Archive for outubro, 2015

rosabranca2Normalmente nos referimos a indivíduos que desencarnaram com expressões irresponsáveis e até genéricas tal qual: ‘Como fulano era bom!’ É como se o desencarne melhorasse os Espíritos. Menos mal, pois isto poderá significar que entre nós e o desencarnante não restou pendengas significativas ou que o indivíduo pode ser bom mesmo…

Pelo contrário, quando em mesmo caso, nos utilizamos da expressão ‘morreu! Antes ele do que eu!’, há uma conotação de que algo ficou pendente entre nós e o ‘falecido’; que mágoas restaram ou que nem todas as nossas questões de perdão foram equacionadas.

O que precisamos compreender é que não é pelo fato de alguém nos haver antecedido no túmulo que deixará de ser um Espírito vivente e como tal nossos débitos estarão saldados. Muito pelo contrário! Espírito livre, ele terá maior liberdade de, em nos assediando, cobrar, e de uma forma velada, dissimulada e persistente, a ‘conta’ que lhe ficamos devendo.

“Rei morto, rei posto” não se aplica nas questões pendentes do perdão, pois sempre o “rei morto” – o desencarnado – terá tido apenas a falência do corpo físico; ele, Espírito, continua vivinho, vivinho e em liberdade para nos cobrar tudo o que é seu de direito.

Tanto no caso do ‘fulano que era bom’ ou do ‘antes ele do que eu’, será inteligente e cristão orarmos pelo primeiro para que o intercâmbio de regozijo se estabeleça e pelo segundo em contristado e humilde pedido de perdão, pois certamente pendências restaram.

Emmanuel nos orienta que Espíritos de nossa convivência na Terra e que partiram para o Além, sem experimentar a luz do perdão (…) muito sofrem com o juízo ingrato ou precipitado que, a seu respeito, se formula no mundo.

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No momento em que começamos a encerrar nossos assuntos sobre o perdão e estamos prestes a iniciar estudos sobre a fraternidade, prestemos atenção nas palavras do Benfeitor: Lembrando aquele que nos precedeu no túmulo, tende compaixão dos que erraram e sede fraternos. E ainda, rememorar o bem é dar vida à felicidade. Esquecer o erro é exterminar o mal.

(Sintonia com a questão 341 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

tumblr_lqay62FydR1qisllmo1_500‘Perdôo, mas não esqueço’, expressamo-nos vulgarmente quando ofertamos nosso perdão ‘como esmola’ a quem nos tenha ofendido. A estupidez se torna ainda maior quando exclamamos para quem queira ouvir: ‘essa ofensa levarei para o túmulo… ’

Reconhecemos, dentro de uma prática evangélica ainda claudicante que se o perdão já é difícil (pedi-lo ou ofertá-lo), o esquecimento da ofensa é ainda mais delicado.

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O Benfeitor Emmanuel vem em nosso socorro, respondendo a pergunta que lhe é proposta por Chico e sua equipe: “Perdão e esquecimento devem significar a mesma coisa?”

Sem consultarmos a resposta de Emmanuel e dentro de nossas fragilidades evangélicas, vamos logo dizendo que não, que é possível perdoar, mas quanto ao esquecimento vamos logo dizendo que é antinatural, quando não repetimos as expressões grosseiras do início de nossa conversa.

Mas a resposta será sim após considerarmos a resposta do Benfeitor, que dirá a Chico que para o Espírito evangelizado, perdão e esquecimento devem caminhar juntos.

Emmanuel passa a declinar as razões de seu sim, que, basicamente, são duas:

Primeira: Que somente pautando nossas vidas no maior código de ética, que é o Evangelho do Mestre, conseguiremos associar perdão e esquecimento. Convencionou-se em nosso mesquinho Planeta de provas e expiações, ainda afastado da Boa Nova, que perdoaremos, mas que o esquecimento virá após muito, mas muito tempo…

Segunda: A própria lei da reencarnação nos leciona ser apropriado, que a partir de nosso berço esqueçamos as dívidas de todas as nossas vidas pregressas e passemos, nesta nova oportunidade, a viver de observação das evidências que os relacionamentos nos apresentarão. É como se zerássemos nosso cronômetro e aproveitássemos a revivência como nova alvorada da redenção.

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Arrepender-se? É importante! Perdoar ou ofertar o perdão? Mais importante ainda! Reparar? Fundamental! Mas precisaremos avançar através do esquecimento, este próprio das almas nobres ou já banhadas nas águas límpidas das lições evangélicas.

(Sintonia com a questão 340 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

Sinta-o-que-é-orar-ao-Deus-VivoO que fazermos quando a dificuldade de perdoar ou de ser perdoado se opõe a uma reaproximação? Quando a barreira de nosso orgulho, erguida por nossas “capacidades, posição social ou suposta evolução” (ESE, IX, 9), se sobrepuser ao perdão, o que fazer?

É possível que o Benfeitor Emmanuel, na questão 330 de O Consolador, nos ofereça dica importante: “A oração coopera eficazmente em favor do que ‘partiu’, muitas vezes emaranhado na rede das ilusões da existência material.”

Mas, espera aí!… Essa alma, objeto do desejo de nossa aproximação, ainda ‘não partiu’; está, ainda, “a caminho” conosco; somos ambos, ainda, Espíritos (almas) encarnados. Evidente que o somos, mas, dado a resistência de uma das partes ou de ambas, é como se estivéssemos ‘partido’, visto que o orgulho de ambos – ou de uma parte, somente – nos separa. É como se estivéssemos mortos um para o outro ou emaranhados – de alguma forma – na rede das ilusões da existência material a que o orgulho nos lançou.

Não esqueçamos que nós almas, somos Espíritos encarnados e como tal nossa expressão de comunicação é o pensamento e a oração, como uma forma desse pensamento, poderá ser a grande mediadora entre nós, quem sabe aflitos e desejosos de uma aproximação e nosso Criador certamente movimentará todas as sagradas forças de seu Universo em favor de tal reconciliação.

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A prece sempre se apresentará como sagrado auxílio a encarnados e desencarnados que já se amam muito, ou ainda possuem, desfavorecidos pelo orgulho, imensas dificuldades de relacionamento.

Quando tudo se mostrar impossível nas questões do perdão, que tal a oração como grande mediadora?

(Sintonia com o item 9 do Cap. IX do ESE e questão 336 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

casal-abracado-perdao-22634Pedaladas fiscais são manobras irregulares para aliviar momentaneamente as contas públicas de um governo. É o atraso de repasses, de forma proposital, a bancos públicos ou privados que financiaram programas públicos. Tais manobras maquiam as contas do governo que exibe ao invés de déficits, superávits. Dessa forma, apresentando indicadores ‘melhores’, o governo confunde o mercado e seus analistas…

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Todas as expressões de ódio que sobrepomos ao processo ou fases do perdão são tais quais o adiamento de dívidas que temos a saldar. Agindo dessa forma, nos comportamos como tais governos ou ‘nos desgovernamos’ perante a Lei de Justiça amor e caridade, realizando as pedaladas fraternais.

O ódio é sempre o resultado de um falso amor (a paixão), do qual o perdão não teve nenhuma participação. Popularmente chamaríamos tal efeito de ‘uma paixão mal resolvida’ na qual o amor (altruísmo) nem coadjuvante foi. O ódio é aqui o resíduo mais imperfeito dessa ‘paixão’.

Nas questões afetas ao perdão (pedir e ofertar perdão), bem como no processo que o envolve – arrependimento, perdão, reparação – é possível que o ódio lhe seja o maior entrave, oponente direto, o mais instintivo e animalesco sentimento. O ódio sempre nos levará a transferirmos para o exercício seguinte (‘restos a pagar’ ou pedaladas fraternais), todas essas questões que deveríamos resolver ainda por aqui, “enquanto estamos a caminho”. Com as pedaladas, teremos de repetir encarnações mais encarnações, tais quais alunos pouco aplicados.

Constituindo-se o Evangelho de Jesus no maior e mais completo código de ética moral ou regra de bem viver e proceder, será muito natural que amor e ódio, sentimentos antagônicos, sejam, respectivamente, diretamente proporcionais à vivência ou ao desprezo da Boa Nova do Mestre. Dessa forma é impossível que amor e ódio coabitem em uma mesma pessoa, pois que sentimentos opostos.

No princípio, quando éramos simples e ignorantes, vivíamos de instintos, pois nossas sociedades eram primitivas e toscas. Após tantas reencarnações, que deveriam ter-nos proporcionado burilamento, tais pedaladas já não são mais aceitáveis.

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Quando realizamos ainda tais pedaladas fraternais, obrigamo-nos, como alunos que repetem diversas vezes uma mesma série, a revivermos encarnações e mais encarnações, expondo-nos, as partes envolvidas, a sérios desconfortos que serão todos resíduos expiatórios…

O perdão liberta! Adiá-lo com pedaladas fraternais, é continuarmos agrilhoados.

“O ódio é o gérmen do amor que foi sufocado e desvirtuado – pedalado – por um coração sem Evangelho.” (Emmanuel).

(Sintonia com o item 9 do Cap. IX do ESE e questão 339 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

01NOVEMBRO2014-COMO-PERDOAR-Num postulado da geometria primitiva, a linha reta é o caminho mais curto entre dois pontos quaisquer de uma superfície plana…

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Nas questões do amor – verdadeiro, altruísta – sempre estará incluso o perdão, apresentado como o caminho mais curto ou o melhor atalho para nossa reforma íntima. Poderemos ter a certeza absoluta de que quando já navegarmos pelas águas tranqüilas dessa virtude, estaremos na vereda correta de homens e mulheres de bem.

Quando de sua encarnação missionária o Mestre do perdão não nos diria à toa: “o amor cobre uma multidão de pecados.” Não que precisasse, mas cumprindo os desígnios do Pai, o Messias pisava em solo de Planeta de Provas e Expiações, conhecia o íntimo dos que o habitavam e compreendia suas dificuldades relacionadas ao perdão.

Desejando ver-nos desvencilhados de certas esquisitices da lei Mosaica, o Mestre das misericórdias utilizou-se até de uma linguagem matemática para orientar-nos que deveríamos “perdoar não sete, mas setenta vezes sete vezes”, configurando dessa forma que a lei de Talião, que o dente por dente e o olho por olho já não mais se enquadrariam na Revelação do Amor e que estaria traçando [através do amor] a linha reta da vida para as criaturas e representando a única força que enterraria de vez todos os disparates de uma controvertida ‘justiça injusta’ porém ainda necessária aos filhos de Abraão de outrora.

Também nas questões do perdão, as revelações são feitas em tempos certos: Se à época de Moisés, tudo o que a humanidade desejava era justiça, justificava-se aí a lei de Talião; se ao tempo de Jesus, a revelação do amor – ou “central”, segundo Emmanuel – se instaurou, o olho por olho já era desnecessário; e finalmente a revelação de Kardec, esclarecedora, nos dirá que o perdão é uma questão de justiça, mas, e sobretudo, uma questão que requer exclusivamente altruísmo.

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Como a linha reta, exercitar o perdão é o menor percurso, o melhor atalho entre o homem velho que desejamos abandonar e o novo que desejamos ser.

Se a linha reta é o caminho mais curto entre dois pontos quaisquer de uma superfície plana, o perdão, ainda imperativo em orbes semelhantes ao nosso, sempre será a via mais rápida e apropriada à salvação.

Sendo o perdão imperativo à caridade e se “fora da caridade não há salvação”, ignorar a virtude será estabelecer para nossas vidas, tais quais alunos repetentes, encarnações e mais encarnações expiatórias…

(Sintonia com a questão 336 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

pecados_virtudes_soberbaO perdão sincero é filho do amor e como tal não exige reconhecimento de qualquer natureza.

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Num Planeta de tantas inferioridades, onde o mal ainda estabelece predominância, quem é superior?

Até que sejamos ‘promovidos’ a regenerados – ou que o Planeta o seja – ainda gravitaremos mais em torno do ódio; menos em torno do amor.

Nos Planetas das diversas categorias, desde o Primitivo até os Celestes ou Divinos, o grande diferencial entre um Espírito e os outros, será a quantidade de amor real que já conseguiu incorporar ao seu curriculum.

É, portanto, o amor o fiel da balança ou o termômetro através do qual se mede a superioridade dos Espíritos.

Para respondermos quem é superior, precisaremos verificar a já capacidade de amar de determinado indivíduo. E as questões do perdão estarão sempre inclusas em tal capacidade: Aquele que mais ama, o mais nobre, o de Espírito mais inteligente e elegante, sempre será aquele que possuir menor dificuldade de solicitar ou oferecer o perdão.

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A superioridade de um Espírito é diretamente proporcional à sua capacidade de amar praticamente.

Desejaríamos prática mais efetiva do amor que perdoarmos ou pedirmos perdão?

(Sintonia com a questão 335 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

Amizade-criançasQuem perdoa sinceramente, fá-lo sem condições e olvida a falta no mais íntimo do coração; todavia a boa palavra é sempre útil e a ponderação fraterna é sempre um elemento de luz, clarificando o caminho das almas.

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Quando tínhamos nossos dez anos, ficávamos ‘de mal’ à toa, mas também ‘fazíamos as pazes’ com facilidade. Parecia-nos, então, que a amizade se fortalecia. Não nos aflorara, ainda, a maldade dos adultos. Nessa época, ainda pequeninos, possuíamos o benefício de esquecermos pequenos perrengues rapidamente. Éramos incondicionalmente generosos.

Todos os esforços sempre deverão ser feitos na direção do perdão; possível também é o perdão real, de coração; porém, dentro da naturalidade dos fatos, – e da Lei Natural não poderemos duvidar – a parte reservada ao esquecimento da ofensa sempre será a mais delicada. Somente com o passar do tempo uma chaga poderá cicatrizar por completo. Não se sentir ofendido ou esquecer rapidamente a ofensa faz parte de almas especiais…

Admitimos o perdão incondicional no sentido de perdoarmos o equívoco alheio e não ficarmos lamuriando em torno do fato; popularmente falando, não ficarmos ‘jogando em cara’ do ofensor seu mau feito no passado. Afinal de contas, se assim não procedermos, o caminho do esquecimento, preconizado no Evangelho, sempre será percorrido através de sagrados atalhos.

De mais a mais, é inegável que o olvido completo, sempre será diretamente proporcional ao tamanho do ‘estrago’ e também à nobreza da alma ofendida.

Emmanuel nos dá a entender, na questão de hoje, que o perdão deverá sempre vir automática e incondicionalmente antes do esclarecimento, pois desta forma este já poderá estar dissipado de possíveis mágoas e até de ódios.

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Que fique o esquecimento para ‘amanhã’, pois sua importância sempre será relativa perante o fato de as partes já terem dado o primeiro passo para ‘as pazes’; as afeições já terem retomado seu curso; e os laços reaverem a chance de se fortalecerem, exatamente como quando tínhamos dez anos e éramos, ainda, simples de coração.

(Sintonia com a questão 334 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).