Archive for setembro, 2016

sandalia1No Mundo desarrumado em que vivemos, é comum nos expressarmos: “Minha vida está um caos; que momento infeliz vivo!…” Esquecemo-nos que estamos num Planeta doente e que o próprio Rabi já nos houvera advertido: “… Qualquer que não levar a sua cruz (…) não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14:27).

 * * *

Sem sombra de dúvidas, “levar a sua cruz” faz parte dos padrões do Senhor. Emmanuel afirmará que a vida de cada criatura consciente é um conjunto de deveres para consigo mesma, para com a família de corações que se agrupam em seus sentimentos, e para com a Humanidade inteira:

  1. “Conhece-te a ti mesmo” é tarefa assaz difícil; perdoar-nos e prosseguirmos, é missão crucial; ainda na linguagem do Benfeitor, chegamos a este Mundo e dele partiremos “sem nada e sem ninguém”; e embora emparceirados, somos artesãos únicos de nossa evolução… E isso não significa “levar a sua cruz?”
  2. Emparceirados à nossa família ou a outro grupo amado, onde cada um possui individualidade, problemas ímpares e evolução diferenciada, resultará numa convivência heterogênea: A legítima faca de dois gumes, onde, se soubermos “levar a cruz” ficaremos robustos; mas se não soubermos, a família, o grupo, quebrará…
  3. Numa Humanidade desenvolvida intelectual, mas frágil moralmente, mais que discursarmos, será imperioso “levarmos a nossa cruz”; passando tal testemunho. Se o Mestre nada escreveu, falou o ‘suficiente’, mas agiu muito, seus padrões estão explícitos!

* * *

“Levar a sua cruz” é, segundo Emmanuel, a aceitação dos impositivos do bem e obediência aos padrões do Senhor.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 58 Discípulos, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2016).

ego-blog-slide“Quando em verdadeira comunhão com o Senhor, não podemos desconhecer a necessidade de retraimento de nossa individualidade. (…) Em assuntos da vida cristã, as únicas paixões justificáveis são as de aprender, ajudar e servir.” (Emmanuel).

* * *

Em nossas exposições, palestras ou considerações evangélicas, quando contamos nossas próprias histórias, condimentadas até de fanfarrices, gabolices e bravatas, desviamo-nos quase sempre do propósito apostólico, qual seja termos o Cristo como grande Planificador da Obra. ‘Pecamos’, portanto, quando não retraímos nossa individualidade.

Aprender, ajudar e servir, quando em verdadeira comunhão com o Senhor, dispensa, portanto, na nossa prosa, toda a inclusão do ‘eu’; em último caso, ou quando esta possibilidade for realmente útil, que sejam histórias curtas e as mais edificantes possíveis…

Em todas as situações em que tivermos aprendendo, ajudando ou servindo, termos o Mestre como centro de nossas explanações e/ou atividades, será a grande estratégia, pois as mensagens, os gestos e os feitos do Rabi sempre serão os mais assertivos; isentos de quaisquer equívocos.

* * *

A nossa única interferência sensata; a única paixão que nos competirá; e a única justificativa plausível nas Obras do Mestre será aprender, ajudar e servir. O resto será por conta dos ainda cacoetes de nosso personalismo…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 55 Elucidações, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

aprender-e-ensinar“A ideia de que ninguém deve procurar aprender e se melhorar para ser mais útil à Revelação divina, é muito mais uma tentativa de consagração à ociosidade que um ensaio de humildade [iniciante]. O Evangelho não endossa qualquer atitude de expectativa displicente.” (Emmanuel).

* * *

Indivíduos, em todas as épocas, optaram pelo monastério, clausura ou retiramento, pensando serem úteis a si mesmos e às sociedades. Buscavam ficar atentos aos ‘avisos dos Céus.’

Embora não desdenhemos que nesse universo de pessoas houve estudos importantes, traduções de peso e a busca de contemplação e inspirações…

… Somos obrigados a analisá-los à luz das respostas dos Sábios, encontradas em O Livro dos Espíritos, quando este aborda a Vida de Insulamento e Voto de Silêncio:

Será “duplo egoísmo” viver “em absoluta reclusão, fugindo ao pernicioso contacto do mundo”, pois além de nos ‘acomodarmos’ perante as ações cruéis da sociedade atual, nos impediremos de fazer o bem possível à mesma sociedade. Continuarão os Sábios: “O voto de silêncio absoluto, do mesmo modo que o voto de insulamento, priva o homem das relações sociais que lhe podem facultar ocasiões de fazer o bem e de cumprir a lei de progresso.”

Entendemos que será em sociedade, com todas as suas ‘armadilhas’, que teremos as melhores oportunidades de aprender e nos melhorarmos.

Aprender e se melhorar, faz parte da vida que é “curso avançado de aprimoramento”:

mulher-meditando-60991Aprender é todo o universo intelectual: educação e esforço que gera progresso; é melhorar e avançar; exercício da inteligência, da cultura e do trabalho; o serviço que precisa ser entendido como fonte de recursos, não só o remunerado, mas também o não remunerado e ‘roubado’ das horas de lazer e descanso.

Melhorar-se revela todo um universo moral: é o que fará de nossas lutas o burilamento do Espírito principiado simples e ignorante; é declarar que os recursos que em nós dormitam são de ordem divina; será avançarmos porque estamos melhorando e melhorando porque estamos avançando; porque estamos buscando em nosso íntimo de genética divina, os melhores dons; melhorar-nos exigirá de nós serviço, fraternidade e “ação pessoal e incessante no bem” promovendo nossa evolução.

Compreendamos como sagradas as promessas de Jesus: “dar-se-nos; acharmos; e abrir-se-nos”, mas com o esforço e a responsabilidade de “pedirmos, buscarmos e batermos.” (Lucas, XI, 9).

* * *

Aprender é a grande e necessária dedicação ao aprendizado teórico para realizarmos o que é mais importante: a prática! Melhorar-se será colocar em prática tudo aquilo que de bom útil e necessário aprendemos; é o serviço que homologará nosso aprendizado.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 54 Procuremos com zelo, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

lavradorSe é difícil a produção na lavoura comum, para que não falte o pão do corpo, é quase sacrifical o serviço de aquisição dos valores espirituais [para] o alimento vivo e imperecível da alma. (Emmanuel).

* * *

Fora a vilania de alguns atravessadores e inconsistentes ‘desculpas esfarrapadas’ para que alimentos cheguem à nossa mesa por preços excessivos, reconhecemos todas as dificuldades dos que produzem o alimento do corpo: chuvas desequilibradas; calor ou frio exagerados; geadas,  granizo, enchentes… Sem falarmos de outros obstáculos não naturais, que oneram e acabam influindo no preço final do mantimento que chega ao nosso lar.

Não é diferente na produção do alimento imperecível da alma: na aquisição de tais valores, (as virtudes) forças que não se podem medir nem pesar (as quebras de safra) se contraporão à nossa vontade de cultivar os canteiros do bem: a futilidade do material ainda nos é sedutora; ‘pragas e ervas daninhas’ sufocam nossas vontades; a inveja aniquila a produção; maldade, incompreensão e calúnia parecem chuvas de pedra; a irresponsabilidade esfria a nós e aos ‘meeiros’; nossas indiferença e desentendimentos são o frio e o calor demasiados; e preocupações são ‘nuvens prenhes’ de chuva…

* * *

Tudo, porém, vale a pena! A obtenção do pão do Espírito é incessante! Todas as lutas do ‘lavrador’ são válidas, como os obstáculos que se lhe contrapõem são aprendizados. Empunhar arado ladeira abaixo é fácil; difícil é ladeira acima!…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 52 Servir e marchar, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

voz“Quando te desviares (…) para o terreno das lamentações e das acusações, quase sempre indébitas, reconsidera os teus passos espirituais e recorda que a nossa garganta deve ser consagrada ao bem [expressando assim] o verbo sublime do Senhor.” (Emmanuel).

* * *

Situado à frente da laringe (ou caixa de voz), o laríngeo, nosso terceiro centro de forças (um dos xacras), é o verdadeiro ‘Centro de Comunicação’ que todos possuímos.

Na qualidade de Centro de Comunicação, higienizando e atuando sobre as expressões de nossa garganta, poderá se revelar como um “sepulcro caiado” ou, na melhor das hipóteses, como uma garganta consagrada, pois que alguém já disse: palavra é que nem bisturi; quando não salva, mata!

O laríngeo, a boca, a língua… são apenas órgãos comandados, pois as boas e más palavras; as que constroem ou destroem, têm origem no coração; e aqui vai uma expressão evangélica de peso: “A boca fala do que o coração está cheio”:

Todas as expressões personalistas; o exame dos defeitos ou pontos frágeis alheios; comentários maldosos; a exposição das ‘ulcerações’ dos outros; as palestras compridas e corrompidas; as queixas de tudo e de todos; a má fé, o desânimo e a desconfiança… são todos vômitos de um coração; são sepulcros abertos!

Contraditoriamente, todas as palavras de bom tom que pronunciamos; todas as ajudas, consolações ou ânimos orais; alavancas verbais de toda a sorte; toda oratória disposta e alinhada às máximas e procedimentos de Jesus, representarão as gargantas consagradas ao bem, expressando assim o verbo sublime do Senhor.

* * *

Como anda nosso verbo: no dia a dia; nas horas difíceis; nos anúncios apostólicos; nas horas boas e de lazer? Interroguemo-nos!…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 51 Sepulcros abertos, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

261_imgBem antes do micro ondas, fervíamos leite em leiteiras, nos distraíamos, ele ‘subia’ e dele perdíamos parte. Além de sujar o fogão, lamentávamos a parte derramada, não considerando a maior parte que restara dentro da leiteira. ‘Chorávamos’, pois, o leite derramado…

Paulo, dirigindo-se à comunidade de Filipos (Nordeste da Grécia antiga), dizia-lhes: “Não pretendo dizer que (…) cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho para conquistá-la. (…) Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: [renunciando o] passado e atirando-me ao que resta para a frente. (…) Seja qual for o grau que chegamos, o que importa é prosseguir decididamente.” (Filipenses, III, 12, 13 e 16).

* * *

Entre a analogia profana e a citação do sagrado, podemos tirar alguns ensinamentos:

Naturalmente, ficamos a remoer fatos desagradáveis já acontecidos nas nossas diversas frentes de trabalho. Engessamos, com isso, tarefas importantes.

Por não conseguirmos exumar tais fatos, ou por ficarem eles insepultos, não nos permitimos a avanços.

Maneamo-nos, pois, perante desastres espirituais, perdas, incompreensões, calúnias, deserções, escândalos, enredos… episódios esses que, ficando no passado, solucionados ou não, impedem nossos avanços na seara do Mestre.

* * *

Retornando às nossas analogias supramencionadas, nos perguntamos:

– E se Paulo de Tarso, considerando-se indigno do Cristo, ou por se julgar abandonado, perseguido… houvesse abortado sua causa apostólica? E

– Se a cada cota de leite derramado não aproveitássemos o não derramado?

Pensemos nisso, confrades!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 50 Avancemos, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).

penaa (1)Assevera-nos Paulo de Tarso que a unidade do espírito – a fraternidade – está intimamente vinculada à paz. (Efésios 4:3). E a paz é o produto de alguns esforços. Algumas de suas reivindicações:

  1. Afirma-se que a guerra é feita por corajosos. Ao contrário, a paz é feita pelos destemidos.
  2. A rota da paz não gravita ao nosso redor. Nossa boa vontade deve se encadear ao esforço dos outros.
  3. Optando pelo útil, belo, santo e sublime, mesmo que seja só um começo, estaremos no encalço da paz.
  4. Regato, rio e mar subordinam-se, com respeito e humildade: Acatamento, deferência, razão e submissão são também ordeiros requisitos da paz.
  5. A grande ferramenta da paz é o serviço: Aos doentes, velhos, jovens, ao solo, aos animais… Honrar a esses servidores é entendê-los embaixadores do bem e da paz.
  6. Individualmente, nossos olhos enxergam uma cota mesquinha de paz; unidos a muitos, uma paz mais ampla e generosa.
  7. A paz reclama entendermos o degrau da evolução alheia: Isso é tolerância, ou o melhor tempero da paz.
  8. Nossa colaboração à paz deve ser a nossa melhor parte… mas unida à melhor parte dos outros.
  9. Não desejemos entender paz sem respeito e compreensão. O primeiro releva as diferenças; a segunda as entende.
  10. Parafraseando Paulo, todo o esforço na direção da paz, passa pela fraternidade que gera a unidade do Espírito.

* * *

A paz pode ser um punhado de discussõezinhas, mas todas de boa vontade…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 49, União fraternal, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2016).