Archive for julho, 2013

Imperativo hipotético, segundo ‘Dom Aurélio’ é o que exprime uma ordem que está subordinada a conseguir um fim determinado. É como se eu dissesse a meu filho: ‘Estuda, se quiseres ser aprovado’. Dessa forma, estarei supondo a meu filho ou lhe estabelecendo uma condição que, para passar de ano, ele precisará se aplicar…

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Aplicar-se, passar de ano, estudar, ser aprovado… Todas as expressões ora utilizadas se aplicam aos imperativos que a mim inspiram se eu desejar, realmente e com sinceridade, na condição de Espírito encarnado, seguir os passos do Messias e, embora sendo um ‘arremedo’ seu, ajudá-lo na continuidade da Obra do Pai. Impera-se para ‘passar de ano’ nessa tarefa, a condição de que eu ‘me aplique’ em pequenos grandes quesitos:

Primeiro: Contratempo algum deverá me demover da idéia de servir. Realizar o bem – servir, no caso – é infinitamente mais difícil do que praticar o mal. O fruto podre ‘cai de maduro’; já para realizar o bem é como eu ter de subir na árvore se desejar colher o fruto saudável.

Segundo: Recursos não servirão de fiel à balança para realizar o bem: Minhas mãos, braços, pernas, pés, coração, razão; minha boca, ouvidos, olhos… em fim, toda a fantástica parceria de meu corpo colocada à disposição de minha alma, possui plenas condições de realizar o bem com moedas ou sem elas; com míseros ‘beija-flores’ e ‘tartarugas’ ou com ‘onças’ e ‘garoupas’…

Terceiro: Transtornos, adversidades, limitações, sofrimentos… não constituirão desculpa para a deserção da obra, visto que os transtornos serão apelativos à perseverança; a adversidade, tal qual o fogo, tempera o aço e dá brilho, forma e formosura ao vidro e à porcelana; as limitações testam a perseverança e abominam os privilégios; e o sofrimento maquia as almas das imperfeições de seu orgulho e vaidades.

Quarto: Nunca considerar minha tarefa insignificante: A continuidade da Obra de Deus, para a qual o Mestre me ‘pede ajuda’ é desempenhada por artesãos de diversas capacidades, patamares desiguais e degraus inferiores e superiores. Não existe tarefa mais ou menos importante; existem tarefas a realizar com as ferramentas que possuo neste momento, e que são as melhores que ‘hoje’ eu possa ter.

Quinto: Meu ‘transformômetro’ se desvinculará de avaliações dos que não me aceitam como sou e terá um compromisso sério tão somente com minha consciência. Essa sim, me assinalará se estou indo bem ou mal na parceria que seguir Jesus me impõe.

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Fácil? Ninguém disse que seria! Impera-se como condicionantes, o sacrifício, a perseverança, a sinceridade e a tenacidade perante as surpresas e desafios da estrada.

(Sintonia: Cap. Sinceramente, pg. 85 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).

 

A obsessão – ser molestado, assediado, afligir-se com isso – sempre carrega consigo o pesado fardo da ilusão. É possível que ‘viver em realidade’ seja o caminho mais equilibrado entre o fictício e o verdadeiro; entre o fantasioso e o legítimo. Legitimar uma situação poderá auxiliar as pessoas a fugir de muitas obsessões:

  •  Sonhar, realizar planos, estabelecer mudanças, fixar metas… são todas atitudes saudáveis; não há nisso nem obsessão nem ilusão, muito pelo contrário, demonstram obstinação. A obsessão invadirá sonhos, planos, mudanças, metas, sempre que todos eles fugirem à real compatibilidade entre o planejar e o realizar;
  • Possuir uma pessoa amiga e confiável para abrir o coração e aliviar alguns fardos, é muito bom; possuir várias dessas, então é ótimo! O que não é desejável é proporcionar aflição a esses ombros amigos, imputando-lhes um verdadeiro vale de lágrimas;
  • Palavras possuem o poder de resolver ou embaraçar; salvar ou arruinar; enaltecer ou depreciar… Talvez, quando não se tenha algo útil a proferir, o silêncio seja o melhor conselho da desobsessão;
  • Viver é o sagrado exercício da liberdade de cada Espírito, único e de degrau ou patamar ímpar… Uma coisa será eu desejar ser parceiro dos indivíduos que me circunvizinham, amparando-os sem tolher seu livre arbítrio. Outra coisa será eu interferir em seu ‘modus vivendi’ ou, pior ainda, desejar viver a vida ‘dele’ que, como a expressão está afirmando, é tão somente, ‘dele’;
  • Se há uma grande ilusão nesta vida é de que as coisas ‘caiam do céu’. Como diria o próprio Emmanuel, “a preguiça é o retrato mais fiel da morte”. Trabalhar, servir, consumir-se tal qual uma vela iluminando, significa trabalhos que poderão driblar muitos impulsos aflitivos;
  • Praticar o mal neste Planeta de Provas e Expiações ou desertar do bem é extremamente fácil, pois esta ainda é uma das características do Orbe. Difícil é praticar o bem e perseverar nessa prática. Quem pratica o bem não parece estar na contramão de um Planeta ainda delituoso? Não poderá ser taxado de ‘trouxa’?
  • Desilusões – amorosas, conjugais, fraternais, por fracassos ou equívocos… poderão se tornar o ingrediente da tenacidade. “Não é o fogo que tempera o aço e dá beleza à porcelana?” e…
  • … Quase esqueço: Somente quando abordo o problema é que me investirei da capacidade de solucioná-lo!

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 Sonhar sem fugir da realidade; confiar sem ser indesejável; falar construindo; viver, deixar viver, ser parceiro; acreditar na eficácia do trabalho; ‘ser trouxa’ por amor; travar batalhas, sem me importar com vitórias ou fracassos… são os sagrados remédios à minha disposição  contra a obsessão, o assédio e a ilusão!

Inevitável é a visita do assédio como contumaz deverá ser a minha luta contra ele. ‘Salteá-lo’ ao máximo, fugir à ilusão e ser derrotado não me dando por vencido. A cada reação ao assédio, uma batalha ganha…

(Sintonia: Cap. Evitando obsessões, pg. 81 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).

Em semana atribulada por grande mudança física nas vidas de Maria de Fátima e na minha, mas que aparece no Brasil uma autoridade capaz de reunir mais de três milhões de pessoas em Copacabana e falar em sua homilia de serviço, amor, fraternidade… é imperioso abordar o tema Paz.

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É possível que paz, em teoria, seja um dos termos mais leves e belos. É mais possível, ainda, que na sua prática, a paz seja um dos desafios mais difíceis dos dias atuais. Ser pacífico hoje é missão quase que hercúlea, pois os homens do hoje, entre os quais me incluo, estão na contramão de todas as características do indivíduo pacífico. Não há paciência, a pressa impera, o desrespeito é generalizado, o ‘toma lá dá cá’ é lei… Todos os imperativos da paz parecem não ‘vingar’ no Planeta ainda predominantemente mau…

Ante tal constatação, o que fazer? Qual a receita para cada indivíduo, começando por mim e se estendendo a cada cidadão de um Planeta açoitado diariamente pelo egoísmo? Não há outra fórmula senão o comprometimento individual para que essa paz inflame uma coletividade. Os impositivos da paz, portanto, passam a ficar claros na cabeça do indivíduo, sempre que ele raciocinar que precisará ser o solo plantável, onde os naipes da diversidade e da adversidade chegarão com suas sementes maduras e prontas a germinar. Considere-se, portanto:

  • Que cada indivíduo que de mim se aproxima ou do qual eu me aproximo, não faz parte de um acaso; se há um motivo para essa aproximação, os clamores da paz exigirão das partes consideração e acatamento. Acaso não constrói a paz; seus clamores, suas vozes velados, precisam ser ouvidos e decifrados;
  • Esse indivíduo que de mim se aproxima, pressupõe um serviço. Vive repetindo nosso mais recente notável Francisco que “a missão do papa é servir”… E a receita é ótima para iniciar uma paz;
  • A cada uma dessas aproximações, a paz dará preferência à essência e não à aparência; julga a pacificação, nesse casso, que os olhos de ver poderão ser suspeitos e insuficientes e os do coração terão prioridade;
  • Pontos de vista diversos, longe de liquidarem com a paz, clamarão por uma ponderação na sua direção;
  • Parafraseando poeta gaúcho e se o ‘sol nasceu para todos’ é possível que muitos, aquecidos ao seu redor, cheguem a belos acordos de paz antes mesmo que ele se ponha;
  • Via de regra a paz clama por índices positivos, saldos, avanços, créditos. Débitos, negatividades, retrocessos, déficits… são sinônimos de desassossegos; e
  • Antipatia, malvadeza, desajuda, ingratidão e ressentimento são totalmente contrários à paz. Essa via de mão dupla requer a reciprocidade da generosidade, bondade, auxílio, serviço, simpatia e do reconhecimento.

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Cada dia que amanhece, encerra mais um ciclo de conluio das sombras da noite. A cada dia se faz uma nova receita de luz da tolerância, um convite à compreensão e à ajuda. O dia, ao contrário da noite, sempre será o conselheiro na direção do entendimento. Se a noite conspira, o dia inspira; é possível que o dia sempre apresente maiores clarezas à paz!

Foto 1, Adolfo Pérez Esquivel, arquiteto, escultor e ativista de direitos humanos argentinos, Nobel da Paz 1980. Sintonia: Cap. Preceitos de paz e alegria, pg. 77 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Frio inverno de 2013).

O que é o indivíduo perante a Grandiosidade Divina? Por seu merecimento, limitado; considerando a generosidade Divina, parceiro! Desde os primórdios de sua criação, desde sua ignorância/truculência, até o estado de angelitude, ou de seu alfa ao ômega, o indivíduo Espírito é convidado a estabelecer uma parceria com a sua Divindade. Deus, em sua Infinita Bondade e desejando realizar Suas Intenções, elege o homem como seu representante junto a uma única casta: A linhagem Divina!

Somente Deus é a Vida, a verdade, o amor, a paz, a alegria e a esperança, mas num gesto de suprema fidelidade às suas Intenções, Ele me deseja como sócio, consorte e ‘cúmplice’ para ‘tocar’ a obra de Sua Criação. Dessa forma, toda a vez que:

  • Ao buscar a excelência de minha vida, fugindo a toda a mediocridade e com isso contagiando os meus iguais eu estarei saindo de minhas limitações e me tornando parceiro de Deus na promoção da Vida;
  • Ao repudiar quimeras, ilusões e os devaneios da moderna vida, onde vale mais o ter do que o ser e enaltecer a lucidez e a verdade estarei fugindo à limitação da ficção e do equívoco e me tornando um parceiro de Deus em promovendo toda aquela verdade que já possuo e acredito;
  • Ao conseguir munir-me primeiro de coragem, para logo em seguida promover o bem, na contramão de um Planeta que irá me taxar de otário por assim proceder, estarei não só contagiando a parcela do Planeta ao redor de mim, mas estarei saindo de meu centro de atenções e me tornarei um parceiro da Divindade nas lides do amor;
  • Eu conseguir driblar minhas más inclinações, fúrias, bravezas e me tornar um mensageiro da harmonia e da mansidão, certamente estarei contagiando os que me circundam, promovendo a paz e me tornando o parceiro de Deus na conquista da mansuetude;
  • Com ou sem nariz de palhaço, fantasiado ou de cara limpa, com dor ou sem dor… eu conseguir semear uma alegria que talvez ainda nem possua, eu estarei abandonando as limitações de minha tristeza e me tornando o grande parceiro de Deus como embaixador da alegria; e
  • Minha esperança esteja escassa e que minha fé pareça minguar que eu não renegue as obras, pois estas – as boas – são o combustível para alimentar a fé e a esperança nos homens de que o Planeta ‘tem jeito’ e que mais que um apologista da derrota eu sou um parceiro de minha Divindade na promoção da confiança.

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Quem é limitado? Limitado é todo o indivíduo que confiando tão somente em suas forças ou em seu merecimento, não consegue avaliar a essência que possui e que é capaz de promovê-lo a parceiro do Alto…

Sintonia: Cap. Deus e nós, pg. 73 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).

Com o nome de Entrudo, já no século XVI os portugueses ‘introduziram’ no Brasil o costume de brincar no período de carnaval, este muito antes (600 a 550 a.C.) originário da Grécia. Os bailes de máscaras, bailes à fantasia ou bals masqués (disfarça), foram os eventos precursores do carnaval moderno no Brasil. No final da década de 1830, os primeiros bailes de máscaras tiveram lugar no Rio de Janeiro onde só era permitida a entrada de duques, rainhas, princesas, príncipes, condes, condessas, duquesas, etc.

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“… O Espírito encarnado perde a lembrança de seu passado [porque] o homem não pode nem deve tudo saber. Deus o quer assim em sua sabedoria.” (Questão 392 de O Livro dos Espíritos). “… Se tivéssemos a lembrança de nossos atos pessoais anteriores, teríamos igualmente dos atos dos outros e esse conhecimento poderia ter os mais deploráveis efeitos sobre as relações sociais”. (Idem, nota à questão 394).

O Pai em sua Infinita Sabedoria e principalmente Bondade, contempla a sua humanidade, encarnada num ainda Planeta de Provas e Expiações, com uma grande ‘disfarça’ ou a bals masqués onde são convidados a confraternizarem – ‘dançarem’, se acertarem, se comporem… – indivíduos Espíritos que outrora poderão tanto haver se agredido muito como também terem se amado muito!

É possível que o ‘véu do esquecimento’ ou ‘esquecimento do passado’ seja o grande baile de máscaras promovido pelo Pai e que possibilita a antigos e ora disfarçados desafetos, por necessidade encobrirem suas diferenças, sem, no entanto, deixarem de revelar suas faces a pretéritos e amorosos afetos.

Sem o véu do esquecimento se estabeleceria o caos nas famílias, na sociedade, no trabalho. Digladiar-se-iam filhos com pais, cidadão com cidadão, patrões com empregados… Ninguém duvida que nesses ambientes estejam reunidos hoje, desde os mais cascudos e ásperos relacionamentos até os mais divinais e amorosos em regozijo.

Deus em sua soberania, não deseja que os homens possam e devam tudo saber, e apela para que eles através de suas consciências percebam, consultando as evidências que irão se apresentando, que tipos de saldo/débitos possuem com os que agora convivem.

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Diversamente do Entrudo este necessário baile de máscaras não é proporcionado tão somente à burguesia, mas a irmãos de casta única, filhos de um mesmo, Bondoso e Amoroso Pai que deseja ver seus filhos acertando suas diferenças, sem deixar de promover a satisfação dos afeiçoados.

Entrar no Ritmo Divino, se acertar, se recompor, se renovar… Eis a necessidade do baile de máscaras promovido pela Divindade através do ‘véu do esquecimento’…

(Introdução: Wikipédia, a enciclopédia livre – Inverno de 2013).

“Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes” (Mateus, X-8).

Ao codificar esta mensagem de Jesus, na forma do capítulo XXVI de O Evangelho segundo o espiritismo, Kardec, inspirado pela Coordenadoria Maior, realiza uma varredura na hipocrisia e um contraponto entre ela e o servir, abordando temas como o “dom de curar”, “preces pagas”, “mercado em templos de oração” e a “mediunidade gratuita”…

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Eu, o indivíduo – parceria fantástica de Espírito mais eventual e alternativo corpo – recebi gratuitamente da Divindade poderes e possibilidades a desenvolver que eu próprio nem imagino. Convocado a realizar diariamente pequenos ‘milagres’ – curas, socorros, intercâmbios, desobsessões, irradiações – enfim, os serviços preconizados pelo Mestre “para o alívio daqueles que sofrem”, terei à minha disposição um corpo físico gratuita e amorosamente ‘equipado’ para retornar “o que de graça recebi”.

Dessa forma, e porque o Universo gratuitamente, me permitiu:

  • Mãos perfeitas, eu as estenderei; abençoarei; realizarei com elas amorosos e positivos acenos; erguerei caídos; intermediarei sagradas imposições; transportarei fardos dos desvalidos; utilizá-las-ei acalmando multidões; erguerei crianças infelizes; e também levantarei e regozijar-me-ei com as felizes… São os milagres das mãos perfeitas e que de graça recebi!
  • Cérebro equilibrado, eu raciocinarei na direção do bem; utilizá-lo-ei como órgão inovador; promoverei todos os ineditismos úteis; será oficina de fraternidade; planejará as boas soluções… São os milagres do cérebro equilibrado que de graça recebi!
  • Coração sadio e compassivo, dele não prescindirei para as decisões caritativas; será o aliado de razões que o próprio cérebro me desaconselha; realizará todos os lobbies, pressões ostensivas e veladas para que o bem se perpetue; fará com que a emoção tome conta do peito e os olhos vertam lágrimas úteis ante fatos tristes, emocionantes, edificantes, comoventes; não permitirá que passem em branco as atitudes honrosas, altruístas, construtoras; abominará o descaso, a indiferença, a insensatez… São as possibilidades de milagres de um coração sadio e compassivo que de graça recebi!
  • Pulmões preservados, continuarei zelando por eles para que sustentem os brados que se façam necessários fortes; me permitam respirar todos os ares perfumados; os fétidos das carências, também; ainda os leves e tranqüilos da harmonia; que eu fique sem ar quando a emoção tomar conta de mim ou de meus amigos; e que eu respire fundo quando a intolerância me rondar… São os milagres dos pulmões preservados que de graça recebi!
  • Olhos discretos, os utilizarei para olhar e enaltecer o belo; avaliar o nem tão belo; fotografar talvez o que me pede socorro e enviá-lo por uploads aos companheiros cérebro e coração; furtar-me-ei de ver o perverso onde não existe, o mal onde não reside, a incoerência e intolerância no que é natural; brilharão eles com o que é fantástico, tal como a fraternidade, o socorro, o esforço, a abnegação, a perseverança… São estes e muitos outros os milagres dos olhos discretos que de graça recebi!
  • Ouvidos abertos, para escutar o interessante ou o nem tanto, o aviltante e o edificante, o prazeroso e o desagradável; os farei moucos ou ‘de tuberculoso’ sempre que a necessidade da complacência sobressaia; se necessário ouvirei sem ouvir ou prestarei atenção ouvindo; falarei muito menos, ouvirei muito mais… São estes os pequenos milagres dos ouvidos abertos que de graça recebi!
  • Uma língua que se expressa, a dominarei para que ampare mais que destrua; socorra através do verbo; trabalhe para o bem e a verdade; que se cale ante a prioridade de ouvir; que seja discreta perante a maledicência; benévola ante a urgência do dialogo com infelizes encarnados e desencarnados… São estes os pequenos milagres de uma língua que se expressa e que de graça recebi!
  • Braços, pernas e pés saudáveis, que eles sejam as alavancas do socorro; que debréiem, acelerem e dirijam e realizem todas as curvas na direção do auxílio; que eles driblem a preguiça – o retrato mais fiel da morte; saltem, ou se já senis, nem tanto, para desembaraçar e iluminar caminhos e subtrair apuros; subam morros; contornem vielas; trafeguem no asfalto, na lama dos bairros, off Road ou através campos, onde a necessidade imperar… São estes os pequenos grandes milagres de braços, pernas e pés saudáveis que de graça recebi!…

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Enumerada aqui está somente uma pequena parcela das fantásticas possibilidades desta parceria Espírito/corpo. Convocados a restituir, retornar, indenizar, quem sabe, pretéritos equívocos, o Espírito, mais que cativo de uma ‘máquina carnal de possibilidades’, lhe está no comando para realizarem, em cumplicidade, os mais sagrados auxílios.

(Sintonia: Cap. Auxilia também, pg. 61 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 2013).

Mestre do Amor e Divino Pedagogo, cativo que sempre foste pelos pequeninos, lembramo-nos de todas as recomendações que nos deixaste sobre todos estes pequenos seres, uns por serem menos assistidos e outros por serem pequenos, mesmo…

Marca-nos, sobremaneira Jesus, a frase de impacto que nos deixaste pelo doutor Lucas “deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o Reino dos Céus” 1, como uma manifestação inequívoca de que o Reino de Nosso Pai estaria reservado aos simples, aos ainda pouco instruídos, aos recém iniciados em tudo, aos caidinhos…

Mestre, inúmeros artistas retrataram – e com fidelidade – este versículo evangélico e, quanto mais analisamos essas obras, mais conseguimos ver as crianças de nosso hoje, enlaçadas em teus braços e atentas às tuas belas histórias – Ah! E que histórias contaste! Aqui conseguimos ver, certamente, também os pequenos de nossa Casa2

Amado Jesus nos referimos, nesta hora, literalmente aos pequeninos e te pedimos deixa-os vir ao Recanto de Luz e que seus balbucios, seus chorinhos, seus gracejos, seus gestos, suas tarefas e suas palavras invadam nossa Casa e que aqui eles se sintam em casa.

Deixa vir ao Recanto a Duda, a Aninha e a Mellanie que na inocência de seus primeiros anos se darão ao luxo de expor juntinho conosco durante os quinze, vinte ou vinte e cinco minutos em que lá pensarmos estar dizendo verdades e que, na realidade, todas as fiéis franquezas estarão vindo por suas menores e inocentes atitudes; deixa vir a Marina que sempre nos enviará um clarão através das janelas de seus belos e puros olhinhos; deixa vir a Alice com a espontaneidade de seu sorriso e sua atenção para com todos; deixa vir o Guigui e o Henrique em seus frenéticos trânsitos entre o salão a porta de entrada e a sala de intercâmbio fraterno; deixa vir a Sthefanie e o Filipe com suas adolescências já engajadas nas lidas de nosso Recanto… Enfim, deixa vir todos os outros e outros, e mais outros…

Deixa-as todas invadir nossa sala de passes e que sejam – elas sim – os verdadeiros intermediários das Divinas Benesses para estes comprometidos e necessitados médiuns, para que renovem nossas forças e recobrem o nosso ânimo inúmeras vezes aviltados e enuviados por escolhas equivocadas.

Ilumina Mestre, os evangelizadores de nosso DIJ, – Departamento da Infância e Juventude – no sentido de se inspirarem no saltimbanco3 Joãozinho Bosco que com os artifícios de mágico e prestidigitador, ganhava a confiança e os corações de sua assistência miúda. Que a parceria se estabeleça entre esses abnegados trabalhadores, Teu Evangelho e as crianças de nosso Balneário.

Permite Divino Preceptor, que as nossas crianças perseverem nas atuais escolhas e que, se o caminho for por aqui, deixa-as vir, sempre ao nosso Recanto.

Guarda-nos Jesus, mas e, sobretudo, guarda-as agora e sempre!

Que assim seja!

(Subsídios: 1. Marcos, cap. X, v. 4; 2. Referimo-nos à nossa Sociedade Espírita ‘Recanto de Luz’; 3. Dom Bosco, de Terésio Bosco, Ed. Salesiana Dom Bosco, 12ª Edição, pg. 6) – (Verão de 2011).

 Pub em “O Clarim”, Julho/2013