Archive for março, 2015

mulher orando“… Serás filho das tuas obras, terás delas o mérito e serás recompensado de acordo com o que hajas feito.” (ESE, XXV, 3).

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Imaginemo-nos sedentos, com fome e necessitando de energia. Comodamente – ou acomodados? – nos dirigiríamos a Deus e lhe requisitaríamos: ‘Senhor, preciso de água, de frutos para matar minha fome e do calor que me proporcione energia.’ Deus, em sua Infinita Sapiência, nos responderia: ‘Filho, para que criei a fonte, as árvores frutíferas e o sol em toda sua magnitude?’

Doutra feita dirigindo-nos ao Poderoso lhe rogaríamos: ‘Pai necessito da justiça terrena em questão contra meu irmão; preciso ainda de sabedoria e dos grãos nutritivos da terra.’ Novamente, a Sabedoria Infinita nos diria que ‘legisladores terrenos, professores e lavradores abnegados cumprem suas tarefas a contento e sob Sua Majestosa jurisdição; faz por donde! Serve-te!…’

Ora, receberemos, encontraremos, abrir-se-nos-á… desde que realizemos o esforço de pedir, procurar e bater.

Pedir, procurar, bater, pressupõe nos tornarmos filhos de nossas obras, herdeiros de nossos feitos ou, cada qual em sua esfera, atender aos seus particulares deveres.

Tudo que venhamos a possuir, títulos, condições, oportunidades, talentos… originalmente pertencem a Deus; foram-nos por Ele outorgados para que os puséssemos a render, frutificar e abundar a favor do progresso de Sua grande coletividade. Somente dessa forma Ele poderá nos reconhecer como o Zelador bom e fiel!

(Sintonia: Cap. Auxílio do Alto e Setor pessoal, pg. 217/19, Livro da Esperança, Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, Ed. CEC) – (Verão de 2015).

5826_us_olympic_weightlifting_trialsAtletas, tribunos, poetas, pintores, para se verem premiados durante suas vidas, treinam duro, exercitam suas vozes, esteticizam seus versos e rimas, repetem seus traços e cores. Nenhum treinador lhes adiantará se suas vontades não forem férreas…

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Nas questões da reforma íntima, o grande diferencial será a persistência, o sagrado e humilde recomeçar, a não deserção de propósitos; perante nosso coxear espiritual, recomeçarmos sempre! Também neste treinamento íntimo, a par do auxílio de nossos Personal Trainers Espirituais, nossa vontade fará a diferença:

  • Obstáculos da impulsividade requererão luta constante se, por conta de nosso caráter, trouxermos o flagelo da cólera;
  • Neste milênio a meta da Regeneração passa pela fraternidade; esta virtude é impossível sem trocarmos a sedentária maledicência pelo treinamento do respeito;
  • Equilíbrio requer realinhar-nos à Lei – chamamos isso de ‘realeinhamento’;
  • Abnegação não significa desejo de doar-se, mas ação; a palavra fala por si;
  • A obra é o halterofilismo da fé; é aquela que treina os músculos desta! e
  • Humildade e paciência como todos os treinamentos, requerem repetição.

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Existem campeonatos ocultos sem qualquer aplauso do mundo, embora atenciosamente [assistidos pela] Esfera Espiritual. Os louros advindos de treinamentos íntimos refletem as pequenas vitórias de nossa alma no entrevero da Academia Terrestre. Aliás, na fachada dessa Academia está escrita a máxima “Buscai e achareis.”

(Sintonia: Cap. Campeonatos, pg. 214, Livro da Esperança, Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, Ed. CEC) – (Verão de 2015).

Como-dizer-separar-o-joio-do-trigo-in-English“… Queres que vamos e o arranquemos? – perguntariam os servidores ao dono do campo, referindo-se ao joio – Não, disse ele; arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo…” (Mateus, 13, 28 e 29).

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Globo Repórter; Pequenas Empresas, Grandes Negócios; Globo Rural; noticiários sérios, isentos; e outros títulos, fazem parte da programação da emissora mais tradicional do País. Entretanto tais programas convivem, ainda, com alguns joios constantes em sua grade, sendo necessário que coexistam por algum tempo até o momento da ceifa e que os ceifeiros não corram o risco de tirar também o trigo…

Muitas vezes não só ‘batemos de frente’ com os joios encontrados na mídia – de todas as emissoras – como ainda não encontramos quorum às nossas intransigências, publicações, reclamações, repúdios…

Em nosso socorro, a Doutrina dos Espíritos – porque ditada e instruída por Eles – ensina-nos a irmos ainda mais além: Para que o joio aprenda com o trigo, será necessário que aquele permaneça ainda um pouco mais junto ao trigo.

Tal permanência, entretanto, possuirá um prazo estabelecido pela Sábia Providência, que saberá ensinar aos ainda ignorantes e realizar os expurgos coletivos dos aficionados renitentes.

Um puxão em nossas orelhas? Sim! Informando-nos a doutrina de que a evolução espiritual – gradual e lenta – não se realiza de maneira igual em todos os seres e que a tolerância precisará tomar-nos os espaços da intransigência que ainda teima em nos consumir.

(Sintonia com Parábolas de Jesus, 1ª Aula, Aprendizes do Evangelho, 2º Ano) – (Verão de 2015).

10382879_697440906995635_4226782544613314301_nPedro Leopoldo, Minas Gerais, Brasil, 8 de março de 1940 – Um grupo de médiuns, entre os quais Francisco cândido Xavier, pertencentes ao Grupo Espírita Luís Gonzaga, questionam a Entidade Emmanuel sobre qual dos aspectos, científico, filosófico e religioso seria o maior. O resultado que chega à data supra mencionada é a obra O Consolador1, que com suas 411 questões, é um luzeiro ao Brasil e ao mundo…

Paris, França, 7 de janeiro de 2015 – Dois atentados simultâneos e orquestrados resultam num massacre, por parte de extremistas islâmicos, deixando na capital francesa um saldo agregado de 20 mortos e 11 feridos, entre as partes.

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Qual a co-relação entre estes dois episódios, acontecidos com um intervalo de três quartos de século? Aparentemente, diríamos que nenhum, se não examinássemos a resposta à questão 292 de sua terceira parte, aspecto religioso, e abordando o conceito de religiões: “… Na inquietação que lhes caracteriza a existência na Terra, os homens se dividiram em numerosas religiões, como se a fé pudesse ter fronteiras, à semelhança das pátrias materiais (…). Dessa falsa interpretação têm nascido no mundo as lutas anti fraternais e as dissensões religiosas de todos os tempos. 2

Embora não estejamos aqui para falar de política, mas sobre religião/religiosidade, é-nos imperioso acreditar que tais ‘efeitos’ islâmicos sejam mais de ordem política do que religiosa. Ou que sejam mais aspectos sociais do que religiosidade.

A França possui a maior concentração islâmica dos países da Europa; tal população ocupa os subúrbios das cidades francesas, ou suas partes menos aprazíveis, como se ser muçulmano e ocidental seja contraditório. Acredita-se que um em cada vinte habitantes, seja muçulmano e pratique o islamismo. O restante está divido entre católicos – 81% – e outras religiões.

Logo após as comoções e o sepultamento de seus queridos e atendimento aos feridos gravemente, França e as demais nações preocupam-se em rever seus planos de prevenção antiterrorista. Não lhes é importante, entretanto, meditar sobre e rever questões de respeito e tolerância, itens que amenizariam efeitos de sabidas causas. Enquanto a tolerância relevaria os equívocos alheios, o respeito preveria a consideração às tradições e convicções dos povos.

Longe de tomarmos o partido ‘A’ ou ‘B’, convém lembrarmos que Charlie Hebdo, o jornal satírico francês debochava, na forma de caricaturas, de tudo e de todos; do papa a Maomé!

É muita clara a Regra de Ouro ou Ética da Reciprocidade, na formulação de seus postulados. Também são sinópticas tais máximas, apresentando paridades de formulação de Abraão (judaísmo), passando por Jesus (cristianismo) e chegando a Maomé (islamismo):

Respectivamente, postulariam estas crenças: “O que é odioso para ti, não o faças ao próximo. Esta é toda lei, o resto é comentário”; “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles”; e “Nenhum de nós é um crente até que deseje a seu irmão aquilo que deseja para si mesmo.”

Imaginemos todos os Profetas de antes da Manjedoura; da manjedoura ao Gólgota; e pós Gólgota, todos eles sob os auspícios do Divino Governador. Entre eles estariam Abraão, Jesus e Maomé, certamente lamentando o episódio recente, e na praça francesa, tremulariam faixas não com as expressões “Je suis Charlie”, mas, muito provavelmente, “Je suis la fraternité!”- eu sou a fraternidade!

Reiteramos mais uma vez, não estamos aqui falando como franceses ou muçulmanos, mas com a dor e o lamento de ambos, como cidadãos do mundo e como cristãos; e como tal acreditamos que o único aval para a liberdade e a igualdade seja a fraternidade, ou o perfeito enquadramento dos povos dentro da ética da reciprocidade, que é a regra que o Cristo ditou aos antigos e novos Profetas.

A fraternidade liberta e assemelha nossos Espíritos!

Muito atual e profética a colocação de Emmanuel, de 75 anos atrás. Própria de Espíritos Superiores!

Bibliografia:

1. Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, O Consolador, editora FEB, 29ª edição; e

2. Idem, questão nº 292

(Verão de 2015).

Pub RIE, Mar 2015