Archive for outubro, 2018

“Ainda que nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova dia a dia.” (Paulo, II Coríntios, 4:16).

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“O corpo se origina do corpo; o Espírito não é proveniente do Espírito, porque este já existia antes do corpo” (ESE, XIV, 8), constitui-se numa das colocações mais sábias da doutrina dos Espíritos.

Perecível, nosso corpo herda dos genitores características físicas, jeitos, trejeitos, cacoetes, tiques…

Imperecível, imortal, o Espírito é herdeiro de si próprio: um acumulado de virtudes ou equívocos.

Ambos são, pois, de procedências diversas e Paulo Apóstolo nos adverte sobre o fato:

De que, embora faleça nosso corpo atual um dia, nosso Espírito, ao qual chama de interior, tem o dever de se carregar de energias salutares dia a dia.

Não seria Sábio, Justo e Bom nosso Pai, se não nos destinasse à perfeição; e renovação é o termo usado por Paulo como pressuposto de encaminhamento à perfeição.

Emmanuel nos lembra que “cada dia tem a lição; cada experiência o valor correspondente; e cada problema determinado objetivo.”

Embora de procedências diversas, corpo e Espírito tornam-se parceiros, pois:

  • A lição é para ambos: ela pode ser salutar ao corpo, também, mas imprescindível à ascensão do Espírito;
  • Significativas mais ao Espírito, as experiências boas ou más estabelecem o aprendizado: é desejável que quanto mais maduro seja o corpo, mais contribua com a parceira alma; e
  • Os problemas, inerentes à categoria Planetária serão o cimento que solidificará tais parceiros.

Encararem lições, experiências, problemas, juntos, sob o comando do Espírito, será tarefa para tal parceria.

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As procedências de corpo e Espírito, (conforme citação supra), são de origens diversas, mas a cada reencarnação nova parceria se estabelece, em corpos alternados, diversificados, anômalos (se necessário), para que o “interior se renove dia a dia,” ano a ano, revivência a revivência.

Pobreza, enfermidades, velhice, são, já, o ocaso, a decadência física; o encerramento de mais um ciclo corporal; mas o início de novo ciclo para o Espírito que já será com novo parceiro.

Parceiros? Parceiros!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 141, Renova-te sempre, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2018).

“O Mundo ainda é uma Jerusalém enorme congregando criaturas dos mais diversos matizes.” (Emmanuel).

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Jerusalém era o centro da Palestina antiga, onde Jesus viveu seus 33 anos Missionários: e na hora derradeira, não foi diferente, pois ali o sentenciaram; percorreu o caminho do patíbulo; e foi assassinado.

É possível que nessa hora derradeira, poucos o tenham acompanhado: sabe-se de Maria, sua Mãe, João (o discípulo ‘amado’), Maria de Magdala, a outra Maria, (irmã de Lázaro) e outros personagens ‘avulsos’ como Verônica, o estrangeiro Simão (de Cirene), a soldadesca, o oficial Longino e o bom (Dimas) e o mau ladrão (Cefas)…

… Acompanhantes heterogêneos; por bons ou maus motivos!

Na Jerusalém de hoje, diversificada também, (o Mundo) comportamo-nos da mesma forma; com interesses mais ou menos prudentes; de variados matizes:

Os impenitentes do agora; ou usurários egoístas, vivendo no entorno de nossos umbigos; os que ridicularizamos os já de boa vontade; os ainda ignorantes das verdades Cristãs; os acovardados perante a urgência do bem; os de pouca ou fé inoperante; os ingratos que já esquecemos de todos os socorros dos Emissários do Mestre; e outros, finalmente, com sinceridade e fervor, mas ainda temerários da imensa cruz que o Planeta supõe.

Simão, o de Cirene, era um destes: não tão convicto, mas sentindo a necessidade de operar, ajudar, servir…

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Não temos, ainda, a operância ou determinação das Marias; nem a de João, Verônica ou Dimas; tão pouco desejamos ser tais quais a soldadesca, Longino ou Cefas…

… Mas ainda talvez representemos a Simão Cireneu, instigados por nossa consciência; constrangidos perante nossos débitos, mas já tentando abraçar o madeiro, benéfico, necessário, evolutivo.

Na Jerusalém de hoje há também ferramentas variadas, desde o material que nos salva ou emperra; o bem e o mal para nossa livre escolha; e ‘madeiros’ de toda ordem que desejaremos abraçar ou arrastar.

Ou ficamos simpáticos ao Mundo e antipáticos ao Mestre; ou atraentes ao Mestre e desinteressantes ao Mundo…

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 140, Após Jesus, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2018).

“Ninguém pode ser, simultaneamente, amigo e verdugo.” (Emmanuel).

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Vivemos em Planeta de maus onde, sem generalizar, há mais verdugos do que amigos: Nosso Orbe ainda é assim.

Naturalmente, e porque Deus é também Sábio, suas Leis Divinas ou Naturais (Leis Morais), estão ajustadas a ‘este’ Planeta.

Quando nos percebemos incompreendidos, solitários, experienciando as dificuldades das sombras e das asperezas, Paulo de Tarso lembrará aos Tessalonicenses (e a nós): “Deus não tem nos designado para a ira, mas para a aquisição da salvação.” (I, 5:9).

Afinados a Paulo e a Emmanuel compreendemos que ira ‘rima’ com verdugo e está na contramão das Leis supracitadas; e que amigo (do bem) ‘verseja’ com salvação, e está consoante às Leis Divinas.

A começar pelo foro íntimo, a ira nos transformará, primeiro, em inimigos íntimos; entretanto nossa salvação dependerá da afiliação às Leis Naturais na ‘versão’ Planeta Terra. Direta ou indiretamente, ira ou salvação, contagiará os que nos cercam.

Compreendida a nossa muitas vezes solidão, e entendidas as dificuldades, sombras e asperezas como educativas, começamos a verificar a necessidade de vivermos neste Educandário dentro dos planos divinos para cada um de nós.

Perceba-se que Deus não nos criou Espíritos maus (irados, verdugos): criou-nos “simples e ignorantes”, mas herdeiros de ‘Sua’ genética (amiga e salvadora).

Atingida tal compreensão e aderindo a ela ou não, nos tornaremos amigos ou verdugos próprios; possivelmente amigos ou verdugos de nosso ‘próximo mais próximo’ ou mais distante.

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É possível que muitos ‘nãos’ a nós próprios ou aos outros não possuam a conotação de carrascos, mas representem educação e pedagogia.

Será impossível sermos, simultaneamente, um ou outro: amigo e verdugo são dicotômicos, opostos.

Amigo ou verdugo? Eis a encruzilhada!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 139, Na obra da salvação, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2018).