Archive for janeiro, 2014

38359983Ao declarar que “o meu Reino não é deste mundo”, Jesus se estabelecia como lídimo representante Do Reino perante cidadãos ‘verdes’ de um Planeta também verde. Mais que depreciação na expressão do Mestre, havia o recado de que os Espíritos deveriam amadurecer para construir o Reino de seu Pai. Nem todas as expressões cifradas do Mestre puderam ser entendidas na sua época. Pela generosidade do Espírito da Verdade e sua Equipe, ao espiritismo, e na época certa, são concedidas à humanidade, todas as ‘traduções’ de como, por exemplo, indivíduos evoluiriam da situação de verdes para maduros.

Imagino o desapontamento que Jesus causou nos seus ao declarar “o meu Reino não é deste mundo”: Sob o jugo romano há 94 anos, o que mais ansiavam era por um libertador. Ora, corria ‘a boca pequena’ pela Judéia que O Libertador, em fim, havia chegado.

Em 64 a. C., o general Pompeu havia conquistado Jerusalém e feito do reino judeu um Estado-vassalo de Roma. Sob a legislação de Herodes Antipas, o povo judeu chegou a sentir um ‘gostinho’ de reino, pois este possuía cidadania romana e outros privilégios. Pilatos (romano) e Antipas (judeu) eram contemporâneos e ambos se envolveram na condenação de Jesus de Nazaré. Num ‘jogo de empurra’, ambos lavaram as mãos, e o próprio povo judeu pediu a condenação daquele que sonhava fosse o seu libertador…

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Ainda verdes, os homens daquela época não entendiam o sentido das palavras do Mestre que se referia a um Reino futuro, à Vida Futura ou à imortalidade de seus Espíritos.

Ora, “se o espiritismo veio completar, nesse ponto, o ensino de Cristo, quando os homens já se mostram maduros bastante para [entenderem] a verdade”, interrogam-se os homens de hoje: ‘Estamos já maduros ou somos os verdes de outrora. Os verdes ainda sob jugos ou maduros já libertos?’

  • Os já maduros entendem que nem todos caminham na mesma velocidade; se já adiantados, retardatários não lhes causarão desânimos;
  • Os ainda verdes se inebriaram de tanto poder que julgam ser o reino por aqui mesmo;
  • Os já maduros entendem o servir, a generosidade, a fidalguia, como ‘a’ forma verdadeira de amar;
  • Os ainda verdes acostumaram-se tanto a ser servidos que desconhecem o termo gratidão;
  • Mas os ainda verdes, longe de serem maldosos, são, e tão somente… verdes, retardatários! E assim os devem compreender os já maduros!
  • Os já maduros, além de compreenderem, relevam, se compadecem dos inexatos, promovem ações junto a eles e seguem adiante;
  • Os já maduros, foram outrora verdes e estes um dia avançarão. Não é de hoje que o Mestre anuncia que o meu Reino não é deste mundo! Uns assimilam logo, outros demoram um pouco mais, caracterizando os ‘maduros’ e os ‘verdes’;
  • O poder, tal qual a fortuna, é empréstimo transitório e alternado; verdes dele se embriagarão; os já maduros dele se utilizam para a promoção dos subalternos;
  • A autoridade producente identifica os já maduros, a humilhante os ainda verdes;
  • Amar, para os já maduros é se doarem; para os ainda verdes a exigência do receber;
  • O abismo entre o ter e o ser separa verdes dos já maduros;
  • Certificados, títulos, diplomas, escudam os ainda verdes; maduros se respaldam na sabedoria efetiva que possuem;
  • Verdes, vítimas de ilusões se atrasam consideravelmente; maduros e adiantados, os entendem, auxiliam, com a consciência de que a evolução é compartilhada.

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Maduros para entenderem ou amadurecidos por já entenderem é a situação que a codificação encontra a humanidade em meados do século XIX. A partir daí, esclarecidos pelas elucidações espirituais, tudo correria por conta de cada um e pela vontade de se madurar.

(Sintonia: Cap. Na construção do Futuro, pg. 21, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Verão quentíssimo de 2014).

linguas-mortas-lista-e-caracteristicas-gerais-7“Não vim para aboli-los, – a lei ou os profetas – mas sim para levá-los à perfeição. (…) Passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da Lei.” (Mateus, V, 17 e 18).

Jota, Yod, iod, iode ou yudh é a décima ‘e menor’ letra das línguas semíticas, onde se incluem o hebraico antigo (300 a.C.) e o aramaico. Também chamado de iota, no alfabeto grego, é a nona e também sua ‘menor letra’… (Wikipédia).

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A citação evangélica acima, ainda faz parte do sermão da montanha, bem-aventuranças, códigos de bons procederes ou, na expressão de Joseval Carneiro, “os verdadeiros remédios para a alma”.

Duas considerações precisarão ser feitas a respeito da citação: Primeira, a força de expressão do Mestre, desejando afirmar àquele povo que enquanto restasse um só ‘jota’ – a minúscula letra hebraica – a Lei estaria ‘em vigor’. Segunda, que em seu esforço de conduzir a Lei à perfeição a humanidade também a acompanharia na rota progressiva.

Jesus torna-se, naquele memorável sermão do monte, o Divino Avalista de uma futura perfeição da humanidade, ou, na visão doutrinária, que o Espírito uma vez criado, jamais retrogradará.

Pode-se então aqui dizer que, explicitamente, naquela hora, o Mestre ao dizer porque ali estava, se declarava, abonador, responsável ou fiador da progressão de cada um dos Espíritos do Planeta Terra.

Contam os estudiosos que cada Planeta semelhante à Terra possui um Espírito Governador da mesma pureza de Jesus. É muito provável que esses abnegados se responsabilizem por essas humanidades até que elas não mais precisem de uma Lei escrita, apenas suas consciências dela estejam impregnadas. Quando isso acontecer, homens e mulheres deste Planeta na presença de Cristo, tendo ‘alinhadas’ a Ciência de Deus e a ciência dos homens, poderão se regozijar, pois…Proposta-autoriza-fiador-a-inscrever-devedor-no-spc-serasa-televendas-cobranca

  • … A técnica que informa, não aliciará as mentes; as concessões televisivas outrora escravagistas morais, agora informam e entretém; vidas não são ceifadas, apesar de a engenharia haver criado máquinas para vencer distâncias;
  • A ciência que interrompeu mortes prematuras já não concebe velhices humilhantes; descobertas concederam luz aos cegos, e eles se conservam com ‘bons olhos’; vacinas, descobertas para a prevenção, já não estimulam a farra, a desídia e o desalinho; a técnica da anestesia já deixa de promover o clandestino…
  • A erradicação do analfabetismo estimula os agora cultos a ensinar; os delinqüentes catalogados como enfermos mentais disso não se avantajam para desertar de seus acertos; e mulheres não se tornaram libertinas apesar de as leis justas lhes haverem reconhecido a dignidade.

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Na presença do Cristo, os outrora em provação/expiação, abraçarão, agradecidos, seu Divino Avalista, por lhes ter afiançado a trajetória da perfeição.

(Sintonia: Cap. Na presença do Cristo, pg. 18, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Verão de 2014).

Jesus escreve na areia_thumb[4]O culto espírita possui um templo vivo em cada consciência. Prescindindo de [fórmulas e submissões], temos nele o caminho libertador da alma (…) na construção do mundo melhor.”

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“Não vim destruir a lei e os profetas, mas cumpri-los.” (Jesus, 30 d.C.). “Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução.” (Allan Kardec, 1861).  “Patentear-se [através do culto espírita] é conferir força e substância na própria vida.” (Chico/Emanuel, 1978).

Quando, perante a Lei, o Mestre Galileu demonstra humildade e o mestre Lionês, responsabilidade, o missionário Chico convoca a todos a se legitimarem – patentear-se – como cristãos.

Entram épocas, saem épocas, entra ano, sai ano, e os cumpridores, executores e ‘repaginadores’ da Lei Natural ou Divina se alternam na lida do combate às exterioridades, desenvolvidas em todas as épocas como se a Divindade não soubesse o que se passa no íntimo de cada indivíduo…

O Mestre Jesus, de todas as épocas, foi o maior arrojado no combate às exterioridades. Só Ele conseguiu, por exemplo, ler o íntimo da adúltera, de Zaqueu, do centurião, culminando com a derradeira que fez das almas que ao seu lado eram crucificadas.

Numa época em que os templos, paramentos, adornos e utensílios sacros eram recapados em ouro, e quando o discípulo de Pestalozzi diria que o espiritismo viria dar execução à lei cristã, deixaria claro que a doutrina compactuaria ‘com os exemplos’ do Mestre e não com irresponsabilidades que onerassem recursos de minorias.jesus_kardec_chico

Na fronteira entre os séculos XX e XXI, o missionário de Pedro Leopoldo, atento às Vozes Celestes, volta a chamar a atenção dos novos cristãos sobre a futilidade das aparências, lembrando às almas que “o Reino de Deus está dentro de vós e só será alcançado por suas obras”.

Na ocasião lembrará Chico que para patentear-se como verdadeiro espírita será necessário que o indivíduo imprima força e substância à própria vida tarefa que realizará pela força de sua interioridade e não por seus disfarces.

Conclamará a que homens, mulheres e crianças; patrões e empregados; dirigentes, legisladores e administradores; ensinantes, discípulos e colaboradores; magistrados, poetas, oradores, escritores e artistas; lavradores, comerciantes e operários… Que o verdadeiro culto espírita é aquele delimitado “por suas obras” ou pela qualidade de sua influência junto aos indivíduos.

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Cumprir a Lei, dar-lhe execução, conferir substância à própria vida, – expressões diferentes, para épocas diferentes – significam patentear-se ou se legitimar como cristão.

Autenticar-se pela fraternidade, promover a ‘quarta revelação’, impulsionar a regeneração: Simplesmente três sentimentos análogos!

Se humildade e responsabilidade registraram as segunda e terceira revelações, a quarta está aí, se definindo através da fraternidade.

(Sintonia e expressões em itálico são do Cap. Culto espírita, pg. 15, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Verão de 2014).