Archive for maio, 2013

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“Quando o desânimo, [fruto de uma doença] impuser a paralisação de tuas forças na tarefa a que foste chamado, prossegue agindo no dever que te cabe, exercitando a resistência mais um pouco e a obra realizada ser-nos-á bênção de luz”. (André Luiz)

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Recentemente, quando acometido de forte crise ciática, percebi que um ‘punhado’ de companheiros de minha Casa Espírita, de uma forma ou de outra, haviam se acidentado ou estavam adoentados:

Em primeiro lugar, não há novidade nessa notícia, tendo em vista a ‘população de idosos’ que há na Casa, propensa, portanto, a uma freqüência maior de quedas e doenças.

Segunda consideração, e que julgo apropriada: Tais acidentes e doenças poderiam ter sido piores; a Proteção de que desfrutam os abrandou.

Terceiro, e não menos importante: ‘Recuaram’, todos esses indivíduos, à condição de estéreis? Absolutamente! Tão somente e temporariamente no estaleiro, todos eles, com obstáculos a superar, provam a si próprios a sinceridade de seus propósitos de renovação através do trabalho de cada um.

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Normalmente, quando estudo as questões teóricas das provas que envolvem dores físicas e morais, sou categórico – ou a Doutrina é categórica – em afirmar a necessidade das dores de qualquer espécie para a evolução dos indivíduos. Chego a dizer, de uma forma um tanto poética, que as dores são a ‘maquiagem da alma’. Mas, meu amigo, quando na prática a dor aperta, seja ela física ou da alma, o corpo dói, a mente anuvia e os ‘investimentos’ ficam mais difíceis.

Que fazer, então? Abortar ou malograr o que foi ensinado? Também não! Embora exista um abismo entre a teoria e a prática, ou entre o que é ensinado e o que deve ser feito, devo considerar que a provação é a prática da teoria e que, no momento da provação, há uma imperiosa necessidade de não me sentir estéril, pois até mesmo o mal – a doença, a invalidez temporária… – permanece a serviço do bem e que a resignação sem deserção, sem a esterilidade, aí fará a diferença.

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O que são as doenças – físicas e morais – senão indisposições, e graves, a me distrair a atenção do trabalho e do desejo de realizar sempre o melhor?

 (Sintonia: Cap. Sempre melhor, pg. 17 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).

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Quem é maior, meu problema ou o meu Deus? Alguém inteligente, que por ora não lembro o nome, recomendou-me “não questionar o tamanho de meu problema, mas considerar a grandeza de meu Deus”. Sendo filho de Deus, qualquer problema também não poderá ser maior que a força plantada por Ele dentro de mim: Basta-me, tão somente, fazer crescer essa força, para que me proteja e que me leve a considerar que neste Planeta não há vitória sem luta…

Ao apenado poderá ser concedida uma condicional, pena condicional ou livramento, ‘desde que’ preencha determinadas condições impostas legalmente…

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Cada ‘jornada terrena’ de todos os indivíduos, sempre estará condicionada a também lutas diárias. É próprio do Planeta que a vida nele estabeleça condicionantes. Que, por exemplo:revoadablog

  • A cada vitória preceda uma luta;
  • A cada encargo no bem perseverado, se acumulem ‘bônus’ para a construção do Céu interior íntimo;
  • A cada lembrança triste, a cada mágoa, a cada melindre, a cada sentimento de inutilidade, colocados de lado, nos seus vácuos adentrem alegrias, potencialidades, prazeres…
  • A cada doença tratada, novas possibilidades surjam, visto a doença de qualquer espécie limitar o corpo e a mente;
  • A cada desculpa, indulto, perdão, se refaça e se fortifiquem as amizades verdadeiras;
  • A um só ‘milímetro’ de minha boa vontade na direção do perdão o Universo me proporcione ‘quilômetros’ de possibilidades;
  • A cada espaço tomado à tragédia, ao apocalipse, a mídia de todos os escalões anuncie notícias benfazejas. Menos desgraças anunciadas, – e ‘requentadas’ – mais coisas edificantes, prazerosas, mais emoção nos rostos, mais inspiração às mentes, mãos, corações. Menos apologia ao mal, mais espaço ao bem;
  • Cada comercial apelativo seja substituído por ‘merchandising’ inteligente, divertida, producente e não agressiva, onde todos fiquem bem servidos e que influa na decisão da ‘compra do bem’;
  • Cada indivíduo ao ocupar seu espaço, desenvolva o bem para que o mal fique limitado;
  • Cada orador, locutor, prosador, escritor… ao se tornar comedido, encurte os espaços cedidos à discórdia;
  • A mente não seja cegada a novas conquistas, ao se evitar rebuscar, alimentar e ‘engordar’ ressentimentos;
  • A cada auxílio, por ínfimo que seja, o infortúnio seja menor; e que
  • A cada defeito a menos que eu encontrar em meu semelhante, uma luz a mais se acenda em meu coração e na minha vontade.

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Se hoje o céu aparece toldado de nuvens, é possível, sim, que chova, e muito; mas amanhã com o céu límpido e a atmosfera renovada, o sol se mostrará brilhando novamente, porque a vida é feita de…

… Condicionantes!

(Sintonia: Cap. Seguindo em frente, pg. 13 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).

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O indivíduo, – Espírito – tal qual o rudimentar e primeiro automóvel a vapor inventado em 1678, pelo padre Ferdinand Verbiest, de Flandres (Norte da Bélgica), foi criado simples e ignorante, mas com um ‘futuro promissor’. Se o automóvel, de lá para cá teve um avanço estupendo, também ao indivíduo foi facultado avançar intelectual e moralmente. Quando o automóvel de hoje atinge uma complexidade fantástica, com recursos inimagináveis aos tempos do padre Ferdinand, o Espírito, detentor de ‘experiências acumuladas’ bem maiores que o invento, possui capacidades inatas já e por serem desenvolvidas…

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Como o automóvel, e por maior ‘bagagem tecnológica’ que possuam, os indivíduos também enguiçam. Há aqueles dias em que, ‘estacionado’ no acostamento, o indivíduo vê passarem por si todos os demais, nos seus diversos afazeres e ele ali, pifado, desanimado.  Enquanto todos – transporte, utilitários, coletivos – produzem, ele se sente à deriva, tal qual um barco no estaleiro, temporariamente inútil.

Esses indivíduos, ainda não possuidores da ‘angelitude’ e competência dos modernos carros e por viverem num Planeta susceptível a ocasionais transtornos, desalentos e abatimentos, precisarão, volta e meia, de mecânicos da Providência Divina para socorrê-los, tirá-los da deriva, dos acostamentos a que se lançaram pela própria invigilância ou descuido dos ‘sinais vitais’ que os manteriam ‘rodando’.

O que é o desânimo senão o corte ou a descontinuidade da energia e do combustível da fé e da esperança, – motivação que move a máquina fantástica que é o indivíduo – e o põe temporariamente no acostamento? As fraquezas e invigilâncias emperrarão sua caixa de câmbio e o deterão em determinado momento de sua marcha…

O veículo físico do Espírito, poderá se apresentar com seus equipamentos perfeitos: rodas, faróis, buzina, instrumentos, palancas, volante… o que há é a pane momentânea da ‘alma motor’ desse veículo, e o desânimo faz com que o combustível e a corrente elétrica não lhe chegue à parte vital.

Desejar voltar à ativa, desvencilhar-se dos enguiços da alma será o primeiro passo, pois a partir do momento em que o carro desejar sair do acostamento, uma equipe de motoristas, mecânicos, eletricistas e socorristas será movimentada pela Divina Providência, para que o doente volte a trabalhar, por singelas que sejam as tarefas afetas no lar, na comunidade, na sociedade…

Recuperar-se, reorganizar a mecânica de sua vida, ajustar o ‘ponto’ e a partir da singeleza de sua capacidade, transportar necessitados, encurtar caminhos alheios, transportar um sortido… será a melhor maneira de, saindo do meio fio, voltar a ser útil.

(Crédito inicial: Wikipédia. Sintonia: Cap. Sem desânimo, pg. 9 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).

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… Somos, verdadeiramente, o que sentimos. [Eles, os sentimentos] revelam nosso desempenho no passado, nossa atuação no presente e nossa potencialidade no futuro.

Qual o sentimento que me acometeu ante o recente episódio de uma mulher espancando um filhote com 40 dias da raça poodle e ainda ensinando seu filho a fazer o mesmo? Poderei achar que a mulher é simplesmente malvada, como poderei julgar que ela, temporariamente ou definitivamente desequilibrada, necessita de um acompanhamento psiquiátrico. Então, que sou eu perante esse fato? Sou o produto de um sentimento que minha independência me autoriza a ter e de uma maneira só minha. Meu julgamento poderá desnudar um conjunto de conceitos que já reuni, revelará o que sou hoje e que tipo de acervo eu quero continuar ‘juntando’ para meu futuro…

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Posicionar-me contra ou a favor de determinado tema não fará de mim nenhum criminoso; precisarei entender, entretanto, é que tais posicionamentos, independentes, livres, formarão o meu perfil. Fugindo a todos os dogmatismos precisarei entender, também, que naturalmente as verdades sobre determinado assunto sempre convergirão para o consenso. Se minhas verdades se aproximarem o máximo possível da natural concordância, é possível que meu passado, presente e futuro estiveram, estão e estarão adeqüadamente amparados pela Natural Lei…

Voltando ao poodle: Evidentemente a primeira reação da maioria foi uma indignação. Passado o primeiro momento, analisado o caso e para que não acumule sentimentos de injustiça ao perfil que construo através de minhas vivências, precisarei rever meu julgamento e aceitar a possibilidade de insanidade da agressora.

A convivência difícil de hoje me aponta todos meus maus feitos de outrora e a oportunidade de construir um futuro melhor: Meu esforço e boa vontade de hoje, asPadrão-de-beleza-Aceitação emanações de carinho, respeito, prece e súplicas por remissão a todos eles são o ‘ponta pé inicial’ de um trabalho que será completado pelo Universo, pois reabilitados os sentimentos hoje, preparado estará o amanhã!

Através da emoção, indivíduos ‘são movidos’ a demonstrar por diversas formas sua conformidade ou inconformidade com os fatos: Um indivíduo poderá chorar de emoção perante um acontecimento edificante e outro poderá chorar de tristeza ante um episódio que o magoe ou contrarie. Lágrimas não são atributo, privilégio ou reações – como queiram adjetivar – relativos tão somente a homens ou mulheres, mas terão o poder de revelar uma pretérita parte desses indivíduos e confirmar que o [mesmo] Espírito que animou o corpo de um homem, em nova existência, pode animar o de uma mulher, e vice-versa e que essas impressões acompanharão os Espíritos em suas novas jornadas, influindo na construção de seus perfis. (Questão 201 de O Livro dos Espíritos).

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Aceitação, pag. 205 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono frio de 2013).

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Observando-se as sábias lições da natureza, sacudir-se, um verbo pronominal, faz parte da rotina de todos os felinos e caninos com o intuito de se livrarem de algum tipo de ácaro dos ouvidos, ou simplesmente para se secarem. A maioria das aves também fará o movimento para se livrar de parasitas e também secar-se. Bovinos, eqüinos e muares estremecem seus corpos e se utilizam da cauda para espantar insetos que os atormentam…

Prédios muito antigos, com sessenta ou setenta anos que à época de sua construção eram o xodó da arquitetura, já poderão não ser mais úteis aos anseios do conforto atual e serão colocados abaixo, dando lugar a outro mais moderno e satisfatório.

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Sacudir-me de uma série de mazelas que impedem a construção de um Céu interior – e que literalmente me ‘infernizam’ – significa tentar desvencilhar-me da maioria dos defeitos que impedem minha paz interior: ódios, raivas, orgulho e todo seu séqüito e até aqueles que me parecem inofensivos, mas que fazem parte da pajelança do melindre, tais quais ilusões, prostrações e auto-piedade. Sacudir-se, – aqui no sentido moral – é ‘fazer por donde’ abandonar todos os riscos e desenganos do homem velho e buscar as vantagens e a clareza do homem novo.

Sacudir-se é desejar ficar curado: O Mestre Galileu, aquele que extraía o máximo de um mínimo, ao abordar o paralítico de Betesda (Jo, V, 6), que fazia 38 anos tentava adentrar à piscina da cura, pergunta-lhe de chofre: “Queres ficar curado”? Jesus não afirma que o curará, mas pergunta-lhe se ‘deseja sacudir-se’ dos males que o acometiam.

Mas, em se falando de cura, – mudança, sacudida – a quem devo mudar, a mim ou ao meu semelhante? Aceitação aqui é a palavra chave, tanto para mim como para o semelhante: No que se refere a mim, a ‘não aceitação’ de tudo aquilo que se refere ao homem velho; no tocante ao próximo a total e irrestrita aceitação, respeito e generosidade no que se refere à sua maneira de ser. Transformar-me; respeitá-lo; e, se possível, levá-lo de roldão com minhas atitudes: As palavras chaves!

Se Jesus aparecesse hoje à minha frente e repetisse sua pergunta “queres ficar curado?” eu poderia dar-lhe duas respostas:cura-em-betesda

– ‘Sim!’ Ou aquela resposta na qual me declaro disposto a me sacudir por inteiro desejando despir-me de todos os penduricalhos que impedem de ser feliz, de ter um Céu dentro de mim e que para construir esse Céu desejo não ser só bom, mas “bom e caridoso” e ainda me despojar de adornos que inventei para mim, tais quais quimeras, burlas, pseudos infortúnios, suscetibilidades… Ou então:

– ‘Sim, mas’… É aquela resposta em que enumero uma série de empecilhos à minha cura: ‘O convênio é ruim; o médico é longe; os exames são inconvenientes e poderão revelar uma nova doença… ’ E a minha resposta evidenciará que além de magoado estou acomodado a antigos hábitos e gostos nada saudáveis.

Em ambos os casos, ou com ambas as respostas o Alto deixará de me curar? Não, porque eu até poderei desistir de mim, mas as Divinas Intenções jamais! Poderei demorar um pouco mais a me sacudir, mas de repente as revoluções morais como as sociais estouram e fazem ruir o edifício carcomido do passado, que não está mais em harmonia com as necessidades novas e as novas aspirações. (nota à questão 783 de O Livro dos Espíritos).

Sacudir-se e ruírem o homem velho, o edifício, os ácaros e parasitas dos seres menores da criação… tudo aqui significa limpeza, renovação, cura, transformação, progresso, evolução!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Aceitação, pag. 205 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

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A generosidade (…) propõe ajuda ao próximo, validando, acima de tudo, sua realidade pessoal.

Uma cooperativa de laticínios – o assunto da moda… – se faz recolhendo o produto de inúmeros fornecedores e reunindo-os na sede para beneficiamento e produção de uma diversidade de itens. Também a partir da validação, recolhimento e utilização das verdades de cada indivíduo se constrói um conjunto maior, diferenciado e real de verdades, ou uma ampla visão de Mundo.

Sou de uma época em que as vizinhas pediam às outras um açucareiro de açúcar, quando este faltava e a venda era muito longe. Coisa muito natural naquela época era este recíproco exercício de generosidade, pois… logo ali adiante a que pediu o açúcar iria emprestar uma quota de farinha…

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No momento em que vou chegando ao final de mais uma relida em Prazeres da alma e cada vez me apaixono mais pelas obras deste querido Orientador, percebo que todas as virtudes, que constroem o Céu no interior dos indivíduos, convergem ao grande anseio do Pai a respeito de seus filhos: A evolução! A generosidade não ficará para trás, porque quando se pensa numa pessoa que já adquiriu essa virtude, imagina-se uma pessoa notoriamente doce, desprendida, de colaboração e convívio fácil.

Se alguém perguntar na escola ao menino baixinho, de cabelo e pele descuidados, negro e pobre, com quem ele desejará estar à hora do recreio, e ele responder que ‘com aqueles que não pegam de meu pé’, não tenham a menor dúvida que ele estará se referindo aos seus colegas generosos.zeca-pagodinho-chuvas

Dir-se-ia que o generoso não ‘manga’ dos diferentes ou não os bullyiniza, mas que possui uma profunda compreensão de seus gostos e maneira especial de ser. Generoso ‘e’ esperto porque ainda aprende com as diferenças.

Sendo os indivíduos distintos, – diversos, diferentes… – qual deles que não gostaria de ter sua diversidade validada, reconhecida? Partindo-se do pressuposto que ninguém é tão pobre que não tenha algo a oferecer e nem tão rico que não tenha algo a receber, a generosidade é a virtude que homologa este ditado tão popular quanto verdadeiro. Se a realidade pessoal é tão única e a maior verdade que um indivíduo possa ter no presente momento, reconhecê-la como proveitosa à minha vida poderá ser, ao mesmo tempo, além de atitude inteligente, um ato de nobreza.

Quando em janeiro último Zeca Pagodinho, que é de Xerém, Duque de Caxias, esteve em auxílio às vítimas das cheias da Baixada Fluminense, até levando desabrigados para sua casa, esteve lá ele como um comum… Ele não foi lá cantar ou fazer demagogia, mas, como todos os de boa vontade, se uniu a propósitos da maioria. Primeiros socorros não prevêem de mim o declinar de um acervo que eu possa ter ou que meu curriculum proporcione a socorridos discursos de uma moral humilhante; todas as minhas ‘verdades’, nesse momento, deverão ficar em segundo plano. A regra mais básica de minha generosidade nessa hora será eu me nivelar, o mais que puder à situação de penúria do socorrido.

Quem generaliza, não socorre: Se eu encarar o problema de meu próximo como algo comum ou minimizá-lo ao compará-lo aos meus, dificilmente socorrerei, pois estarei a léguas da principal máxima evangélica.

Mas a generosidade, longe de somente prover, prevê o encorajamento, a capacitação, a singeleza no servir e um profundo respeito pela realidade pessoal do assistido material ou moralmente.criancas-na-escola-31062

É possível que muitos indivíduos não desejem grandes coisas de outros indivíduos, mas tão somente sua generosidade em forma de respeito à sua realidade de vida. Ou então cada qual não possuiria sua parcela de verdade! A missão do homem neste Planeta não é modificar o seu semelhante, mas a partir de uma modificação própria, promover a evolução da Terra e aí sim, com seu exemplo, levar de roldão, possíveis ‘retardatários’.

O que um não faz, o outro faz,assim se expressariam com sabedoria na questão 804 de O livro dos Espíritos os Benevolentes da Codificação, desejando informar que nem todos os espíritos possuem o mesmo adiantamento ou que tiveram vontade de desenvolver todas ou iguais faculdades; talentos diversos oportunizarão e estimularão o exercício do devotamento. Imagine-se um Mundo só de médicos, dentistas ou advogados… quem apagaria incêndios, quem construiria estradas, onde se comprariam mantimentos, quem fabricaria os móveis, quem cortaria ou pintaria cabelos?…

Cada talento não é melhor nem pior que os demais, apenas diferente e útil aos propósitos da Providência Divina ou Divinas Intenções.

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Em nada contribuirá ou influirá o acervo de um dentista que se coloca à frente de um carpinteiro e lhe encomenda uma mesa; como de nada valerá toda a capacidade profissional do carpinteiro que na cadeira do dentista lhe suplica que o livre de uma terrível dor. Sim, porque…

… O que um não faz, o outro faz!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Generosidade, pag. 197 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

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Considerando que nenhum feito, sentimento ou pensamento passam despercebidos neste sistema de humanidade interdependente do qual fazemos parte, o mundo onde moramos depende de nossa colaboração. Todos [nós] temos que contribuir; ninguém está livre do devotamento à família, amigos e desconhecidos.

Foi sempre assim: O Planeta sempre contou e sempre contará com a generosidade de seus filhos, com seus feitos, sentimentos, pensamentos, criatividade, ousadias para uma evolução individual, grupal e planetária. Os devotados de hoje e possuidores de uma maior evolução são os mesmos que, na Idade da Pedra (3.500 a.C.), ainda rudes, mas colaboradores juntavam o ‘combustível’ para aquecer e iluminar suas famílias nas noites frias da Pré-História, lhes proviam segurança e desenvolviam outros atos generosos documentados em imagens e inscrições encontradas por pesquisadores…

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A generosidade é tão inata quanto as demais virtudes com as quais a Divindade brindou seus filhos. Ninguém fica generoso num estalar de dedos, mas é uma nobreza que se cultiva ao longo de vivências e que em algum momento, acompanhando a evolução, ficará madura na forma de devotamento ao semelhante, próximo ou distante. Ela é treinada no lar para se irradiar a pessoas ‘desconhecidas’.

Como, quanto e quando doar até reconheço ser um tanto complicado. Quanto a não se envolver emocionalmente com o beneficiado, variará de indivíduo para indivíduo. Já nem me refiro à frieza desse tipo de contato, pois quem é benevolente dificilmente será frio, mas há indivíduos que sempre se envolverão mais ante as penúrias materiais ou morais alheias.

Embora sabendo que não se deva carregar a cruz pelos outros ou pelo mundo, sempre haverá aqueles fatos que tocarão mais as pessoas que desejarão ser um pouco Simão Cireneu em suas vidas. Até porque, para ser solidário há que se ‘martirizar’ momentos que muitas vezes seriam de total lazer.

Uma coisa é certa: A intensidade de meu envolvimento ou o como, quanto e quando me devotar é infinitamente secundária comparada ao ato em si de generosidade. Generosidade só não poderá ser comparada a todos os seus antônimos, sovinice, indiferença, menosprezo, mesquinhez, avareza, apego… e todo um  séquito maldoso.

Se, num futuro próximo e como já orientado por Hammed nesta ou em outras obras, a religião do futuro será a fraternidade e que amar será tão simples quanto respirar ou beber em fonte translúcida, a generosidade estará no mesmo ‘pacote’, ou as pessoas generosas são criaturas que progrediram, uma vez que (…) já lutaram outrora e triunfaram. (…) Deve-se honrá-las, como velhos guerreiros que conquistaram suas posições. (Questão 894).

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Tal qual uma corrente do bem em círculo vicioso, toda a generosidade fornecida aos planetários influenciará diretamente no Planeta que por sua vez beneficiará os primeiros que a desenvolveram.

Todas as considerações aqui já feitas anteriormente ao ódio e ao amor, também serão válidas para o desdém e a generosidade: Do mais vil ao mais sublime há todo um percurso evolucional.

Tal percurso mostrará desde uma generosidade embrionária e imanente, passando pela rudimentar até chegar quase à sublime ou a generosidade dos grandes missionários.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Generosidade, pag. 193 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

amor e odio

“Tudo é amor. Até o ódio, o qual  julgas ser a antítese do amor nada mais é senão o próprio amor que adoeceu gravemente”. (Chico Xavier).

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Pode ser até paradoxal, mas é possível que entre o ódio e o amor esteja circunscrito todo um percurso evolucional.

Um dia o generoso já foi egoísta ao extremo; o agora compreensivo já foi o maior dos intolerantes; o hoje atencioso já foi só indiferença; quem era só desprezo é hoje devotamento… Por isso afirmo que, embora pareça contradição ou disparate, há todo um roteiro amoroso de transformação no caminho do ódio ao amor, ou de todo um séquito que representa o mal até a corte amorosa do bem.

A indiferença, o egoísmo, o desprezo, a intolerância… que alguém demonstra hoje é exatamente a sua melhor e muito pessoal forma de amar. Ou representa na atualidade precisamente a quantidade e forma de amor que possui.

Quem senão o próprio amor quebrará todas as barreiras da indiferença, do desprezo, do egoísmo, da intolerância… construídos pelas doenças do preconceito, da inveja, do orgulho e seu séquito cruel, a partir de uma liberdade emprestada aos indivíduos por um Pai Justo e Bom? O amor, assessorado pelo perdão, compreensão, generosidade, tolerância… sempre saberá se entender com esses estranhos tipos de amor adoecidos gravemente.entre-o-amor-e-o-odio2[1]

Na parábola do joio*, o Mestre, tendo por palanque um barco, ensinaria à multidão, às margens do mar da Galiléia que, quando os trabalhadores sugeriram ao seu senhor que o joio fosse arrancado do meio do trigo, teria lhes ordenado que não o fizessem, pois “arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo…”

Pergunto-lhes se todos esses indivíduos com tipos de ‘amores’ tão estranhos e doentios, mas de conformidade com seu atual estado evolucional, não estão desejando ensinar algo, através de suas diferenças e até patológicas formas de amar? Domar, quem sabe, inflexibilidades e intolerâncias; driblar ilusões e absolutismos; refrear vaidades e exibicionismos; conter excentricidades e extravagâncias?

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O solo do amor verdadeiro é tão fecundo e generoso que nele poderá nascer até ervas estranhas e opostas, mas úteis para que muitos propensos ao amor meditem sobre suas variadas síndromes…

Se algum dia escreveres algo, inundado pelos fluídos de ódios, ressentimentos e mágoas, mão o publiques de imediato, pois certamente estarás mal assessorado. Permite que a noite engula o dia e após uma boa noite de sono e depois que a mesma noite houver parido novo dia, ora, arregaça as mangas, ajuda alguém e reformula teu texto, agora sob lágrimas de amor, compaixão e reconhecimentos… Aí publica teu trabalho, pois certamente tuas companhias já serão outras…

*Mt, XIII, 28 e 29 – (Texto escrito ‘sob tensão’ no sábado, 4 de maio e reavaliado segunda-feira, 6 de maio – Outono de 2013).

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O amor desenvolve características pessoais, distinguindo e particularizando a criatura.

A história da humanidade está cheia de vultos que se notabilizaram por seus bons feitos ou que se vulgarizaram pelos maus feitos. Em ambos os casos, e sem medo de errar, os primeiros amaram demais e os segundos odiaram demais. Diria ainda, que em ambos os casos essas pessoas ou se distinguiram das demais ou entorpeceram suas vidas e as de outrem…

Se o amor ao longo dos tempos contou as mais belas histórias, encenou peças comoventes e edificantes, pintou quadros os mais fiéis possíveis, compôs melodias e escreveu rimas primorosas… o ódio edificou barreiras, construiu muros vergonhosos, promoveu tragédias, generalizou e banalizou costumes. Quando indivíduos começaram a desprezar seus semelhantes e, pior ainda, lhes ficaram indiferentes, à medida que lhes sonegaram o necessário incentivo, se co-responsabilizaram pela deserção de seus talentos. Se a melhor forma de destruir um homem é impedi-lo de amar, o amor à criatividade e ao ineditismo também poderá ser morto pela vil indiferença do semelhante…

* * *

Quando o Orientador me diz neste e em outros capítulos que a religião do futuro será a fraternidade e que amar será como respirar em uma atmosfera pura ou beber de uma água translúcida, chego à conclusão, entristecido, que o futuro dos insensíveis e dos indiferentes está na contramão dessas previsões…holofote

Mas que ‘quantidade’ e que ‘tipo’ de amor desenvolveram os vultos do primeiro caso? Ora o amor ao longo dos tempos foi se tornando vulgarizado, tanto que todos os pensadores sérios resolveram defini-lo não como o amor romântico ou simplista, mas aquele que traduz benefícios prestados a outrem ou regozijo em ver a evolução de terceiros. O Orientador aqui não foge à regra ao classificar a virtude em amor romântico, possessivo e amor real.

Se foi por amarem tanto que vultos se notabilizaram, qual a ‘quantidade’ de amor real que eu precisarei desenvolver para me distinguir e particularizar? Simples! Tão somente aquela que as características pessoais do meu momento evolucional o permitir, ou…

… Considerando que o amor, traduzido pelo desejo do bem à outra pessoa ou alegria com sua evolução, seja uma luz a iluminar os caminhos de outrem, se meu degrau não permitir que eu seja um holofote, que eu seja apenas uma lamparina em suas vidas…

Sobre lamparinas e holofotes, não há demérito em, desde que seja real, eu amar pequenininho ou grandão… O importante será amar de uma forma natural e doar todo o amor que me seja possível ou que eu tenha…

* * *

Se eu não puder ser hoje um holofote em teu caminho, permite-me ser apenas uma lamparina… mas que eu não seja nunca, jamais, aquele que através de minha indiferença venha a sonegar meu incentivo aos talentos que possuis!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Amor, pag. 179 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).