Archive for junho, 2014

carta“Honrar a seu pai e sua mãe (…) é cercá-los de cuidados, como eles fizeram conosco na infância.” (ESE, XIV, 3).

* * *

‘Mas espera aí! E se nossos pais não dispensaram à nossa infância todos os cuidados que precisávamos?’ Esta a primeira pergunta que poderemos fazer ante a exortação acima. E se aos nossos filhos cobrimos de atenções, cuidados e educação e hoje nos sentimos abandonados por algum deles? Esta segunda pergunta que nos fazemos…

Somente a Doutrina Espírita, em seu propósito esclarecedor, e através do entendimento da multiplicidade das vidas virá nos informar duas coisas muito importantes:

Primeira: O atendimento que, ‘apesar dos pesares’, dispensamos a nossos pais, vem a saldar uma parte oculta de nossos débitos, concedendo-nos a primeira carta de alforria.

Segunda: Uma vez aprendida a lição tirada de nossa infância, passaremos a dispensar a nossos filhos, todas as atenções das quais fomos privados um dia. Mesmo vindo a receber possíveis ingratidões em nossa velhice, passamos a ser contemplados com a segunda carta de alforria.

“Entre os filhos companheiros que te apóiam a alma, surgem os filhos credores, [adentrando tua] vida, por instrutores de [forma] diferente.” Tal assertiva, no seio familiar, não se aplicará somente ao parentesco pais/filhos, mas a todos os demais ‘caroços’ que parecem desejar invadir nosso angu: Arredá-los para a beira do prato, com sabedoria, para depois depositá-los no lixo, será tal qual recebermos luminoso certificado de nossa própria libertação, ou nossas outras cartas de alforria.

Surgirão, dessa forma, em nossas vidas e, mormente no cadinho familiar, outras e muitas outras oportunidades de sermos alforriados, pois de débitos nosso passado está cheio…

(Sintonia: Cap. Credores do lar, pg. 112, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Inverno de 2014).

mulher-bracos-cruzados-desconfianca-duvida-suspeita-1347984383070_300x420“[O homem] responderá pelo mal que resulte de não haver praticado o bem.” (Q. 642)

* * *

“Sede bons e caridosos; essa a chave do Reino dos Céus…”, nos advertiria São Vicente de Paulo em sua valiosa colaboração à codificação e constante do item 12 do capítulo XIII de O Evangelho segundo o Espiritismo.

Mas, à primeira vista, perguntaríamos ao Iluminado: ‘Bom e caridoso’ não será a mesma coisa? Não estará o Colaborador se redundando?

Primeiro, as citações, tanto de uma obra como da outra não poderiam divergir, mas, e aqui é o caso, vêm se completar. Segundo, poderemos ser simplesmente bons por não fazermos o mal a ninguém, porém não chegamos a ser caridosos porque não efetivamos o nosso bem. Analogamente, é como se disséssemos: ‘Fulano não tem boca para nada!’ ou ‘beltrano não mata uma mosca!’

Explicando: Fulano não tem boca para nada, nem para consolar, nem para aconselhar, nem para defender, nem para intermediar, nem… Beltrano não mata uma mosca, mas também não as espanta, não move um recurso, não se comove, não serve, não…

Os autores do estudo de hoje vêm nos informar que o bem é um exercício e que para treiná-lo precisaremos desinstalar-nos de desculpas as mais esfarrapadas para que não ‘faltemos ao treino’, quais sejam confessarmo-nos incompetentes, alegamos cansaço, afirmarmo-nos sem tempo, declararmo-nos enfermos…

* * *

Na verdade, realizamos inúmeros cálculos para lançar-nos ao bem; para o mal, inimaginamos as conseqüências.

Responderemos, sim, por todo o bem que soubermos e pudermos fazer e não o fizermos sob as mais fúteis desculpas!

(Sintonia: Cap. Exercício do Bem, pg. 108, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Inverno muito frio de 2014).


57eytjnq“… Será só com o dinheiro que se pode secar lágrimas e dever-se-á ficar inativo, desde que se não
[o] tenha? Todo aquele de sinceramente deseja ser útil a seus irmãos, mil ocasiões encontrará de realizar o seu desejo.” (ESE, XIII, 6).

“Não perguntes ‘quem sou eu?’ nem digas ‘nada valho!’ Honremos o serviço que invariavelmente nos honra (…) mesmo quando se expresse através de ocupação supostamente esquecida na retaguarda.”(Emmanuel).

* * *

O Mestre Jesus, na ilustração de sua missão redentora, nos deixou os mais edificantes contos – parábolas, alegorias, sermões. Muitos deles nos convidam a ficarmos longe dos holofotes:

  • A viúva pobre colocaria na caixa de ofertas ‘as’ duas moedas que possuía; a maior parte ou tudo que tinha para seu sustento. Realiza tal oferenda no anonimato de seu templo interior;
  • O bom samaritano se compadeceu, atendeu e serviu nada cobrando moral ou materialmente ao assistido. Ao hospedeiro não fanfarreou; pagou toda a despesa de seu anônimo amigo e seguiu adiante;
  • “Senhor eu não sou digno que entreis em minha casa, mas dizei uma só palavra e meu servo será curado” dir-lhe-ia em sua humildade o centurião romano, acostumado a duras lides perante mais de cem soldados;
  • “Não saiba a vossa mão esquerda o que doa a vossa direita”, elegendo o anonimato como principal característica da generosidade;
  • “Senhor, Senhor, tem piedade de mim que sou pobre pecador”, diria o publicano que no último banco do templo se penitenciava perante seus equívocos. Reconhecer-nos pequenos nos torna gigantes na Obra de Deus; e
  • O lava pés, o arrependimento do filho pródigo, a alegria de Zaqueu, a boa administração dos talentos, a resignação do pobre Lázaro, o pequeno grão de mostarda, a luz sobre o alqueire… são todas exortações à humildade, ao serviço ou repatriamento ao bem.

O serviço que realizamos, por ínfimo que seja, poderá ser o que falta para completarmos um todo. Vivemos num Planeta que clama por uma Regeneração e esta só se fará com o concurso de todos. Colocarmo-nos na posição de ‘quem sou eu?’ ou ‘nada valho!’, não ajudará muito.

A atual situação do Planeta é de dependência: Para que o mosaico da fraternidade se complete, peças menores, médias ou maiores serão necessárias. Não existem generosidades pequenas ou grandes; existem generosidades.

Serviços realizados à retaguarda, longe dos holofotes, são os que sustentam as grandes obras, assim como os degraus inferiores de uma escada servem de sustentáculo aos superiores.

(Sintonia: Cap. Deveres humildes, pg. 100, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Inverno muito frio de 2014).

bali“Não esqueçais, meus queridos filhos, que o amor aproxima de Deus a criatura e o ódio a distancia dele.” (ESE, XII, 10)

* * *

Perante indivíduos que ‘parecem’ ser ruins, maus, culpados, folgados, desinteligentes, que possuem jeito, cor, credo e gostos diferentes dos nossos… aproveitarmos o que possuam de bom, além de inteligente e cooperativo, nos aproxima de Deus.

Como diria padre Fábio de Melo, julgarmos os indivíduos apenas ‘pela capa’, – tal qual livro que deixamos de folhear e dizemos não gostar – poderá nos distanciar de nossa Divindade.

Sensibilizar-nos por alguém ou por algum fato e acionarmos a partir daí nossa ação benevolente e reparadora, se essa estiver ao nosso alcance, certamente nos aproximará de Deus.

Lançarmos um olhar de bondade sobre encarcerados do corpo ou da alma, entendendo que o destino de todos é a perfeição, que o ódio é apenas um bem gravemente enfermo; orar e enviar boas emanações a esses temporários aprisionados de si mesmo, serão reações que nos aproximarão de Deus.

Ódios e restrições aos que desertaram do serviço ou que refugaram temporariamente o bem, em nada os ajudarão no seu repatriamento ao bem e certamente nos distanciarão de nossa Divindade.

A todo tipo de delinqüência cometida pelos outros a que lançarmos nosso olhar benevolente, entendendo que somos todos frágeis, falíveis e passíveis de semelhantes equívocos, o crédito de que estaremos nos aproximando de Deus.

* * *

Próximos ou distantes de Deus? Fica aqui o recado de Chico Xavier quando se referindo ao tema ódio, por entendê-los – amor e ódio – como filhos de Deus: “O ódio é, simplesmente, o amor que adoeceu temporária e gravemente…”

(Sintonia: Cap. Compaixão sempre, pg. 98, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono gelado de 2014).

640px-Mother_Teresa“A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem mesmo nas palavras de consolação, [mas também] na benevolência de que useis sempre e em todas as causas para com o vosso próximo.” (ESE, XI, 14).

* * *

Se, acidentalmente, fraturamos uma costela, perna, braço, recursos médicos nos socorrerão; a curto, médio ou longo prazo estaremos ‘novos’. Já nas inquietações de ordem moral, necessitaremos bem mais da benevolência do que de cirurgias, talas e muletas.

Orbes de Provas e Expiações pressupõem acidentes físicos e intervenções apropriadas; os calvários morais, entretanto, aqueles que necessitam da ajuda de almas já requintadas, abundarão nesses Planetas.

Ah! Se no refúgio doméstico houvesse somente as dores do parto e outras físicas que demandam naturais cuidados! Bem pelo contrário, no cadinho familiar, onde se moldam almas e se extraem impurezas de pretéritos equívocos, a benevolência deveria ser o cardápio diário: Ao mesmo tempo forte e branda; exigente e elástica; reverente e reverenciada; compreensível e compreendida.

Se o ir e o vir, a liberdade de ação, o direito de opinar, decidir, realizar, nos abençoam diariamente, quanta benevolência no pensar, no agir, no emanar precisaremos diariamente ante as vítimas de manicômios, cárceres ou leitos de expiação!

Se já podemos compreender a necessidade da dor física e também da moral, entendemo-las como expiações; mas se já cultivamos no coração a sementeira da benevolência como requinte e aroma da caridade, plantemos o serviço, alegria, a esperança até onde nossa influência o permitir.

* * *

Madre Tereza, Irmã Dulce, Dr. Bezerra de Menezes, Chico Xavier não possuíam recursos próprios para beneficência; os angariavam. Entretanto, é possível que tais vultos, no século XX, sejam o exemplo máximo de benevolência.

Entendamos benevolência como o requinte da caridade. Ora, pessoas refinadas não o ficam perante tal ou tal situação; da mesma forma, indivíduos não ficam benevolentes no ato; trazem consigo tal virtude! Questão de cultivo…

(Sintonia: Cap. Em favor da alegria, pg. 94, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono frio de 2014).

bom_samaritanoA Regra de Ouro ou Ética da Reciprocidade, “fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos façam” (Mt, 7:12), não é exclusividade do Cristianismo, mas máxima aproveitada, com variantes na formulação,  pelo Zoroastrismo, Judaísmo, Confucionismo, Islamismo, Budismo, Hinduísmo e também na filosofia. (Wikipédia).

* * *

Não há nas Sagradas Escrituras exemplo mais contundente sobre o assunto do que a parábola do Bom Samaritano, narrada com exclusividade por Lucas (10: 30-37):

“Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando foi assaltado e deixado semimorto”: Almas ‘por atender’ a nós não importa suas identidades. Basta-nos que possuam a cor do socorro e nós o RG da compaixão.

“Sacerdote e levita, ante o episódio, passaram ao largo”: No Plano Espiritual não será levado em conta se usávamos batina, a cor dela, se túnica ou paramento, paletó e gravata… Ser-nos-á considerado se ‘não passamos ao largo’.

“Samaritano, que ia de viagem viu-o e moveu-se de compaixão”: Na Palestina Antiga Samaritanos eram ‘persona non grata’ aos demais povos e tratados com diferença. Mas que importava isso ao socorrista já que a ninguém se identificaria?!

“Tratou suas feridas, colocou-o sobre o animal, levou-o até hospedaria próxima, cuidou-o”: Sem medo da exposição, usando de seu tempo e de seus linimentos como primeiros socorros, instalou-o em hospedaria. Caracterizados aqui a caridade moral e material, a isenção e o desprendimento.

“Pela manhã entrega ao estalajadeiro dois denários e recomenda-o a cuidar bem do ferido, pois em sua volta ao estabelecimento o ressarciria se algo a mais gastasse”: Sem cobrar tributos de gratidão, abonando o ferido como se fora um familiar e sem identificar-se ao ferido e ao hospedeiro, o samaritano segue sua viagem. Tudo o que fez foi agir, auxiliar e passar…

* * *

Sintética a regra de ouro ou ética da reciprocidade das religiões, culturas e da filosofia; dilatadas suas aplicações. Ante o resumo de deveres, um leque de opções.

A indulgência é o zíper sob o qual se fecha um fato, nossas opiniões e as considerações alheias.

(Sintonia: Cap. Psicologia da Caridade, pg. 86, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono frio de 2014).

ren-e-wen03“… Mulher onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? Respondeu-lhe ela: ‘Ninguém, Senhor’. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.” (João, 8:10-11)

* * *

Autores põem em dúvida se esta página do Evangelho, atribuída a João, tenha sido realmente escrita por ele.

Controvérsias à parte, não temos dúvidas que foi a página da Lei Mosaica melhor repaginada por Jesus. Vejamos: Os doutores da Lei eram muito rígidos com o adultério, visto que este pré supunha um apedrejamento…

Ora, sendo Emissário do Pai, Aquele que permite que o sol nasça sobre bons e maus; que a chuva regue a todos os tipos de solos; que a brisa refresque aos que a mereçam ou não… Como o Mestre das Indulgências não ‘rasgaria’ esta página da Lei Civil Judaica?

Em se tratando de indulgência, “nem eu te condeno” nos pega a todos de ‘calças curtas’, pois que nos repreende no exato momento em que ‘crescemos’ para cima dos outros ao flagrá-los nos diversos ‘adultérios’ – adulterações, desfigurações – que julgamos cometerem, esquecendo de nossos equívocos em situações semelhantes:

  • Declaramo-nos agregadores e indulgentes, mas, a bocas pequenas, troçamos do feio, desajeitado, desengonçado, diferente…
  • Fraudamos sinais de trânsito no momento em que não há fiscalização;
  • Desmoralizamos as boas ações de autoridades que não são consoantes às nossas cores, bandeiras, partidos;
  • Utilizamo-nos do anonimato para fins ilícitos, cometendo um duplo irregular, contra nossa consciência e contra os outros;
  • Ora como autoridades, interceptamos o produto de impostos recolhidos, não os devolvendo como benfeitorias; ora os negamos aos cofres públicos; novamente aqui poderemos nos tornar duplamente vítimas; e
  • Reprovamos a ambiciosos, verdugos, desanimados, lascivos, desertores, ignorando muitas vezes suas razões e que nossa indulgência em muito os ajudará no retorno à razão…

* * *

Importante que lembremos: O Mestre Jesus jamais condenou ‘a’ adúltera, mas sim ‘o’ adultério. E mais: exortou-a a “não tornar a pecar”.

A nosso benefício, no sentido de relevarmos e sermos relevados, em Agenda Cristã, André Luiz nos pedirá: “Esqueça o acusador; ele não conhece o seu caso desde o princípio” (página 24).

Indulgência: Legisladora, advogada e juíza de mim mesmo!

(Sintonia: Cap. Na luz da indulgência, pg. 83, Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono frio de 2014).