Archive for dezembro, 2016

tumblr_lrj6wyrbee1r0d8mco1_500As luzes de um ano velho uma a uma vão se apagando. Não há retorno na cronologia do tempo dos homens; não podemos reviver um ano, ou todos os que já passaram, a não ser em nossas reminiscências; e recordações não nos farão viver um tempo novamente, pois não será correto viveremos apenas de lembranças…

Um tanto filosófica nossa introdução, – e a cremos verdadeira – só ainda não dissemos que, se assim o desejarmos, a memória daquilo que ficou para trás poderá nos ser de valia quando, no escoar de um ano, passarmos a fazer um balanço do que já vivemos na presente reencarnação e que importância isso teve para a marcha evolutiva para nós planejada. Se não, vejamos:

2016 – A cinco dias do término de um ano de tantos que nos foram ofertados na presente revivência, somos convidados por nossas considerações íntimas a perguntar-nos ‘o que fizemos no presente ano, foi positivo para uma futura colheita, ou nada acrescentamos à lavoura da evolução?’

Na busca das respostas honestas a nós mesmos, indubitavelmente nos depararemos com duas totalmente antagônicas: Sim! O resultado foi positivo, pois avançamos lenta, mas gradualmente, neste ano que se passou, e cumprimos o desiderato das Leis Divinas ou Naturais que nos oferecem oportunidades iguais as quais vamos aproveitando exatamente dentro de um patamar individual. Mas a segunda resposta será cruel para nossas consciências se nos compreendermos, nestes dias derradeiros, como estagnados; olhamos para a Naturalidade que nos rodeia e nela enxergamos somente vida, etapas, avanços brandos e belos, num contraponto com a desastrosa inércia que nos tomou conta dos últimos 360 dias. Então poderemos derramar lágrimas, que, a princípio, serão amargas, mas que, no final das contas se tornarão as lágrimas do ‘filho pródigo’, aquele, arrependido e resoluto…

2017 – O ano é o da colheita, pois se torna um presente iminente: se nos compreendermos na primeira resposta, é certo que a colheita será o efeito de um ano anterior e nos veremos como que avançando não só mais um ano do calendário dos homens, mas dando passos importantes no calendário de Deus que, tendo nos criado Espíritos simples e ignorantes, desejou que através dos tempos de sagradas reencarnações, das observações e principalmente dos nossos bons feitos, fôssemos nos aproximando da falange dos anjos.

Nem tudo, porém, está perdido na cronologia evolutiva demarcada pela Divina Providência se nos virmos enquadrados nos equívocos da segunda resposta. E utilizamos o verbete ‘enquadrar’ propositalmente, pois convém lembrarmos que quem nos insere na fotografia dos delituosos é nossa própria consciência. E também essa consciência, por dever nos lembrará que, se o ano anterior foi perdido, a reflexão, a contrição e a formulação de novos propósitos não se perde dentro da misericórdia Divina. E que o bem não feito pode servir de semente, e que a semeadura de 2017 deverá ser diferente da possivelmente feita no ano passado…

2018 – E porque no ano passado, secadas as lágrimas e escritos novos e prudentes propósitos, semeamos uma nova semente, a semente do aprendizado a duras penas; e porque zelamos por nossa lavoura; e porque tivemos boas parcerias e as soubemos aproveitar; e porque no ano anterior, diferentemente de 2016, produzimos mais e melhor a favor de nossa evolução… a colheita é ofertada aos propósitos que nossa Divindade tem feito para cada um de nossos Espíritos, ímpares, de patamares diferenciados, mas muitas vezes inconstantes em suas caminhadas.

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E assim será nos subsequentes anos que viveremos numa reencarnação por nós próprios planejada; onde os fatos que se sucedem são todos frutos não de fatalidades, mas de nossas escolhas ou autodestinações… Os anos fazem parte da cronologia dos homens; já a cronologia de nossa evolução é a história de nossos Espíritos, exatamente dentro dos desígnios que o Criador reservou a cada um de nós.

Com um abraço e os votos que 2017 e os seguintes sejam de boas colheitas; mas, se não o forem, que reflexões e projetos sérios sejam feitos para nos encaixarmos nas sagradas e Divinas intenções a nosso respeito.

(26 de dezembro do calendário dos homens; início do verão de 2016).

rm_92-05“Se já guardamos a bênção do Mestre, cabe-nos restaurar o equilíbrio (…) ajudando aos que se desajudam, enxergando algo para os que jazem cegos e ouvindo alguma coisa em proveito dos que permanecem surdos…” (Emmanuel).

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A Terra ainda é território desequilibrado. Dessa forma, o Benfeitor Emmanuel irá dividi-la entre os que conhecem e os que ignoram a verdade divina. Mas não só assim a divide, mas convoca e apela a ambos:

Aos primeiros para que sejam o instrumento divino do reequilíbrio e aos segundos para que, tomando conhecimento da verdade divina, se realinhem às Suas Leis.

O Mestre das ponderações já não mais está encarnado entre nós exercitando diuturnamente atos de equilíbrio explícitos, como o fez nos territórios da longínqua Palestina Antiga; tão pouco nos exigirá através de inspirações que pratiquemos atos heroicos em favor dos que precisam se realinhar. É possível que nos solicite mais misericórdia do que heroísmo e que nosso estoicismo moral se preste à restauração da harmonia dos que ainda não conseguiram se ajudar no realinhamento moral; e para que sejamos os olhos e os ouvidos dos que ainda jazem cegos e surdos aos apelos celestes.

Jesus não foi herói; não na concepção infeliz que damos ao termo nos tumultuados dias atuais. Ele foi misericordioso! E o foi porque misericórdia bastava como o principal pressuposto do amor que a sua Revelação acabara de implantar.

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Para nós, que vivemos a revelação do esclarecimento, que este, estoica e misericordiosamente, sirva de ajuda, olhos e ouvidos aos que ainda os reclamam.

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 68, Sementeira e construção, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2016).

crux-1-689x364-720x380Reportando-nos ao termo devoto, pressupomos indivíduo totalmente introspecto e recolhido ao mais completo colóquio com sua divindade… Não é este tipo de devoção que desejamos abordar:

Emmanuel nos assevera que um trabalhador poderá demonstrar altas características de inteligência e habilidade, mas, se não possui devoção para com o serviço, será sempre um aparelho consciente de repetição.

A seguir, o Benfeitor cita o exemplo do Mestre crucificado: só Ele marcou o madeiro da cruz como sinal de abnegação, luz e redenção. Antes dele, homens e mulheres de Jerusalém e de toda a Palestina foram sentenciados a cruzes, mas, movido pela devoção à Sua causa, somente a Dele, a do Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum (Jesus de Nazaré Rei dos Judeus – INRI), ficou conhecida como símbolo de Salvação; o grande farol luminoso a influenciar, salvaguardar e direcionar a humanidade; e o Império indestrutível, em contraponto a todos os que tiveram início, apogeu e ruína.

Convém explicarmos que, doutrinariamente, esse Rei abnegado indicou-nos, em todos os tempos o ‘rumo’ da salvação. Salvamos-nos individualmente ‘com’ o desejo de perseguir esse sagrado rumo.

O Apóstolo dos Gentios, Paulo de Tarso, exorta às comunidades de Éfeso – e a todos nós – que precisamos “renovar-nos pelo Espírito no nosso modo de sentir.” (Efésios, 4:23). Ou que não basta sermos inspirados diuturnamente, mas que precisamos elevar tal inspiração à categoria de zelo, cuidado, amor e serviço. Será importar-nos e, dessa forma alçar nossa sensibilidade ao expoente máximo. E isso é devoção; embora que muito aquém daquela evidenciada nos feitos de nosso Rei.

Renovarmos nosso modo de sentir significa o uso e o abuso das decisões do coração em detrimento da razão: paradoxalmente, – pois estudamos, vivemos e respiramos uma doutrina baseada em pensamentos claros e fé raciocinada – tal renovação significa o nosso coração tomar atitudes que surpreenda nossa própria razão.

É o que sucede todas as vezes que analisamos a “caridade segundo São Paulo” e com muita dificuldade a desejamos colocar em prática, considerando que ela “não é temerária, nem precipitada; não desdenha, nem suspeita mal.”

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É possível que o caminho de nossa devoção, embora um arremedo à de Nosso Senhor Jesus Cristo, passe, necessariamente, pelo ‘exagero’ do sentimento em prejuízo da razão. Haverá situações, as compreendidas pelo apóstolo Paulo e acima citadas, que ficaremos sem saída, pois somente o coração nos salvará!…

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 67, Modo de sentir, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Primavera de 2016).