chave-11O preceito evangélico: “se alguém te bater numa face, apresenta-lhe a outra”, deve ser usado pelo cristão, mesmo quando seja vítima de agressão corporal não provocada?

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Dentre os 58 conceitos que Aurélio Buarque de Holanda Ferreira nos oferece para o termo ‘chave’, escolhemos dois que significam “aquilo que garante o acesso a algo” e “golpe de artes marciais.” Ambos nos serão de valia para desenvolvermos raciocínio neste estudo sobre fraternidade.

Poderíamos aqui ficar teimando que sempre que agirmos em legítima defesa estaremos procedendo dentro da lei, desejando escorar-nos em princípios cristãos aceitáveis.

Contraria-nos Emmanuel e garante que agindo o homem com a chave da fraternidade cristã, pode-se extinguir o fermento da agressão, com a luz do bem e da serenidade moral.

Convenhamos que apresentarmos a outra face, sendo vítimas de agressão não provocada, será um despropósito nos dias de hoje em Planeta ainda sufocado pelo império do mal e no qual vivemos sob a ditadura que o orgulho impõe aos nossos cinco sentidos.

carlos-gracie-dando-uma-chave-de-brac3a7oConfrades, não nos iludamos; a chave da questão não estará nas mãos do indivíduo que já desejou entrar para o evangelho, mas consolemo-nos pois que ela poderá estar de posse daquele no qual o evangelho já lhe entrou…

… Porque mostrar a outra face, procurando entrar nas entrelinhas do evangelho que por ventura já tenha nos entrado, será, utilizando-nos das duas definições que Aurélio nos coloca à disposição, supormos que:

Primeiro: Não estaremos agindo com covardia, mas “garantindo o acesso” ao nosso coração de alguém que nos ofende e ao qual desejamos mostrar a face espiritual elegante que estamos tentando construir; e

Segundo: Em mostrando nossa outra face – a fraterna – poderemos estar aplicando no ofensor o “golpe”, não o de “artes marciais”, mas aquele com o poder de extinguir o fermento da agressão e tão nobre que o possa atrair para o rebanho da fraternidade.

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São atitudes fáceis? Claro que não! Mas quem disse que seriam?!

(Sintonia: questão 345 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

One comentário para “A chave”

  • Silvia Gomes says:

    Verdade caro amigo! Não somente nos dias de hoje, mas em todos os tempos, principalmente quando há situações em que o outro ainda não se importa com os preceitos Divinos e muito menos com o seu semelhante, dando a esse gesto a conotação de covardia e julgando-o insignificante. Mas nós sabemos que para dar a outra face -a fraterna- é preciso muito mais coragem do que para dizimar um exército! Bela crônica meu amigo! Grata pela partilha! Abraço!Vou compartilhar tanto no Face quanto no Google+!!

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