Archive for janeiro, 2016

jim-caviezel-como-jesus-em-a-paixao-de-cristo-2004-originalSomente constrói, sem necessidade de correção ou corrigenda, aquele que se inspira no padrão de Jesus para criar o bem. (Emmanuel).

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A célebre questão 625 de O livro dos Espíritos, tão bem formulada e tão laconicamente respondida, nos apresenta Jesus como o Modelo e Guia mais perfeito que Deus tem nos ofertado em todos os tempos. Tanto na primeira versão da obra básica, de 1857, como na definitiva, de 1860, questão e resposta são formuladas e respondidas de forma idêntica.

Todos nós que ainda não elegemos Jesus como o modelo padrão para as nossas vidas, estamos destinados a repetir encarnações e mais encarnações destinadas a correções ou corrigendas de equívocos cometidos a despeito de reiterados mensagens do Cristo transmitidas por seus missionários em todos os tempos.

Analisando o modus operandi do Mestre ou o seu modo de fazer, constatamos que passados dois mil anos de sua encarnação missionária e apesar de todas as nossas alternâncias entre vários corpos de carne e a Vida Espiritual, ainda não nos moldamos aos padrões do Mestre. Ainda somos mais individualidade do que coletividade e ‘pecamos’ em questões básicas como:

O desejo de remuneração – Esquecida a importante máxima “dai de graça o que de graça recebestes”, ainda estamos sedentos da valorização dos homens por algo que façamos pelo Cristo. E não estamos aqui nos referindo a uma valorização amoedada, mas à sede que temos das reverências como guias de pagamento.

As nossas exigências – Hábil em tratar os diferentes, Jesus tinha predileção especial pelos mais necessitados do corpo e do Espírito; aliás, disse ter vindo para estes, ou que “estes é que precisavam de médico.” Somos ainda intolerantes no trato com os diferentes patamares evolutivos; ou ainda não os compreendemos. Desejamos, muitas vezes, que pessoas apresentem frutos que ainda não são capazes de produzir.

Evidenciarmo-nos; sermos reconhecidos – O anonimato deveria ser a melhor moldura das obras do cristão. Dizia, certa vez, aos que o seguiam: “Não saiba a vossa mão esquerda o que opera a vossa direita.” Voltamos a repetir, ainda somos mais individualidade do que coletividade. Cultivando a modéstia da manjedoura ao Gólgota, ainda não aprendemos com Jesus questões relacionadas à desambição, humildade, moderação, sobriedade, reserva, compostura…

Desejamos ser superiores – Quem nos promove são nossas atitudes altruísticas, o servir, o importar-nos: E isso é amar – verdadeiramente! “Reconhecerão que sois os meus discípulos se vos amardes uns aos outros” diria, certa vez, aos doze. Emmanuel nos dirá em capítulos seguintes desta mesma obra que “toda a movimentação humana, sem a luz do amor, pode perder-se nas sombras…” (Cap. 15, Fraternidade).

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Adotarmos Jesus como Modelo é uma meta. Amar-nos é ‘só’ a imposição – ou cláusula – para atingirmos tal meta!

Amar-nos é cláusula que o Rabi nos impõe. Se seu “jugo é leve”, a cláusula não parece ser tanto!…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. Modo de fazer, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Cassino, verão de 2016).

PENSAERDediquemos [consideremos] algum esforço à graça da lição e a lição nos responderá com as suas graças (…). Considerar significa examinar, atender, refletir e apreciar… (Emmanuel).

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O que não falta à doutrina dos Espíritos são lições: Não bastassem as cinco obras básicas da codificação, que por si seriam suficientes ao aprendizado e ao consolo, somos brindados com inúmeras obras complementares sob as mais diversas apresentações. Nunca tivemos à nossa disposição tantas publicações a considerar, todas cheias de muita luz para os dias escuros que estamos vivendo. Autores de ‘calibres’ diversos, embora nivelados pelo compromisso sério da informação apresentada, nos colocam às mãos, todos os dias, sob as mais variadas formas de esclarecimentos midiáticos, lições aptas a nos responderem com as suas graças.

Todavia é possível que distraídos e levianos, nossa janela ainda esteja aferrolhada ao esplendor da noite ou à luz do dia; ou a tenhamos aberto e não tenhamos visto a magnitude das estrelas ou o poder do sol; ou a música seja sublime e a acústica de nossa alma não lhe absorva a melodia; ou, finalmente, a palavra seja inspirada e não retenhamos sua claridade.

Considerarmos (examinarmos, atendermos, refletirmos e apreciarmos) todas essas lições será nos abrirmos ao esplendor do firmamento, às melodias e às inspirações que desencarnados e encarnados colocam à nossa disposição, tais quais tarefas escolares que precisaremos realizar para sermos aprovados perante nós mesmos em bendita revivência que ora nos é ofertada.

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Uma coisa será nossas prateleiras estarem abarrotadas de todas essas obras, com suas lições explicitamente claras, renovadoras, consideráveis… Outra coisa será não acessá-las, ou em o fazendo, não desejarmos ou não conseguirmos entendê-las.

Dessa forma, será impossível a lição [nos abraçar e] nos responder com as suas graças…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. Ante a lição, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

http _meme.zenfs.com_u_be731bc342c5a603b7849a37a71871fe9fd4a62d_thumb[15]No primeiro dia do novo ano, emissoras de televisão mais tradicionais do País mostravam, como grandes feitos, irmãos, ainda anestesiados pela folia da virada, dormindo sob os escaldantes 35 graus das areias da praia mais badalada de nosso Brasil. Emoldurava-lhes a ressaca, a título de herança, todo o novo e o velho lixo que haviam produzido no velho ano e no novo que os abraçava.

As mesmas emissoras deixaram claro que todos os sons e as letras que fizeram sucesso na virada, ou que embalaram a passagem do ano velho para o novo – apenas cronológicos – são os mesmos sons e letras iletradas, atrelados a refrãos pobres e a rostos apenas ‘bonitinhos’, repetitivos nos últimos três anos. Nada de novo, inteligente e culto foi mostrado.

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Ano velho e ano novo, em tempos deixados para trás, lembro-me, eram caricaturados por um velhinho que fazia suas despedidas e um nenê ainda em fraldas… Aplicados à doutrina dos Espíritos seriam apropriados a representarem todo aquele homem velho que deveríamos deixar de ser e o homem novo que também deveríamos perseguir…

Pensando dessa forma, somos obrigados a constatar que ano velho e ano novo deveriam ser uma questão muito menos cronológica e muito mais de atitudes a serem renovadas.

Perdoem-nos, mas nosso aqui ‘ano novo, atitudes velhas’, deseja ser muito mais constatação e reflexão do que pessimismo, até porque é sobre a realidade de todos os nossos equívocos do ano velho que desejaremos que o novo, o melhor, substitua o velho, o pior.

Sem nos iludirmos, verificamos que no ano novo ainda estávamos cercados por todos os velhos desafetos de nosso cadinho fervilhante que, mesmo com toda a euforia da virada não conseguimos perdoar ou aos quais não fomos suficientemente hábeis ao pedir perdão.

É possível que, ainda nos primeiros dias do ano novo, estejamos fazendo uso de todos os cigarros, destilados e gelados que nos restaram de herança do velho ano. Então os reciclamos e como se fossem novos, mergulhamos em velhos hábitos.

Ainda muito materialistas e inebriados pelos embalos da virada, somente nos dias 2 ou 3 – do calendário cronológico – nos demos de conta que além de nossa imagem mais gorda refletida em nosso espelho, em outros espelhos, os da mídia televisada e falada, – muito mais sarcásticos que o nosso lá de casa – nos anunciariam que também nossas dívidas/encargos também engordariam, por força de reajustes sorrateiros acordados ainda lá pelo ano velho.

Não há suporte em apenas desejarmos – para nós e para os outros – um ano bom e feliz, pois o calendário por si só não o fará: precisaremos construí-lo com a renovação individual e o somatório de todas as novas e boas atitudes coletivas. Individual ou coletivamente, nosso ano bom e feliz não se construirá com atitudes ruins e infelizes!

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Como construirmos um ano novo somente com cronologia sem que atitudes novas e reformuladas lhe façam parte?

Sem pessimismo, mas a título de reflexão – insisto! – infelizmente o ano novo poderá ser, em todos os níveis – governamental, administrativo, pessoal – só uma triste herança de todas as nossas incompetências do ano velho.

Não é o lixo jogado nas ruas que obsta as bocas de lobo e provoca alagamentos urbanos? E – como Riograndino honorário – não é difícil constatarmos que o mar sempre nos restituirá os dejetos que nele jogarmos…

Claudio Viana Silveira

(1º de janeiro, verão de 2016).