Archive for maio, 2016

passado_doencas_da_alma“… Se tratarmos o erro do semelhante, como quem [imagina] afastar a enfermidade de um amigo doente, estamos, na realidade, concretizando a obra regenerativa.” (Emmanuel).

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Evidente que, nesta abordagem, Emmanuel se refere a nossos erros como doenças. Toda vez que nos equivocamos moralmente, adoecemos da alma.

Vivendo neste Planeta, compete-nos: entendermos e policiarmos nossos equívocos; e entendermos e ajudarmos, se possível, na recuperação do semelhante equivocado/doente. Não nos compete o açoite ao companheiro por ora enredado.

A cólera, e todos os seus predicados, será sempre a pior conselheira na recuperação própria ou do semelhante.

Quem é infalível neste Orbe? Ninguém! Nosso semelhante erra, mas nós também; por que ficarmos alardeando falhas?

‘Rogarmos pragas’ estabelecerá uma corrente do mal, uma bola de neve; e o aplauso ao erro, lhe acrescerá a estatística.

A indiferença aos maus feitos promoverá a estagnação dos indivíduos equivocados.

Incêndios não se apagam, nem com combustível, nem com perfume: Portanto, ao equivocado, nem o castigo, nem o louvor. Só a compreensão recupera!

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Com tolerância e respeito todos ingressamos no processo da recuperação: Porque todos doentes, todos deles dependemos e com eles ninguém nada perderá!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 37 Na obra regenerativa, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

mulher-pensando“[Indivíduos há que] pedem o milagre das mãos do Cristo, mas não lhe aceitam as diretrizes (…). Suplicam-lhe as bênçãos da ressurreição, no entanto, odeiam a cruz de espinhos que regenera e santifica.” (Emmanuel). Sim, desejamos milagres; mas repugnamos nossa cruz!

Conta-se que no sermão do monte, cinco mil, entre crianças e adultos, foram saciados com pães e peixes. Dentre eles, muitos foram beneficiados com curas, milagres, imposição das mãos. É possível que a mesma multidão, no julgamento do Mestre, bradasse no Sinédrio: Crucifica-o! Crucifica-o! É possível, também, que por lá estivéssemos… Sim, desejamos a saciedade de nossas necessidades; mas, tal qual o restante dos leprosos e os que vociferaram, crucifica-o, somos ingratos!

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Na vida desejamos a colaboração de todos, mas ainda não nos propusemos cooperar cristãmente. Sim, queremos ajudas; mas, contribuir para que?

Já sabemos que na Casa Espírita estão todos os Iluminados dispostos a nos ajudar em nossas necessidades mais particulares. Sim, já sabemos; mas, para irmos até lá está frio, ou calor, ou chovendo, ou ventando, ou!…

A instituição reclama os serviços com os quais nos comprometemos, nossa assiduidade, pontualidade, responsabilidade. Sim, até lembramos isso; mas a nossa rodada do futebol é mais importante!

Sabemos como é edificante a vanguarda, nossa evolução e aprimoramento. Sim, disso temos conhecimento; mas a retaguarda do estacionamento nos é mais cômoda; possui maiores atrativos!

Suspiramos pela melhoria das condições em que nos agitamos. Sim, suspiramos e reclamamos; mas ainda não queremos emprestar-lhe nossos talentos e faculdades!

Desejamos as boas influências e as melhores inspirações dos Benfeitores Celestes. Sim, aspiramo-las; mas ainda nos ‘escurecemos’ junto aos duvidosos e pouco iluminados!

Gritamos aos quatro ventos que a Nação está mal, que as autoridades são corruptas. Sim, gritamos; mas ainda não abandonamos nossos pequenos (e grandes) maus hábitos, prevaricações, adultérios diversos!

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Sim, já sabemos que coerência, transparência, aprimoramento, vontade, ajudas, fé, consolos, entendimentos, perseverança são todos atitudes do cristão; mas vacilações, desconfianças, máscaras, inconsistências, estacionamento, desajudas, indolências, desesperanças, rusgas, deserções, ainda nos aprazem por demais!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 36 Afirmação esclarecedora, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

mulher-mantra-malhaca-600 (1)Carl Gustav Jung (1875-1961), Suíço, psicoterapeuta analítico, disse que “tudo o que irrita-nos nos outros pode nos levar a uma compreensão sobre nós mesmos.” Entendemos a máxima como os indivíduos sendo espelhos nos quais nos olhamos e compreendemos em seus equívocos, os equívocos que possuímos.

Emmanuel nos orientará que o homem, com as cores que usa por dentro, julga os aspectos de fora. Pelo que sente, examina os sentimentos alheios. Ainda, cada Espírito observa o caminho ou o caminheiro, segundo a visão clara ou escura que dispõe.

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Como não retiramos coisas ruins de nosso coração bom, ou vice versa, na observação, julgamentos, críticas, agiremos da mesma forma: poderemos observar tudo em ‘preto e branco’, embaçado, ofuscado, mais ou menos, conforme a má disposição que ainda tenhamos em nosso coração.

Tal pré-disposição – que pode ser temporária, conforme a índole de nossos ‘acompanhantes’ – nos permitirá acordarmos formulando os melhores conceitos da vida, do semelhante, das coisas ou atribuindo-lhes as piores concepções.

A Natureza sempre nos dará os melhores recados sobre o assunto: A tempestade será saneadora; o vento renovador; a nascente filtrante; o lamaçal fertilizará… por que a adversidade não pode ser nossa educadora?

Quando não estivermos muito bem, azedos, amargurados, furtemo-nos de formular conceitos a respeito dos semelhantes, situações ou coisas. Primeiro equilibremos nossa vista, para logo após formulá-los. Caso contrário, nunca será prudente o nosso julgamento.

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“Nada é puro para os contaminados e infiéis” diria o Apóstolo dos Gentios a seu amigo São Tito, listado como um dos Setenta Discípulos do primeiro século d.C. (Tito, 1: 15).

Nossos atos refletem, tais quais espelhos, nosso estado mais íntimo.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 34 Guardemos o cuidado, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

8-pg15“Não podemos esquecer que o celeste Amigo (Cristo), se doutrinou no monte, igualmente no monte multiplicou os pães [e os peixes] para o povo esfaimado, restabelecendo-lhe o ânimo.” (Emmanuel).

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No mesmo capítulo Emmanuel continuará sua exortação informando-nos que não nos desincumbiremos da tarefa salvacionista, simplesmente pronunciando alguns discursos admiráveis. É imprescindível usar nossas mãos (mãos, braços, pernas, pés, intelecto, habilidades, talentos, capacidades, a título de empréstimo) nas obras do bem.

Sabemos que a maior caridade que realizaremos em prol da doutrina será sua divulgação: temos aí a predicação. Saindo de nossa zona de conforto, a que nos planta na comodidade do lar, e passando a utilizar nossas mãos, braços, pernas pés, intelecto, habilidades, talentos, capacidades, nos converteremos em obras. Dessa forma, predicação e obras farão parte de nosso bem.

O Guia e Modelo Maior nos dá todos os exemplos a respeito deste assunto, não só na multiplicação de pães e peixes por ocasião do sermão, como ao estender a mão à adúltera, concitando-a a “não mais pecar”, ao penetrar na casa de Zaqueu para a ceia, nas inúmeras curas e em todas as situações em que predicou e obrou.

Se ainda não podemos trabalhar na sopa, na distribuição de víveres ou roupas, coloquemos à disposição das Casas Espíritas a boa vontade de nossos horários livres, na qualidade de instrutores, facilitadores, fluidoterapeutas, atendentes fraternais… Que possamos ir mais além: Imprimamos abnegação, responsabilidade, disciplina e assiduidade às tarefas com as quais nos tenhamos comprometido.

Joanna de Angelis e Divaldo se referem ao trabalho como “remunerado” e “abnegação” (Estudos espíritas, FEB, 1995, Cap. 11). Com o primeiro modificamos o entorno de nosso habitat; e com o segundo modificamos a nós mesmos. Aposentados e enquanto “válidos”, se não pudermos obrar em tarefas mais braçais, que obremos intelectualmente em favor da comunidade. Que não nos falte a aplicação de nossas habilidades, talentos, capacidades.

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Palavras lindas, só a ação, ou ambas, sempre serão bem vindas. Tudo dependerá do momento: O Bom Samaritano, até porque seu assistido estava desfalecido, nada predicou, somente agiu. E como agiu! Sabermos usar o equilíbrio entre a predicação e as obras, sempre será uma arte!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 33 Erguer e ajudar, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

nao-se-omita-faca-o-bem-prevalecer-13 (1)Maçã ou goiaba, com parte bichada poderá ser, na sua maioria, absolutamente doce!

“… Há criaturas que, revelando-se negativas em determinados setores da luta humana, são extremamente valiosas em outros.” (Emmanuel).

Conta-se que a mulher adúltera, aquela que Jesus compreendeu, defendeu e concitou a “não mais pecar”, a despeito de seu equívoco, logo após evidenciou grandes virtudes. Evidenciou, não é o caso; já as possuía…

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Nossas incompreensões, intolerâncias e discriminações ainda nos inclinam a ver somente a parte ruim das pessoas; cega-nos quanto às suas boas partes.

O fogo é quem molda o aço; a pedra que pode machucar nosso pé é utilizada para realizar a calçada onde transitamos; enxurrada com sedimentos tornará fértil o solo; e a ventaria e o temporal tornará o ar respirável…

Assim somos nós, com nossa parte reprovável e nossa parte boa. Assim também são os nossos semelhantes: sabermos aproveitar sua parte boa e ‘colaborável’ sempre será uma questão de inteligência, pois sempre sua parte boa poderá suprir a que não possuímos.

Não vivemos num Planeta de seres angelicais, tão pouco quase puros: vivemos num Orbe ainda controverso onde os indivíduos não possuem nem imperfeição completa, nem perfeição integral; onde são insanos tanto os que se dizem sem defeitos, como os que se proclamam completamente incompetentes.

Companheiros de nossa infância, com os quais nos indispomos, não são, até hoje, nossos ótimos amigos?

Perdemos precioso tempo quando nos detemos no lado ruim de pessoas e situações, quando, pelo contrário, poderíamos aproveitar seu lado melhor.

Jesus sempre olhava as almas no seu todo; suas observações não eram unilaterais. Não se tem notícias de que a ‘parte ruim’ daqueles com os quais tenha se indisposto, não houveram uma boa solução: A pecadora tornou-se benemérita; Dimas, o mau ladrão, tornou-se ‘São Dimas’; o próprio Judas e Cefas, o mau ladrão, tiveram seus arrependimentos e suas chances. Não há parte ruim que, em cruzando com o Cristo, não tenha o seu aproveitamento.

A Doutrina, marco divisório para nossos raciocínios e inteligências, nos faz compreender as situações menos boas, seu lado trágico, porém educativo. Compreensão, instrução e consolação: Não será também a pior parte, instrução e ao mesmo tempo consolação?

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Marta, atarefada com as lides domésticas se apercebe que a irmã Maria ‘curtia’ e devotava à ‘Visita’ a melhor parte, pois lavava seus pés com lágrimas e os enxugava com seus cabelos. Se há certo exagero na narrativa do Evangelista, o ensinamento, no entanto é inegável: Se alguém precisava fazer a lida (almoço, jantar, ceia…), que também era importante, Maria, no entender de Jesus, a Visita, “escolhe a melhor parte.”

Situações, acontecimentos, pessoas… todos, neste plano em que vivemos, possuem um lado ainda perverso. Mas e seu lado bom que está a nos oferecer instrução, aprendizados e serviços edificantes? Não os desfrutarmos, além de ininteligência será como não aproveitarmos a parte boa da maçã ou goiaba que temos em mãos!

Todos os grandes missionários, os gênios do bem, artistas inspirados, filantropos… viveram sua melhor parte e deixaram dela por aqui o melhor perfume.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 32 A boa parte, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

1321309718834_fNosso ilustre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira nos explica que golpe é um “choque produzido por um corpo que em movimento rápido, atinge outro com maior ou menor intensidade.” Palavra do momento, o tão alardeado verbete leva-nos a algumas reflexões em momento crucial de aperto de cintos:

GOLPEIAM-NOS quando, quase que diariamente, vamos ao nosso mercado de preferência e vemos o preço da banana – que já não tem mais ‘preço de banana’ – ser vendida pelo dobro do preço anterior.

GOLPEIAM-NOS quando oportunistas de serviços de ordem pública ou privada são-nos oferecidos de forma precária e com reajustes incompreensíveis, pois não condizentes com a elevação de salário que nos oferecem.

GOLPEIAM-NOS quando em nossa TV ou rádio vemos e assistimos propagandas governamentais das diversas esferas, de forma lustrosa, mas duvidosas, a respeito de educação, saúde, saneamento básico, segurança e transporte. GOLPEIAM-NOS quando entendemos o preço que custa tais comerciais exibidos normalmente em horários nobres. Se os governos são tão bons (e não o são!) por que alardeá-los?

GOLPEIAM-NOS quando vemos, por exemplo, firmas tradicionais de nossa Zona Sul demitirem operários aos milhares; vermos a Marcopolo Rio (Xerém) declarar ‘Lay-Off’ (demissão/rompimento de contrato) por 5 meses (carrocerias Marcopolo são vistas rodando no Peru e outros Países Sul Americanos); vermos a Comil Lorena – SP fechar seu pátio por tempo indeterminado; e na Mercedes Bens de São Bernardo do Campo, 1500 operários estarem em licença remunerada desde fevereiro deste ano.

GOLPEIA-NOS o governo federal e estadual quando rodamos por rodovias esburacadas de nosso estado, pedagiadas a R$ 9,70, quando na vizinha Santa Cataria roda-se por rodovias ‘lisas’ com consórcio a R$ 2,30.

GOLPEIAM-NOS quando vemos ‘funcionários’ de mãos ensangüentadas desejando estancar sangrias visivelmente irreversíveis. Ou quando se retira um parlamentar do comando da câmara dos deputados por visível decoro e este é substituído por outro também investigado em operação da Polícia Federal.

GOLPEIAM-NOS quando a imagem não desses indivíduos, mas de nosso País corre o mundo instantaneamente e servimos de chacota a povos próximos e distantes.

GOLPEIAM-NOS e GOLPEAMOS-NOS quando ouvimos a bondosa e benemerente senhora afirmar que ‘já não consegue dar café com leite à sua centena de crianças assistidas; mas que mesmo assim lhes dá café preto e carinho.’ Isso sim é golpe, pois a população não a ajuda pois que também não tem de onde tirar e o poder público não está nem aí! Perante fatos como este golpeamo-nos e choramos…

GOLPEAMOS-NOS quando nos tratamos de ‘verde-amarelos’ ou de ‘vermelhos’, quando nossas cores deveriam ser, em unanimidade, verde, amarelo, branco e azul, pois assim está definido no Brasão e Bandeira da República Federativa do Brasil.

GOLPEAMOS-NOS quando nos definimos por partidos, ou por cores, ou por credos, ou por opções ou por… quando nossa definição deveria ser pelo bem estar, pela ‘ordem e progresso’ e pela fraternidade.

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Antes de nos digladiarmos – os ‘verde-amarelos’ e os ‘vermelhos’ – vamos meditar sobre os verdadeiros sentidos de golpe; que todos estamos sendo golpeados, pois que todos somos consumidores de produtos e de serviços; que se os mais abastados estão sendo confrangidos, imaginemos os menos privilegiados; e que somente uma boa vontade Nacional amenizará a presente crise.

Escreveu Germano Rigotto na Seção ‘Análise’ do Diário Popular desta data: “A tarefa [do vice-presidente, caso venha a assumir] é praticamente do tamanho de um novo país, de uma reinvenção, de um grande reposicionamento nacional. Se acertar, conseguirá conduzir adequadamente um governo de transição. Se errar, crescerá a tese de novas eleições ou mesmo [do retorno da atual presidente], depois do prazo previsto para o seu afastamento provisório. Estamos na curva de um grande ciclo histórico...”

Até lá… que GOLPEIEM-NOS, mas que não nos GOLPEEMOS!

(Outono de 2016).