Amizade-criançasQuem perdoa sinceramente, fá-lo sem condições e olvida a falta no mais íntimo do coração; todavia a boa palavra é sempre útil e a ponderação fraterna é sempre um elemento de luz, clarificando o caminho das almas.

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Quando tínhamos nossos dez anos, ficávamos ‘de mal’ à toa, mas também ‘fazíamos as pazes’ com facilidade. Parecia-nos, então, que a amizade se fortalecia. Não nos aflorara, ainda, a maldade dos adultos. Nessa época, ainda pequeninos, possuíamos o benefício de esquecermos pequenos perrengues rapidamente. Éramos incondicionalmente generosos.

Todos os esforços sempre deverão ser feitos na direção do perdão; possível também é o perdão real, de coração; porém, dentro da naturalidade dos fatos, – e da Lei Natural não poderemos duvidar – a parte reservada ao esquecimento da ofensa sempre será a mais delicada. Somente com o passar do tempo uma chaga poderá cicatrizar por completo. Não se sentir ofendido ou esquecer rapidamente a ofensa faz parte de almas especiais…

Admitimos o perdão incondicional no sentido de perdoarmos o equívoco alheio e não ficarmos lamuriando em torno do fato; popularmente falando, não ficarmos ‘jogando em cara’ do ofensor seu mau feito no passado. Afinal de contas, se assim não procedermos, o caminho do esquecimento, preconizado no Evangelho, sempre será percorrido através de sagrados atalhos.

De mais a mais, é inegável que o olvido completo, sempre será diretamente proporcional ao tamanho do ‘estrago’ e também à nobreza da alma ofendida.

Emmanuel nos dá a entender, na questão de hoje, que o perdão deverá sempre vir automática e incondicionalmente antes do esclarecimento, pois desta forma este já poderá estar dissipado de possíveis mágoas e até de ódios.

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Que fique o esquecimento para ‘amanhã’, pois sua importância sempre será relativa perante o fato de as partes já terem dado o primeiro passo para ‘as pazes’; as afeições já terem retomado seu curso; e os laços reaverem a chance de se fortalecerem, exatamente como quando tínhamos dez anos e éramos, ainda, simples de coração.

(Sintonia com a questão 334 de O Consolador, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 29ª edição da FEB) – (Primavera de 2015).

2 Comentários para “Automática e incondicionalmente…”

  • Silvia Gomes says:

    Tempo mágico meu amigo, o da nossa infância, onde experimentamos algo semelhante ao que deverá ser natural quando atingirmos graus mais elevados na escala evolutiva.
    Belo trabalho Claudio! Obrigado por compartilhar!Abraços e um lindo fim de semana!

  • Elci Senna Mano says:

    Um, assunto muito delicado e muito bem abordado, Claudio. Na verdade, na minha opinião é preciso que nos esforcemos para perdoar. A lembrança da ofensa , sempre que acontecer, deve ser substituída por um pensamento quem sabe de compaixão, porque de fato é isso que nos deve despertar o ofensor. É atitude de espíritos mais evoluídos, sem dúvidas. Vamos exercitando. Abraço! Parabéns pelo texto!

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