Archive for junho, 2013

Bálsamo, bálsamo-do-peru, bálsamo-de-tolu ou de gileade, cabriúva1… todos possuem a capacidade de servirem de lenitivo, isto é, suavizar doenças físicas, como se prestarem para a elaboração de aromáticos.

Bálsamo no sentido figurado e abstrato poderá ser um tipo de atenção ou de comportamento que eu, ou alguém tome e sirva de conforto na grande caminhada da evolução que todos, por uma deferência Divina, estão predestinados a percorrer…

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Pequenos atos do dia-a-dia poderão ter a capacidade de balsamizar ou ‘calçar os pés das almas’ tanto nas minhas como nas caminhadas alheias neste compulsório/amoroso trânsito para a perfeição. Dentro da ‘lei de retorno’ ou ‘áurea’, são óleos em forma de perfumados gestos que estarão curando ou amenizando as feridas alheias e as minhas próprias.

O que é trabalhar e servir se não suavizar as feridas comuns? Dentre a coletânea de frases do recém eleito papa Francisco I ele diz que “minha missão é servir”. Entenda-se como trabalho o remunerado, que gera progresso e produz bem estar terreno às famílias. O serviço poderá se referir ao sagrado bálsamo que amortece a caminhada; significará os lenitivos de conforto moral próprio ou a terceiros. Trabalho e serviço dependem, para que produzam os ‘óleos’ dos diversos bálsamos, de importante secretariado que, quando amoroso, realizará alívios e curas:

  • Sem a assistente perseverança, o que seria de meus serviços? Na tenacidade dessa devotada companheira, cumpre-se a máxima evangélica de “botar a mão na charrua e não olhar para trás”. É a perseverança que alerta aos que preparam a terra que, enquanto mantiverem as mãos firmes, serão o bálsamo misericordioso e que a deserção prejudica o exercício do bem;
  • Trabalhar em silêncio, quando a vicissitude de qualquer intensidade me acometer, poderá concorrer para o sucesso da tarefa. Em nada contribuirá, nessa situação, azedumes e zangas. Quantas vezes o próprio ‘massagista’, aquele que me assiste com os seus bálsamos, não estará dilacerado pela dor? Ele esconde os queixumes para que estes não dilapidem a tarefa;
  • O primeiro favorecido pelo ungüento do perdão será aquele que o oferece ou o pediu. Sob os sagrados auspícios do Universo, que sempre acolhe a boa vontade das partes, o perdão é o bálsamo que penetra nas chagas mais profundas, pois a necessidade de oferecer ou pedir perdão revela porções comprometidas que, mascaradas sob o véu do esquecimento, não permitem revelar os que feriram ou os que foram feridos;
  • Em determinadas situações, a palavra é o bálsamo mais indicado. Uma palavra oportuna poderá livrar um organismo de uma infecção generalizada. Foi e continua sendo a palavra apropriada que impediu doentes de se precipitarem em abismos que lhes ‘silenciariam’ o corpo, mas, por outro lado, lhes comprometeriam mais as infecções do Espírito. Que não se iludam, entretanto as pessoas, pois a mesma palavra que balsamiza, infecta;
  • Simpatia e gentileza são duas belas e dedicadas jovens que laboram neste ‘ambulatório caseiro’. Quem possui estas duas secretárias em sua eficiente administração, estará apto a impor as mãos e realizar os prodígios que sua graça lhe permite; e
  • A bondade, a esperança e a paciência, ainda dentro da possibilidade de bons servidores, completam o quadro dos que balsamizam chagas expostas de tantos irmãozinhos do Orbe terrestre. Todas fazem parte dos graciosos veículos do socorro Divino.

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Aquecer as mãos do coração, untá-las com estes e outros sagrados ungüentos que a Onipotente Bondade Divina me põe à disposição para logo em seguida deslizá-las suavemente sobre as partes doloridas do irmão, poderá não ser muito fácil perante a prepotência das asperezas. Mas todos estes santos óleos terão a capacidade de facilitar o deslizamento das mãos no cumprimento da tarefa…

1. Wikipédia. Sintonia: Cap. Lembranças de paz, pg. 53 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).

“Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles”… Quando São Mateus registra este pequeno grande fragmento do sermão da montanha, onde o Mestre declina não só esta, mas uma coletânea de regras necessárias à boa convivência, ele se torna o ‘carro chefe’ da Lei ora repaginada, revista e reenvernizada por Jesus…

A regra áurea influencia e conclama não só a Cristãos, mas a budistas, islamitas, confucionistas… que, dentro da ética da reciprocidade, a adotam ao afirmarem respectivamente: “Não atormentes o próximo com o que te aflige”, “nenhum de nós é um crente até que deseje a seu irmão aquilo que deseja para si mesmo” e “não façais aos outros aquilo que não quereis que vos façam”1.

Passo aqui a chamar a regra áurea de ‘retorno’, não desejando a dádiva interesseira por algo que eu possa ter oferecido com gratuidade a alguém, mas sagrados efeitos de santas causas justas lançadas no perfeito Universo…

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Ao chamarem a regra áurea de bilhete, Chico e Emmanuel estabelecem sub regras necessárias para que a regra de ouro não se transforme no azedume da prática do meio-bem, o bem interesseiro, mas para que o exercício se transforme num bilhete premiado. Se não, verifica:

  • Ser feliz não é ótimo? E como é! Mas eu não preciso e não posso ser feliz sozinho. Lembrar-me que a felicidade só chegará a mim sob o efeito de sagradas causas, é associar a felicidade à regra áurea;
  • Doar é sublime; mas o desejo de gratidão é a mais vil das moedas de troca e não se encaixa na ética de reciprocidade;
  • Manifestações – tão na moda – são todas ‘crias’ do livre arbítrio; policiar as minhas, respeitar as alheias, reconhecer as justas, abominar as oportunistas, distinguir umas das outras, fará parte do equilíbrio e da consciência de liberdade e de independência. É possível que, dentro da ‘lei de retorno’, o respeito seja o termo limítrofe desta questão;
  • É provável que minha platéia deseje ouvir de mim exatamente aquilo que eu gostaria de ouvir se espectador fosse;
  • O que é o triunfo senão a porteira aberta à evolução? E se esta é o caminho de todos, o triunfo também não estará a todos reservado?
  • Perdoar aos inimigos é nobre… Esquecer-se, porém de desculpar ou se desculpar com o ‘mais próximo’ – esposa, esposo, pai, mãe, filhos, irmãos, amigos… poderá deslustrar a nobreza desse generoso indivíduo. ‘Por favor’, ‘obrigado’, ‘desculpe’… além de mágicas, são expressões com vias de mão dupla e de fácil retorno;
  • Abominar ou não ceder espaços ao mal é tão importante quanto enaltecer e praticar o bem; e
  • Entristecer-se, acabrunhar-se, afligir-se em qualquer grau é comum… Mas, tal qual faz o palhaço em muitas situações, é importante não negar o sorriso – mesmo que ‘deslavado’ – e o conforto que minha aflição poderia se dar ao direito de sonegar.

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Auxílio espontâneo será sempre o auxílio despretensioso; desajuda em nada ajuda!

1. Wikipédia; Sintonia: Cap. Bilhete da regra áurea, pg. 49 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).

Quem está no ‘comando’, meu corpo ou minha alma? É a pergunta mais apropriada aqui, para desenvolver questões sobre auto-desobsessão, “vigiai e orai”, autocontrole, tipos de pensamentos e principalmente de atitudes que revelarão, categoricamente, qual destes dois ‘personagens’ está no controle da grande dádiva que é reviver.

 O homem – indivíduo – longe de ser um corpo que comporta um Espírito, é segundo os lógicos ensinos doutrinários, um Espírito que se utilizando de suas alternâncias serve-se de um efêmero veículo chamado corpo ora homem, ora mulher, preto, branco, moreno ou amarelo, gordo ou magro, pobre ou rico, bonito ou nem tanto. Cessado o ‘prazo de validade’ desse veículo ou quando ele vier a sucatear, logra o Espírito uma nova liberdade do corpo do qual era mais consorte que cativo; termina, então, a parceria com ‘esse’ corpo.

Vê-se então que o Espírito, que na verdade é ‘rodado’, muito antigo, portador de muitas experiências, assume um determinado corpo que possui todos os ‘equipamentos’ que o permitam manifestar, através dessa parceria, todas as experiências que já acumulou.

Se o Espírito for de boa índole é muito provável que sua ação de comando prevaleça sobre as paixões que, não poucas, certamente assediarão o corpo a exteriorizá-las. As ferramentas ou componentes desse corpo estarão à disposição da alma para expressar-lhe – e aqui se estabelece o confronto – tanto os bons quanto os maus pendores:

  • Os olhos, janelas da alma, provocam sempre no indivíduo um turbilhão de sensações. É através dos olhos que as primeiras lideranças de sentimentos se manifestarão: Que tipo de sentimentos meu cérebro poderá comandar ao meu coração ao me deparar com uma jovem muito formosa? Os mais vis ou os mais sublimes; os mais extravagantes ou os mais discretos! Esses sentimentos, dos mais nobres aos mais torpes serão fruto do tipo de comando atinente ao Espírito; o corpo somente os traduz. E assim sucederá com todas as imagens que meus olhos fotografarem;
  • Se o indivíduo possui ‘ouvidos de tuberculoso’, provérbio usado aqui para expressar o que ouve muito e bem, ou que forçosamente seja obrigado a escutar de tudo, há uma necessidade que seu falar seja muito discreto. Um Espírito equilibrado saberá exercer também um comandamento harmônico, ‘filtrado’ e prudente sobre estas duas ferramentas que o veículo físico lhe oferece;
  • Após colher as impressões que os utilitários olhos e ouvidos do corpo lhe facultaram, o Espírito poderá se manifestar verbalmente. As palavras aqui serão as que vão ferir ou consolar. Soltar a voz é exalar o ‘hálito’ acumulado nesta e nas inúmeras vivências do velho Espírito. Verifique-se, portanto, que esse hálito, fétido ou refrescante é atributo ‘do’ Espírito, pois também aqui ele estará no comando;
  • Mãos, pés, braços e pernas são alavancas amorosas… A que se prestarão? Todos os grandes e nobres cérebros sempre souberam o que deles fazer. Chico, por exemplo, quando se sentia muito aborrecido, quando a alma lhe doía, punha-se a caminho, ia para a periferia e dizia de lá ter voltado ‘curado’. Chico Xavier, portanto, era um destes que a Alma – nobre por sinal – lhe comandava os passos, os gestos, os acenos de bondade; e
  • Em determinada época o abraço sobressaiu-se ao amasso; hoje a situação se inverte… Sexo não é algo aviltante: O tabu que se desejou imprimir à humanidade de todos os tempos foi o do ‘pecado original’ decantado no folclórico livro do gênesis. É comum mulheres dizerem ‘não estarem com cabeça’ quando convidadas aos ‘deveres’ matrimoniais. Elas não estão muito longe da verdade, pois o melhor sexo ainda se faz com o cérebro, ou com o Espírito no comando…

“Não é o que entra pela boca que contamina o homem…”, mas o tipo de comandamento que teu, meu Espírito exerce sobre os sagrados e úteis equipamentos que o veículo físico lhe dispõe, tais quais cérebro, coração, boca, olhos, mãos, pés, braços, pernas, sexo!…

Pensa nisso, e um beijo! Aquele beijo fraterno que aqui é meu Espírito que, no comando, te envia!

(Sintonia: Cap. Pensamento e desobsessão, pg. 45 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Primeiro dia do inverno chuvoso de 2013).

Diria certa vez o “pai e mestre da juventude”1, São João Bosco, aos seus meninos: “Em cada manhã entregue a Deus as ocupações do dia”… É possível que o santo desejasse dizer a seus jovens e à posteridade que nem sempre o indivíduo poderia estar compenetrado em oração durante a sua jornada, mas que poderia fazer de cada atividade, se assim o desejasse, momentos de oração…

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Orar em todas as situações não foge ao recomendado por André Luiz e Chico – totalmente sintonizados com Dom Bosco – quando informam que, sendo mista a jornada das pessoas ou estando elas felizes ou em sofrimento, perseverantes, amargas, trabalhando ou desocupadas, de compleições, situação ou humores diversos, ofendidas ou ofensoras… a oração será o grande momento de Luz em suas vidas:

  • Por que não consolidar momentos felizes com a felicidade da oração. Se felizes, por que não manifestar gratidão ao Criador por esse estado de alma?
  • No sofrimento é a hora de suplicar: “Pedi e recebereis”, avalizaria o Mestre interpondo-se entre as necessidades da humanidade e os sagrados anseios do Pai para com seus filhos;
  • Se já consigo ser perseverante em algumas virtudes, a oração sempre me escudará na continuidade dessa rota;
  • Se o meu dia não for o mais doce e amarguras diversas o azedarem, certamente que meu estado de oração poderá adoçá-lo;
  • Se, mergulhado no trabalho, seja ele assalariado, voluntário, apostólico, hobby… que minha oração seja não a de mãos postas ou introspecto, mas a de mangas arregaçadas;
  • Se for eu forte ou débil, alto ou baixo, magro, gordo, moço, velho… que meu estado de oração me nivele a todos os filhos de um Pai que sabe qual a idade de cada Espírito e que este é o importante e não as aparências;
  • Que em momentos de oração, pobres ou ricos, importantes, simples ou simplórios… estejam todos igualados pelas comuns necessidades próprias do Orbe Terrestre; e que
  • Em momentos de oração estejam reunidos ofendidos e ofensores, rogando, louvando e agradecendo ao mesmo Pai. É a hora de aparar arestas. A oferta do trabalho, depositada no ‘Altar do Senhor’, terá muito mais valor se primeiro os envolvidos com a questão perdão demonstrarem boa vontade de avanços para a reconciliação.

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Ore sempre, é a orientação dos ‘santos’ de todas as épocas. Ore sempre e em qualquer situação, do despertar ao adormecer. O despertar devolve o Espírito ao corpo do trabalhador para uma jornada de parceria. No adormecer há o repouso do veículo físico e a libertação da alma para o tipo de serviço que o indivíduo desejar…

(1. Título conferido a São João Bosco pelo papa João Paulo II. Sintonia: Cap. Momento de luz, pg. 41 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).

Recentemente, em rápida viagem a Pelotas, – onde casei, vi dois de meus filhos nascerem e trabalhei a maior parte do meu tempo de caserna – tive a grata surpresa de verificar que o centro velho da cidade está muito bem cuidado.

O mercado central onde meu padrasto ‘ganhava o pão’, nas décadas de 60 e 70 está totalmente revitalizado: Uma restauração muito bem realizada o deixou apto a receber de volta os antigos comerciantes, ou… quem sabe os novos.

A Praça Coronel Pedro Osório, muito bem cuidada e com bancos novos revela-se o grande cartão postal da cidade, que nunca deixou de ser.

O calçadão da Rua Andrade Neves, antigamente muito desleixado, apresenta-se agora muito limpo e aprazível, para uma das atividades principais da cidade, o comércio.

Abaixo, algumas imagens da cidade, que com muito orgulho compartilho com meus leitores:1Sem2013 1741Sem2013 214

 

 

 

 

 

 

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1Sem2013 2411. Mercado Central, no contexto de sua praça; 2. Mercado Central (Afrescos restaurados e torre do relógio); 3. Mercado Central (Estrutura preservada); 4. Mercado Central (Banca do peixe); 5. Mercado Central (detalhe de uma porta); 6. Prefeitura e Biblioteca Pública; 7. Prefeitura, Mercado e antigo Banco; 8. Praça Coronel Pedro Osório, com seu chafariz e banco novos; e 9. Calçadão da Rua Andrade Neves.

(Outono de 2013).

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Por vezes, quando minha amada me surpreende acabrunhado e me pergunta ‘o que tens, meu velho?’ Respondo-lhe, após examinar que nada de muito grave estou sentindo: ‘Ingratidão’! A ‘moléstia’ à qual me refiro – uma dor da alma – não é endereçada a nenhum dos amados que comigo convivem, mas tão somente para com o Universo, que me rege e mesmo me cumulando de tantas bênçãos, não hesito em não abandonar meus queixumes…

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A doença ingratidão, que os indivíduos adquirem sempre que, insatisfeitos, desejam mais e mais e não admitem perder absolutamente nada, se revela em diversas situações da vida sempre que: Se exige muito do Universo; pouco se retorna a ele; em não se compreender que viver neste Orbe é um constante perder e ganhar. Sendo as Divinas Leis justas, a causa e efeito sempre proporcionará aos indivíduos, conforme o merecimento, conquistas e derrotas. Perdem-se oportunidades, compostura e se é ingrato, sempre que há dificuldade para entender que:

Patamares evolutivos diferenciados pressupõem acervo de conquistas diferente. Por que me revoltar com o que ainda não possuo armazenado se os ‘silos’ de minha alma comportam tão somente os recursos que por ora possuo?

A irritação, um dos sintomas da ingratidão, ao qual o homem do Sul apelidou de arrenegação, sempre desequilibrará a alma do ‘vivente’. Arrenegar-se é ‘seqüelar’ aos poucos o perispírito, já que o bom humor é um dos requisitos para manter com boa aparência veículo, perispírito e Espírito.

Inventei um verbo e o adoro conjugar: No infinitivo se chama ‘intoleranciar’. Que é a intolerância se não a objeção a tudo aquilo que talvez eu próprio pratique? Todas as manifestações de tolerância que eu jogar no Universo, tal qual bumerangue, retornarão a mim também em forma de tolerância.

Na insônia da madrugada, em luta com as cobertas e travesseiro, – por vezes péssimos conselheiros – quantas vezes a apreensão poderá roubar a serenidade?! Levantar, jogar uma água no rosto, dar um bom dia ao Pai do Céu, prosear com o anjo da guarda, abrir uma janela, afagar o cão, conversar com a caturrita, regar uma planta… poderá minimizar em muito aquele problema que me fazia revirar na cama…tumblr_m3g626DAlb1qk2c1wo1_500

Perde-se a humildade facilmente: Em crises agudas de orgulho, contemplar a imensidão do mar, a majestade do céu, as montanhas se ‘encordilhando’ e muito além delas o horizonte, poderá me apequenar e fazer ruir parte do orgulho e seu séquito maldoso.

Servir é uma troca: Serve-se agora; logo ali se é servido… É possível que quem não viva para servir não sirva para viver, ou estará em constante desajuste num Planeta em que seus planetários precisem da solidariedade.

Se o tempo é a dádiva, perdê-lo é a subtração. Vê-lo se escoar sem ação é a maior atestado de ingratidão para consigo, para com o próximo e para com o Criador. Para consigo e para com o próximo porque as partes ‘acordaram’ em aproveitá-lo para sanear equívocos ou para consolidar harmonias; para com Deus porque Ele chancelou tal acordo. Quem garante o tempo que se precisará para o cumprimento satisfatório desse contrato?

Nos dias atuais, perde-se a paciência facilmente. Mecanismos ardilosos e reluzentes aguçam a cobiça da humanidade de tal forma que se alguém não conseguir o objeto de seu desejo, irá logo perdendo a paciência. Tal qual crianças que batem pé desde cedo e chantageiam os pais a fim de obter o brinquedo da moda, – brinquedo, roupa, calçado, acessório… – também o adulto se achará no direito de desejar antes para logo adquirir. Se não o conseguir, perderá a paciência.

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E assim, perdem-se os recursos, o bom humor, a tolerância, a serenidade, a humildade, a serventia, o tempo e a paciência. Perde-se tudo isso e os indivíduos desenvolvem a doença ingratidão, mal da alma, mas que logo ali adiante apresentará os primeiros sintomas clínicos.

É possível que a ingratidão represente o ‘pecado mortal’ frente a todas as benesses graciosamente herdadas da Onipotência Divina…

Primeira imagem: Filme Barrabás, quando Jesus é preterido pela ingratidão do povo. (Sintonia: Cap. Não perca, pg. 37 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).

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Um sábio já disse que “na raiz do problema poderá estar a sua solução”. Como problemas abundam neste Orbe, é provável que mais do que inconvenientes eles sejam a guiada que nos tanja ou os cutucos que redirecionem os indivíduos que enveredaram por rotas inadequadas…

Às pessoas que ainda não aprenderam a se equacionar pelo amor, certamente estará reservada a vergasta da dor como metodologia de aprendizado. Se não, vê:

Como os indivíduos avaliariam suas possibilidades e potencialidades sem os obstáculos? Não são eles o ‘potenciômetro’ que avaliará todas as capacidades? A atualidade mostra à humanidade verdadeiros exemplos de superação de pessoas que driblam as mais diversas deficiências e saem vencedoras. Cutucados pelas vicissitudes, elas são exemplos de superação.

As decepções ‘enquadram’ os indivíduos. Sendo chamados à razão por suas frustrações, eles se ‘sacodem’ das ilusões que só eram realidade em suas mentes fantasiosas: O amigo que parecia sê-lo e não era; o articulista que se imaginava muito bom; o orador que parecia eloqüente; o que se achava bom pai, mãe, tio, irmão, avô; o que pensava ser equilibrado, ouvinte, solidário, desapegado, forte… e a sua decepção lhe aponta tudo ao contrário.

E os enfermos físicos que somente chegando ao fundo do poço buscam o recurso?! Poucos, dado a gravidade do processo, logram o sucesso da melhora e esta somente acontece após a cutucada do martírio da dor; às vezes o que a prevenção – ou o amor – não realiza, a vicissitude o realiza penosamente.eva e a serpente

A tentação obstaculiza e servirá para avaliar a força de vontade dos indivíduos. A resistência medirá forças diariamente com as tentações da modernidade. Esta, a par e passo com o progresso inventará todos os comodismos que aí estão a ditar maus conselhos: ‘A libertinagem é boa’; ‘melhor ficar acomodado’; ‘melhor ir de carro’; ‘somente tal sapato te fará feliz’; ‘não adianta mesmo, a mídia me afiança que o mundo está perdido’; ‘fulano é um inútil… por que me preocupar com ele’? ‘a catástrofe é reluzente e dá ibope’… Não estará a tentação cutucando e medindo a minha resistência a todas essas ‘novidades’ infelizes?

E a “lei de Gérson”, então? Essa, a qualquer preço, na ânsia de levar vantagem e assessorada pelo orgulho não admitirá prejuízos na corte ao meu egoísmo. E qual a função do prejuízo senão justamente domar todo esse séquito vaidoso que teimo em aquerenciar no paço de meu alto castelo de areia? A perda, a destruição, a ruína, se bem compreendidas, sempre serão o remédio amargo da cura desses vícios, os mais vis!

E o amigo que julgava amigo? E a companheira na qual confiava? E o encarnado que me obseda? Todos ingratos! Insultos à minha confiança! Também todas as demonstrações que penso serem ingratidão, são sacrossantos cutucos na consolidação de meus verdadeiros acervos afetivos.

‘Morte’, ‘perda’, desencarnaçãoComo lidar com ela? “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”: Não há assertiva melhor que esta escrita sobre o túmulo de Kardec. Cita-me, entretanto, uma só ‘morte’, por maior compreensão que se tenha dos ditames kardecistas, que não traga o aguilhão da dor aos que perdem seus entes queridos! No entanto a desencarnaçãorenovadora – é a Lei se cumprindo, para que a Vida oportunize ao Espírito novas experiências.

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Obstáculos, decepções, enfermidades, tentações, prejuízos, ingratidões, desencarnes: Todos eles aguilhões, estímulos, incitamentos… Cutucos, que sob a ‘batuta’ afinada da causa e efeito, regem a humanidade na busca da harmonia, sensatez e equilíbrio.

(Sintonia: Cap. Chaves libertadoras, pg. 33 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).

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Meu orgulho mora na torre mais alta do castelo de minha vida;

Particularmente, tenho muita dificuldade em administrar e compreender o orgulho dos outros, pois o meu não permite;

Meu orgulho, em mirante espetacular só olha de cima para baixo e vê coisas e seres pequenos, insignificantes;

Meu orgulho possui um irmão gêmeo – chamado egoísmo – que mora com ele em seu prazeroso castelo;

Meu orgulho está sempre acompanhado da donzela vaidade que, caprichosa, sempre influi em suas atitudes;

Meu orgulho possui também outras companhias: A arrogância é uma balzaquiana que não se dobra; a soberba é quase sua irmã ou ao menos em muito se lhe parece. Há ainda outras jovens ou nem tanto que compõem o seu séqüito, como a presunção que lhe toma conta da agenda, o controlador na ‘pasta’ da hipocrisia e o perfeccionista ‘quase’ pudico;

Nas cercanias do castelo de meu orgulho – num ‘ladeirão’ – há um vilarejo onde moram personagens humildes e fraternos; meu orgulho não se relaciona muito bem com essa ‘estranha’ vizinhança;

Meu orgulho dita normas de bem proceder que, na verdade, só não conseguem normatizar a sua vida;

Meu orgulho tem carro bom e quase que intocável… Não é desses utilitários que carregam pessoas necessitadas por ruas esburacadas a qualquer hora da noite; ‘ambulância’, nem pensar!

Meu orgulho doutor em regras de trânsito é, na maioria das vezes, inflexível, não admitindo exceções tão pouco falhas alheias;

Meu orgulho quando confronta guardadores, catadores, frentistas, lavadores… Os considera todos subempregados e servis acomodados… Moedas para eles só as pequeninas; a que possui a ‘República na cara’, nem pensar! Uma palavra boa é perda de tempo com esses ‘vadios’.

Amigos queridos, se passarmos os olhos nas constatações da crônica acima – e lhes pedimos que o façam com naturalidade -, certamente nos identificaremos em mais de um item. O meu orgulho ou o nosso orgulho não é coisa de hoje e sua comitiva o acompanha ao longo de nossas diversas encarnações.kjdfgh

“Todos (os espíritos inferiores e imperfeitos) têm deveres a cumprir. Para a construção de um edifício não concorre o último dos serventes de pedreiro, como o arquiteto?” nos responde de forma categórica a questão 559 de O livro dos Espíritos. Todos, de pequenos, médios e grandes talentos, somos responsáveis pela melhoria do Planeta, mas somente a humildade nos fará perceber este poder de transformação. A humildade e a disponibilidade de nossas habilidades, nesse caso, deverá ser tal qual o farol que iluminará a caminhada de nossos parceiros, porém o roteiro será, inevitavelmente, traçado por cada um.

Em uma unidade de saúde há diagnósticos clínicos ou geriátricos que só terão total sucesso com o concurso da fisioterapeuta, anônima e muitas vezes relegada ao segundo escalão do posto médico; e o fracasso do cirurgião experiente se faria se os instrumentos não estivessem religiosamente esterilizados.

É mais construtiva a humilde colaboração dos pequenos empreendedores do que a empáfia dos grandes gênios.

As pessoas humildes chegam à nossa praia e vão logo nos convidando para jantar; os abonados chegam à orla já comendo o nosso lanche.

Quando abordam o tema Orgulho, à pg. 31 de As dores da Alma, Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed dizem que “nosso orgulho quer transformar-nos em ‘super-homens’, fazendo-nos sentir ‘heroicamente estressados’, induzindo-nos a ser cuidadores e juízes dos métodos de evolução da Vida Excelsa e, com arrogância, nomear os outros como desprezíveis, ociosos, improdutivos e inúteis.” Ou seja, o nosso orgulho do alto de sua torre, nada construirá, pois só verá o que lhe convém. Julgará, mancomunado com seu séqüito, que todo aquele Zé povinho do ladeirão, nenhuma utilidade tem para o paço em que pensa reinar.

Perguntamo-nos, então, como encaixar “o último dos serventes” nessa corte tão perversa? Todos nós sabemos que o contrário é mais salutar: Depor o monarca!

(Verão de 2011/12) – Pub O Clarim Jun 2013.

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Humildade, longe de ser um verbo é um substantivo feminino e abstrato; evidencia um estado de espírito, conquista interior, harmonização da alma, cenário de um Céu particular que um indivíduo já conseguiu construir…

Os ilustres André Luiz e Chico hoje se deleitam e me deleitam com alguns ‘verbos’ humildade, desejando informar que a virtude é muito mais do que desejar se fazer de pobrezinho, indefeso ou ‘vitimazinha’… Muito pelo contrário, ensinam eles que, dando suporte à humildade, existem ações – verbos! – muito fortes tais quais conhecer, silenciar, servir, ensinar, progredir… Se não menosprezam, minimizam e tão pouco envaidecem, denotam nobreza, modéstia e respeito dos que já os sabem ‘conjugar’:

  • Conhecer é tão simplesmente um estágio ou patamar. Nada conhecerá o indivíduo que assim não o entender; pressupõe-se que todos os viandantes que hoje ainda conhecem pouco, precisarão do concurso dos que já conhecem mais. Conhecer sem desprezar é, pois, a arte da humildade;
  • Silenciar não significa não estar em ação. Cabe aqui uma comparação um tanto chula: Experimenta ‘tosar’ uma ovelha e um porco… Qual o que faz mais barulho? E qual o que fornece mais lã? Silenciar não significa desajudar, mas ajudar sem apontar, esnobar, sem empáfia ou humilhação, mas ajudar a construir dentro da mais sacrossanta e caridosa modéstia;
  • O servidor cristão não é um escravo. O que serve empresta algo de si que presume possuir. Tudo o que dá ou empresta de si não se esvai, não se esgota. Escravo é o camarada que se deixa usurpar em sua dedicação; não é o caso do indivíduo que serve com consciência e equilíbrio;
  • Quem conhece e possui humildade, dedicação e equilíbrio, saberá ensinar. Qual a grande característica do professor vocacionado, porém mal remunerado se não sua generosidade e gosto pelo que faz? Que importarão as injustiças salariais se sabe manter a flama da dedicação, vontade e humildade? Por acaso fere alguém – alunos, colaboradores, pais… – porque seu salário não é digno? E
  • Progredir não é abdicar da simplicidade. O entusiasta, inovador, expansionista, entende que a Lei reivindica avanços, mas que a naturalidade e a simplicidade de empreender não poderá se tornar escrava do orgulho, mas, pelo contrário, a filha dileta da humildade; permanecer na esteira desta e progredir é uma arte!professora

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    Todos os verbos cristãos aqui utilizados ou não são os que, inafoitamente buscam, tal qual Cristo buscou e buscaria se encarnado estivesse hoje, silenciosa, humilde e cooperativamente. 

    É possível que a grande e comum característica dos grandes Missionários tenha sido aquela de modificarem o cenário em que conviveram sem no entanto nada exigir de seus coadjuvantes assistidos.

    Extremamente importante é buscar a luz do final do túnel; não menos importante será se manter tranqüilo até poder usufruir dessa luz…

    Finalizando, e se “o hábito não faz o monge”, não será a sandália ou o scarpin que produzirá um humilde devotado, mas o que ele conseguir ‘realizar de útil’ sobre esse calçado…

    (Sintonia: Cap. Verbos cristãos, pg. 29 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).

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I – As Nações buscaram, até hoje, fazer as mais sensatas leis possíveis… Em vão! Somente as Divinas Leis ou Naturais se apresentam cem por cento equilibradas;

II – Não existe maior satisfação para o indivíduo do que imprimir à sua tarefa de agora o que de melhor ele possuir hoje;

III – Pensamentos, palavras e atos; cabeça, tronco e membros fugindo a todos os extremos: Centrados no e ao bem;

IV – O interesse é a mais vil das moedas da caridade e não só desequilibra qualquer ação como também a anula. O “meio-bem” assim é chamado pelos Orientadores, por ser realizado somente na busca de prestígio;

V – Equilibrado é o nobre: Não só não se amofina com as conquistas alheias como estas lhe fazem bem. Entende que a evolução – com a felicidade inclusa – chega para os Espíritos em épocas diferentes;

VI – Se há na história dos Espíritos etapas ‘a pular’, os equilibrados entendem serem as negativas ou aquelas que nada acrescentam à evolução;

VII – O equilibrado, frente aos acometidos de necessidades, ouvirá muito mais, falará muito menos e no que se pronunciar procurará consolar e minimizar as privações alheiasO-senso-de-equilíbrio-em-crianças

VIII – Nobreza estimula nobreza: Por que não pegar carona no estímulo dos que já conseguiram se equilibrar através dessa virtude?

IX – A pessoa que sistematicamente se queixa de tudo e de todos demonstra destempero perante situações comuns e próprias do Orbe tipo Terra. A queixa, a má notícia, o comercial medíocre e apelativo… poderão afiançar uma informação errônea de que o Planeta ‘não tem jeito’; e

X – A cada equívoco percebido no próximo, realizar um check-in nos próprios: Nada como estar preocupado com o próprio burilamento, para não se ter tempo ou fazer ‘vistas grossas’ aos alheios.

* * *

São, portanto, palavras chaves na busca do equilíbrio: Deus, aplicação, bem, servir, nobreza, positivismo, alegria e esperança, estímulo, benevolência e uma obstinada fuga às queixas.

A estabilidade, é lógico, não depende exclusivamente deste decálogo do equilíbrio, mas de todas as atitudes que me mantiverem afastado das extremidades.

(Sintonia: Cap. Saúde e equilíbrio, pg. 25 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Outono de 2013).