na aula supracitada.

 (Subsídios: 1. Mateus, VII, 3 a 5; 2. ESE, item 10 do Cap. X) – (Evangelho no Lar em 17 Jan, verão de 2011).

Pub “O Clarim”, Fev 2013.