Archive for março, 2014

Livrai-me-Senhor-de-tudo-aquilo-que-for-vazio-de-amor“A chama da cabeça não derrama a luz da felicidade sem o óleo do coração” (Emmanuel).

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No uso excessivo da razão – ou de suas razões – o homem “amontoou calamidades sobre a sua cabeça”. Por abandonar o sentimento, lambuzar-se mais em seu raciocínio e desconsiderar o combustível do coração cometeu o grave desengano de ‘atirar no próprio pé’.

Dessa forma e considerando muitas vezes a razão em detrimento da emoção, o lucro em detrimento do serviço, o material em detrimento do espiritual, o ouro em detrimento do benefício gratuito, esse mesmo homem extinguiu a luz da felicidade no momento em que:

  • Construiu hospitais fantásticos, mas os segregados da sociedade utilizam somente seus corredores;
  • Inventou o avião para encurtar distâncias e os bombardeiros alongaram sofrimentos de muitos;
  • Mapeou, através satélites, o mundo inteiro em HD invejável, e suas imagens muitas vezes são utilizadas para fins escusos;
  • Inventou a TV, criou a internet como instrumentos de entretenimento, informação rápida e pesquisa e essas máquinas promovem solidão e desagregação, transmitem luxúria, rusgas, se detém quase que somente em tragédias e ainda viabilizam certos crimes…
  • Conseguiu o Brasileiro ser cinco vezes campeão mundial de futebol, mas não consegue evitar massacres orquestrados pelas torcidas (des)organizadas e com aval e benesses de dirigentes de seus clubes;
  • Elevou a medicina ao mais alto patamar, mas ainda não consegue evitar, na sofisticação ou na penúria da clandestinidade as técnicas do aborto;
  • Criou uma parafernália de comunicação móvel, inclusive disponível na palma da mão e com alta tecnologia, porém não consegue conter as armadilhas diárias de operadoras inescrupulosas e impunes; e
  • Inventou vacinas como soluções fantásticas para a poliomielite, HPV, tétano, coquetéis para aidéticos, controle de muitos cânceres… porém não consegue qualificar álcool e fumo como drogas ilícitas.

Quando a “taça da iniqüidade transborda de todos os lados”, a supercultura se sobrepõe ao supersentimento, e galopa a razão sem coração, talvez seja a hora de largar do “espanto” e retomar a “santa e divina moral do Cristo”.

“Não vim destruir a Lei e os profetas, mas cumpri-la” (Mateus, 5:17). Até que desapareça o último iota ou o último til da Lei, o Mestre ainda estará convidando esse mesmo homem a, sem “espanto”, abastecer a razão com o óleo do coração.    

(Sintonia: Cap. Supercultura, pg. 59 do Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono de 2014).

Pavao_Azul_Pavo_cristatus_Fazenda_Visconde_4 (1)São muito temerárias as expressões: ‘Fulano saiu-se muito melhor que beltrano’; ‘tal indivíduo é o melhor da classe’; ‘a equipe A levou enorme vantagem sobre a B’…

Num Planeta que depende de parcerias para seu progresso, promoção ou redenção o sentido de equipe é prioridade e as individualidades que a compõem possuem utilidades diferenciadas, cumprem deveres diferentes, incumbências diversas, mas todas interdependentes. A média da classe ou da equipe muitas vezes depende de trabalhos anônimos, realizados sem alarde e por pessoas consideradas de menor capacidade dentro do grupo.

Considere-se que resultados obedecem a uma relatividade: A galinha polaca – aquela do pescoço pelado – será feia se comparada ao galo mais vistoso do terreiro; mas também o mesmo galo passará despercebido se colocado no ambiente em que estiver um pavão bem colorido…

Individualidade por si só já ‘mata a charada’, pois representa a singularidade do degrau de cada indivíduo, estágio único de evolução, capacidade diferente de executar tarefas, talento só dele ao desempenhar a missão.

Por que, então desconsiderar os feitos menores de indivíduos ainda menos capacitados? Não são esses feitos que ‘completarão’ o todo de uma tarefa?

Ninguém, portanto, é inútil, ou a utilidade em qualquer grau do indivíduo, desde que despretensiosa, sempre será de utilidade ao grupo.

“Será exaltado”, no dizer de Jesus, “aquele que a si mesmo se humilhar” (Lucas 14:11). E aqui o “se humilhar” não significa se menosprezar ou se achar incompetente pela humildade da tarefa, mas aquele que de forma nenhuma se pavoneia, qualquer seja a importância de sua missão.

“Pequeno como uma criança” é parâmetro, bitola ou molde de todos aqueles que se candidatam a construir o Reino dos Céus…

… Aliás, essa a receita para “ser o maior Nesse Reino”; ou, despretensiosos, será o título que lhes será mais adequado!

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“O homem bom tira boas coisas do bom tesouro de seu coração…” (Mateus 12:35). Ou, independente do tamanho ou quantidade dessas boas coisas, colocá-las, silenciosamente, à disposição do grupo será fundamental!

O rio generosamente fornece a água; o motor levanta essa água; esta é conduzida pelos dutos até os tanques; alguém a trata; canos menores a conduzirá até o consumidor; e ela só chegará a este se aberta a torneira… Ah! Precisará de um copo!

(Sintonia: Cap. Ninguém é inútil pg. 56 do Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono de 2014).

nascente_rio_sao_francisco_SC_grd“… Aquele consolador, o Santo Espírito [da Verdade]… vos fará lembrar de tudo de tudo quanto vos tenho dito.” (João, 14:26)

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Considere-se aqui “tudo quanto vos tenho dito” como o nascedouro, ou a contribuição máxima que o Mestre deixou como legado moral a cada indivíduo; considere-se, também, o consolo espiritual dos Espíritos Verdadeiros como a orientação segura para que esse rio bem evolua até a sua foz…

A orientação de hoje afirma que é “imperioso tratar as águas da fonte, no entanto, cansar-nos-emos debalde, se não lhe resguardarmos a limpeza do nascedouro.”

Ou seja, inútil será aos indivíduos preservarem as margens do rio de suas vidas se a nascente não está bem cuidada. Cuidar da Nascente significa acatar o ensinamento do Mestre; a partir daí – e esse é o curso natural do rio – a inspiração, apoio e o consolo dos Emissários do “Santo Espírito” estarão à disposição dos indivíduos.

Março, em todas as Casas Espíritas, reinicia o estudo do ESDE – Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – bem como, em algumas, ‘Aprendizes do Evangelho’, ou a melhor prevenção de nascente do rio de cada um.

IMG_3691 (1)Quando o Espírito da Verdade, em 1860, exorta Kardec a que os irmãos espíritas primeiro se amem e logo a seguir se instruam – primeiro e segundo ensinos, nessa ordem (ESE, VI, item 5) – afiança-lhe que através da fraternidade e da instrução haverá prevenção e recuperação da nascente e das margens do rio da Vida de cada um e do todo.

Gastos com apetrechos bélicos, desajustes juvenis, desregramentos e desintegrações e outros tantos resíduos angustiantes lançados às margens do rio de cada indivíduo, são apenas alguns dos temas abordados em tais estudos. O estudo tem a capacidade de prevenir e promover a recuperação do curso para uma chegada elegante ao mar.

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“Espíritas, instruí-vos!” Da Nascente à foz, o melhor ensino depois do “amai-vos!”   

(Imagens: Nascente e foz do Rio São Francisco – Sintonia: Cap. Espíritas, instruí-vos! pg. 53, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono de 2014).

Geni e o ZeppelinGeni e o Zepelim é uma canção de 1978, composta e interpretada por Chico Buarque. A letra descreve Geni como um travesti que era hostilizado em sua cidade. Ante a ameaça do ataque de um Zepelim, cujo comandante se encanta com os dotes de Geni, ele começa a ser provisória e hipocritamente tratado de forma diferenciada pela população. Expressões como “boa de cuspir”, “maldita Geni”, “você vai nos redimir” e “você pode nos salvar”, se alternam numa letra em que a hipocrisia se torna uma alternativa ‘conveniente’…

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A abertura, um tanto ‘profana’, não invalida a máxima cristã “vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados que eu vos aliviarei.” (Mateus, 11: 28). Importante fique claro, que o Mestre não me convida a arrastar o fardo; muito menos depô-lo; muito pelo contrário, toma sobre Si a responsabilidade de me “aliviar” desde que eu com ele esteja ‘fechado’ ou que seja um Cristão com Cristo.

Quando a hipocrisia se torna a alternativa, ou em todas as situações que:

  • Eu for fã do Mestre, porém não O enxergar nas diversas Genis deste mundo;
  • Eu honrá-Lo por demais nos quadros da galeria, mas ferir com golpes de cinzel os diferentes do Planeta;
  • Eu pronunciá-Lo com louvor em oratórias ou escritas, mas dilacerar com a palavra espinhosa aos que segreguei como marginais;
  • Eu dedicar-Lhe cânticos de louvor, mas não poupar impropérios a todos os meus irmãos “bons de cuspir”; e
  • Eu O procurar de mãos postas em minhas preces, mas engessá-las na defesa aos que assinalei como “malditos Genis”…

… Então eu estarei sendo Cristão sem Cristo, pois ainda não O entendi ou não consegui estabelecer com Ele uma verdadeira parceria, me lambuzando numa hipocrisia conveniente.

Dignificar a Jesus na pessoa do semelhante é como matricular-se na sagrada escola da caridade, única que pode livrar este Planeta do atual estágio em que é atacado por todos os comandantes de zepelins trevosos.

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Tal qual a cor que homologa meu clube ou partido, minhas atitudes também autenticarão o tipo de cristão que sou.

Ou, voltando ainda ao chocante ou ‘profano’, minhas atitudes perante as Genis talvez meçam a quantidade de cristianismo que possuo e a sua veracidade…

(Sintonia: Geni e o Zepelim, canção de Chico Buarque e o Cap. Cristão sem Cristo, pg. 50, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Verão de 2014).

Heroína, rainha, mãe, guerreira, mulher… Os predicados se confundem!

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livro-e-vela_19-134452Imagina ficares sem energia elétrica por algumas horas, dias, mês… Sem banho quente, somente lanternas e velas, alimentos se deteriorando na geladeira, palitos de fósforos queimados na volta do fogão, zero informação da TV e internet, telefone sem fio mudo; lavadora inerte… Um caos! E aqui me refiro tão somente ao básico…

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Quando desalentos, suplícios morais, sede e fadiga tomarem conta da minha alma, na forma de apagão educativo, ainda assim sou chamado a ser a luz de outros irmãos menos afortunados.

Mas a Justiça Divina não deve seguir o seu curso e cada qual se purificar, através da dor, de seus mal feitos? Ledo engano! “Não digais (…) quando virdes atingido um de vossos irmãos: ‘É a Justiça de Deus, importa que siga o seu curso’. Dizei antes: Vejamos que metas o Pai misericordioso me pôs ao alcance para suavizar o sofrimento do meu irmão.” (ESE, V, 27). Isso porque já muito antes, há 1830 anos antes da codificação, o Mestre já houvera afirmado “vós sois a luz do mundo” (Mateus, 5:14); disse-me, tão somente, que eu era luz, não importando a intensidade ou qualidade dessa luz; se lamparina ou holofote; mas que sendo luz, fraca ou forte, e sal, eu deveria iluminar e dar “sabor à terra”…

Entre 1860 e 1863, quando outro apagão se instalaria sobre o Velho Mundo e após o iluminismo da razão e das idéias já haver preparado o solo fértil para a Terceira Revelação, o Espírito da Verdade, o Prometido, volta a concitar encarnados e desencarnados – Espíritos em trânsito pelo Orbe terrestre ou não – da necessidade de serem luz:

Ao invés de lhes dizer novamente “serem a luz do mundo”, convidaria a todos, “como outrora aos transviados filhos de Israel”, a “se amarem e se instruírem” (ESE V, 5 a 8), a se esclarecerem e consolarem, a trabalharem e estudarem.

Não há melhor luzeiro do que aquele que esclarece através do estudo das verdades do Mestre e que consola em se utilizando de mesmas verdades. E o propósito principal, a missão da doutrina é essa: Esclarecer e consolar; ser luz!

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Embora eu esteja profundamente triste, a doutrina consoladora me convida a examinar de quais metas já posso dispor no sentido de amar, instruir-me e instruir; que quantia de luz já possuo para esclarecer e consolar…

… Mesmo sob todos os impactos de desalentos, suplícios morais, sede e fadiga!…

(Sintonia: Cap. Na hora da tristeza, pg. 48, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Verão de 2014).

 

 

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Março! Matricula-te já!

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