Archive for dezembro, 2015

481678__open-book-of-love_pExistiu uma época, que aos poucos foi ficando para trás, em que a igreja (de Roma) tinha necessidade de ingerência sobre os Estados. Seu poder de decisão sobre eles era elevado. Confundia-se Estado e igreja. O poder era paralelo…

E o povo? Bem este era a massa manobrada por essa mesma igreja e o instrumento de tal astúcia chamava-se dogma: não precisariam os fiéis compreender determinadas coisas, mas que apenas ‘acreditassem piamente’ nelas, visto se tratar de um ‘dogma de fé…’ Aqui os dogmáticos!

Os espíritas devem evitar as expressões dogmáticas, compreendendo que a doutrina é progressiva, esquivando-se de qualquer pretensão de infalibilidade…

Kardec teria o maior cuidado de, em lutando contra a infalibilidade e o dogmatismo, declarar em A Gênese, Cap. I, item 55: “O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita.”

Não cabe ao trabalhador espírita inovar com rituais e formalismos. Na qualidade de dirigentes, coordenadores, facilitadores… iremos nos equivocar amiúde. Estudos doutrinários sempre serão uma explosão de novas idéias que deverão ser discutidas exaustivamente, mas conduzidas a um fecho sensato pelo facilitador no papel de mediador.

Equivocar-nos em questões doutrinárias, não significará demérito para a doutrina. Se, ao final de todos os equívocos, a fraternidade for preservada, o saldo sempre será positivo… Aqui os adogmáticos!

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Não existe mais a ingerência da igreja (o dogma). Estado e credos (religiões) precisarão ser mais harmônicos do que interferentes. A fraternidade (adogmática) impor-se-á como a crença comum da transição.

(Sintonia: questão 360 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

Pedir LuzRevelações do plano superior lhe chegarão – ao homem – naturalmente, depois de resolvida a sua situação de devedor ante os seus semelhantes, fazendo-se, então, credor das revelações divinas.

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Sabe-se que as revelações do plano superior se estabelecem, preferencialmente, ‘de lá para cá.’

Como ‘ferramentas’ de tais revelações, mas na maioria das vezes imperfeitas, será imperioso que estejamos promovendo constantemente nossa própria manutenção, através do “vigiai e orai.”

Orar até que não é a parte mais complicada da exigência. Oramos sempre que estamos entregues a um estado contemplativo que nos liga pela forma pensamento a Entidades Superiores das esferas mais sutis. Digamos até que é uma situação bastante cômoda… inercialmente cômoda!

Já vigiar, por entendermos ser a parte mais prática do “vigiai e orai”, exigirá de nós movimento, ações efetivas como, por exemplo, resolvermos [toda a] nossa situação de devedores ante os nossos semelhantes.

Serão estas ações que, promovendo nossa reforma íntima, irão nos contemplar com a linha de crédito que, em nos tornando dignos da atenção de Entidades mais esclarecidas, naturalmente nos proporcionará intermediarmos revelações importantes da Vida Futura Superior.

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Quando preocupações meramente curiosas derem lugar a informações sérias, frutos do crédito superior em nós já depositado, estaremos aptos a colaborar no enriquecimento de nossa própria fé e na dos semelhantes.

“Tudo o que fizerdes a um destes pequeninos, crede-me, a mim o fareis”, diria o Mestre das revelações. Dignos perante nossos semelhantes, dignos perante Jesus; dignos perante Jesus, com créditos junto a Deus. Acreditados perante Ele, herdeiros de suas revelações mais fabulosas e necessárias.

Reforma primeiro; revelações depois!

(Sintonia: questão 357 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

12376016_1023487627713766_3655852493391827333_nMeu posto de abastecimento de combustível, como muitos o fazem, oferece uma lavagem expressa para clientes que abastecem uma quantia ‘x’ de álcool ou gasolina.

Não tenho muita paciência para enfrentar a fila da lavagem que, na maioria das vezes, é muito extensa. Mas quando se ‘quadram’ meu tempo, a fila e a ‘sede’ do automóvel, aproveito o serviço.

O prestador de tal serviço é um jovem muito simpático, alegre, atencioso e com os dentes ‘adornados’ por aparelhos corretivos.

Percebi que, quanto mais assíduo ficava, mais o jovem caprichava na lavagem (não que desleixasse com os demais).

Fico imaginando que inúmeros clientes ali comparecem com seus automóveis portando adesivos e, como sabemos, os mais freqüentes são: adesivos-família; ‘Jesus salva’ (concordo parcialmente com este); ‘Deus é fiel’ (será que o condutor é?); ‘Eu respeito os pedestres’ (educativo); ‘Foi Deus que me deu’ (os meus comprei-os todos!); ‘Conduzido por Deus’ (o melhor dos Pilotos automáticos). Além de muitos partidários, religiosos, esportivos e promocionais. O mais curioso que tenho visto foi este: ‘Deus é fiel! Já a vizinha do 501…’

Como cada adesivo transmite um recado, fico imaginando que o jovem trabalhador fique fazendo comparações entre a mensagem do adesivo e o comportamento do cliente (aqui, suposições minhas…)

Embora gratuito, gosto de colaborar com o jovem trabalhador: Para não constrangê-lo, na primeira vez consultei-o. Agora sempre lhe entrego o tíquete do vale lavagem e algo a mais que lhe informo ser para colaborar com sua merenda. E ambos ficamos satisfeitos…

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Após todas estas reflexões, enquanto esperava minha lavagem, percebi que também meu automóvel possuía, no vidro traseiro, adesivo de nosso querido Recanto de Luz, onde, entre outras coisas assim se expressava: “Disciplina, paciência e união – Dedica um dia ao Evangelho no Lar.”

Tomara tenha sido eu aprovado se, por acaso, o jovem tenha visto meu adesivo e reflexionado sobre meu comportamento…

(16 de dezembro, primavera quente de 2015).

razão-e-coração-660x389De 1854, quando, pela primeira vez o professor Rivail ouviu falar em mesas girantes, passando por 1855 quando resolveu freqüentar reuniões com fenômenos espíritas a 1857 quando lançou a primeira versão de O Livro dos Espíritos, o tempo passou muito rápido para Allan Kardec – pseudônimo então adotado.

Descrente a princípio, Kardec trazia da escola Pestalozzi o raciocínio. Aquele pedagogo e educador suíço o estimularia e aos seus alunos o exercício do raciocínio. Com a implantação da nova doutrina não seria diferente: Todas as respostas Espirituais que reuniria, a partir de 1855, para a elaboração do Pentateuco Espírita seriam exaustivamente discutidas dentro da lógica da razão…

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Mas, que é sentimento e o que é raciocínio? Será fé acreditar sem raciocínio?

A pergunta seria formulada por Chico Xavier e sua equipe a Emmanuel na obra O Consolador em sua questão 355.

Inicialmente precisamos informar-lhes que, dentre os sete centros de força (xacras) que possuímos, três se relacionam ao nosso estudo: coronário e frontal referem-se à razão ou ao raciocínio; cardíaco está intimamente ligado ao sentimento.

Antes da codificação e de acordo com a ‘crença dominante’ imperavam os dogmas: Postulavam estes que pontos fundamentais, embora distantes do raciocínio, seriam indiscutíveis; traduzindo, pediam-nos que acreditássemos muito fora da razão…

O próprio codificador, a esse respeito, viria a publicar em A Gênese, Cap. I, item 55 que “o Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita.”

Quanto à resposta da pergunta de Chico, Emmanuel a espiritualiza e dulcifica dando-nos a entender que não somos somente raciocínio, mas que o ato de crer em alguma coisa demanda a necessidade do sentimento e do raciocínio e é desejável que a razão esteja [sempre] iluminada pelo sentimento, de maneira que:

Primeiro: Admitirmos afirmativas estranhas será como exumarmos todos os velhos dogmas, nos quais acreditamos, em todos os tempos, sem nenhum concurso da razão;

Segundo: A razão sem o sentimento, ou sem a parceria do coração ficará às escuras e aí estaríamos buscando o mesmo declive onde os fantasmas impiedosos da negação conduzem as almas a muitos equívocos.

Terceiro: Não desejamos mais os apelos dogmáticos; nem a negação impiedosa; sabemos que a fé é fruto das obras e do desejar (atração/inteiração fluídica); e sabemos que o importar-se e o servir sempre será, das obras, as melhores…

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Iluminar a razão significa muitas vezes nosso coração contrariar nosso raciocínio atendendo aos postulados mais sagrados da caridade, indulgência e compaixão…

Por que darmos a esmola ao infeliz quando sabemos que ele vai novamente se alcoolizar? Isso é razão!

Darmos a esmola ao infeliz mesmo sabendo que ele vai novamente se alcoolizar! Isso é sentimento! Ou sentimento e raciocínio, um iluminando o outro!

Em nossa pequena analogia, tão perigoso quanto necessário!…

(Sintonia: Questão 355 de O Consolador, ditado por Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, editora FEB) – (Primavera de 2015).

A-mulher-com-fluxo-de-sangueCremos – por crer – ou sabemos por que cremos?

Uma das mais fantásticas histórias sobre fé nos é contada no evangelho de Marcos a respeito de uma mulher que sangrava já há doze anos; dizia ela para si: “Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada.” Dessa forma “veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe o manto…”

Fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer “eu creio”, mas afirmar: “eu sei”, com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento…

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A mulher doente não “cria” ser a fé uma virtude mística, mas “sabia” ser ela uma verdadeira força atrativa. Dessa forma, os fluidos curativos do Mestre, que estavam à disposição do restante da multidão, encontraram nela a atração suficiente para que fosse atendida. Também, entre tantos, somente ela buscou tocar direto na Fonte; digamos que mais que crer, ela sabia por que o tocava…

Jesus (através de Marcos), Emmanuel e Kardec, homologam-nos a verdade de que a fé, além de fazer parte de um entendimento (“eu sei”), precisará estar atrelada a um esforço que Emmanuel chama de trabalhar sempre para que intensifiquemos nossa iluminação através da dor e da responsabilidade, do esforço e do dever cumprindo.

Se a mulher doente houvesse permanecido estática, opondo-se à atração, em tendo repudiado a força curativa do Mestre, certamente o desfecho da história seria outro.

Está muito claro, então que: Primeiro, a fé precisa ser raciocinada (entendida, ou o “eu sei”), requisito que Kardec assimilou na escola Pestalozzi e aplicou amiúde na codificação. Segundo, “a fé sem as obras é morta”, nos dirá Tiago em sua epístola, dando-nos a entender que o esforço e o dever cumprido serão imprescindíveis à veracidade de nossa fé.

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Na fé raciocinada, o “eu sei” e o “eu me esforço”, poderá ser tão importante quanto o “eu creio”…

(Sintonia: Marcos, V, 27 e 28; questão 354 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB; e Cap. XV, item 11 de A gênese) (Primavera de 2015).

NarcisismoAmar a nós mesmos não será a vulgarização de uma nova teoria de auto adoração, [mas] a necessidade de oração e vigilância, que todos os homens são obrigados a observar.

Narciso, na mitologia grega era um bonito jovem, indiferente ao amor que ao ver sua imagem refletida na água, por ela se apaixonou. Originou-se daí o narcisismo, ou a idolatria à própria imagem. Considerado um comportamento inadequado, o narcisismo tornou-se um ‘prato cheio’ na psicanálise desde o ano de 1898. (Wikipédia).

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“Nem a deus, nem ao diabo!” Nem narcisismo, nem desleixo! É dessa forma que deveremos entender o amor a nós mesmos evangélico:

A egolatria sempre esteve presente em nossas vidas ‘desde que o mundo é mundo.’ Naturalmente ela faz parte de nosso homem velho, aquele que ainda teima em aquerenciar ao redor de si o orgulho e toda a sua corte. Dessa forma seremos ainda narcisistas.

Quando lutamos contra esse homem velho com o intuito principal de depormos o ‘monarca orgulho’, estaremos também lutando contra o desleixo moral.

Se nos entregamos à vida sensual, ou à ditadura de nossos cinco sentidos carnais, certamente nos tornaremos narcisistas.

Comprometermo-nos com o “vigiai e orai”, que significa depositarmos todas as nossas súplicas, agradecimentos e louvores na mão de nossa Divindade e enquadrarmos todos os nossos comportamentos no indexador chamado Boa Nova, será realmente amarmos a nós mesmos.

Quando nos tornamos indiferentes ao outro, tornando-nos um desserviço na sociedade, movidos pelo narciso que existe dentro de nós, podemos ter a certeza que o desleixo nos tomará conta.

Em contrapartida, o importar-se, a abnegação, o servir nos tornará fraternos e todas estas atitudes farão parte do “vigiai”, ou a parte mais prática do “vigiai e orai.”

É possível que narcisos tenham mais facilidade de desprezar a Lei; como é notório que os cuidadosos consigo mesmo, os zelotes do Cristo e de seus ensinos, já consigam interessar-se consigo próprios, pelo semelhante e pelo Planeta.

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Envolver-se no bem; importar-se e servir poderá ser a parte mais prática do “vigiai e orai!” Orar poderá nem ser tão difícil; vigiar ‘é que são elas!’

(Sintonia: questão 351 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

encaixe-perfeitoFraternidade e igualdade podem, na Terra, merecer um só conceito?

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Na qualidade de Espíritos ímpares, desiguais, não poderemos dar um mesmo conceito para fraternidade e igualdade, porque a fraternidade, como já dissemos várias vezes é uma cooperativa de desiguais, onde o que um não fornece o outro fornece; onde o que um não sabe, o outro sabe; e onde, sobretudo, cada qual só poderá colaborar com aquilo que já plantou e colheu.

Emmanuel nos dirá que, dada a heterogeneidade das tendências, sentimentos e posições evolutivas, o conceito igualitário absoluto é impossível no mundo.

Entretanto, entre o absoluto e o relativo da conceituação, podemos afirmar que a fraternidade sempre terá o poder de aproximar ao máximo os diferentes de uma igualdade, pois fraternidade é isso: São os diferentes se completando.

Na fraternidade, vista como uma cooperativa, sempre haverá o suprimento das necessidades do desiguais ou daqueles que possuírem alguma espécie de carência: Analogamente, se eu só produzo arroz e meu irmão somente milho, nem eu, nem ele ficaremos sem arroz e milho…

Continuando ainda em nosso raciocínio, o agricultor porá o alimento na mesa do doutor e este não permitirá que o agricultor sinta dores horríveis, pois poderá acontecer que o doutor não saiba plantar e que o agricultor não tenha competência de se auto curar…

… Será sob esta ótica que a fraterna cooperação sempre aproximará os desiguais.

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Num futuro ainda incerto – pois dependerá da boa vontade da maioria – a lei da assistência mútua e da solidariedade comum tornará a humanidade menos desigual e o absoluto do conceito se tornará relativo, resultando no progresso moral possível no Planeta.

Somente a fraternidade iguala os desiguais!

(Sintonia: questão 349 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).