Archive for novembro, 2013

hqdefaultSoro-raízes, o programa dirigido pela Secretaria Municipal de Saúde de Maranguape-CE, destinado a crianças desnutridas e/ou desidratadas, objetiva alcançar pessoas que acreditam piamente nos poderes da reza de folhas (raízes), banhos e chás, a fim de que sejam encaminhadas, pelas benzedeiras, diretamente para os serviços médicos especializados, evitando-se, assim, que por falta de orientação segura, venham as crianças a sofrer morte prematura”. “Quando as benzedeiras mandam, as mães obedecem, e até o kit reidratação passa antes pela mão das rezadeiras, reconhece Hayda Guedes, servidora da Secretaria…”

“77% dos norte-americanos gostariam que os médicos falassem sobre religião durante as consultas, mas apenas 10% fazem isso nos hospitais…” (Revista Época)

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“Na Alemanha, médiuns passistas são cadastrados junto a alguns hospitais (…) ficando disponíveis e sendo chamados a auxiliar os pacientes que requisitam seus serviços”.

Quando no final de novembro de 2011, desembarcamos minha velhinha e eu em São Miguel das Missões – RS, para um tour de alguns dias por aquela bela região, D. Vera Dreilich, a competente guia foi logo nos acentuando a importância de darmos uma chegada até as benzedeiras da cidade. De fato, conhecer D. Alzira, humilde e renomada benzedeira da região, foi um privilégio…

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2Sem2011 440Rezadeiras, benzedeiras, impositores de mãos, médiuns passistas, médicos que referendam confortos religiosos análogos às suas técnicas…, fazem parte de um exército que, paralelamente, influi, e muito, na cura. Seguem à risca a máxima Crística “dão de graça o que de graça receberam” (Mateus, X, 8).

“O certo é que a fé ajuda a sarar”, conclui o autor.

(Imagem 3., D. Vera Dreilich, guia; D. Alzira, benzedeira; Maria de Fátima; e o esposo de D. Alzira – Sintonia: Cap. A fé cura, pg. 65 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera de 2013).

Sova_17Camuflagem é o conjunto de técnicas e métodos que permitem a um indivíduo ou objeto permanecer indistinto ao ambiente que o cerca. (Wikipédia).

Escambo significa a prática antiga de adquirir mercadorias, por troca, sem o uso de dinheiro…

“Perdoando, não mais acordamos com o ofensor em nosso pensamento, não nos alimentamos em sua presença e ele não dorme mais em nossa própria cama” (Joseval Carneiro).

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Começo pelo segundo pensamento e volto ao primeiro para tentar ingressar na idéia do autor: Muito se tem lido, falado e escrito sobre perdão; não que não seja necessário; muito pelo contrário, perdão deveria ser mercadoria adquirida por escambo; sem os recursos interesseiros, o perdão deveria ser uma troca franca e uma atividade mais freqüente na vida dos indivíduos. Um ‘prato’ que se comesse todos os dias… Se seguidamente abordo perdão, creiam-me, o destinatário principal sou eu!

Perdoar (e esquecer) deixa-me indistinto – obscuro, não evidente – àquele até então meu desafeto; como no processo de camuflagem, se virei a página, esqueci, apaguei, através de um perdão convincente, estarei não só invisível a ele, mas quites; meu outrora desafeto, segundo o autor, já não mais acordará comigo, tão pouco me alimentarei em sua presença e ele não mais dormirá em minha própria cama.1eca56a70cc9a7c6fa0a5dfb9c6c4ca1df765019

Se a primeira etapa é perdoar (de coração), orar pelo outrora desafeto, não lhe desejar nenhum mal, a segunda se estabelece naturalmente ou estarei apagando, virando a página de uma rusga talvez milenar.

A partir daí, – e aqui admito até não ter sido perdoado – passo a ficar indistinto, invisível, refratário às ações desse Espírito ‘em tratamento’. O poder do perdão me favorece com a capacidade de bloquear lembranças do ex-desafeto.

Dentre as boas atitudes diárias – benevolências, preocupar-me somente com minha vida, correção de atitudes… o perdão apresenta-se com o grande preventivo para higienização de minha casa mental. Com sua prática e todas as emanações de bons sentimentos aos outrora desafetos, aliviam-se fardos então pesados sobre os ‘ombros de meu Espírito’.

Experimentar – ou seria renovar? – a cada dia um novo propósito de boa convivência e não maledicência, tal qual uma fera que tenha que enfrentar diariamente, revigora o Espírito e o desejo de colaborar com o Planeta em sua emancipação da atual situação de Provas e Expiações.

Camuflagem-com-AnimaisA única maneira de se ficar indistinto – invisível, refratário – a um desafeto é através do canal perdão, a blindagem contra a obsessão; Através dele “cai a ficha” do opositor, encerra-se um ciclo. O perdão me dá a capacidade de me camuflar e não mais ser vítima do ‘predador’.

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O perdão, sempre que necessário, longe de ser uma “colher de chá”, é a grande chance de não me tornar a próxima vítima.

A cada dia acham-se novas formas e até poéticas para definir ou falar sobre perdão. A única forma verdadeira, porém, e a mais difícil é a sua prática… Quem me disse isso? Ninguém! Apesar de senti-la na carne ela traz satisfações!

(Sintonia: Cap. O valor do perdão, pg. 61 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera de 2013).

0,,14823621,00Se eu analisar a raiz das duas palavras, é possível que elas digam mais da metade do que se queira dizer neste estudo, pois enquanto consumição tem origem na ação de consumir – desgosto, apreensão, inquietude -, tranqüilidade, originária do latim, significa serenidade (tranquillita) ou paz de espírito (tranquillitati)…

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Não é de hoje que consumição x tranqüilidade trava uma luta junto aos indivíduos deste Planeta: Enquanto os primeiros se lambuzam e se consomem nos prazeres do ter, os demais buscam serenidade e paz de espírito em ser.

Mas não haverá um meio termo? Sim! O Evangelho segundo o Espiritismo em seu item 6 referenda esse equilíbrio ao dizer que o homem em atender quer instintiva ou inteligentemente seu progresso e conservação, “trabalha por necessidade, por gosto e por dever” e que “Deus (…) não condena os gozos terrenos; condena, sim, o abuso desses gozos em detrimento das coisas da alma.”

“Detrimento das coisas da alma” é possível que seja a linha que rompe o equilíbrio da questão entre o ter e o ser, a consumição e a tranqüilidade. Aqui, alguns aspectos desse embate, utilizando-me da escrita itálica para o primeiro e da ordinária para o segundo:

Sempre que o estresse pinta na vida de um indivíduo é muito provável que ele, ou não esteja respeitando os limites de suas forças físicas e mentais, ou esteja muito mais preocupado em adquirir coisas físicas. Ao perfeccionista, milimetrado ou inseguro por não ver as coisas saírem perfeitas, a sua quota de perturbações psíquicas ou orgânicas será ainda agravada.

O indivíduo tranqüilo sabe que é eterno e que sua encarnação atual é dividida em dias e noites e que não poderá resolver todas as coisas num só dia. Ao estabelecer prioridades nessas resoluções, age preventivamente contra agressores de seu corpo e de seu Espírito.acabar-estresse-ficar-calma

Carro novo apresentando problemas que o velho não dava; a casa novinha, mas sem aconchego; roupas e cosméticos caríssimos que não proporcionam conforto, tampouco estética; o sapato da moda, mas que em nada alivia o joanete e incapacita o andar. A eterna disputa do ter: Eu preciso ter coisas mais novas e melhores que meu amigo, meu vizinho da frente ou do lado…

Os indivíduos, por serem ímpares, suportam cargas também diferentes. Saber cada um o seu limite, a hora de parar, se entregar a uma reflexão, descanso, relaxamento e lazer, hobby, tarefa trivial, é não dar combustível ao estresse, é colecionar pequenas felicidades.

Projetos desatinados e insanos, sem nenhuma perspectiva de serem realizados, poderão deixar maluco o indivíduo do ter, da consumição, do perfeccionismo. Inflexibilidades, intolerâncias e não perdão completarão a carga estressante da qual esses sujeitos ficarão reféns.

Pessoas doces, que se aceitam e aceitam seu próximo como é; as que, conhecendo suas limitações, abraçam projetos factíveis; que, sobretudo, são tolerantes com as próprias falhas e as do semelhante; e que sabem que o estresse é combatido com calma, ponderação, reflexão e possíveis intervalos em suas lutas diárias, são pessoas candidatas, não a um altar, mas aspirantes a participarem da Promoção Planetária…

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A tranqüilidade é o relaxamento responsável; a consumição é a excitação inconseqüente e irreflexa…

Quando a consumição se utiliza dos combustíveis que formam ‘coletâneas de ter’, a tranqüilidade é um ‘escrete de pequenas felicidades’, que leva os indivíduos à ponderação de serem.

(Sintonia: Cap. Respeitando o estresse, pg. 57 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera de 2013).

policia_emb15 de novembro, sexta feira, aniversário da Proclamação da República Federativa do Brasil. Nas salas do Brasil e do mundo TVs exibiam a imagem desta aeronave. Ante as notícias veiculadas, não pude deixar de lembrar meu poeta, payador, compositor e cantor Jayme Caetano Braun e sua Payada do Negro Lúcio. É possível que o payador do Rio Grande e do Brasil haja composto estes versos bem antes de 1980, mas sua atualidade é impressionante! Negro Lúcio teria existido? É possível que sim e que fosse um desses sábios negros velhos de bigodes longos, brancos e torcidos que aconselhava a peonada dos galpões sobre as coisas que os janeiros lhe ensinaram. Deixo com os leitores a avaliação dos versos do poeta:

“… Enquanto filosofava
Naquele estilo sereno,
O semblante do moreno
Parece se iluminava,
A vivência é que falava
Naquela conversa mansa
E no fundo da lembrança,
Inda o escuto reafirmar:

(…)

[Há] ‘uma grande distinção
Entre existir e viver;
Filho, dizia – morrer
Não é mais do que uma viagem,
Por isso não é vantagem
O forte fazer alarde
Que – às vezes – prá ser covarde,
Precisa muita coragem!

Filho – a verdade – verdade
Que nenhum sistema esconde
É que o povo não tem onde
Suprir a necessidade
E vive pela metade
Abaixo de tempo feio,
Vai explodir – já lo creio,
A tampa dessa panela,
Nem adianta acender vela
Pro negro do pastoreio!’

Como encontrar os perdidos
Num País deste tamanho,
Se venderam o rebanho
E os homens foram vendidos,
Se os chamados entendidos
Falam de cara risonha
Defronte a crise medonha
De estelionatos e orgias,
Quem mente todos os dias
Vai ficando sem vergonha!”…

(…)

(Primavera de 2013)

pensandoNos EUA e no Reino Unido, 25% das residências têm um único morador. [Já] em São Paulo, segundo o IBGE, (dados de 2010) uma em cada 30 pessoas mora só.

“Mergulhar no nosso próprio interior, ajuda a descobrirmos o que queremos e até a fazer as pazes conosco mesmos” (Monika Von Koss, psicoterapeuta, São Paulo).

São híbridos os automóveis que se adaptam a mais de um tipo de combustível: Rodarão com álcool ou gasolina; com estes ou ainda com gás…

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A felicidade significa viver cercado de gente? Sim e não! Por ser a humanidade constituída de cidadãos, almas, Espíritos híbridos, tais indivíduos viverão em situações mistas: Ora estarão cercados por outros indivíduos – poucas, muitas pessoas, multidões – ou mergulhados no recôndito de si mesmos.

Em ambas e alternativas situações, o indivíduo as aproveitará ou as desperdiçará na perseguição da felicidade: Ele poderá estar feliz cercado de muitos indivíduos ou na mais absoluta solidão e por outro lado extremamente infeliz, depressivo e abandonado se cercado por muitos indivíduos ou por nenhum.DESTACAR-SE NA MULTIDÃO

Faço aqui uma alegoria: Em sociedade, na comunidade, no meu lar, todas as informações que me chegam são absorvidas pelo grupo; é como se todos recebessem um determinado jornal, revista ou escrito, bom ou ruim, e tal periódico passasse de mão em mão; todos bebem da mesma fonte, límpida ou nem tanto. Quando estou recolhido à minha intimidade, sozinho, procurando me desligar de ruídos da TV e até do tic-tac do ‘cuco’ de minha sala, as informações me serão colocadas em escaninho muito particular, onde somente eu terei acesso; ‘eu’ as abrirei, folhearei e lerei; observe-se que a minha felicidade dependerá, também, da qualidade dessas particulares informações…

Cidadãos híbridos, os que aprendem tanto com o sossego e a introspecção, – o chamado recôndito de cada um – ou aprendem junto às multidões, são indivíduos que, independente da mista ou híbrida situação, não perdem a oportunidade de serem felizes, afinal os Bons Recados do Alto poderão vir de ambas as fontes!

Tal qual um automóvel híbrido, o cidadão que persegue a felicidade, buscará na quietude de si ou no agito da sociedade, boas respostas à compreensão de fatos e tomada de decisões.

capavermelhaPossuir o indivíduo a capacidade de se noticiar tanto em meio à multidão, como na introspecção, é a maior prova do diálogo permanente e proveitoso entre este e outros Planos menos densos…

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Em ambas as situações, o Nazareno é o parâmetro: Em sociedade recomenda os pequenos ou grandes ‘milagres’, pois que os realizava; se sozinhos, recomenda o recolhimento aos “aposentos íntimos” e a “humildade”.

Essa a receita!

(Imagem 3: Oliwia Dabrowska, a garota da capa vermelha, 24 anos; tinha 3 quando da filmagem de A Lista de Schindler – Sintonia: Cap. Quando a solidão faz bem, pg. 51 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera de 2013).

Sabe o bom livro? O bom livro sempre será o bom conselheiro… Próximo a completar cem dias de intensa turbulência envolvendo mudança de domicílio e cidade, comentava com minha amada Maria de Fátima do ‘cansaço de minha cabeça’; sabe pilha fraca? Essa a minha queixa!

Oportunamente me cai às mãos o presente capítulo, onde Irene Cardotti, paulista, psicoterapeuta familiar sistêmica e devotada à saúde da alma de seus pacientes relaciona num estudo, algumas maneiras de ganhar e não perder energia. Enumero algumas, com comentários próprios paralelos por estar vivendo no momento uma ‘perda de energias’ e julgando poder ser útil aos queridos leitores:

1º – Escutar – Dar oportunidade ao interlocutor. (…) De quem menos se espera pode vir um bom ensinamento. Saber ouvir é uma arte. Amar ao próximo:

Sempre que ouço este conselho, me lembro das abnegadas atendentes fraternas das Casas Espíritas: Elas possuem a arte de ouvir. Falam? Aconselham? Sim! Mas ouvem muito mais do que falam! A maior carência do necessitado que se põe à sua frente é a de ser ouvido.

2º – Aceitar-se – Ter consciência dos seus próprios valores, mas também das suas limitações. Aceitá-las de bom grado:

Ou seja, sem perder a consciência de meus valores, eu saber admitir que no momento e por uma série de estorvos eu estou fragilizado e que naturalmente esse momento delicado vai passar e retornarei à minha ‘audácia’ normal; a aceitação, por hora é a normalidade;

3º – Eleger prioridades – Visualizadas as tarefas, (…) escolher as prioritárias. Realizar as possíveis:

Quando às vezes me queixo a mim próprio do ritmo lento e por ainda não ter ‘engrenado’ todas as tarefas, este conselho me cai “como uma luva”. As tarefas não possíveis, possivelmente deverão ficar preteridas; postergar tarefas não prioritárias, no momento é economia de energia da minha pilha já fraca.

4º – Fazer suas vontades – Dar uma “colher de chá” a você mesmo. (…) Comprar um objeto de desejo. (…) Acreditar nas intuições:

Minha linha franciscana raramente me permite acatar o conselho da doutora… Quanto a acreditar nas intuições, sim! As boas intuições são o Sopro Divino, os Salutares Bafejos das Companhias que o indivíduo compreende serem as melhores para si e para aqueles a quem ama. Acreditar, aceitar e seguir esses cintilos é uma questão de sobrevivência, sobretudo em situações singulares;

5º – Respeitar o corpo – Saber encontrar o limite de suas energias a cada tempo e momento:

Determinadas peças do automóvel sofrem desgaste em cascata. Com o corpo físico e mental é a mesma coisa. Ansiar por ultrapassar os limites poderá ocasionar perdas dificilmente reparáveis em curto prazo. Amar meu próximo sempre considerando que meu mais próximo sou eu mesmo! Ultrapassar limites esgota a pilha…

6º – Evitar explosões – Ataques de ciúmes, inveja, raiva ou melancolia recolhem energias [e] deixam seqüelas em você mesmo. Usar o perdão [e lembrar] André Luiz/Chico Xavier: “Toda a irritação é um suicidiozinho para nossas energias orgânicas”:

Todos os ‘ataques’ supracitados, bem como a falta de perdão e as irritações descarregam, automaticamente a pilha. Entrar em oração, locupletar-se do estado alfa, pensar perdão… é um convite à calma, à economia de energias e ao preenchimento da carga energética. Não desejaria para um momento de exceção uma condição mais adequada que tal tipo de relaxamento; e

7º – Desligar o turbilhão da mente – Evitar remoer pensamentos, recalcar problemas, (…) dedicar-se a coisas triviais, como molhar plantas, alimentar pequenos animais, varrer a casa, arrumar uma estante; enfim, realizar tarefas físicas que não carecem de avaliações mentais:

Os chamados hobbys, passatempos úteis, desobrigações, aficionismos, relaxamentos necessários… Estas atividades sem compromisso proporcionam um bom ‘recreio’, principalmente quando se vive uma situação excepcional.

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Pilha fraca? Nada que um Deus Forte, um perdão forte e uma forte e verdadeira intuição não resolvam… Lógico, e mais as dicas de Dra. Irene, todas salutares!

(Sintonia: Cap. Economizando energias, pg. 49 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera de 2013).

Sábado, primavera de 2013. Em meio ao frenético vai e vem da pista central da Avenida Duque de Caxias, bairro Fragata, fazíamos, minha velhinha e eu, a caminhada que deveria ser mais amiúde, não fora os encargos da recente instalação.

A primeira constatação é que tal pista, construída inicialmente para ser um corredor de coletivos, continua à deriva do progresso, com imensas rachaduras, desníveis, mal sinalizada, e com inadequações em todos os seus retornos, como a própria avenida em seu todo.

Mas não é propriamente ao estado da pista que desejo me reportar, mas aos personagens que naquele momento a freqüentavam:

Muito próximo aos trailers de alimentação, as moças da limpeza realizavam suas tarefas, – árduas por sinal – de retirar todo o lixo que, sobretudo às sextas, sábados e domingos à noite é jogado inescrupulosamente naquela área. Também, aqui, e o deixo claro, não havia insatisfação por parte das profissionais; muito pelo contrário, exibindo todos e os possíveis looks próprios de suas feminilidades, cumpriam de forma risonha suas tarefas com o maior capricho possível.

Após as cumprimentarmos e elogiarmos seus trabalhos, minha amada e eu comentávamos de como tal área deveria estar imunda nas primeiras horas das segundas feiras, ao que concordaram, referindo-se ao caos e ressaca no início da semana.

Nesse mesmo instante e olhando para os lados da avenida, distraí-me ao pensar na diversidade de seus moradores e de como a felicidade está desvinculada do possuir ou não possuir. Questionamentos me ocorreram, tais como: Será que na mansão próxima haveria felicidade e que tipo de felicidade seria? Ou nas casas mais humildes, qual seria o significado dela? Entre o ter e o ser, quanto distanciamento do conceito felicidade!

Desatento, voltei a encarar as ‘meninas’ da limpeza e seus rostos humildes, porém francos pareciam me declarar que ‘eram’ muito mais do que ‘tinham’: Eram responsáveis, eram caprichosas, eram habilidosas, eram verdadeiras, eram ou… pareciam ser felizes!…

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“A Nigéria é líder entre os países com maior porcentagem de pessoas que se consideram felizes. (…) Situada na África, continente considerado paupérrimo, [conclui-se que] nem sempre a condição econômica é motivo de felicidade.” (World Values Survey, investigadora de valores socioculturais e políticos a cada cinco anos).

Conclui a mesma pesquisa que Rússia, Romênia e Armênia são os países menos felizes, donde é forçoso se coloque em dúvida que a origem e influência marxista não tenham completado o quesito felicidade dos povos.

Mas qual, então a ‘receita’ da felicidade? É possível que seja ‘a’ dada pelas moças da limpeza da ‘minha’ Avenida? Sim! É possível! A paz da consciência do dever cumprido, a satisfação que sentem de ver seu trabalho usufruído por ordinários e anônimos usuários e caminhantes como eu, a humildade de suas tarefas, o sentirem-se pequeno-grandes obreiras… as fazem felizes e disso eu não tenho dúvidas.

É possível que se o Mestre por ali passasse, num flash back e ao verificar suas fainas, as incluísse em seu ‘time’, – o das pequenas criaturas – como o fez com Zaqueu, com o Centurião, com Madalena, com a Viúva do óbolo, com o Publicano em rogativa no templo, com a mulher do poço e com tantos outros pequeninos perdidos no tempo e nas vielas da poeirenta Palestina e capital Jerusalém de Seu tempo.

Pensa nisso, minha querida e meu querido!

(Sintonia: Cap. Países mais felizes, pg. 47 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera de 2013).

Com o braço leve sobre meu ombro, o Divino Mestre me mostrou o flash back de um filme que jamais fora rodado, mas que ficou registrado por poetas toscos em linguagem muito estranha sobre pergaminhos rudes.

Conduziu-me através da invernada dos fundos de suas alegorias e me mostrou o imenso zelo do Pai traduzido no resgate da ovelhinha tresmalhada que se perdera na pradaria larga. Convocou-me para, juntamente com o pastor, reintroduzir pela porta estreita do aprisco a ovelha caidinha, reincorporando-a às outras noventa e nove.

Como ainda me restavam dúvidas sobre meu “semelhante mais assemelhado”, mostrou-me imagens das estradas poeirentas que conduziam a Jericó e a ação do Samaritano no socorro ao pobre homem assaltado e me recomendou, carinhosamente, que a porta mais estreita – e a única – é aquela que me “aproxima do próximo”… E o próximo ali estava!

Na porta principal do templo de Jerusalém, – larga, por sinal – apontou-me o publicano minúsculo, esmagado pela dor, porém elevado em arrependimento que batia no peito e dizia Senhor, Senhor, tem piedade de mim que sou um pobre pecador… Não perdeu a chance de me observar: Filho, a humanidade domará, sempre, a porta larga do orgulho e todos os seus asseclas; importante é te tornares pequeno e quanto menor fores com mais facilidade esgueirar-te-ás pelas frestas da porta estreita.

Saímos do templo e com seu esquálido dedo apontou-me o velho sicômoro que ainda ali estava onde Zaqueu, também pequenino se instalara para melhor observá-lo. Confidenciou-me que naquela ocasião o desejo e a ânsia do coletor O comoveram e que ali estava a fórmula de bem atingir a escassa porta. Pensativo eu me dava conta que meu Querido Amigo gostava das coisas simples e apreciava os homens pequenos.

Ainda nas ruas de Jerusalém, não a cosmopolita de hoje, mas a de vielas acanhadas de ontem, chamou-me a atenção para o alvoroço que emoldurava o estigma, a maledicência e a incompreensão; humildemente pediu-me ajuda para erguer a adúltera, concitando-a não só a mais não pecar, mas a erguer-se de entre as pedras da porta larga. Mostrava-lhe e a mim, dessa forma, que o pecado ou a má vida, porque transitórios, jamais estabeleceriam uma identidade, mas que a compreensão, a tolerância, a condescendência e a compaixão, porque incontestáveis, poderiam estabelecê-la.

Envolvidos por grande luz, – não a de Paris, que em meados do século XIX era escura – mas a do clarão das idéias, me conduziu à rua onde um digno professor que não tinha tempo para uma vida contemplativa, mas com o corpo físico já desgastado pelo trabalho, acabara de escrever uma máxima que simplificaria o simples que já houvera Ele mesmo simplificado: “Fora da caridade não há salvação…” A mais estreita de todas as estreitas portas!

Mas meu Amigo não se deteve por aí… Na imensidão da maior praia do garrão de um País Continente e Pátria do Evangelho, com as sandálias afundadas na areia branca e os olhos castanhos perdidos na imensidão do mar, disse-me que apesar de ali estar todo o glamour de uma porta larga, a porta estreita poderia estar do outro lado e apontava – com o esquálido dedo – para o casario que se estendia do outro lado das dunas…

A porta estreita, meu filho, – dizia enquanto desligava a fita do tempo – está aí muito dentro do peito de cada um. Em cada coração de cada filho há um manancial de água pura, há uma carga energética, há uma fonte interminável…

Com um profundo abraço e exortando-me à Porta Estreita do Bem, meu amigo se despediu e todos estes e outros flash back se interromperam. Daí por diante, o filme de minha vida retomava o curso normal. Normal? Como poderia sê-lo, depois de tantos “recados”?

(Verão de 2012) – Pub em O Clarim, Nov/2013.

Remoer o que já aconteceu, não apenas atravanca a mente, (…) mas derruba o sistema imunológico. Perdoar é uma questão de treinamento” (Fred Luskin, O Poder do Perdão).

Em matéria de perdão, há que se considerar exortações importantes do Nazareno como “perdoar não só sete vezes, mas setenta vezes sete vezes” e “se tiveres que fazer tua oferenda e te lembrares de ter algo contra teu irmão ou ele contra ti, vai e primeiro reconcilia-te e depois realiza tua oferta”. Aqui somente duas máximas do Cristo, sobre o assunto…

Ora, chamaria a primeira recomendação de ‘linguagem matemática’: Talvez cansado de exortar seus patrícios, – e a mim, a ti, a nós… que deveria por lá andar – Jesus fala em uma forma aritmética, esbanjando sabedoria e alegoria. A segunda aborda a questão da hipocrisia, pois não será salutar ao que se diz Cristão oferecer seu trabalho diário, sem primeiro se refazer de suas mágoas e raciocinar com perdão. Se tenho desafetos – e quem não os tem!? – antes de escrever estas ‘mal traçadas linhas’ e por uma questão de consciência, deverei enviar a todos eles meus bons eflúvios, votos de felicidades e um desejo sincero de reconciliação… Se minha escrita é a minha oferta diária, ela ficará mais verdadeira se primeiro eu orar, principalmente, por aqueles que ainda não amo tanto!

Ao defender que perdão é uma questão de treinamento, o autor americano se embasa nas supracitadas máximas Crísticas: Tu perdoas uma, sete… quatrocentas e noventa vezes e a cada uma delas estarás ‘em treinamento’; emanarei a meu desafeto bons pensamentos e estarei treinando para que minha causa/tarefa diária seja mais verdadeira.

* * *

Que só por hoje – e o renove todos os dias – eu acredite mais na Veracidade e Correções do Mundo Maior do que em conspirações e conluios realizados nos porões da maldade…

A falta de perdão, o revide, a mágoa, o ressentimento e todo seu séqüito é a conspiração. O perdão, a benevolência, a complacência… todos inclusos no treinamento, fazem parte da Verdade do Mundo Maior.

Pensando assim, minha querida e meu querido, ‘bora lá’, treinar!

(Sintonia: Cap. Perdão faz bem à saúde, pg. 19 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera de 2013).