Archive for the ‘Crônicas de minha cidade’ Category

12376016_1023487627713766_3655852493391827333_nMeu posto de abastecimento de combustível, como muitos o fazem, oferece uma lavagem expressa para clientes que abastecem uma quantia ‘x’ de álcool ou gasolina.

Não tenho muita paciência para enfrentar a fila da lavagem que, na maioria das vezes, é muito extensa. Mas quando se ‘quadram’ meu tempo, a fila e a ‘sede’ do automóvel, aproveito o serviço.

O prestador de tal serviço é um jovem muito simpático, alegre, atencioso e com os dentes ‘adornados’ por aparelhos corretivos.

Percebi que, quanto mais assíduo ficava, mais o jovem caprichava na lavagem (não que desleixasse com os demais).

Fico imaginando que inúmeros clientes ali comparecem com seus automóveis portando adesivos e, como sabemos, os mais freqüentes são: adesivos-família; ‘Jesus salva’ (concordo parcialmente com este); ‘Deus é fiel’ (será que o condutor é?); ‘Eu respeito os pedestres’ (educativo); ‘Foi Deus que me deu’ (os meus comprei-os todos!); ‘Conduzido por Deus’ (o melhor dos Pilotos automáticos). Além de muitos partidários, religiosos, esportivos e promocionais. O mais curioso que tenho visto foi este: ‘Deus é fiel! Já a vizinha do 501…’

Como cada adesivo transmite um recado, fico imaginando que o jovem trabalhador fique fazendo comparações entre a mensagem do adesivo e o comportamento do cliente (aqui, suposições minhas…)

Embora gratuito, gosto de colaborar com o jovem trabalhador: Para não constrangê-lo, na primeira vez consultei-o. Agora sempre lhe entrego o tíquete do vale lavagem e algo a mais que lhe informo ser para colaborar com sua merenda. E ambos ficamos satisfeitos…

* * *

Após todas estas reflexões, enquanto esperava minha lavagem, percebi que também meu automóvel possuía, no vidro traseiro, adesivo de nosso querido Recanto de Luz, onde, entre outras coisas assim se expressava: “Disciplina, paciência e união – Dedica um dia ao Evangelho no Lar.”

Tomara tenha sido eu aprovado se, por acaso, o jovem tenha visto meu adesivo e reflexionado sobre meu comportamento…

(16 de dezembro, primavera quente de 2015).

Sábado, primavera de 2013. Em meio ao frenético vai e vem da pista central da Avenida Duque de Caxias, bairro Fragata, fazíamos, minha velhinha e eu, a caminhada que deveria ser mais amiúde, não fora os encargos da recente instalação.

A primeira constatação é que tal pista, construída inicialmente para ser um corredor de coletivos, continua à deriva do progresso, com imensas rachaduras, desníveis, mal sinalizada, e com inadequações em todos os seus retornos, como a própria avenida em seu todo.

Mas não é propriamente ao estado da pista que desejo me reportar, mas aos personagens que naquele momento a freqüentavam:

Muito próximo aos trailers de alimentação, as moças da limpeza realizavam suas tarefas, – árduas por sinal – de retirar todo o lixo que, sobretudo às sextas, sábados e domingos à noite é jogado inescrupulosamente naquela área. Também, aqui, e o deixo claro, não havia insatisfação por parte das profissionais; muito pelo contrário, exibindo todos e os possíveis looks próprios de suas feminilidades, cumpriam de forma risonha suas tarefas com o maior capricho possível.

Após as cumprimentarmos e elogiarmos seus trabalhos, minha amada e eu comentávamos de como tal área deveria estar imunda nas primeiras horas das segundas feiras, ao que concordaram, referindo-se ao caos e ressaca no início da semana.

Nesse mesmo instante e olhando para os lados da avenida, distraí-me ao pensar na diversidade de seus moradores e de como a felicidade está desvinculada do possuir ou não possuir. Questionamentos me ocorreram, tais como: Será que na mansão próxima haveria felicidade e que tipo de felicidade seria? Ou nas casas mais humildes, qual seria o significado dela? Entre o ter e o ser, quanto distanciamento do conceito felicidade!

Desatento, voltei a encarar as ‘meninas’ da limpeza e seus rostos humildes, porém francos pareciam me declarar que ‘eram’ muito mais do que ‘tinham’: Eram responsáveis, eram caprichosas, eram habilidosas, eram verdadeiras, eram ou… pareciam ser felizes!…

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“A Nigéria é líder entre os países com maior porcentagem de pessoas que se consideram felizes. (…) Situada na África, continente considerado paupérrimo, [conclui-se que] nem sempre a condição econômica é motivo de felicidade.” (World Values Survey, investigadora de valores socioculturais e políticos a cada cinco anos).

Conclui a mesma pesquisa que Rússia, Romênia e Armênia são os países menos felizes, donde é forçoso se coloque em dúvida que a origem e influência marxista não tenham completado o quesito felicidade dos povos.

Mas qual, então a ‘receita’ da felicidade? É possível que seja ‘a’ dada pelas moças da limpeza da ‘minha’ Avenida? Sim! É possível! A paz da consciência do dever cumprido, a satisfação que sentem de ver seu trabalho usufruído por ordinários e anônimos usuários e caminhantes como eu, a humildade de suas tarefas, o sentirem-se pequeno-grandes obreiras… as fazem felizes e disso eu não tenho dúvidas.

É possível que se o Mestre por ali passasse, num flash back e ao verificar suas fainas, as incluísse em seu ‘time’, – o das pequenas criaturas – como o fez com Zaqueu, com o Centurião, com Madalena, com a Viúva do óbolo, com o Publicano em rogativa no templo, com a mulher do poço e com tantos outros pequeninos perdidos no tempo e nas vielas da poeirenta Palestina e capital Jerusalém de Seu tempo.

Pensa nisso, minha querida e meu querido!

(Sintonia: Cap. Países mais felizes, pg. 47 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera de 2013).