Archive for the ‘Crônicas doutrinárias’ Category

“Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.” (O Espírito de Verdade, Paris, 1860).

“Dance comigo através do medo até estarmos em segurança; erga-me como um ramo de oliveira, traga até nós a pomba da paz; dance comigo até ao fim do amor; estamos protegidos pelo nosso amor [que] buscamos em nós mesmos; faça comigo um abrigo para enfrentarmos as tempestades…” (Leonard Cohen em dance me to the end of love).

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Leonard Norman Conhen, Canadense de origem Judaico/Polaca (1934 – 2016), poeta, romancista, compositor e cantor, ficou conhecido por escrever e cantar os horrores da Segunda Grande Guerra que “levaria” seu pai aos nove anos. Muitas de suas composições narram ou se referem a tais horrores; “Hallelujah”, a mais conhecida, é uma delas; mas esta, “dance me to the end of love”, da qual retiramos alguns fragmentos, seria incisiva, acusatória e sentimentalmente melódica.

Movimentando-nos entre o sagrado e o profano, (até porque vivemos num mundo sagrado e profano), percebemos profunda vinculação entre as duas citações supra:

O Maior dos Benfeitores irá nos exortar (ESE, VI, 5) a “amar-nos”: de nada adiantará “instruir-nos” se não “praticarmos” o primeiro ensinamento. É como se chegássemos ao final de ano, aprovados e não tivéssemos avançado nada nas relações de afetividade com os colegas de convivência cristã.

Reflexões nos dão conta de que há preces mais sinceras nos corredores de um hospital do que na nave central de um santuário…

As mesmas reflexões nos contarão que num mesmo hospital é um negro que, muitas vezes, salva a vida de um branco; ou uma “patricinha” irá tirar a dor de um mendigo…

O “profano” de Leonard Cohen não irá fugir em muito aos ensinamentos do Benfeitor, pois, em “dance me to the end of love”, fará a grande denúncia e o apelo ao não preconceito que levaria ao holocausto todos os que eram considerados “diferentes” da raça ariana. E essa denúncia/apelo chega nas melhores formas; a da música e da poesia:

Num início de ano letivo cristão somos, por inteiro, “medos”, mas ao final do ano estamos em “segurança”, pois a estima se fez. O “ramo de oliveira” deve ser erguido pelo grupo todo: ele traz a “pomba da paz.” O ano letivo é um baile; cada roteiro é uma “dança…” Nossa proteção é oriunda de um entendimento: primeiro cordial, depois afetivo e, por fim, amorosamente fraterno. E tal “abrigo enfrentará todas as tempestades”, de origens interna e externa.

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Do “amai-vos” para o “instruí-vos” será só um pulinho: o “segundo” virá, automaticamente!…

(Primavera de 2018 – A canção poderá ser apreciada no YouTube).

Onde está escrita a lei de Deus? “Na consciência.” (O Livro dos Espíritos, Q. 621).

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“Desde que Mundo é Mundo”, desde o início Planetário, quando Nosso Senhor Jesus Cristo é designado pelo Pai, formador, organizador, disciplinador e seu desenvolvedor;

Desde que e através de seu sexto atributo (Soberanamente Justo e Bom), nosso Deus resolveu, através da Trindade Universal (Deus, Espírito e matéria), emprestar seu hálito aos elementos gerais do Universo (espírito e matéria);

Desde que nossa Divindade desejou “intelectualizar a matéria (intellingenter la matière), a necessária união do espírito e da matéria” (Q. 25);

Desde que, como Princípios Inteligentes, começamos a nos movimentar pelo Orbe Terrestre, donos de uma razão, a princípio rudimentar partindo para a complexidade;

Desde que nós, Humanidade, tomamos um caminho sem volta, a rota da evolução, começamos, como costuma acontecer em “Moradas do meu Pai”, onde o sistema ainda é penitenciário, a utilizar a tiara eletrônica:

Muito mais eficiente e nada comparável à tornozeleira eletrônica de nossos dias, que ainda ludibria a terceiros (ou à nossa insensatez!?), a tiara eletrônica, insuspeita, não deixa dúvidas às atitudes por nós tomadas:

Pois ela (a Lei de Deus) “é a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta.” (Q. 614).

Não somos mais a categoria de Planeta onde a ignorância da primitividade nos inocentava; onde corríamos soltos pelas veredas da instintividade: sobrevivendo, procriando, salvaguardando-nos. Sem a necessidade da tiara eletrônica.

Muito pelo contrário, “quando mais avançados, corrompidos e só com sensações” (ESE, XI, 8), já fora de nossa originalidade e para que “arrancando o joio, não fosse também ceifado o trigo” (Mateus, 13:29), fomos todos condenados ao uso do dispositivo consciencial e de monitoramento individual.

E assim, peregrinamos por veredas escusas: das guerras “sagradas” sob os auspícios da cruz; da “santa” inquisição; das disputas comandadas pela intolerância e desrespeitos… E a tiara da consciência sempre esteve sobre nossa cabeça: orientando a poucos de boa vontade; e a uma maioria de equivocados…

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Eia, irmãos! Surge a hora da Liberdade; surge a hora de nos livrarmos do “dispositivo”: a hora do “ser religiosidade” em substituição ao “ser religioso.” A hora da “religião superior ou natural fundamentada na mais afetuosa fraternidade.” (As Alegrias da Alma, de Chico Neto pelo Espírito Hammed, Pg. 53).

Eia, irmãos! A jornada evolutiva é longa: que não desejemos assimilar toda a doutrina, num só ano, numa década, numa só vida… Mas que, em meio à jornada, nos estimemos; depois nos afeiçoemos; e ao final nos amemos…

Então a “religião superior ou natural” do Benfeitor Hammed, a Fraternidade, estará começando a ser instalada!

Tiaras fora!

(Inverno de 2018).

“Os que encarnam numa mesma família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações.” (ESE, XIV, 8).

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Nosso caminho evolucional é comparado a longo deserto que percorremos da Infância Espiritual à Angelitude.

Nossos companheiros de travessia possivelmente se repetem a cada nova encarnação:

Reunimos-nos por simpatia; ou, somos “espíritos simpáticos”: e o núcleo de reunião mais necessário e justo é a família; quer seja ela corporal, espiritual ou satisfaça ambos os requisitos.

Quando afirmamos que “fulano é extremamente simpático”, é possível que seja ele educado, elegante e gentil: qualidades do corpo e do Espírito aí encarnado…

… Mas quando o Codificador nos fala em “Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações”, simpáticos toma a conotação de “atração.”

Dessa forma “simpático”, longe dos conceitos anteriores, passa a significar uma atração por conveniência: desejamos nos atrair por motivos nobres; ou nem tanto.

Se tivermos atração pelo bem, nos reuniremos com Espíritos afins. Se tivermos atração pelo mal, prazerosamente desejaremos nos reunir a Espíritos de tais tendências.

A atração, por conseguinte, é neutra; neutros não o são o bem ou o mal.

A família tem o poder de reunir pessoas de matizes diferentes: para que os maus sejam reeducados pelos bons e para que estes se consolidem como tal: instrutores e missionários.

Evidências se tornarão patentes: não nos reunimos única vez; já fomos bons juntos; maus juntos; contraímos dívidas uns com os outros; e não as saldamos totalmente…

… E por isso estamos juntos novamente, nós, afins ou simpáticos, amparando-nos na travessia do deserto Terreno.

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Se revivemos num Planeta onde ainda o mal predomina, tenhamos a consciência de que nem sempre aqui estaremos reunidos em torno do bem – o Plano do Pai celeste. Mas…

… Poderemos, ainda, estar reunidos por atrações escusas: ainda na contramão das Divinas Leis ou Naturais.

(Evangelho no Lar, 2 de julho; inverno de 2018).

“Há muita gente que perambula nas sombras da morte sem morrer: [São os desertores] da evolução.” (Emmanuel).

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Ficarmos à margem da evolução, (ou dela desertarmos) não significa retrogradarmos espiritualmente, mas sentar-nos à beira do caminho, sem motivação: é o estacionamento.

Se “fora da caridade não há salvação” (entendamos “não há evolução”), e caridade é, “como a entendia Jesus, benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições dos outros e perdão das ofensas (BIP)”, – questão 886, de O Livro dos Espíritos:

Toda vez que estivermos realizando o desserviço, ao invés do serviço, estacionaremos; ou deixaremos de evoluir: ficaremos sentados à beira do caminho ou desertaremos de nossa progressão.

Tal situação poderá ocorrer quando nos acomodarmos na poltrona dos cifrões; quando os vícios nos manearem; a amargura nos tornar salgados demais para conosco e com os outros; quando as ilusões de nossa sociedade de consumo nos anestesiarem.

Ou quando hábitos esquisitos algemarem nossas mãos, pés, pernas e braços; quando o desalento podar todos os galhos de nossa esperança; ou quando a mentira do mundo atual substituir todas as verdades relativas à Vida Futura.

Acordarmos dos “mortos vivos” e auxiliarmos será o grande antídoto a todos os desserviços, acima enumerados.

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Ou ficamos sentados à beira do caminho (mortos), desertores; ou vivos, auxiliando-nos e servindo, na medida de nosso possível, àqueles que nos cercam.

“Deixa que os mortos enterrem os seus mortos” (Mateus, 8:22), ou que os vivos colaborem com aqueles que desejarem se ausentar da vida; literalmente, desejarem se tornar desertores.

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 143, Acorda e ajuda, 1ª edição da FEB) – (Inverno de 2018).

“… Atendendo os deveres que o Senhor te confiou, atravessarás o campo terrestre sem furtar a ninguém.” (Emmanuel).

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Comumente, nos expressamos: “fulano rouba-nos o tempo! Aquele nos furta a paz e a tranqüilidade; perdemos a confiança no sicrano; sacrificou-nos os interesses; desejou invadir e adivinhar nossos pensamentos; tirou-nos a esperança e a alegria de viver; desperdiçamos nosso próprio tempo; roubam muitas inocências; tornou-se um viciado precocemente…”

Não estamos aqui nos referindo a nenhum furto amoedado, mas a espoliações, roubos de “ordem moral.”

Normalmente ao assim procedermos, – roubarmos ou sermos roubados – estamos atravessando o campo terrestre mais preocupados com a vida alheia; em prejuízo da nossa…

… E atendendo [menos] aos deveres que o Senhor nos confiou.

A melhor prevenção contra a apropriação moral indébita será, portanto, nos preocuparmos com os “nossos” deveres; aqueles que o Senhor nos confiou.

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Somos convocados, sim, por nossos deveres, a auxiliarmos irmãos em evolução; mas qualquer apropriação moral indébita, longe de ser uma colaboração, passa a ser furto moral…

… No mínimo uma interferência indevida.

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Em tempo apropriado, Nações já moralizadas terão catalogado como crimes tais apropriações.

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 142, Não furtes, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2018).

“O desapontamento recebido com fervorosa coragem é trabalho de seleção do Senhor em nosso benefício.” (Emmanuel).

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Escrevemos, também, para aproveitamento dos outros. É comum, entretanto, e porque nossos ouvidos são os mais próximos, dirigirmo-nos a nós próprios.

Hoje, de forma especial, quando estudamos expectativas, a qual Emmanuel aborda em forma inversa, como desapontamento, dirijo-me, exclusivamente, (e perdoem-me o entrevero pronominal) aos “meus ouvidos…”

Possuímos a disfarçada mania de nos preocuparmos com “deus e todo mundo.” Na verdade interpomos aos outros nossas interferências – o que é diferente de colaboração – para que deles possamos vir a cobrar algo; é a “moeda expectativa”, relacionada aos nossos mais diversos círculos:

Daquele amigo que julgamos haver nos traído a confiança: confiança essa por nós superestimada.

Dos que ombreiam conosco em trabalhos diversos e dos quais desejamos a perfeição.

De nosso cônjuge que talvez mantenhamos uma expectativa máxima. Aproveitando-nos do dia dos namorados hoje comemorado, muitas vezes o consideramos nossa propriedade: num primeiro instante ele é “a nossa namorada; ou o nosso namorado.” Mais tarde “a nossa noiva; ou o nosso noivo.” E, finalmente, num extremismo ela é “a nossa esposa”; ou “o nosso esposo.” Esquecemo-nos, por inteiro, da individualidade do Espírito; e que ele ou ela são, e tão somente, nossos parceiros, auxiliares e instrumentos de caminhada.

Quanto aos filhos, atingimos o exagero, expressando-nos: “filho é sempre filho; não importa a idade!” Apegados a tal chavão, ignoramos que eles se tornaram adultos e possuem suas próprias expectativas. Quando deveríamos considerar-nos felizes por nos presentearem com os netos, “indolores, gratuitos”, tal qual um combustível, gracioso em tempos de gasolina, álcool e diesel caros.

Mantemos expectativas até sobre nossos feitos; e aqui talvez a moeda mais vil que possa se nos apresentar: a do reconhecimento.

Quando o melhor dos amigos, dos trabalhadores, do cônjuge, dos filhos nos decepciona, – desaponta-nos – quando não reconhecem nosso esforço, vem-nos à mente logo a traição e não um trabalho de seleção do Senhor em nosso benefício.

Se nos decepcionam, ou se não satisfazem nossas expectativas é possível que não se constituam, ainda, nosso melhor amigo, trabalhador, parceiro, cônjuge, filho. Ou que nosso “dever tenha deixado a dever!”

Porque há muita disparidade entre o patamar evolucional dos Espíritos, alguns afinarão conosco; outros nem tanto! Afinal somos 7,6 bi de almas diferentes nesta Escola chamada Planeta Terra.

Precisamos, então, de uma fervorosa coragem para entendermos tais desapontamentos aqui estudados como expectativas:

E essa fervorosa compreensão e coragem é o entendimento do livre arbítrio daqueles que nos cercam; mesmo se constituindo eles amigos, trabalhadores, cônjuges, filhos… E mesmo que no cumprimento de nossas obrigações estejamos, apenas, saldando débitos.

Tais criaturas, porque muito próximas a nós, passam-nos ainda despercebidas como “indivíduos individuais.”

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“Qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? (Lucas, 11, 11). Também no sentido das expectativas, nosso Pai que está nos Céus estará realizando a nosso favor esse trabalho de seleção.

Se a moeda expectativa nos cega, quem dela não for um escravo que veja!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 141, Renova-te sempre, 1ª edição da FEB) – (12 de junho; inverno de 2018).

“Ainda que nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova dia a dia.” (Paulo, II Coríntios, 4:16).

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“O corpo se origina do corpo; o Espírito não é proveniente do Espírito, porque este já existia antes do corpo” (ESE, XIV, 8), constitui-se numa das colocações mais sábias da doutrina dos Espíritos.

Perecível, nosso corpo herda dos genitores características físicas, jeitos, trejeitos, cacoetes, tiques…

Imperecível, imortal, o Espírito é herdeiro de si próprio: um acumulado de virtudes ou equívocos.

Ambos são, pois, de procedências diversas e Paulo Apóstolo nos adverte sobre o fato:

De que, embora faleça nosso corpo atual um dia, nosso Espírito, ao qual chama de interior, tem o dever de se carregar de energias salutares dia a dia.

Não seria Sábio, Justo e Bom nosso Pai, se não nos destinasse à perfeição; e renovação é o termo usado por Paulo como pressuposto de encaminhamento à perfeição.

Emmanuel nos lembra que “cada dia tem a lição; cada experiência o valor correspondente; e cada problema determinado objetivo.”

Embora de procedências diversas, corpo e Espírito tornam-se parceiros, pois:

  • A lição é para ambos: ela pode ser salutar ao corpo, também, mas imprescindível à ascensão do Espírito;
  • Significativas mais ao Espírito, as experiências boas ou más estabelecem o aprendizado: é desejável que quanto mais maduro seja o corpo, mais contribua com a parceira alma; e
  • Os problemas, inerentes à categoria Planetária serão o cimento que solidificará tais parceiros.

Encararem lições, experiências, problemas, juntos, sob o comando do Espírito, será tarefa para tal parceria.

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As procedências de corpo e Espírito, (conforme citação supra), são de origens diversas, mas a cada reencarnação nova parceria se estabelece, em corpos alternados, diversificados, anômalos (se necessário), para que o “interior se renove dia a dia,” ano a ano, revivência a revivência.

Pobreza, enfermidades, velhice, são, já, o ocaso, a decadência física; o encerramento de mais um ciclo corporal; mas o início de novo ciclo para o Espírito que já será com novo parceiro.

Parceiros? Parceiros!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 141, Renova-te sempre, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2018).

“O Mundo ainda é uma Jerusalém enorme congregando criaturas dos mais diversos matizes.” (Emmanuel).

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Jerusalém era o centro da Palestina antiga, onde Jesus viveu seus 33 anos Missionários: e na hora derradeira, não foi diferente, pois ali o sentenciaram; percorreu o caminho do patíbulo; e foi assassinado.

É possível que nessa hora derradeira, poucos o tenham acompanhado: sabe-se de Maria, sua Mãe, João (o discípulo ‘amado’), Maria de Magdala, a outra Maria, (irmã de Lázaro) e outros personagens ‘avulsos’ como Verônica, o estrangeiro Simão (de Cirene), a soldadesca, o oficial Longino e o bom (Dimas) e o mau ladrão (Cefas)…

… Acompanhantes heterogêneos; por bons ou maus motivos!

Na Jerusalém de hoje, diversificada também, (o Mundo) comportamo-nos da mesma forma; com interesses mais ou menos prudentes; de variados matizes:

Os impenitentes do agora; ou usurários egoístas, vivendo no entorno de nossos umbigos; os que ridicularizamos os já de boa vontade; os ainda ignorantes das verdades Cristãs; os acovardados perante a urgência do bem; os de pouca ou fé inoperante; os ingratos que já esquecemos de todos os socorros dos Emissários do Mestre; e outros, finalmente, com sinceridade e fervor, mas ainda temerários da imensa cruz que o Planeta supõe.

Simão, o de Cirene, era um destes: não tão convicto, mas sentindo a necessidade de operar, ajudar, servir…

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Não temos, ainda, a operância ou determinação das Marias; nem a de João, Verônica ou Dimas; tão pouco desejamos ser tais quais a soldadesca, Longino ou Cefas…

… Mas ainda talvez representemos a Simão Cireneu, instigados por nossa consciência; constrangidos perante nossos débitos, mas já tentando abraçar o madeiro, benéfico, necessário, evolutivo.

Na Jerusalém de hoje há também ferramentas variadas, desde o material que nos salva ou emperra; o bem e o mal para nossa livre escolha; e ‘madeiros’ de toda ordem que desejaremos abraçar ou arrastar.

Ou ficamos simpáticos ao Mundo e antipáticos ao Mestre; ou atraentes ao Mestre e desinteressantes ao Mundo…

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 140, Após Jesus, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2018).

“Ninguém pode ser, simultaneamente, amigo e verdugo.” (Emmanuel).

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Vivemos em Planeta de maus onde, sem generalizar, há mais verdugos do que amigos: Nosso Orbe ainda é assim.

Naturalmente, e porque Deus é também Sábio, suas Leis Divinas ou Naturais (Leis Morais), estão ajustadas a ‘este’ Planeta.

Quando nos percebemos incompreendidos, solitários, experienciando as dificuldades das sombras e das asperezas, Paulo de Tarso lembrará aos Tessalonicenses (e a nós): “Deus não tem nos designado para a ira, mas para a aquisição da salvação.” (I, 5:9).

Afinados a Paulo e a Emmanuel compreendemos que ira ‘rima’ com verdugo e está na contramão das Leis supracitadas; e que amigo (do bem) ‘verseja’ com salvação, e está consoante às Leis Divinas.

A começar pelo foro íntimo, a ira nos transformará, primeiro, em inimigos íntimos; entretanto nossa salvação dependerá da afiliação às Leis Naturais na ‘versão’ Planeta Terra. Direta ou indiretamente, ira ou salvação, contagiará os que nos cercam.

Compreendida a nossa muitas vezes solidão, e entendidas as dificuldades, sombras e asperezas como educativas, começamos a verificar a necessidade de vivermos neste Educandário dentro dos planos divinos para cada um de nós.

Perceba-se que Deus não nos criou Espíritos maus (irados, verdugos): criou-nos “simples e ignorantes”, mas herdeiros de ‘Sua’ genética (amiga e salvadora).

Atingida tal compreensão e aderindo a ela ou não, nos tornaremos amigos ou verdugos próprios; possivelmente amigos ou verdugos de nosso ‘próximo mais próximo’ ou mais distante.

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É possível que muitos ‘nãos’ a nós próprios ou aos outros não possuam a conotação de carrascos, mas representem educação e pedagogia.

Será impossível sermos, simultaneamente, um ou outro: amigo e verdugo são dicotômicos, opostos.

Amigo ou verdugo? Eis a encruzilhada!

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 139, Na obra da salvação, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2018).

“Não procuremos orientação com os outros para assuntos claramente solucionáveis por nosso esforço (…). Cada Espírito possui o roteiro que lhe é próprio.” (Emmanuel).

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Cada Espírito carrega consigo um roteiro próprio; orientações adequadas para cada situação: passada a prescrição por insigne médico e adquirido o medicamento, lá estará a bula referendando como deve ou não agir o paciente.

Mas a que bula, roteiro, ou orientação nos referimos? Onde estão eles impressos? “Na [nossa] consciência!” (Questão 621 de O Livro dos Espíritos).

Foi lendo a bula que o Samaritano compreendeu que deveria assistir, anônimo, isento, dedicado, ao assaltado, na estrada que descia para Jericó.

Foi por deixarem de ler a bula que o sacerdote e o levita passaram ao largo, desatendendo ao mesmo infeliz.

Foi por ler a bula que Zaqueu subiu ao topo do sicômoro, para poder melhor ver o Mestre.

Foi por não ler por inteiro a bula que o agoniado “jovem rico” não conseguiu acompanhar por completo o Rabi.

Foi por ler a bula que a hemorroíssa (sangrava há doze anos), tocou as vestes do Mestre.

Foi por não lerem a bula que muitos condenaram a atitude daquela doente…

Foi por ler a bula que Maria (irmã do amigo Lázaro), lavou os pés de Jesus com suas lágrimas, ungiu-os e os secou com seus cabelos.

E foi por não ler a bula que Marta censurou a atitude da irmã, enquanto preparava e servia o jantar.

Foi por ler a bula que o centurião pediu ao Mestre que curasse seu servo, porém que não precisaria ir até suas casa, pois disso não era digno.

Foi por não ler a bula que Longino espetou a lança cruel no peito do divino Sentenciado.

É por ler a bula que afirmamos: “darei uma boa palavra e o pagamento ao meu guardador de carro, mesmo correndo o risco de que venha a, novamente, se embriagar!”

Mas quando não lemos a bula, “temerariamente, precipitados e desdenhosamente”, somos categóricos: “por que contribuir com este ‘desocupado’ se, novamente, irá se embriagar?”

É por lermos a bula que dirigimos palavra de conforto e estímulo à prestimosa que deixou nosso hall de entrada limpo e cheiroso.

Mas é por não lermos a bula que julgamos que ela está “sendo paga para isso” e então emudecemos…

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O “Doutor” é confiável; o diagnóstico contundente; a prescrição é clara… e a bula está à nossa disposição para quaisquer dúvidas: nela está escrito “o que devemos fazer ou deixar de fazer.” E “só somos infelizes quando dela nos afastamos.” (Questão 614 de O Livro dos Espíritos).

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 138, O justo remédio, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2018).