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1321309718834_fNosso ilustre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira nos explica que golpe é um “choque produzido por um corpo que em movimento rápido, atinge outro com maior ou menor intensidade.” Palavra do momento, o tão alardeado verbete leva-nos a algumas reflexões em momento crucial de aperto de cintos:

GOLPEIAM-NOS quando, quase que diariamente, vamos ao nosso mercado de preferência e vemos o preço da banana – que já não tem mais ‘preço de banana’ – ser vendida pelo dobro do preço anterior.

GOLPEIAM-NOS quando oportunistas de serviços de ordem pública ou privada são-nos oferecidos de forma precária e com reajustes incompreensíveis, pois não condizentes com a elevação de salário que nos oferecem.

GOLPEIAM-NOS quando em nossa TV ou rádio vemos e assistimos propagandas governamentais das diversas esferas, de forma lustrosa, mas duvidosas, a respeito de educação, saúde, saneamento básico, segurança e transporte. GOLPEIAM-NOS quando entendemos o preço que custa tais comerciais exibidos normalmente em horários nobres. Se os governos são tão bons (e não o são!) por que alardeá-los?

GOLPEIAM-NOS quando vemos, por exemplo, firmas tradicionais de nossa Zona Sul demitirem operários aos milhares; vermos a Marcopolo Rio (Xerém) declarar ‘Lay-Off’ (demissão/rompimento de contrato) por 5 meses (carrocerias Marcopolo são vistas rodando no Peru e outros Países Sul Americanos); vermos a Comil Lorena – SP fechar seu pátio por tempo indeterminado; e na Mercedes Bens de São Bernardo do Campo, 1500 operários estarem em licença remunerada desde fevereiro deste ano.

GOLPEIA-NOS o governo federal e estadual quando rodamos por rodovias esburacadas de nosso estado, pedagiadas a R$ 9,70, quando na vizinha Santa Cataria roda-se por rodovias ‘lisas’ com consórcio a R$ 2,30.

GOLPEIAM-NOS quando vemos ‘funcionários’ de mãos ensangüentadas desejando estancar sangrias visivelmente irreversíveis. Ou quando se retira um parlamentar do comando da câmara dos deputados por visível decoro e este é substituído por outro também investigado em operação da Polícia Federal.

GOLPEIAM-NOS quando a imagem não desses indivíduos, mas de nosso País corre o mundo instantaneamente e servimos de chacota a povos próximos e distantes.

GOLPEIAM-NOS e GOLPEAMOS-NOS quando ouvimos a bondosa e benemerente senhora afirmar que ‘já não consegue dar café com leite à sua centena de crianças assistidas; mas que mesmo assim lhes dá café preto e carinho.’ Isso sim é golpe, pois a população não a ajuda pois que também não tem de onde tirar e o poder público não está nem aí! Perante fatos como este golpeamo-nos e choramos…

GOLPEAMOS-NOS quando nos tratamos de ‘verde-amarelos’ ou de ‘vermelhos’, quando nossas cores deveriam ser, em unanimidade, verde, amarelo, branco e azul, pois assim está definido no Brasão e Bandeira da República Federativa do Brasil.

GOLPEAMOS-NOS quando nos definimos por partidos, ou por cores, ou por credos, ou por opções ou por… quando nossa definição deveria ser pelo bem estar, pela ‘ordem e progresso’ e pela fraternidade.

* * *

Antes de nos digladiarmos – os ‘verde-amarelos’ e os ‘vermelhos’ – vamos meditar sobre os verdadeiros sentidos de golpe; que todos estamos sendo golpeados, pois que todos somos consumidores de produtos e de serviços; que se os mais abastados estão sendo confrangidos, imaginemos os menos privilegiados; e que somente uma boa vontade Nacional amenizará a presente crise.

Escreveu Germano Rigotto na Seção ‘Análise’ do Diário Popular desta data: “A tarefa [do vice-presidente, caso venha a assumir] é praticamente do tamanho de um novo país, de uma reinvenção, de um grande reposicionamento nacional. Se acertar, conseguirá conduzir adequadamente um governo de transição. Se errar, crescerá a tese de novas eleições ou mesmo [do retorno da atual presidente], depois do prazo previsto para o seu afastamento provisório. Estamos na curva de um grande ciclo histórico...”

Até lá… que GOLPEIEM-NOS, mas que não nos GOLPEEMOS!

(Outono de 2016).