Archive for março, 2018

“Cada criatura recebeu determinado talento da Providência divina para servir no mundo e para receber do mundo o salário da elevação.” (Emmanuel).

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O Espírito encarnado, individualmente, é responsável por sua evolução, chamada aqui, por Emmanuel, de salário elevação.

Porque cooperar é diferente de interferir, somos chamados a, também, contribuir com a elevação dos outros.

Como somos brindados pela divina Providência com determinada quantidade de talentos (alguns 5, outros 2, outros 1 – Mateus, 25:14:30): somos convidados pelo Todo Poderoso, o Patrão do Cultivo, a frutificar tais talentos; e não a enterrá-los.

Frutificar nossos talentos significa servirmos no mundo; enterrá-los é sermos “mornos.” Não sendo “nem frios nem quentes” (Apocalipse de S. João, 3, 15 e 16), nos tornamos “mornos”, e com temor ao Patrão, enterramos nossas colaborações…

Desejarmos servir ou não, é de foro íntimo: de posse de uma teoria, nós desejaremos praticá-la ou não…

… E isso só diz respeito à consciência individual ou à chamada “liberdade de consciência”, que está intimamente relacionada com evolução ou salário elevação.

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Pedro era talentoso na arte da pesca; em guinada fantástica, o Mestre o convida a ser “pescador de almas.”

Em algumas vezes, Pedro irá se equivocar, durante o Ministério da Boa Nova; Pedro (Petrus) cometerá algumas “petruscadas.”

O Mestre, conhecedor de todas as fraquezas, não desiste de Pedro e, após sua estada por quarenta dias entre os seus, lhes enche com as energias de seu Santo Espírito…

… Inclusive a Pedro que começa a frutificar; como nunca, os seus talentos patrocinam a sua “redenção.”

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Evolução, “liberdade de consciência”, salário elevação… todos caminham juntos; e poderão tardar, mas não falhar!

Por que Pedro encontra Paz na própria “redenção?” Porque “a Paz legítima (segundo o próprio Emmanuel) resulta do equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos do Senhor, na posição em que nos encontramos.”

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 129 Guarda a paciência e 79 Sigamos a Paz; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2018).

“Se as provas te encarceram nas grades [sufocantes] do dever a cumprir, tem paciência e satisfaze as obrigações a que te enlaçaste!” (Emmanuel).

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Não estamos vivendo num Planeta desta categoria porque somos bonzinhos; muito menos porque o fomos em outras vivências… Muito pelo contrário!

Vivemos numa espécie de cárcere padrão, daqueles desejáveis em muitos Países de nosso pobre Orbe, onde precisamos trabalhar, servir e ressarcir. Melhor expressando-nos, “ressarcir-nos!”

Pegando carona na orientação de Emmanuel, damo-nos conta que os grilhões e grades de tal cárcere nos são impostas por nós próprios, ou materializados por nossa consciência quando reconhecemos os maus feitos pregressos; e que o constrangimento que tal circunstância nos impõe é necessário e faz farte de uma vergonha que sentimos e da vontade de não mais tê-la.

Há, então, um dever a cumprir, equívocos a serem consertados, visto havermos reprovado no ano anterior:

Melhor repetir esse ano com paciência ou repulsa?

Paciência, exercício diário, é o indicativo de que estamos determinados; a repulsa poderá nos convidar a ‘trepetir’ o ano escolar.

A paciência nos propõe entendermos os porquês de nos enlaçarmos em tantas teias; os equívocos pretéritos diversos.

Ninguém nos enlaçou em tais dificuldades: nós o fizemos!

E é este cárcere padrão, educandário, reformatório, escola… adequado para revermos nossas obrigações: mas tudo com paciência, resignação, entendimento; sem repulsa.

Que esse cárcere padrão nos seja benéfico!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 129 Guarda a paciência; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2018).

“Muitas vezes: o progresso aparente dos ímpios desencoraja o fervor das almas [desanimadas]; a virtude vacilante recua ante o vício que parece vitorioso; e [aflige-se] o crente frágil, perante o malfeitor que se destaca, aureolado de louros.” (Emmanuel).

“A ordem do inverso” é uma canção de Yuseff Leitão, Paraense, defendida por Juliana Franco no VII Festival de Música Popular Paraense, em 2015, que aborda política, pilantragens e frustrações do povo de nosso País… (A interpretação, integral, pode ser apreciada no YouTube).

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Tanto a exortação sacra do Benfeitor, como a profana na composição do autor supracitado, abordam aparências, vícios, malfeitores. Ambas expressam a frustração dos bons ante o progresso aparente dos ímpios.

Tentemos, timidamente, dissecar o pensamento de Emmanuel sobre as frustrações em geral do Cristão, por ele aqui abordadas, e por Yuseff em sua oportuna composição:

Todas as nossas frustrações são frutos de nossas expectativas. São tais frustrações mais afilhadas da desconfiança do que da Fé inabalável, fundamentada; e que é o galardão dos nossos bons feitos.

É larga a estrada do progresso aparente. É, porém, estreita, espinhosa, pedregosa, difícil a estrada das almas que não caem no desânimo.

O vício, que é “a ordem do inverso” e que parece vitorioso, nos pega de surpresa aos que ainda possuímos vacilante a virtude da confiança.

Existe atrativo ‘mais atraente’ do que os que a mídia tenta nos convencer, todos os dias, de que são realmente atrativos? E o trocadilho aqui nos remete à letra de “a ordem do inverso” que recomendamos seja examinada…

Dessa forma, o crente frágil, que constata o ‘picareta’ sendo aureolado, perguntará a si próprio: “Espera aí!… Vale a pena ser honesto, quando todos os ‘malfeitores’ estão se dando bem e sendo ovacionados?”

Reflitamos que o Mundo não é um educandário perfeito e que Seu Governador não tem poupado esforços para que a população do Orbe se realinhe às Divinas ou Naturais Leis.

Um Espírito Protetor, em O Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. XVII, 10, O homem no mundo) nos orienta que “vivamos com os homens do nosso tempo, como devem viver os homens (…). Sois chamados a estar em contato com espíritos de naturezas diferentes, de caracteres opostos.” Mas também nos exortará “sacrificai-vos às necessidades, e até mesmo às frivolidades de cada dia.”

Resumindo, que vivamos no Mundo sem a ele pertencermos; e que muito mais que frivolidades, a corrupção, o mau-caratismo, as pilantragens são vícios que emperram a Regeneração Planetária, prescrita nos Divinos Propósitos.

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Não é interessante que pelas ações de alguns o Planeta deixe de ser um Educandário e passe a ser um ‘Reformatoriozinho de quinta!’ Este é “a ordem do inverso”; aquele o caprichoso propósito do Pai…

… E sob os auspícios zelosos do Governador!…

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Parece-nos que o inverso tornou-se a regra e o direito; a ordem, a exceção!…

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 128 Não rejeites a confiança; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2018).

“Exibindo [Jesus] diante do povo, Pilatos não afirma: ‘Eis o condenado, eis a vítima.’ Diz, simplesmente: ‘Eis o homem!’ [Ecce Homo!]” (Emmanuel).

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Pilatos não condenaria Jesus, haja vista o povo Judeu, escravo de Roma, possuir uma corte que poderia fazê-lo.

Tal corte, o Sinédrio, já resolvera condená-Lo, atendendo a anseios conspiratórios do sumo e demais sacerdotes.

Pilatos não vê crime no Homem (para ele anônimo) integrante de um povo escravo: a vida (ou a morte) desse “escravo”, pouco lhe dizia respeito; pouco sabia quem era!…

Dessa forma, o trata com indiferença e com um ato de superioridade terrestre, pois era o representante de Roma: o símbolo da opressão.

Percebe-se que, mesmo não se referindo a Jesus como condenado ou vítima, Pilatos promove um espetáculo, comum em seu império: uma exibição!

Tal exibição possuía o intuito de “divertir” e dividir as opiniões do povo Judeu sobre o sentenciado em questão.

A multidão (calcula-se 5.000), à qual Jesus saciara por ocasião do Sermão do Monte, era a mesma que agora, perante o “espetáculo”, bradava: “crucifica-o; crucifica-o!”

Se, para o Sinédrio, era uma questão de honra sacrificar aquele “Homem Impostor”, e rápido, antes das celebrações da Páscoa, para Pilatos aquilo era apenas uma questiúncula…

… E tal tarefazinha não lhe estava afeta: lava, então, as mãos, num gesto material, mas principalmente moral, desejando informar que apesar de não ver culpa naquele homem, o entregaria à fúria dos fariseus.

E se houvesse culpa naquele Homem, também não lhe importaria!…

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Verifiquemos que o povo Judeu, o “escolhido” (de uma forma simbólica, representando a humanidade toda) para receber a primeira e segunda Revelação, em geral não entendia a Reencarnação Redentora desse “Ecce Homo.” Como muitos de nós ainda hoje não desejamos entendê-la.

Subjugados há quase dois mil anos por diferentes impérios, aquele Jesus manso, paciente, pacífico e defensor do perdão, não os representava, como a muitos de nós, efetivamente, ainda não representa!

Frustrava-lhes as expectativas terrenas; pois Sua proposta era de ordem Divina.

O Mestre, em seus três anos de Ministério apresentava-lhes uma Linha Moral…

… E essa Linha Moral é o que valida a reencarnação de cada um de nós, tornando nossa Humanidade Real…

… Coisa que seus co-irmãos não entenderam por ignorância e ainda hoje muitos de nós não entendemos, mesmo inteligentes e esclarecidos.

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 127 Humanidade real; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2018).

“O próximo a quem precisamos prestar imediata assistência é sempre a pessoa que se encontra mais perto de nós.” (Emmanuel).

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Numa das páginas Evangélicas mais lindas (a parábola do Bom Samaritano), o Mestre das Misericórdias nos lembra quem é o nosso próximo mais próximo:

Esposa, marido, filhos, irmãos, via de regra, constituem-se no nosso próximo mais próximo. Mesmo depois de 25, 30, 50 anos de proximidade, quando filhos, naturalmente seguem destinos, o cônjuge torna-se o próximo preferencial; dificuldades, mormente físicas, tomam-nos conta.

Amiúde, em convivência no trabalho, estudo, recreação, atividade física… sempre haverá aquele próximo mais próximo, muitas vezes carente de um sorriso, bom dia, boa tarde, olá!… É a simpatia roubando espaços à indiferença!…

Nesta vida, como sempre, obedecemos e temos ascendências: nosso mais próximo, então, será o superior ou o subordinado.

Sabermos tratar um malfeitor poderá indicar-lhe o bom rumo. Com a proximidade, o mau pode ficar ‘menos pior’; e o bom, melhor ainda!

Quando adoecemos, o vizinho do lado torna-se o parente mais próximo; ele nos conduzirá aos primeiros socorros. E a recíproca é verdadeira!

Já a neutralidade emperra a evolução: nem avançamos na direção do bem; e não contribuímos com a progressão do próximo…

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Mas voltemos ao início de nossa pequena filosofia sobre o mais próximo; à família! E percebamos o detalhe dos votos proferidos perante o juiz, sacerdote; perante nós mesmos:

Qual o significado de “na saúde e na doença… amando-nos, respeitando-nos, até que a morte nos separe?”

Renovarmos, amiúde, tais ‘promessas’, é termos a consciência da responsabilidade perante o próximo mais próximo!

Esse próximo poderá estar tão ferido e necessitado que precisará de nossos óleos, ataduras, talas, denários, boa vontade, “importar-se”, anonimato… Tal como aconteceu com o assaltado da parábola do Bom Samaritano, contada pelo Mestre.

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 126 Ajudemos sempre; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2018).