Archive for abril, 2013

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Utilizando-me de linguagens alegóricas, umas mais antigas e outras mais modernas, o perdão é aquela borracha macia com a qual se apagam todos os maus escritos do lápis; ainda, o antigo mata-borrão que se aplicava na tinta fresquinha para que não se maculasse uma bela página escrita. Também poderá ser o ‘Ctrl z’ ou o ‘delete’ utilizados para excluir termos equivocados e retomar uma digitação mais correta…

Perdoar é, acima de tudo, a habilidade de compreender dificuldades.

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 ‘Perdoar-me’ é a expressão mais cristalina na qual admito que em algum momento – ou em muitos! – eu errei, ou que os indivíduos que vivem neste Planeta são, todos, farinhas de um mesmo saco, não por força de um alegórico ‘pecado original’, mas por arbitrarem equivocadamente no uso das liberdades individuais. Inábeis ainda, os indivíduos deste orbe possuem extrema dificuldade em associar compreensão, perdão e tolerância…

Se o patamar individual evolutivo é a contabilidade de erros e acertos de outras e desta vivência, também é verdade que esse cálculo envolve todos os perdões sonegados e declarados.deletus

Necessitando serem felizes e traçarem um projeto de Vida Futura, – a evolução – os indivíduos deveriam entender que se assenhorear dessa habilidade de compreender dificuldades é como ‘zerar’ equívocos recíprocos e partir para frente e para o alto, juntos, os possuidores de dificuldades semelhantes… Tal qual utilizar a borracha, o mata-borrão, o ‘Ctrl z’ ou o ‘delete’!

Assim procedendo, os indivíduos descarregam os pesados fardos de culpa e se sentem aliviados e autorizados a retomar os sagrados diálogos relativos às tratativas da evolução. Está aí instaurada a ‘conspiração’ da compreensão nos ‘porões’ da remissão!

(…) Tudo, no Universo, está regido por leis em que se revelam a sabedoria e a bondade [de Deus]. Na sabedoria de Deus está implícito o seu desejo que os indivíduos progridam partindo de entendimentos mútuos e a bondade talvez seja a ‘caneta’ com a qual tenha assinado a ‘tela’ da compreensão entre os indivíduos.  Seu Mensageiro Maior, quando aqui esteve não teria ratificado todas estas coisas? Vide Madalena, Zaqueu, o bom Samaritano, o centurião, o óbolo da viúva, Dimas…mata-borrao

“Seus numerosos pecados lhe estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama”, assim se expressaria Jesus ao fariseu Simão, ao ter seus pés lavados por lágrimas de arrependimento de uma prostituta. (Lc VII, 47)

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O perdão é a conspiração da compreensão realizada nos ‘porões’ da remissão e que fatalmente levará, os que depuseram o ‘fardo’ da culpa, a uma ‘batalha’ de desarmados…

Perdão é aquele sagrado encontro de arrependidos, generosos, tolerantes e compreensivos, no qual todos discutem a necessidade da progressão. O avanço se dá a partir daí para todos, farinhas de um mesmo saco, mas a caminho de serem pães…

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Perdão, pag. 175 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

Saleiro-Pimenteiro-Varinha-Mágica[4]

“Amar é jamais ter que pedir perdão”, diria Jennifer (Ali Mac Graw) a Oliver (Ryan O’Neal) logo após uma discussão, no clássico romântico Love Story (EUA, 1970).

Se num ambiente familiar, de trabalho, de lazer… um dos membros passar a pedir perdão repetidas vezes, isso evidenciará que ele está se equivocando seguidamente. Não conseguiria me imaginar desculpando-me várias vezes por dia com Maria de Fátima, pois isso comprovaria minha evolução marcando passos…

(…) Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas não o obtém senão mudando de conduta. (Questão 661, de O livro dos Espíritos).

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Pareço hoje estar na contramão do perdão ou renegando todas as recomendações do Mestre que orientou a “perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes”. Mas vocês irão me entender, pois varinha de condão abordará hoje uma atitude não tão nobre quanto o ato de perdoar, porém necessária, como também necessário é que se faça a distinção:kit fadinha

  • Uma coisa são aquelas atitudes que tomo desejando me redimir perante alguém a quem causei algum dano ou prejuízo. Nada mais salutar que, o arrependimento que antecedeu o meu pedido de desculpas, me conduza a um ato de reparação. Neste caso a minha mudança de conduta é filha de um processo que iniciará no arrependimento e culminará com a reparação. Este é o procedimento que possui o aval da Iluminação Kardecista porque está consoante as prescrições Crísticas.
  • Outra coisa será eu me acostumar a pedir desculpas como se essa palavra fosse uma varinha de condão que desfizesse, num passe de mágica, todas as mágoas, afrontas e injúrias, sensações desagradáveis, desgostos e aborrecimentos causados pelos agravos e indelicadezas que cometi… Está caracterizado aqui o ‘marcar passos’ de minha evolução, pois serei aquela pessoa inconseqüente, imatura, baseada e sempre dependente da complacência alheia.

Neste último caso, a ficção de Love Story, a mensagem do Mestre e a Orientação Espírita me ‘enquadram’ e me mostram que perdão não é de forma alguma a varinha de condão disposta sempre a realizar mágicas. Não há ilusionismos quando se trata das Naturais Leis. A Justiça Divina é sábia no comando da causa e efeito.

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Desculpar pode ser o início de um novo tempo de convívio respeitoso, mas também pode ser um eterno jogo psicológico em que apenas se amortecem o desrespeito, a brutalidade e o golpe da ofensa.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Perdão, pag. 171 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

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Um ditado popular, uma citação do ‘antigo testamento’ e outra do ‘novo’:

“O mau foge da luz como o diabo da cruz”;

“Deus disse: ‘Faça-se a luz’. – Fiat lux – E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas…” (Gn, I, 3-4); e

“Vós sois a luz do mundo… Não se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire… mas sobre o candeeiro” (Mt V, 14-15).

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Deus não está afastado no espaço [‘imedível’] e desconhecido do homem, mas, [conectado] na própria Natureza. Ele é, de modo geral, a Luz eterna e [superior] no processo evolutivo e criativo de tudo que existe no Universo.

Fiat Lux – do latim, ‘Faça-se a luz’ – acabou se tornando uma metáfora que representa a origem do novo, da criação, da novidade, do ineditismo! É inegável que por trás do fantasioso livro do gênesis, a Divindade derrama sobre a sua criação todas as oportunidades luminosas que a capacita a alavancar seu processo evolutivo; a esse processo está vinculada a criatividade. Em aproveitar mais ou menos os clarões dessa Luz eterna, os indivíduos se tornarão mais ou menos criativos, mais ou menos originais, mais ou menos notáveis. Eu poderei afirmar que o sol nasce para todos, mas não posso assegurar que todos o aproveitarão. Com a Luz eterna e superior sucederá a mesma coisa!

A cruz, desvinculada da idéia de martírio pelas crenças mais tradicionais, sempre foi associada a redenção. Na verdade, a redenção legítima não está no martírio do Mestre na cruz, sentença reservada a malfeitores, rebeldes ou revolucionários assim rotulados pelo império romano, mas no cumprimento de uma lei à qual deu aval através deluz1 ensinamentos e sobretudo por seus atos. Os ainda maus sempre desejarão estar afastados de todas as tratativas do Mestre.

Quando o Mestre outorga à humanidade a capacidade de iluminar, deseja tão somente repotencializar qualidades inatas herdadas por cada ser da Luz superior. Aos que somente o ouviam, estaria proclamando grande novidade; já aos que o escutavam realmente tratava-se da confirmação de um potencial. Utilizar-se dessa centelha que cada um traz para criar soluções importantes ao meio em que vive, é acender a sua lamparina e colocá-la “sobre o candeeiro”, ou elevá-la à categoria de candelabro, atendendo a mais pessoas.

A curiosidade do homem sempre despertou a sua criatividade. Desejando compreender os porquês das coisas, reverter algumas, decompor e recompor outras, foram-se acendendo lâmpadas luminosas em sua mente que o tornaram inventivo e ineditista. Contrariando o ‘ditado’, os bons acercaram-se não só da Luz superior como aproveitaram todas as ‘caronas’ possíveis de Entidades luminosas.

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Uma boa música, uma obra de arte agradável, aspectos simples da natureza, um comercial edificante, uma mensagem clareadora, um gesto fraterno, uma gratidão, a instintividade dos animais… longe de ser acasos, são manifestos e iluminados incentivos à criatividade.

Esta Luz superior, conectada e não afastada da Natureza em geral, e que lhe dá calor, clarões e clarezas, aos que a aproveitarem, chamará ‘dia’ e aos que a renunciarem, chamará ‘noite’, fazendo aqui, é claro, uma alusão à continuação da citação do gênesis no seu quinto versículo.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Criatividade, pag. 167 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

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O relógio sempre fascinou a humanidade que o vem aperfeiçoando ininterruptamente. É muito antiga a idéia de ‘marcar’ o tempo. Data de 600 a.C. a ampulheta ou relógio de areia. A construção do primeiro relógio mecânico é atribuída ao papa Silvestre II no ano de 999. Peter Henlein, na cidade de Nuremberg, criaria o relógio de bolso, privilégio inicialmente da aristocracia. Atribui-se erroneamente a Santos Dumont a invenção do relógio de pulso, visto precisar dele para, ao mesmo tempo, voar e verificar as horas. Na verdade o primeiro relógio de pulso seria criado por Abraham Louis Bréguet, em 1814 e encomendado por Carolina Murat, irmã de Napoleão. De lá para cá esta criação só evoluiu…

François Marie Aruet, ou Voltaire (Paris, França, 1694-1778) diria certa vez que “o mundo me intriga, e não posso imaginar que este relógio exista e não haja relojoeiro”.

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O iluminista francês, precursor e de certa forma influenciador de Allan Kardec se utiliza aqui da metáfora relógio para enaltecer a grandeza da Criação de Deus, capacidade essa transmitida por uma Genética Divina às suas criaturas que se tornam capazes de compor, decompor e recompor:111

  • Outro dia procurei a casa de amigo meu em cidade vizinha na qual estava acostumado a ir. Nesse dia, não achei a casa, pois meu amigo a havia reformado todinha e lhe aplicado pintura diferente;
  • A assombrosa diversidade da natureza me mostra uma espécie de corvo da Nova Caledônia, ilha do Pacífico Sul que consegue, com um graveto no bico, retirar larvas de ocos muito estreitos de árvores. Tendo essa larva como defesa uma ‘pinça’ em sua cabeça, a se ver ameaçada pelo graveto a lagarta se agarra ao mesmo com seu instrumento de defesa. É aí que o corvo à saca do oco da árvore;
  • Ainda a natural criatividade da Mãe Natureza me mostra que há no Peru mais de 35 variedades de milhos, com formas, tamanhos e cores diferenciados, em sua maioria cultivada no Vale Sagrado dos Incas – ou vale do rio Urubamba. Já no México, berço do milho, as variedades elevam-se a mais de 60. O milho é o alimento mais cultivado e consumido no mundo; e
  • Países de um mesmo continente, além de falar línguas totalmente diversas, se comportam, possuem leis, costumes e credos diferenciados. Dentro de um próprio País os sotaques variam de estado para estado. Tais quais línguas, credos, leis, sotaques, comportamentos… as artes, criatividades, inspirações, serão peculiares a cada povo.

Todo o ser humano possui a capacidade de influenciar e ser influenciado nas questões de criatividade. Caberá aos indivíduos, dentro de sua liberdade, arbitrar que influência desejará ser e qual quererá absorver, embora seja muito provável que todas as suas criações sejam fruto de uma sintonia que teima em perseguir: Se me reúno a Amigos Espirituais do bem, boas músicas, boas imagens, amigos encarnados de valor provavelmente minhas criações tendam a possuir utilidade. Em caso contrário meus frutos serão inúteis.dsc07047

Por ser a matemática uma ciência exata, costuma-se dizer, quando se tem muita precisão de determinada coisa que ‘é matemático’! É matemático que as criações dependerão e muito do tipo de influenciação do indivíduo que está a criar. Tais influências serão, é claro, consoante ao tipo de elevação que ele possuir. “Porque, onde está teu tesouro, aí estará também o teu coração”: O indivíduo que realiza boas criações as tira do bom tesouro de seu coração; não há inventivas nesse aspecto…

Do somatório ou déficit de acertos em diversas vivências, o que revelará também a qualidade de seu acervo cultural e moral, o indivíduo expandirá ou bloqueará sua capacidade produtiva e criativa… Entender todas as suas limitações, produzir o que lhe for possível e colocar essas possibilidades à disposição do Planeta, significará cumprir a quota que lhe compete.

Ante as naturais limitações do indivíduo, de nada lhe adiantará informações ou acontecimentos fantásticos, visto que sua evolução também não criará coisas igualmente fantásticas.

O próprio ato da procriação ou a ‘criação gerada’, atenderá ao evolutivo estado conjugal: ‘Fazer um filho’, me utilizando aqui de linguagem mais chula, poderá ser um ato de extrema consciência e responsabilidade ou… nenhuma! Divinos Propósitos ou tão somente biológico.

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Retrocedendo, não há a menor dúvida a que Relógio e Relojoeiro estaria Voltaire se referindo, senão a um Planeta e à existência de um Deus zeloso e desejoso que o homem, a partir de uma elevação ‘o ajude’ na promoção desse relógio… de ampulheta a mecânico; de mecânico a digital; de digital a uma evolução infinita.

(Wikipédia, a enciclopédia livre – introdução. Sintonia e expressões em itálico são do cap. Criatividade, pag. 161 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

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Por que a pessoa que estou vendo pela primeira vez está me transmitindo enorme contribuição? Por que o livro que escolhi aleatoriamente em minha pequena biblioteca me proporciona insights e considerações ímpares? Por que o assunto abordado naquela reunião já fazia parte do capítulo que há pouco lia em meu livro preferido? Por que, por que, por que? Foi por acaso? Acaso existe?

Podemos dizer, de modo figurado, que o acaso é o pseudônimo do Criador, quando não quer deixar transparecer a assinatura de sua obra.

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Toda a interação que sempre existiu entre o plano espiritual e físico, quer os compreenda pouco, mais ou menos ou muito, jamais fizeram parte de um acaso. Pode-se dizer que toda essa conexão sempre foi orquestrada pelas Divinas conveniências, Divinos propósitos, intervenção Divina, desígnios de Deus ou qualquer outra expressão que se deseje usar. O fato é que o Criador, no intuito de que o homem progrida sem cessar, sem retroceder, – ou ‘retrogradar’ – deseja que todos os indivíduos avancem. E o farão porque Deus quer assim! (Questão 778).

Aquela pessoa que encontrei pela primeira vez, o livro aleatório ou o assunto abordado na reunião – citados na abertura – faz parte de uma sincronia de interações promovidas pelas Leis Naturais, Divina ou Maior. Pode-se dizer que tudo aí, longe de ser casual é proposital, combinado, intencional ou pactuado; ou orquestrado pelo Criador quando passa a utilizar o pseudônimo acaso.2Sem2012 572

Se retrogradar não está nos planos da Divindade e sabendo da fragilidade das suas criaturas, não prescindirá Deus de lhes conceder a devida moratória através da concordata de seus acasos.

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A orquestra cósmica da qual compartilhamos é muito mais ampla do que podemos imaginar, e cada um precisa contribuir com sua quota de participação na sinfonia do mundo…

Quis Deus que ‘reencontrasse’ Maria de Fátima há 44 anos e de lá para cá ampliássemos laços de ternura, compreensão e progresso. Não é fácil: A cada leão que ‘matamos’ outro se nos apresenta. Acaso este reencontro? Não! Nem inexplicável nem incompreensível, encaro-o como pseudônimo do Criador…

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Renovação, pag. 157 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono lindo de 2013).

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Os templos mais antigos, de uma época em que não havia sistemas de som sofisticados, possuíam uma boa acústica – ressonância, eco, retumbo… Os sacerdotes, por ocasião da homilia ocupavam o púlpito e com facilidade faziam-se ouvir graças à acústica, ressonância, propagação de suas palavras.

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Toda a ressonância ou os ecos que retumbam no Plano Espiritual a respeito de determinado reencarnando, é levada em consideração por ocasião de seu acordo, contrato ou plano de retorno à vida corporal. Diria que a sua ‘fama’ pretérita ou as ‘notícias’ a seu respeito, serão de suma importância: Todas as partes que serão envolvidas em tal contrato também se obrigarão a cláusulas baseadas em pretéritos ecos, uma vez que serão Espíritos simpáticos, atraídos pela semelhança de suas tendências. (Questão 207). E simpático aqui não se refere a ‘aprazível’, mas a tendências semelhantes, boas ou más.

Quando esse acordo reencarnatório é firmado, e isso é válido para as partes nele envolvidas, o Divino Avalista tem para com todos uma Sagrada Intenção: A evolução de todos! E esse ‘contrato’, a par da Divina Bondade, passará pela lâmina da sua Justiça…

… Dessa forma, esses ‘encontros’ poderão envolver pessoas muito afetas, para consolidarem essa afeição, mas poderá também envolver espíritos que num passado se comprouveram em desatenções, rusgas, malquerenças, chegando a inimizades… É o Mediador lhes proporcionando justas oportunidades.cantora lírica

Uma vez reunidas essas almas, haverá por parte de todas uma amnésia geral e  aí começará a ‘encrenca’, pois ainda dominados pelo orgulho e seus derivantes, todos se autorizarão a modificar os outros, quando precisarão entender que cada qual, produto de si mesmo ou de suas ressonâncias, é que precisará se renovar ou melhorar a emissão de seus ecos; melhorar sua fama ou suas notícias. Todos os que estiverem à sua volta serão, nada mais, nada menos, que seus colaboradores. Todos, também, dado o ‘esquecimento’ precisarão trabalhar com todas as evidências possíveis.

Ao se renovar, o homem transformará o mundo. É o que tentarão realizar essas almas ora reunidas se buscarem aprimorar os ecos que ora produzirão e que se espalharão pela acústica do sagrado templo que agora habitam.

Melhorados e renovados os ecos de cada um, suas famas ou notícias, caracterizado o avanço dos indivíduos e do Planeta… Ou as Divinas intenções se cumprindo!

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Com exceção do corpo que biologicamente procede do corpo – cor e forma de cabelos, olhos, tez, estatura, feições… as almas reunir-se-ão de acordo com suas tendências, visto não procederem do espírito, mas atendendo e tão somente as ressonâncias e famas que construíram em vivências passadas. Olhar-se-ão no comum espelho de suas vidas e deduzirão que o produzido em suas pretéritas existências é totalmente semelhante ou simpático; bom ou ruim!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Renovação, pag. 153 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

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Apesar de contestada por alguns historiadores atuais a expressão “Independência ou morte”, também chamada de “Grito do Ipiranga”, marcou a Independência do Brasil em 7 de setembro de 1822, por conta do imperador D. Pedro I. Tal expressão, entretanto não é exclusividade deste País: Em 1876, descendentes do príncipe Mihai, com o mesmo brado proclamaram a independência da Romênia do colonialismo Húngaro. Já “Liberdade ou morte” foi o brado que desanexou a atual Grécia do Império Otomano…

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A força de expressão “Independência ou morte” ou suas variantes desejaram dizer, por parte de então colônias, um ‘basta’ a seus então colonizadores. Mostrariam a estes que estavam maduros e prontos para caminhar com as próprias pernas ou que os preços que pagavam à Pátria Mãe eram muito altos.

Com a individualidade das pessoas sucede algo semelhante, pois em determinada etapa de nossa vida, pensamos ser aquilo que os outros pensam que somos. Somos dependentes. Em outras etapas, deixamos a dependência e a submissão aos outros e nos tornamos unicamente vinculados àquilo que pensamos de nós mesmos. Somos independentes.

Tais quais as Nações que eram ‘escravas’ mas ora proclamam a sua independência, também os indivíduos o são – escravos – enquanto dependentes de opiniões de terceiros. Não me refiro aqui a parcerias, aconselhamentos e às sociedades sistêmicas, totalmente saudáveis e necessárias à vida social, mas sim a uma subserviência física, emocional e espiritual. Conquistada a individuação ou cada indivíduo ciente de sua singularidade, ele estará apto a construir a sociedade plural, povo, Nação.

A razão diz que as Leis Divinas são apropriadas à natureza de cada mundo e proporcionais ao grau de adiantamento dos seres que o habitam. (Questão 618). Ou a Natural Lei terá sua aplicação sempre diretamente proporcional à evolução de cada povo que é formado por grupos e estes por indivíduos, caso contrário Deus não seria equanimente Justo! Quanto mais indivíduos dessa nação estiverem entendendo as Divinas Leis ou atingirem sua individualidade mais rápido, mais forte e mais nobre será o povo, maduro aí para uma independência. Quem é independente, a Nação ou os seus indivíduos? Os indivíduos!

Mas a conquista de uma liberdade, através de individualidades, requer uma consolidação: Conquistada a soberania, esses indivíduos precisarão através de constante vigia dar a entender às demais Nações porque conquistaram sua independência, através da constante auto-observação e manutenção do potencial que os fez livres e o qual precisarão manter.

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O que é a nação senão os indivíduos que a fazem? Ao darem o brado de “Independência ou morte”, alegórico, é claro, desejam evidenciar que estão prontos para uma unidade através da independência ou própria maneira de ser de cada um…

(Wikipédia, a enciclopédia livre (introdução). Sintonia e expressões em itálico são do cap. Individualidade, pag. 139 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono já frio de 2013).

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“Apenas entrará [no reino dos céus] aquele que faz a vontade de meu Pai…”1

Quando no ano zero da era cristã o Menino ‘desembarca’ em Belém de Judá, iria logo dizendo a que, para que e para quem viera. Traria todas as explicações para o significado da frase que ainda nem proferira, “apenas entrará [no reino dos céus] aquele que faz a vontade de meu Pai”:

  • Em primeiro lugar, a ‘maternidade’ na qual sua mãe se instalara daria o seu primeiro recado: A estrebaria e a manjedoura – ou cocho dos animais – não faria dele, Jesus, um homem menor, como também poderá se deduzir que hospitais com recursos de ponta não serão os responsáveis pelo nascimento dos grandes homens;
  • Que os seres menores da criação que ali emolduravam a cena de seu nascimento, representariam, sempre, todos os ensinamentos que todos os seres, de todos os reinos teriam a proporcionar à humanidade. Quem desprezasse todos esses eco sinais da Mãe Natureza poderia estar se inabilitando ao Reino;
  • Os homens simples que ali estavam – pastores, em sua maioria – seriam os privilegiados no testemunho do acontecimento que dividiria as eras da humanidade. Suas pureza, simplicidade e inocência, explicitariam as características dos candidatos ao Reino de seu Pai;
  • As potestades terrenas ‘convidadas’ ao evento não seriam os grandes soberanos, tais quais os do império dominante. Seus reinos talvez fossem insignificantes à época e em nada se comparavam ao dos césares da grande Roma. Na simplicidade e simbologia de seus presentes ao recém nascido Menino e na diversidade da cor de suas peles, gostariam de informar que todos os que fossem isentos e desprovidos de todo o tipo de preconceitos, também estariam habilitados a continuar na rota da perfeição pelos mundos celestes, independente de doutrinas, castas, raças ou credos; que não seriam relevantes a cor de suas batinas ou hábitos, ou que sequer os usassem; paramentos, breviários ou catecismos não contariam…

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O Mensageiro dos mensageiros informaria à humanidade, desde o seu nascimento que “nem todos os que dizem ‘Senhor! Senhor!’”2 seriam os eleitos ao ‘Céu’ de seu Pai, mas que teriam que adequar-se à moral que Ele próprio deixaria gravada em seus gestos e pela pena de seus secretários e intérpretes.

Mas haveria outros recados ao longo dos três anos de sua vida pública: ‘Dicas’ mais que escritas, exemplificadas, dariam uma dimensão das exigências aos candidatos ao Reino de seu Pai…

E assim, fatos e mais fatos se sucederam nas poeirentas e pedregosas veredas do centro Jerusalém e nas periféricas Samaria, Galiléia, Judéia… Junto a homens simples, escravos de um império tirano e a outros nem tão simples, mas também escravos – esses morais – do mesmo império ao qual eram subservientes.

Entreverado a esse povo heterogêneo, o fiel depositário dos anseios do Pai informaria que os candidatos a herdeiros seriam pessoas como Zaqueu e Madalena; ou aos cegos, coxos, leprosos e lunáticos que atenderia; os que duvidariam como Tomé, ou os de fé inabalável como o centurião e a viúva do óbolo da dracma minúscula. Haveria, ainda, outros candidatos, em se falando da manjedoura ao Gólgota, como Cefas e Dimas, o ‘mau’ e o ‘bom’ ladrão que, com suas diferentes lágrimas revelariam que também o estágio ou degrau desses candidatos seriam diferentes…

Quem entraria? Quanto a isso não restaria nenhuma dúvida, pois o Mestre teria traçado todos os seus perfis completos ao longo de seus trinta e três anos, da manjedoura ao Gólgota!

Bibliografia: 1 e 2 – Item 6 do cap. XVIII de O Evangelho segundo o espiritismo, Guillon Ribeiro, 104ª edição.

 (Verão de 2013) – Pub ‘O Clarim’,  Abr/2013.

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Numa língua em que uma palavra poderá ter mais de um significado, será apropriado emitir aqui alguns conceitos necessários ao estudo: Natureza (1) – Constituição ou essência das coisas; índole, temperamento, caráter. Natureza (2) – O Planeta em seu estado natural ou a parte dele que ainda não foi tomada pelos aglomerados urbanos. Estado natural – É o estado primitivo. (Questão 776 de O Livro dos Espíritos). Lei Natural – Contribui para o progresso da Humanidade (Idem)…

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Dessa forma, reformulo aqui a enunciada questão: O estado natural e a Lei Natural não são a mesma coisa: O estado natural é o estado primitivo. A civilização é incompatível com o estado natural, enquanto que a lei natural contribui para o progresso da humanidade.

Posso dizer, então, que os seres se posicionam todos dentro de uma grande moldura que é a Natureza ou Mãe Natureza, mas cada um com sua natureza – essência, índole, temperamento, caráter – própria e determinada, qual mestra sábia e dedicada, a ensinar e desejar dividir com todos os lucros de suas características…

Toda a diversidade dos seres, com características ou natureza própria, cada um dentro de um determinado reino, e perfeitamente harmônica, estará compartilhando ensinamentos de uma forma tão explícita que deduções, suposições e apreciações não poderiam fazê-lo:10_curiosidades_del_ornitorrinco_shsc-10

  • Rios e mares; praias e mangues; campinas e montanhas; solos áridos, úmidos, alagadiços, nevados; águas correntes ou paradas; árvores frutíferas ou não, espinheiros, caatingas, matas, selvas; espigas de milho com a arquitetura de Niemayer e o amarelo vibrante de Van Gogh; Flores de matizes e formas diferentes… não perderão os encantos de sua natural diversidade, atividade e utilidade por se apresentarem sob características tão diversas;
  • Aves que se alimentam de frutas, outras de grãos, outras são de rapina; aves que põem e chocam, ora a fêmea, ora o macho os próprios ovos; aves que põem ovos, mas não os chocam; aves que põem seus ovos em ninho alheio; aves que são ‘fiéis’ ao companheiro e quando ‘traídas’ até morrem; répteis e quelônios que aproveitam as areias mornas para que seus ovos eclodam; mamíferos tão somente vegetarianos e outros totalmente carnívoros; raridades bizarras como o ornitorrinco, mamífero, semi-aquático, carnívoro e ovíparo… Enfim, animais de muitas espécies e naturezas diversas habitam este Planeta, muitos em seu habitat natural, outros em cativeiro e ainda, uma terceira situação, em que esses seres tentam retomar o habitat que lhes foi subtraído por conta do progresso ou mera ambição do homem; e
  • Ao indivíduo humano, criado simples e ignorante, mas perfectível, o Criador lhe põe à disposição dez Leis Naturais e um livre arbítrio que lhe confere a capacidade de, como a nenhum outro ser, administrar o seu avanço intelectual e moral. Perfectível deseja dizer exatamente isso, a gerência de seu progresso rumo à perfeição. Não poderá, portanto, o homem permanecer sempre em seu estado natural porque a civilização é incompatível com [esse estado] enquanto que a lei natural contribui para o progresso da humanidade e esse progresso pressupõe todos os avanços intelectuais e morais.mae_adotiva_animal041

Como único detentor de um livre arbítrio, diria de uma forma um tanto chula que este irá ‘ajudar’ ou ‘atrapalhar’ o homem. Do bom ou mau uso de sua liberdade os indivíduos forjarão as suas naturezas e caracteres. Serão bons, educados, cultos e morais configurando um indivíduo sábio; ou serão maus, com avanços intelectuais ou não, mas ainda amorais e de duvidosos costumes o que caracteriza estacionar ou abortar a presente encarnação.

Há ainda outras implicações estas sob o comando da Mãe Natureza: Uma carga genética poderá determinar a opção sexual de um determinado indivíduo: Neste caso, a Mestra Científica pedirá à abjeta intolerância que conceda espaço para que a compreensão se torne objeto de ensinamento para que conflitos e enigmas sejam esclarecidos. Indivíduos serão naturalistas e vegetarianos, outros carnívoros, conforme suas compleições e particularidades físicas o exigirem ou sua moralidade os orientar. Do entendimento ou não da natureza das coisas e de suas mensagens, os indivíduos estabelecerão uma maior ou menor conexão com a sua Divindade. Finalmente, e não poderia faltar, o homem ao satisfazer o orgulho e à toda a sua corte, e ainda sentado no trono de seu ego possivelmente não terá uma percepção sobre esses naturais ensinamentos; cego a esses sinais, cego à Divindade, cego à progressão.

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A essência das coisas, inserida na moldura da Mãe Natureza, sempre será a Mestra dedicada a ensinar, esclarecer, guiar, surpreender e estimular a humanidade, através das Leis Naturais, a sair de um estado de natureza e embarcar no progresso projetado pelo Criador.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Compreensão, pag. 131 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

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Segundo informações de André Luiz em “Missionários da luz”, capítulo “reencarnação”, a partir da união da alma ao corpo, quase que simultânea à concepção, cada indivíduo ‘ganha’ um Espírito Guardião que o acompanhará ‘de perto’ da concepção até mais ou menos dos sete anos ao início da puberdade. Após essa idade esse Protetor acompanhará o indivíduo ‘à distância’, pois a partir daí – da puberdade – o indivíduo passa a fazer uso de seu livre arbítrio com maior intensidade. Evidente que falo aqui de um anjo da guarda que, mais de perto ou mais de longe irá tentar nos aproximar daquilo que nos é útil e nos afastar daquilo que não nos serve…

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A essência desse guardião – essência que eu, tu, ele, nós possuímos… é, segundo me dá a entender Hammed, a mesma de Deus, já que quando se trata da “compreensão em Deus”, não neguemos nada, não afirmemos nada, apenas esperemos confiantemente. O estado numinoso [ou a essência da idéia de Divindade] é a mão misteriosa que nos aproxima daquilo que nos é útil e nos afasta daquilo que não nos serve.segura-na-mao-de-Deus

Negar ou afirmar algo a respeito de Deus é como se fora nivelá-Lo ou compará-Lo a coisas ou pessoas palpáveis aos seres humanos: Se eu afirmar que Deus é bom, mau, caprichoso, esperto, sábio, exigente, valente, vingativo… eu O estarei mensurando por pessoas que eu julgo serem assim ou assado e estarei fazendo um vago, injusto e imperfeito esboço de Deus. É possível, entretanto, que através de observações minuciosas da riqueza, harmonia, perfeição e sincronismo das criaturas – em todas as esferas e reinos – eu possa, não ‘medir’ o tamanho e a magnitude de Deus, mas compreender que Ele, além de me inspirar confiança é, numa escala muito maior que a de meu anjo da guarda, a mão misteriosa que nos aproxima daquilo que nos é útil e nos afasta daquilo que não nos serve.

Não se pode negar, dentro deste assunto, que cada indivíduo terá a sua particular definição de Deus, podendo esta ser diretamente proporcional à sua conexão com sua Divindade ou de como, com que olhos, com que percepção ele observa todas as criaturas de Deus. Se eu tiver um olhar confuso sobre tudo isso, como poderá ser o meu Deus? Confuso, obtuso! Se meu olhar for de grandiosidade para tudo isso, meu Deus também será Grandioso.protecao_deus

Compreender a grandiosidade de toda a criação, me incluir nela, incluir meus semelhantes, meu cão, minha árvore, minha praia com todas as águas que nela deságuam ‘e’ me sentir co-responsável por tudo isso é começar a possuir religiosidade, pois estarei desejando me identificar e conectar com o sagrado.

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Percorrer num dia de verão e de pés descalços os mil e quinhentos metros que separam a praia de minha casa, saudar pessoas, contemplar casas, me encantar com as garças brancas, pisar na areia fofa e molhar meus pés nas águas claras e mornas poderá fazer parte de minha limitada compreensão e até de minha síndrome de onipotência. Entretanto, daí para frente, para penetrar e navegar o mar da inspiração e manter firme o leme da introspecção eu precisarei apenas – e como se fosse pouco – estar identificado, confiante e conectado com o Sagrado.

Compreensão em Deus ou compreensão ‘com’ Deus significa eu possuir todo o entendimento que por ora me for possível, mas totalmente confiante, dependente e escudado por minha Divindade, ou… relembrar Hammed: Negar nada, afirmar nada; apenas esperar confiantemente!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Compreensão, pag. 127 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).