Archive for novembro, 2014

tapa-na-caraA lei de talião ou pena de talião, que hoje chamaríamos ‘retaliação’, tem origem na Babilônia, em 1780 a.C. e previa rigorosa paridade entre o crime e a pena. Biblicamente, será chamada de “olho por olho; dente por dente.” (Wikipédia).

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Pertencente ainda à revelação moisaica, tal lei é redesenhada pelo Mestre das Benevolências, nos ensinado que ao golpe na face direita deveremos apresentar a outra, aquela ‘espiritualmente elegante’ que acaso já tenhamos.

Fácil tal proceder? Não! Em linguagem grosseira: Uma pinóia! Desperdiçamos reencarnações e reencarnações, – sagradas oportunidades – e não entendemos que ao ofensor de hoje fomos o carrasco de ontem; continuamos numa alternância de ódios, não aproveitando oportunidades revivenciais.

Instrui Emmanuel que a lei de talião prevalece ainda para a quase totalidade dos seres humanos, pois que não edificaram ainda o santuário do amor nos corações.

Não entendendo as revivências como expiatórias, purificadoras e conciliadoras, estaremos procurando desforras; a cada afronta responderemos com outra e alternar-nos-emos em intermináveis rusgas, empacando nossa progressão.

Este o conceito que nos dá Emmanuel da Lei de talião, em face da necessidade da redenção de todos os Espíritos pelas reencarnações sucessivas, ao qual ainda somos cegos ou… nos fazemos de muito cegos!

(Sintonia: Questão 272 de O Consolador, pg. 186, de Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, editora FEB, 29ª edição) – (Primavera de 2014).

complexa_engrenagem (obviousmag.org)Maravilhamo-nos com máquinas às vezes centenárias que apresentam um perfeito funcionamento. Relógios, por exemplo, esses instrumentos fascinantes! Na complexidade de seus mecanismos há engrenagens de todos os tamanhos que, anonimamente, dão cada qual a sua contribuição para que o aparelho se mantenha ativo e apreciado…

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Nas lidas do templo espírita-cristão, também haverá a necessidade, tais quais as pequenas e anônimas engrenagens de nosso ‘herói’ supracitado, de que nos apaguemos pelo brilho da obra.

Qual a engrenagem que podemos e desejamos ser no sistema, não é somente a pergunta que nos faremos, mas armar-nos da convicção que precisaremos ser uma peça utilitária, independente do tamanho e característica que possua.  Má vontade, azedumes, arrenegações, em nada contribuirá para o bom andamento do serviço. Boa vontade, compreensão, doçura e principalmente o esforço, significam o azeite, o lubrificante que estaremos colocando em nossas peças para que funcionem a contento.

Quer seja na direção que orienta e conduz, no atendimento ao doente do corpo ou da alma, na limpeza, reparos, conservação ou num pequeno e necessário frete, somos todos peças importantes e complementos mútuos.

De nada, entretanto, valerá sermos tais suportes do grupo e da Casa se a má vontade comandar as nossas tarefas, pois…

… Irritar-se alguém, no exercício das boas obras é o mesmo que rechear o pão com cinzas!

Para que a “engrenagem do serviço” seja útil, não poderá estar ‘rangendo!’

(Sintonia: Cap. Conjunto, pg.185, Livro da Esperança, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, editora CEC) – (Primavera de 2014).

foto11“Moisés trouxe a missão da Justiça; o Evangelho, a revelação insuperável do Amor; e o Espiritismo, em sua feição de Cristianismo redivivo, traz, por sua vez, a sublime tarefa da Verdade.” (Questão 271 de O Consolador).

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Quando Jesus chega trazendo a segunda revelação – a central – na qual o amor, a generosidade e a complacência deveriam cobrir a ‘multidão de pecados’ de uma adúltera, por exemplo, é possível que os caminhos, de Moisés até Ele, já estivessem ou devessem estar mais aplainados. Estaria aqui, instalada, a revelação do amor; ou este se sobrepondo à justiça.

Impossível se falar de amor a um povo cuja necessidade premente era a justiça, como imperativo seria não falar de ‘verdades inteiras’ a confrades que por hora necessitavam mais da lei da compaixão do que de uma veracidade explícita, visto que os homens receberão sempre as revelações divinas de conformidade com a sua posição evolutiva.

Sendo que ainda hoje, a Justiça de Moisés não está implantada, a complacência de Jesus não foi bem entendida e ainda nos fazemos surdos às verdades do Espiritismo, é possível que somente quando a fraternidade – a religião do futuro, segundo Hammed – for implantada no Planeta, se estabeleça, em definitivo, a regeneração, evidenciando uma quarta revelação: A cada posição evolutiva, sua revelação!

Não tenhamos dúvidas que a fraternidade será o somatório de toda a justiça, mais o amor e mais toda a verdade praticados na Terra. Ou as três revelações como receitas para uma quarta!

Compreendemos também, dessa forma, que Moisés [não] transmitiu ao mundo a lei definitiva, mas que esta se adéqua constantemente à evolução deste mundo!

(Sintonia: Questão 271 de O Consolador, pg. 186, de Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, editora FEB, 29ª edição) – (Primavera de 2014).

Red heart-shaped wool ball unravelingQuando em João 20:21, Jesus nos delega e nos comissiona dizendo “assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós”, não proferiria palavras ao vento, sob as suaves brisas do Mar da Galiléia, mas estaria nos incumbindo da transmissão de seus mais divinos princípios.

A Revelação do Mestre ficará gravada, as páginas dos milênios serão viradas e a Nova Revelação nos impõe responsabilidades, convidando-nos a examinar o nosso eu e a buscarmos dentro dele as melhores alternativas vocacionais que possuamos no intuito de prestigiar e desenvolver a idéia espírita:

  • Dentro da modéstia de nossos recursos amoedados e intelectuais, envidarmos todos os esforços para a divulgação séria da Terceira Revelação, pesquisando, observando, estudando, escrevendo, publicando?
  • Na singeleza e humildade de nossos conhecimentos, levá-los a terceiros nos grupos do ESDE, Aprendizes do Evangelho, exposições doutrinárias, atendimentos fraternos?
  • Colocar nossa pequena biblioteca à disposição dos menos aquinhoados, mas sedentos da leitura esclarecedora?
  • Fugirmos ao fanatismo infrutífero, que, na roda de nossos amigos, em nada contribuirá para que a ‘nossa’ idéia espírita se converta na ‘deles’? e
  • Elucidarmos, em reuniões de socorro, a encarnados ou desencarnados, assuntos sobre raciocínio, imortalidade da alma, intercâmbio espiritual, reencarnação, morte física, valores mediúnicos, desobsessão, incógnitas da mente, enigmas da dor?

Sim! Todas são idéias válidas; honrosas! Na difusão da idéia espírita todos os recursos inclusos em nossa área vocacional serão bem vindos, entretanto a ponta do novelo, aquela que realmente nos autorizará, para que não ‘nos enredemos’ na hipocrisia, é bem mais séria:

Qualquer legado que desejarmos transmitir a terceiros começa por nossa reforma individual. Qualquer artifício lícito e ao nosso alcance, só será validado pelo nosso exemplo!… Ou a ponta do novelo!

(Sintonia: Cap. Idéia espírita, pg.182, Livro da Esperança, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, editora CEC) – (Primavera de 2014).

pássaro 5“… Enquanto a Ciência e a Filosofia operam o trabalho da experimentação e do raciocínio, a Religião edifica e ilumina os sentimentos. As primeiras se irmanam na sabedoria, a segunda personifica o amor, as duas asas divinas com que a alma humana penetrará, um dia, nos pórticos sagrados da espiritualidade.” (Questão 260 de O Consolador).

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Negritos por nossa conta, Emmanuel nesta questão autoriza-nos afirmarmos que o verdadeiro sábio ama e aquele que ama é um sábio. A sabedoria e o amor – verdadeiros – tornam o cristão um indivíduo/espírito completo, alado, apto a realizar evolução tão satisfatória que o leve, num futuro não muito distante, a penetrar os pórticos sagrados da espiritualidade.

Seria muito difícil entendermos a doutrina espírita como não sendo uma doutrina alada ou que não possuísse as asas da sabedoria e do amor, a primeira resultante da experimentação e do raciocínio (Ciência e Filosofia) e a segunda (a Religião), que proporciona ao espírita cristão uma elegância espiritual, através de sua religiosidade ou o amor personificado.

Estudo e trabalho estarão sempre associados a essas asas, pois através do primeiro experimentamos e raciocinamos e o segundo é o amor prático, a religiosidade convincente…

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Sabedoria através do estudo, raciocínio e experimentação; e o trabalho transformando religião em religiosidade, ou amor acreditado…

… Dão asas ao espírita cristão. Tornam, conseguintemente, a doutrina alada.

(Sintonia: Questão 260 de O Consolador, pg. 179, de Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, editora FEB, 29ª edição) – (Primavera de 2014).

0010062037R-1920x1280“… Quando o elogio for sincero, beneficiará quem o recebeu, proporcionando-lhe força e ânimo incalculáveis, tanto quanto retornará à fonte emissora favorecendo-a igualmente. O cristão consciente, quando recebe elogios, busca agradecer trabalhando sempre mais.”1

Toda a vez que agradecermos e elogiarmos nosso companheiro, aquele que junto conosco realiza tarefas voluntárias, estaremos cumprindo o dever de gratidão, ao nosso equiparado colaborador, sem a menor intenção de envaidecê-lo; caberá a ele, entretanto, bem administrar os encômios e os votos que lhe foram augurados e sem permitir que essas manifestações causem um efeito nocivo ao seu ego.

Freqüentemente, em detrimento da fraternidade, somos demasiados rígidos conosco, bitolados e até cruéis no intuito de não infringir regras de nossa Casa ou recomendações gerais da Doutrina. Se nos recordarmos de Jesus, quando encarnado, aquele que almoçava com Marta, jantava com o publicando Zaqueu ou repousava na casa de diletos amigos, certamente essa lembrança nos evidenciará que a palavra animadora, o ósculo fraterno, a descontração sadia… Serão imprescindíveis para aliviar as rotinas da faina de nossas lutas.

Criamos padrões em nossas cabeças doentes ante os naturais fantasmas da vaidade, do orgulho e da imodéstia que intimidarão nossos afagos, nossos reconhecimentos e sentimentos de gratidão que deveriam dar um ânimo novo ao colega esforçado e criativo por suas ajudas prestadas.

Se já nos reportamos à fraternidade de nosso Mestre, devemos lembrar que nossos ícones maiores, Kardec e Chico – quem sabe o mesmo espírito em duas encarnações – tiveram, sim, em suas vidas, paralelamente às suas seriedades, momentos de descontração nos quais confraternizavam e energizavam suas baterias, refugiados nos braços de suas amorosas confrarias:

“… Muitas vezes, quando Kardec estava dormindo, Amélie – sua mulher – se levantava e, sem que ele percebesse, colocava-lhe dinheiro no bolso do paletó… Sendo pobre ele era constantemente acusado – veja ‘Revue Spirite’ de 1862 – por um padre que escreveu que ele vivia numa vida principesca e que sua mesa era extremamente farta. ‘Que diria o padre – rebateu Kardec -, se visse minhas refeições mais faustosas, nas quais recebo os amigos? Achá-las-ia bem mais magras que a magra de certos dignitários da Igreja, que provavelmente as repeliriam para a mais austera Quaresma. ’ ” 2      

“Interessante o hábito de ele – Kardec – receber os amigos para comer em sua casa… Chico, semanalmente, fazia o mesmo – e também sem dinheiro! Não fosse o auxílio de amigos para um arroz com feijão, um frango de panela com quiabo e angu.” 3

Naturalmente que a quantidade de posses – materiais – que nosso dileto companheiro possua, não influenciará, de forma nenhuma, na qualidade de suas tarefas na comunidade. Influirá, sim, se, por uma falta de sensibilidade, resolvermos confraternizar em locais – pizzarias, lancherias, restaurantes, sorveterias… – incompatíveis com os seus recursos.

Convém lembrarmos que, dentre as marcas que trazemos de outras vivências, particularmente o orgulho, o egoísmo e a vaidade poderão estar mais evidenciadas. Para almas ainda com esse tipo de dificuldade, é lógico que nossos elogios sempre lhes representarão uma ameaça maior. É como se disséssemos popularmente que ‘fulano já nasceu orgulhoso’ ou ‘beltrano já veio ao mundo um tanto narcisista’.

Escutávamos, outro dia, de um jovem acordeonista e compositor que ‘as melhores obras são aquelas que não passam pelo ego de seus criadores’… Estas poderão se imortalizar; no caso contrário dificilmente terão vida longa.

Parabéns, queridos amigos, não deveria ser aquela palavrinha desgastada e utilizada tão somente em datas natalícias de nossos parceiros. Parabéns é um termo que deveria ser reinventado e reimplantado com doçura nos lábios dos reles mortais trabalhadores de nossas Casas Espíritas.

Muito obrigado é sufocado em nossas gargantas ante, também, a nossa imaginação demente de que somos funcionários públicos ou privados que ali estamos – no Centro Espírita – com salário pago e isso basta. Imputamos ao corre-corre, às regras e às tradições a responsabilidade por não agradecermos, mas, na verdade é nossa insensibilidade a grande vilã.

Tudo em nossas vidas deveria ser pautado pelo equilíbrio… Talvez seja a hora de examinarmos como andam no fiel da balança os nossos reconhecimentos, a nossa gratidão, os nossos agradecimentos: Se estiverem pendendo para o lado da insensibilidade ou se, ao contrário, para o lado do exagero subserviente ou vilania, revê-los e ajustar o ponteiro a uma marca mais harmoniosa.

Vamos preferir que nosso companheiro se incentive ante nosso elogio do que fracasse e desanime ante a nossa insensibilidade. Atendendo a determinadas regras, temos muito escrúpulo em ‘estragar’ nossos aliados com agradecimentos e elogios. Não nos damos de conta, porém, que não temos esse poder; as pessoas se ‘estragam’ ou se ‘consertam’ por si próprias.

Quem sabe se, na frugalidade e simplicidade de uma roda de chimarrão acompanhada de guloseima ou outra e embalados por contos descontraídos, não estreitássemos laços afrouxados por pseudas importâncias tarefeiras em detrimento da fraternidade?!

Quem sabe não estamos precisando de pequenas e fraternas reuniões, na fração de nossos departamentos, por exemplo, e, seguindo os passos do Mestre, de Kardec, de Chico, sem grandes quitutes, mas tão somente com rosquinhas para nós gaúchos, broinhas de polvilho para os paulistas, pãozinho de queijo para os mineiros e lasquinhas de rapadura para os nordestinos… e abrigados em nossas gostosas varandas e com o sagrado tempero da fraternidade não reinventemos expressões cordiais que estejam relegadas a um segundo plano?

Ah! Parabéns e… muito obrigado, em hipótese nenhuma tirará um pedaço de seu executor… Em contrapartida, acrescentará um pedaço de ânimo ao tarefeiro criativo. Parabéns… muito obrigado, longe de galanteio ou fineza fútil, é antídoto ao desacorçoamento; é combustivo para uma máquina humana que possui falhas mas também possui muitos acertos.

Parabéns e… muito obrigado, poderá ser o combustível que esteja faltando ante a insensibilidade que poderemos estar usando como máscara. Orgulho e vaidade são naturais fantasmas do mal. Não acreditamos, entretanto, que elogios e atenções – temperos do bem e da fraternidade – os alimentem!

Muito obrigado, irmãozinhos queridos, pela paciência de acompanhar este nosso trabalho!

Bibliografia:

1. Pg. 189 de Conviver e melhorar, de Francisco do Espírito Santo Neto/Batuíra, Ed. Boa Nova; e

2. e 3. Pg. 157 e 158 de Jesus e o Espiritismo, de Carlos A. Baccelli/Inácio Ferreira, Ed. LEEPP.

Pub ‘O Clarim’ Nov de 2014

amanhecerA reencarnação acende ao cristão uma nova luz. Conforme João 12: 35, entendemos que precisamos andar enquanto temos luz, ou que a luz do amanhã ainda não se fez e somente iluminados pelo hoje poderemos verificar aonde paramos outrora para agora retomarmos a liça – a luta!

Oferece-nos o hoje, várias fontes de luz: a própria; a dos Iluminados Espirituais e a dos benfeitores encarnados, tais quais ‘luzes do mundo’ ou ‘sais da terra.’

Tais fontes nos ajudam a rever as etapas já vencidas, aonde paramos e o ponto da retomada. E o hoje é a ocasião exata para reassumir o labor.

Muitas vezes, por não aproveitarmos o tempo como uma concessão, o hoje bendito, deixamos de iluminar nossos caminhos e o dos outros através do envio de uma mensagem ou página edificante, de reencontros amorosos, do perdão aos adversários, do abandono de ressentimentos. A Natureza nos mostrará que nesse tempo perdido a planta não parou de crescer e o sol não parou de brilhar… Somente nós estacionamos, desperdiçando o hoje ditoso.

Possuímos para luta do hoje, cabeça, tronco, membros, coração e um cérebro livre e perfeito à disposição para realizarmos as melhores retomadas de nosso Espírito milenar e tarefeiro de todos os tempos: do pretérito, do hoje e do porvir.

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Reportando-nos ao ESE, cap. XX, item 3, cada reencarnação é um mandato terreno, uma retomada à liça. Em nosso perispírito, ‘caixa preta’ da alma, está registrado o volume de nossas conquistas e o ponto em que as interrompemos. É só recomeçar e…

… o hoje é o mais apropriado para tal; enquanto temos luz!

(Sintonia: Cap. Tempo de hoje, pg.181, Livro da Esperança de Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, editora CEC) – (Primavera de 2014).

amulheradulterapecadoraQuando possuímos uma prole de 2, 3 ou mais filhos, normalmente um deles nos exige maior atenção. Considerando que na efervescência das lutas do lar dívidas e rusgas anteriores carecem de acertos, será natural que a preferência seja dedicada ao filho mais necessitado; se o véu do esquecimento beneficia as partes, as evidências justificam o clamor do precisado…

Se imperfeitos, agimos dessa forma, quanto mais nosso Pai que está nos Céus!

Jesus já declarara, há dois mil anos atrás, tais preferências ao dizer aos seus compatriotas que “os doentes é que precisam de médico” e suas ações escancaravam preferência aos coxos, estropiados, lunáticos, adúlteros, cobradores de impostos… aos diferentes!

Não tenhamos dúvidas que também hoje o nosso Mestre, agora desencarnado, em Espírito, continua a se comportar da mesma forma; não duvidemos, em momento algum, que o Divino Médico preferirá:

  • O maltrapilho ao bem vestido; dedicar-se-á mais àquele a quem olhamos de soslaio do que ao que damos maior atenção por estar bem trajado;
  • Dará sua preferência aos conformados em aproveitar as sobras que rejeitamos por serem de ontem;
  • Dará preferência aos que anseiam em ler e aprender e não o podem fazê-lo, sobre aqueles que, em farta e particular biblioteca, os livros estão sendo corroídos pela poeira e pelas traças;
  • Sua preferência será pelos que se albergam sob marquises, pois os que possuem o justo, aprazível e seguro teto já estarão protegidos; e
  • Preferirá Jesus os incapacitados de buscar o alfabeto às grandes inteligências, porém ociosas…

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“Bem aventurados sereis quando…” não foram palavras ao vento pronunciadas pelo Mestre às plácidas margens do Mar da Galiléia, mas o enunciado de uma permanente preferência pelos famintos, sequiosos, maltrapilhos, injuriados, diferentes, coxos, dementados!

Não somos proibidos de possuir o máximo, pois tal é a Lei de Progresso, mas que tenhamos a sensatez de ofertar o mínimo, caso contrário o placar nos poderá ser adverso e nossa consciência será o árbitro dessa partida na qual o Rabi é o Bandeirinha…

A todos os desconveniados das benesses materiais que procuramos ávida e justamente, estará à disposição o Convênio das Alturas, a Divina Providência.

Aos destituídos da previdência, a Providência!

(Sintonia: Cap. Máximo e mínimo, pg. 174, Livro da Esperança de Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, editora CEC) – (Primavera de 2014).

02121120916250“Os médiuns são árvores destinadas a fornecer alimento espiritual a seus irmãos. Se, ao invés de frutos sazonados, dão maus frutos; se nenhum proveito tiram dela, no sentido de se aperfeiçoarem, são comparáveis à figueira estéril.” (ESE, XIX, 10)

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Se o acaso não existe, igualmente não há acaso em sermos todos médiuns: Há, sim, nisso, uma questão Providencial, pois médiuns estabelecem conexões amorosas entre os planos mais sutis e o material.

Todo o médium de boa vontade produz frutos: Os frutos da renovação, das soluções, do aprimoramento, dos recursos, da antevisão, das melhorias…

Indivíduos inspirados, pois que em boa sintonia, proverão curas, resultados, descobertas, melhoras… ou, todos os doces figos que produziria a nossa árvore saudável.

Ao nos informar que os médiuns são legiões, Emmanuel deseja nos dizer que cada um dos 7,3 bilhões de almas encarnadas neste Planeta possui ‘seu’ potencial de mediunidade: Pouco, muito, elevadíssimo! Com características diferentes? Não importa! Discute-se aqui não o potencial ou a característica, mas o fato de ser médium e desejar sê-lo maduro, experimentado, educado e principalmente comprometido.

Em nossas instituições, mais particularmente, estarão ocupando, por indicação e sensibilidade de quem os dirige, vagas da direção à simples recepção dos trabalhos, – que de simples nada têm – e por que não nas tarefas de limpeza e conservação do patrimônio físico, visto que também para varrer e consertar precisa-se de capacidade, vontade e responsabilidade.

A questão aqui será produzirmos, os médiuns, frutos sazonados, da estação, maduros, oportunos e adequados ao potencial e característica de cada um.

Acima de todos os alunos matriculados na sagrada matéria da mediunidade está a mestra Doutrina, que precisará ser esclarecedora e consoladora, mas que não poderá se responsabilizar pelo médium que não desejar produzir frutos…

… Tal qual a figueira estéril!

Frutíferos ou estéreis? Todos somos médiuns!

(Sintonia: Cap. Médiuns de toda parte, pg. 172, Livro da Esperança de Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, editora CEC) – (Primavera de 2014).