Há nas dunas de minha praia, duas espécies mais comuns de flores: Margaridas amarelas (fig. 1) e uma espécie de crisântemo (fig. 2). Por mais que tentasse, nunca vingaram em meu jardim. Com sementes extremamente leves, entretanto, se auto- semeiam generosamente pelas areias e terrenos baldios próximos.

“Dentes-de-leão (fig. 3 e 4), crescem em abundância, em todos os períodos do ano, ou em qualquer campo ou terreno… O vento dissemina suas sementes, talos de pelos brancos e sedosos, com muita facilidade”. Quem já não foi surpreendido com uma dessas? Quando guri, chamava-as de ‘visita’ e gostava de soprá-las…

Os sentimentos leves, cultivados no peito, são frutos da naturalidade e originalidade de cada um. Os ‘importados’, além de caros, são pesados…

Os leves, tais quais as sementes do dente-de-leão, são transportados pela generosidade dos ventos e irão germinar em terrenos adiante, promovendo a transformação do lugar através da leveza da paz…

Sentimentos escuros, rancorosos, pesados, não terão a ‘competência’ de produzir paz. Em uma decantação, a água pura eleva-se e a ressaca, pesada, ficará no fundo da vasilha.

Talvez a paz necessite de generosos sussurros, ao invés dos rompantes egoístas…

É muito possível que detalhes de minha singularidade, somados aos de meus semelhantes, possam ser úteis ao concurso da paz. 

Cada amanhecer novo, diferente de todos os demais, poderá trazer em sua claridade uma nova solução de paz, assim como cada anoitecer poderá matar raízes de velhas discórdias…

Todas aquelas ‘mudinhas’ de paz que desejo plantar em minha comunidade, são sementes que, antes de tudo, germinaram em minha intimidade.

Somente quando meu interior se transformar num ‘laboratório de paz’, minhas atitudes, gestos, palavras, poderão exteriorizá-la.

Se, naturalmente, flores exalam perfume, marés realizam altos e baixos, pássaros adéquam ninhos, fêmeas parem filhotes, ventos sopram de quadrantes diversos, também eu, se generoso for, terei a minha fórmula peculiar de promover a paz, espontaneamente e com leveza.

(Sintonia e expressões em itálico são do capítulo Exteriorizando a paz, pg. 77 de Conviver e melhorar de Francisco do Espírito Santo Neto/Lourdes Catherine, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012).

6 Comentários para “A leveza da paz”

  • Carla Fabres says:

    Mais uma vez linnndas palavras que nos deixam em paz, que nos ensinam a buscá-la em silêncio, porque a paz que trago no peito, nasceu do silêncio que estou aprendendo a ouvir no meu coração, quando sou capaz de fazer silenciar as minhas ansiedades, mágoas e angustias,consigo ouvir a prece que nasce no meu íntimo, transformando-se em paz.
    Abraços meu amigo.

  • Fernanda says:

    Não poderias encontrar melhor título para esta tua postagem, ela nos faz flutuar tamanha a delicadeza e a leveza dessas palavras amigas, afetuosas, que tal qual fazia o Mestre, nos puxa as orelhas com tanto carinho que nem parece puxão de orelha!

  • Vera Maria Rodrigues says:

    Cada um de nós já nasce com esta sementinha, fazê-la crescer e exalar seu perfume e transmitir a paz depende de cada um.

    abraços.

  • Denise Espírito Santo says:

    Lindo !!! O próprio texto e suas belas palavras nos fazem entrar em clima de paz interior nos fazendo sentir leves, como se nada nem ninguém pudesse abalar o equilíbrio que está ali dentro de nós o tempo inteiro e nem nos damos conta disso.
    É um reencaixar-se em si mesmo…
    Parabéns !! Nada mais tocante e singelo que a beleza das flores para “ilustrar”.

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