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“… Há muitas ações que são crimes aos olhos [de] Deus e que o mundo nem sequer como faltas leves considera. [Porém] não vos cabe dizer de um criminoso: ‘é um miserável; deve-se expurgar da sua presença a Terra!’ (…) Observai o vosso modelo: Jesus. Que diria ele, se visse junto de si um desses desgraçados? Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão. (…) Ajudai-o a sair do lameiro e orai por ele.” (Isabel de França, Havre, 1862).

* * *

Espírito Superior, a Benfeitora antevê outros crimes que não os tradicionais de seu século – duelos com armas brancas, de fogo, assassinatos:

Futura todos os crimes velados, cometidos por ‘colarinhos brancos’, que lesam irmãos diariamente: são os criminosos modernos.

Tais criminosos deste século, sonegando escolas, infra-estruturas, saúde, moradia, dignidade… afrontam os pequeninos aos “olhos de Deus”os preferidos do Cristo.

Mergulhados numa desfaçatez, asseclas os aplaudem, pois isso “nem sequer como faltas leves consideram.”

Do outro lado, em reações dantescas, como sanguinários cruzados, defensores da moral, nos firmamos em contraponto: não por regra ou disciplina, mas algozes modernos; o rótulo de cristãos nos afiança!

Nivelamo-nos a todos: aos santos cruzados; inquisidores; de colarinho branco; aos miseráveis de todas ordens e tempos:

Tornamo-nos, por afinidade  ou incompaixão, aspirantes ao “expurgo de nossas presenças na Terra.” Fadados à peneira fina que nos excluirá do seio dos regenerados.

Ao lado desses criminosos modernos, nos auto-recrutamos como novos cruzados e neo-inquisidores: ainda amantes de Talião e dos lapidadores.

Arrazoamo-nos: não foram eles investidos por nosso voto? Como tal não deixam de cumprir o acordado? Não se fizeram delituosos entre a plataforma e o mandato?

E continuamos argumentando: desarmados do ferro branco, arma de fogo, disparam falas e canetas; se atiram à inércia; se tornam os mais novos tiranos do povo!

E como tal os veremos e lamentaremos nossa chancela invalidada…

… Mas como não incluí-los no rol de nossa misericórdia ao verificarmos que nada é em vão, na Lei de causa e efeito?

O convite à boa vontade na época de transição também nos é feito, para que sejam as partes livradas do expurgo que antecederá a Regeneração.

Perante tal convite, lesados e criminosos lancemos um olhar benevolente à Jerusalém de antanho – o centro do poder dos milênios passados – e nos perguntemos como Ele agiria?

Somente a exemplo, lembraremos a humildade e a fé do centurião pedindo cura ao servo; os propósitos de Maria Madalena em recuperar-se; e do outro centurião e os que O guardavam no Gólgota testemunhando que era “verdadeiramente o Filho de Deus.”

Entre uns poucos bem intencionados e os mal intencionados em maioria, trataria a todos como doentes do Espírito e diria não ter vindo para os sadios.

* * *

Lançados ao “lameiro” por próprias opções, tais infelizes precisam de compreensão, mas precisam, também, do veto educativo em pleito vindouro. Se o escândalo é preciso à oxigenação do Planeta ainda mau, ao escandaloso será cobrado reparação; mas que também neste processo doloroso nossas vibrações positivas, compreensão, piedade, comiseração, serviço, imposições de mãos e orações serão necessárias.

Estas observações de Isabel farão consonância com o “verdadeiro sentido da palavra caridade como a entendia Jesus: benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.” (questão 886). Exortações visando realinhar ofendidos e ofensores.

E se não perguntam o quanto de indulgência necessária perante a proporção das imperfeições, convenhamos que aos criminosos modernos ou de lesa-pátria, e aos cristãos de Kardec também estão estendidas as recomendações dos Superiores.

(Sintonia: Kardec, Allan, O Evangelho segundo o Espiritismo, tradução de Guillon Ribeiro, Cap. XI, item 14, Caridade para com os criminosos; 104ª edição da FEB; e O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro, questão 886; 71ª edição da FEB) – (Evangelho no Lar, 7 de agosto; inverno de 2017).

1770163345_1364647994Em pleno Sahel africano – faixa horizontal que delimita o final do deserto do Saara e as savanas do centro do continente – localiza-se a República semi-presidencialista Burkina Faso, oeste africano e ainda na parte mais árida da faixa. Nesse país de pouca relevância, vive Yacouba Sawadogo, negro, muçulmano, de idade não revelada e fazendeiro humilde.

Observador do clima de sua região, Yacouba percebeu que lá chovia apenas numa época do ano e que entre as décadas de setenta e oitenta do século passado a estiagem se acentuou. Inconformado com a situação, o fazendeiro, que aparenta ter hoje mais de setenta anos, resolveu aplicar nos trinta hectares de sua fazenda a técnica zaï, de seus antigos ancestrais:

Antes das chuvas previstas por suas observações, Yacouba fez à picareta no solo árido e endurecido, – pois enxada não lhe entrava – inúmeras covas como se fosse para plantar mudas de árvores. Deitou nelas farta compostagem à base do estrume abundante na área, sementes trazidas de árvores distantes e tomou como seus aliados cupinzeiros muito comuns na região os quais estabeleceram verdadeiras galerias entre as covas. Realizou, ainda, pequenas comportas de pedras – diques – para que a chuva esperada escoasse mais lentamente. Feito o preparo, agora Yacouba esperaria as chuvas…

E as chuvas vieram, inundaram o Sahel e ficaram retidas nas covas. As primeiras sementes germinaram e encontraram calor e umidade. Mas Yacouba não venceria o deserto apenas no primeiro ano: Foram necessários trinta e cinco anos para que seus trinta hectares se transformassem numa reserva verde com mais de sessenta espécies de árvores de sementes nativas.

Outras culturas vieram: sorgo e milho; e alimentaram o povo; e o Yacouba ‘louco’ e ‘burro’ – assim era chamado no início – já era o Yacouba salvador, gênio, artista; o missionário de hoje!

Yacouba, não se intitulando dono da técnica zaï, instala nas fazendas próximas workshops – oficinas – visando se alastrarem suas idéias. Mais recentemente, Yacouba seria convidado por Barack Obama para apresentar-se em Washington e discursar sobre suas iniciativas; também participaria como palestrante a respeito de seus empreendimentos em conferência realizada na Coréia do Sul1

* * *

Na orientação do Benfeitor Emmanuel, arte significa “a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse ‘mais além’ que polariza – concentra – as esperanças da alma.”2 e ainda que “os artistas, como os chamados sábios do mundo, podem enveredar, igualmente, pelas [paralisias] do convencionalismo terrestre, quando nos seus corações não palpite a chama dos ideais divinos, mas, na maioria das vezes, têm sido grandes missionários das idéias, sob a égide do Senhor, em todos os departamentos das atividades que lhes é própria, como a literatura, a música, a pintura, a plástica.”3

Verifiquemos que na personalidade em estudo não estamos vendo o artista em atividades da literatura, música, pintura, ou da plástica, mas um indivíduo focado numa responsabilidade primária que chamou para si, a fim de contornar uma calamidade e, ao invés de ficar paralisado, como os demais de seu povo, desejou tornar-se o missionário das idéias, exatamente dentro de um potencial evolutivo que já possui.

Continuará Emmanuel: “Sempre que a sua arte se desvencilha dos interesses do mundo, transitórios e perecíveis, para considerar tão somente a luz espiritual (…) então o artista é um dos mais devotados missionários de Deus…”4 Se ‘inevitáveis serão os escândalos, mas ai do que causá-los’, inevitáveis e instrutivas também serão as catástrofes e calamidades e, por sua vez, venturosos e graciosos os missionários que, envolvidos na luz espiritual do Governador Jesus, para essas calamidades apresentarem soluções.

Jesus, em todas as épocas, desde a formação do Orbe, até os tempos presentes, sempre esteve a inspirar os antigos e novos profetas. Ao escolher ‘os seus’, não fez distinção entre o humilde pescador e o coletor de impostos. Como não o fez ‘encarnado’, o que importa a esse Administrador não será as aparências do artista, missionário ou profeta – se branco, negro, muçulmano, cristão, padre, com túnica, de paletó e gravata… Importa a este Zeloso, o desinteresse do eleito, sua abnegação, amor à causa, vontade de solucionar previstos e imprevistos.

Tais missionários, mormente os novos profetas, poderão estar ‘disfarçados’ de fazendeiros, muçulmanos, padres, madres, reverendos, escriturários, bandeirantes, médicos, sob solidéus… Há um propósito convicto do Mestre e títulos, rótulos ou designações serão irrelevantes, haja vista o personagem a que hora nos reportamos e mais tantos outros como São João Bosco, madre Tereza e irmã Dulce, Martin Luther King Jr., Francisco Cândido Xavier, Cairbar Schutel, Bezerra de Menezes, Divaldo Pereira Franco, Jorge Mário Bergoglio…

Não somos profissionais religiosos; professamos confissões diferentes! Entretanto, todo aquele que ‘professar Cristo’, independente da cor de sua batina, paramento, ritual, cor, casta, credo, corrente… fará parte da religiosidade futura que se chamará fraternidade. Caridade e fraternidade são os grandes imunizantes contra o orgulho que teima em nos aniquilar e imobilizar-nos as tarefas. Enquanto que a fraternidade é o conveniente consórcio de talentos a serviço de uma comunidade, a caridade é nossa quota de retribuição aos consorciados, mormente aos menos aquinhoados de possibilidades materiais, morais e intelectuais.

Nossas fala, escrita, ações e trabalhos, só terão validade quando se aproximarem ao máximo de decorrente vivência. A profissão religiosa é irrelevante e não representa nenhum empecilho se a intenção for a de servir constantemente. Ou André Luiz não teria, costumeiramente, um padre em sua equipe de socorro espiritual às regiões dos mais necessitados! Ou Yacouba seria estigmatizado não por ser negro, mas por ser muçulmano, estes tão execrados na história dos nossos dias.

Nossas iguarias, lar, bem estar, inteligência, autoridade… estão todos ancorados por confrades dedicados que diuturnamente por nós se devotam. Todo retorno em forma de caridade e bem querença a eles retribuídos, nos vacinará contra o egoísmo e homologará nossas sociedades verdadeiras. Quando as aldeias vizinhas de Yacouba se deram de conta que o missionário estava no caminho certo e obstinado às melhores intenções possíveis, ou quando deixaram de taxá-lo de louco, a ele se uniram e, dentro de sua técnica, passaram a plantar mais, a colher mais e a terem alimento mais farto. Porque o missionário, aquele banhado pela luz espiritual de seu Governador também é um influenciador em potencial; também é o grande agente de contágio do bem.

Quando Emmanuel nos dá o significado de artista, nos perguntamos como os vemos, em nosso meio, no dia a dia e se os vemos? Poderão ser todos aqueles que, reconhecendo o exato potencial de suas habilidades, – nem mais, nem menos – as desenvolvem dentro também de uma luz espiritual, ou realizam o mais além para que, na forma de serviço, promovam soluções, reflexões, instruções, consolações… todas essas ao nosso alcance em maior ou menor escala!

* * *

“Se você ficar em seu próprio cantinho, todo o seu conhecimento não tem qualquer utilidade para a humanidade”, diria em sua simplicidade Yacouba Sawadogo, ao demonstrar consciência de sua responsabilidade e dando-nos a entender que ele, fugindo ao convencionalismo terrestre, e embora sem a pretensão de ser o grande missionário das idéias, não desejou nunca desertar da responsabilidade de, exatamente dentro de seu patamar evolutivo, colaborar com as soluções que estiveram ao seu alcance e façam já parte de seu acervo de artista, missionário e profeta.

Arte é aquilo que fica: Passam-se anos, séculos e a boa música será executada; a tela e seu pintor serão cobiçados; o poeta será recitado; o ator será aclamado; o pesquisador será reconhecido; o servidor será imortalizado; profecias e profetas ecoarão; e o missionário será venerado…

“Yacouba sozinho teve mais impacto no combate à desertificação do que todos os recursos nacionais e internacionais combinados.” (Dr. Chris Reij, Vrije University of Amsterdam).

Bibliografia:

1. Baseado no documentário de Mark Dodd (2010), O homem que parou o deserto;

2. Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, O Consolador, questão 161, 29ª edição da FEB; e

3 e 4. Idem, questão 162 – (Outono de 2015).

Pub RIE Jul/2015

N16

“A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.

A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos… Tudo bem!

O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum… é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos e acreditar mais ou menos.

Senão, a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos. ”

* * *

As expressões acima não fazem parte da única vez que nosso ilustre Chico Xavier nos fala em ‘metades’. No capítulo 29 do Livro da esperança1, sob o ditame de Emmanuel, quando aborda o tema meio-bem, o filho de Pedro Leopoldo compara à pessoas mais ou menos, as que realizam a prática do meio-bem.

Chico abre o capítulo com a exortação de Fénelon “fazei o sublime esforço que vos peço: ‘Amai-vos’ e vereis a Terra em breve transformada em paraíso, onde as almas dos justos virão repousar”2, mas não esquece a advertência de Jesus “E porque estreita é a porta e apertado o caminho que leva à vida, poucos há que a encontrem.”3

Encontrar a vida da qual aqui nos fala Jesus através do antigo coletor de impostos e narrador Mateus seria, segundo nossos conselheiros Emmanuel e Chico, não admitir metades ou coisas mais ou menos. Chico, como nós, conviveu e acostumou-se a ver em nosso País coisas mais ou menos ou meias coisas: Meias verdades, meias administrações, meias beneficências, meios carinhos, meios socorros e cooperações, caridades interesseiras, meias abnegações… Enfim, vários meios-bens!

Não temos a menor dificuldade em discernir entre o bem e o mal, pois nossa consciência funciona como a bússola que nos anunciará qual desses caminhos a escolher. A grande dificuldade, entretanto, que se nos apresentará será o bem ‘mascarado’, ou o bem com trejeitos de mal, o meio-bem:

O mal é o grande vilão que não nos levará a lugar nenhum, tão pouco à vida à qual se refere Mateus. O mal é a negação do “amai-vos”, a estrada e porta largas, justamente porque o mal é extremamente confortável de praticar. Ninguém faz muito esforço para praticar o mal!

O bem, ao contrário do mal, por possuir um caminho apertado e uma porta estreita, nos exige o supremo esforço do “amai-vos”. Muito mais difícil de praticar do que o mal, o bem nos oferece extremado regozijo e somente ele terá a capacidade de nos introduzir no caminho que leva à vida. O bem não reclama bem, é a abnegação total e somente ele nos fará “ver a Terra em breve transformada em paraíso, onde as almas dos justos virão repousar”.2Falsidade

Extremamente arriscado, entretanto, é o meio-bem: Este é a ação na qual despendemos uma energia ineficaz e quenão nos levará a lugar algum, tão pouco à vida:

  • Não haverá nenhuma remuneração para o trabalhador que colabora na administração ou se engaja em tarefas beneficentes da casa espírita. Muito pelo contrário, em nos considerando os maiores beneficiados por tais labores, a colheita ficará a cargo do Administrador Maior e da Beneficente Providência. Se algum regalo desejarmos obter em troca será unicamente a fraternidade dos que conosco ombreiam. Realizarmos tais tarefas, desejando tributos de gratidão ou privilégios é realizarmos tão somente o meio-bem;
  • Sentirmo-nos necessários cooperadores sempre que adentrarmos em miseráveis casebres onde o saneamento e a higiene lhes passam ao largo e desejar de socorridos esquálidos, maltrapilhos e mal cheirosos concessões constrangedoras, não é alimentar ou assistir a necessitados, mas é a atitude do meio-bem, impondo-lhes [pesadas] cargas nos ombros;
  • Acolhermos crianças infelizes, elogiarmos companheiros, e protegermos amigos, para de todos obtermos a servidão, o retorno de elogios ou a mais vil escravidão, será o mais ignóbil meio-bem e pelo qual nosso Divino Tutor não terá a menor consideração; e
  • Repartirmos nossas ‘sobras’, no intuito de realizar caridade e com isso recebermos a consideração e veneração dos humildes, é realizarmos o legítimo meio-bem, completamente na contramão do óbolo da viúva que, incondicionalmente depositou na urna a única dracma que possuía;

Todas as ações de meio-bem que realizarmos nunca chegará a nos resgatar do mal porque todas elas estarão atendendo unicamente ao nosso orgulho, egoísmo e vaidade.

A prática do meio-bem é uma das mais estranhas atitudes de pessoas que, ao enaltecerem a eficácia da abnegação praticam o mais desprezível ‘toma lá da cá!’

* * *

A boa obra é fonte cristalina… O interesse, a cobiça, o desejo de regalos, de agradecimentos e elogios – ou o meio-bem – é o barro que sempre enlameará e tisnará a límpida água de beber.

Bibliografia;

1. Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, cap. Meio-bem do Livro da esperança, Ed. CEC;

2. Guillon Ribeiro, O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 9 do Cap. XI; e

3. Mateus, 7-14.

Publico este tema na primeira pessoa do plural, por fazer parte de exposição doutrinária – (Verão de 2013).

1º de abril. Não lhes falarei mentiras, mas a verdade de minha matéria sobre a Compreensão, publicada na RIE de abril/2012. O estudo foi exposição feita no verão 2010/11. Nele realizei um paralelo entre o capítulo Tua CompreensãoTua Casa, Ayrtes/João N. Maia – e o Poema de São Francisco de Assis. Sendo o texto muito longo, transcrevo alguns fragmentos – diferentemente do blog, na 1ª pessoa do plural. A íntegra poderá ser lida na revista ou, se o desejar, adquirida através de e-mail. Assim:

Todas as ferramentas das quais a compreensão se utiliza, levam à paz. A condescendência, a indulgência e a bondade são geradoras de luzes capazes de instalar o verdadeiro terreno fértil à transformação…

Sairíamos a catar na rua pessoas, com atitudes diversas para exercitar nossa compreensão? É evidente que essas primeiras oportunidades estão muito próximas, bem ali no ambiente de nosso lar… Quando essa compreensão estiver transbordando em nossa casa, estaremos aptos a compreender nosso vizinho, o atendente da padaria, o estoquista do supermercado, o guardador de nosso carro…

Resolvemos fazer aqui um dueto, confrontando exortações da Oração da Paz e as de Ayrtes – Condescendência, indulgência e bondade:

  • “Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a …” Os irmãozinhos que ainda odeiam a tudo e a todos, os que ofendem, os desinteligentes e os incrédulos, necessitam de nossa condescendência.
  • “…Onde houver errro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz!” O indulto – ou a indulgência – aos nossos queridos emparelhados na caminhada que aderiram a possíveis erros, desesperos, tristezas ou enveredaram por caminhos mais estreitos é pura compreensão.
  • “…Ó Mestre, fazei que eu procure mais: Consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando, que se recebe. Perdoando, que se é perdoado e é morrendo, que se vive para a vida eterna!” Consolar, compreender, amar, doar, perdoar é [o] entendimento maior que nos levará a uma bondade discernida.

Diferente de simplesmente compreender, a percepção faculta-nos esquadrinhar com os olhos do coração e acionar as mãos sagradas da misericórdia [que] nos levará a uma série de atitudes todas elas conciliadas com a Paz e com o concurso de um dos seus principais componentes, a Compreensão.

 “Uma pessoa, para compreender tem que se transformar” (Antoine de Saint-Exupéry).

cvs1909@hotmail.com  (Verão de 2010/11).

Mergulhados no mais absoluto silêncio desta manhã de outono, entre um mate e outro nossos sentidos da audição e da visão se aguçam e ouvimos ao longe o mar rumorejando majestoso… Perto das casas, um ou outro ladrido dos cães da vizinhança e uma revoada de quero-queros anunciam que a alvorada já se fez… E nada mais. O silêncio é absoluto! Pela vidraça percebemos que os plátanos e a parreira já podados alargam-nos a vista para os primeiros raios do sol que realizam um contraponto com o céu mais azul que já vimos.

Sem a agitação da TV, do rádio e com os telefones emudecidos, ampliam-se-nos as percepções, de modo que melhor podemos ouvir nossos pensamentos…

Emoldurados por este cenário, perguntamo-nos que outro seria mais apropriado para a prece e a meditação?

Via de regra, o burburinho de nossas prioridades diárias, marginaliza esta que deveria ser uma prática diária… No afã de resolver mil coisas – inclusive as supérfluas -, corremos o risco de esta prática ficar à deriva ao término de nossa jornada!

Recordamo-nos das vezes mais marcantes em que nosso Divino Mestre se colocou em oração:

  • No início de seu ministério recolheu-se ao deserto, como numa espécie de retiro… Aí, numa frenética luta os espíritos do bem e os do mal resolveram disputar-Lhe a corte. No final sabemos que os emissários do bem O serviram.
  • Quando, no notável Sermão da Montanha alguns discípulos lhe pediram que os ensinasse a rezar, o Divino Orador falou-lhes em nome de um Pai de todos, Justo e Bondoso que não desejaria mais as antigas leis viciadas e vinculadas ao olho por olho, dente por dente e à hipótese de se perdoar só sete vezes. “Quando orardes, exortou-os, dizei: Pai nosso, que estais nos céus – Não um Pai exclusivista, mas de todos, principalmente dos caídos -; Venha a nós o vosso Reino – um reino compartilhado, onde vassalos são herdeiros -; Perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos os que nos tem ofendido – Perdoar sim, se preciso quatrocentas e noventa vezes: Apelava Jesus aqui para a matemática, pois sabia que de linguagem seus compatriotas e, convenhamos, nós, os demais, seríamos muito ruins.
  • No Getsêmani, na véspera do veredicto, totalmente apaixonado por sua causa e por seus amados, também Se deixou envolver pelo aroma das oliveiras, da quietude e beleza do lugar e dos primeiros serenos daquela noite de agonia e preces; e até a derradeira hora, no mais profundo colóquio com o Pai, entristecido, rogava-Lhe que se fizesse a Sua vontade.
  • Suas últimas palavras, ao deixar a carne desfigurada, em forma de oração e imolação, proferiram: Pai, em tuas mãos entrego meu Espírito. Num misto de louvor, súplica e agradecimento, transferia-se para a Morada Original.

Quando abordamos oração, nosso lado poético reporta-nos à nossa mais tenra idade, quando algum adulto nos incentivou a ficar de joelhos e a ingressar na prática de algumas fórmulas.

Crescemos e lemos em algum lugar que um homem de joelhos ficava mais alto…

Hoje, temos a absoluta certeza que já não mais precisaremos de rituais para estabelecer esse canal com a espiritualidade; nem as fórmulas serão tão importantes… Como a velocidade do mais eficiente servidor nossa comunicação com o Alto se estabelecerá na forma do pensamento: Ligeira e eficaz… Afinaríamo-nos, aí, com a questão 658 do LE: Agrada a Deus a Prece? – “A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, pois, para ele, a intenção é tudo. Assim, preferível lhe é a prece do íntimo à prece lida, por muito bela que seja…”1

A esta altura de nossas filosofias gaudérias, talvez nossos olhos sexagenários já estejam um pouco marejados, mas não nos importamos, pois temos a absoluta certeza que este momento de prece e reflexão estará estabelecendo com a divindade a mais absoluta via aberta ao louvor, à suplica e à gratidão… É desta forma que didaticamente compreendemos a oração:

  • Bendizer – Bendizer um pai biológico, render-lhe homenagens, reconhecer seu valor, prestar atenção às suas virtudes, é um honra para qualquer filho… Quem de nós não gostaria de dizer: Meu pai é ótimo, sábio, domina muitas ciências, mas meu pai a despeito de tudo isso é imensamente bom e justo… Encher-nos-íamos de orgulho, não é verdade? Tais virtuosidades acima enumeradas são apenas um arremedo em se falando do Pai Eterno. Bendizer um Deus dessa forma coloca qualquer filho para cima. O antigo testamento, repleto de salmos, está aí a nos mostrar os louvores do povo de uma determinada época.  É bem verdade, também, que os filhos de Abraão, de Isaac e de Jacó, tinham seus interesses e muitas vezes regozijavam-se com seu Deus ante as derrocadas de seus inimigos. Na Nova Lei ou na Lei Aperfeiçoada por Jesus esses revanchismos seriam abolidos. Maria, a Mãe de Jesus, não se furtou de recitar o Magnificat, ante a alvissareira notícia da maternidade e olhem que não falamos, aqui, de uma maternidade qualquer! Maria recitando esse salmo demonstrava como seu espírito exultava em Deus seu Salvador;
  • Suplicar – Eternos pedintes, esta situação não nos apequena ante a divindade… Muito pelo contrário, as parábolas e os ensinos de Jesus estão repletos de manifestações amorosas do Pai sempre preocupado com seus filhos, mormente os mais caídos: Está aí o Filho Pródigo, A Ovelha Perdida, Madalena Contrita, A História de Zaqueu… Através da oração estaremos sempre em contato direto com a Fonte… Pedi e recebereis, batei e ser-vos-á aberto, exortou-nos Jesus, ante a lógica de o Pai entender nossas necessidades;
    • Agradecer – A gratidão seria a mais nobre forma de oração. Quando nosso Divino Médico curou os dez leprosos e um deles – que era justamente um samaritano – retornou para agradecer-Lhe, estaria sintetizada, aqui, a mais linda lição de gratidão: Não eram dez? – Perguntou Jesus – Somente um veio agradecer? Com a gratidão nós não só reconhecemos e reverenciamos a Divindade, mas nos é dado o privilégio de emparceirar-nos com Ela, visto Dela sermos herdeiros.

No Cap. 50 do Livro Tua Casa, nossos queridos autores nos estimulam que “A súplica é o canal por onde passa o alimento espiritual para todos nós, encarnados e desencarnados; por isso é bom – e mais ainda, é nobre – que aprendamos a orar…”2

Vemos nesta citação, também o lado da nobreza: Porque nobre é o nosso Pai, d’Ele herdamos também esse título e a oração estreita-nos o trânsito dentro dessa Abençoada Corte.

 Em se reportando ao culto do Evangelho no Lar, continuam os queridos amigos: “… existem falanges e mais falanges de Espíritos elevados, por ordem de Jesus, na incentivação do estudo do Evangelho em Casa, e não pode existir culto deste tipo sem Oração… Tua Casa precisa de Oração [e] por ela atuarão os Espíritos elevados… Quando uma família se reúne entre as quatro paredes com as intenções de se aproximar cada vez mais do Cristo, uma luz poderosa se fará presente e dissipará todas as trevas…”3

De fato, o Evangelho no Lar, além de incluir louvores, súplicas e agradecimentos – para nossa aprendizagem, o tríplice aspecto da oração -, é o momento adequado para, sob os auspícios da Espiritualidade Amiga, discutir entre as quatro paredes de nossa casa, estudos simples e participativos.

João era um operário simples e solitário… Pela manhã, sempre que se dirigia ao trabalho, entrava numa igreja, olhava para o altar mor e dizia bom dia, Jesus! Quando não tinha tempo pela manhã, repetia o gesto à tarde, formulando boa tarde, Jesus! Um dia João desapareceu… Caíra profundamente doente, numa cama de hospital e lógico, ninguém o visitava, pois nem família possuía… Entretanto, certa feita, as enfermeiras o surpreenderam em íntimo colóquio com um ser invisível; questionado, em sua simplicidade João disse às profissionais que alguém avisara seu Amigo e Este o viera visitar… E mais, lhe prometera que logo estaria bom e assim que isto acontecesse, voltaria a cumprimentá-Lo, diariamente, como sempre o fazia.

A nossa Divindade não quer de nós muitas fórmulas… Um bom dia, um boa tarde, um boa noite e o compromisso de estar em sintonia ou não prevaricarmos ante a naturalidade das Divinas Leis – Trabalho, Sociedade, Progresso, Conservação, Igualdade, Liberdade, resumindo, Justiça, Amor e Caridade… – nos manterão em espírito de oração e estaremos sempre numa via aberta ao louvor, à súplica e à gratidão.

 Bibliografia: 1.  Allan Kardec, Guillon Ribeiro, 71ª Edição; 2. e 3. João Nunes Maia/Ayrtes, Cap. 50 do livro Tua Casa, Editora Fonte Viva, 13ª Edição.

(Outono de 2011)Pub. RIE, Out 2011.

Analisando os atributos de Deus, à luz do item 6 da introdução de O Livro dos Espíritos, verificamos ser Ele eterno, imutável, imaterial, único, onipotente e, sobretudo, soberanamente justo e bom. Este último conforta a todos nós, sete bilhões de almas que povoamos este Planeta visto que, suas inúmeras benesses, presenteiam-nos, também, com o livre-arbítrio.

Em meados do século XIX, quando nosso querido codificador abria e fechava as questões a respeito deste assunto – 843 e 8501 – a Iluminação dos Espíritos lhe responderia com a mesma justiça e bondade que “Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina;” e “É fora de dúvida que o mundo tem suas exigências. Deus é justo e tudo leva em conta. Deixa-vos, entretanto, a responsabilidade de nenhum esforço empregardes para vencer os obstáculos.” Referia-se Kardec, nesta última, aos empecilhos que a posição social reservaria ao homem quanto à inteira liberdade de seus atos.

Está muito claro para nós, ante essas duas questões que, em primeiro lugar, por não sermos máquinas, possuímos a inteira liberdade de realizar as nossas escolhas. Em segundo lugar, o espaço que ocupamos na sociedade sempre influirá nessas escolhas. Em terceiro lugar – e aqui estaríamos entrando no assunto -, a influência de nosso livre-arbítrio na escalação de nossos ídolos: Poderemos dentro de nosso livre pensar e agir, explicitá-los como ídolos da Vida Futura e ídolos da Vida Terrestre.

Passando os olhos no capítulo O Cansaço do Repouso do livro Técnica de Viver – Waldo Vieira/Kelvin Van Dine -, chegamos à conclusão que em nossas vidas elegemos ídolos que realmente nos edificam e são os do primeiro grupo supracitado, mas também outros que só cansam o nosso repouso e que seriam os do segundo grupo. Estes últimos frustram a fé verdadeira e os primeiros evidenciam uma total confiança no Alto.

Independente do tamanho que possua a nossa jornada, toda ela e todos os dias de nossa peregrinação por este Planeta serão de opções que teremos que tomar do despertar até o adormecer. E mesmo durante o sono, continuaremos a colher os frutos dessas opções visto que escolheremos a faixa que desejaremos povoar durante o mesmo.

Isto posto, considerando que todas as nossas jornadas estarão revestidas de ações altruísticas ou nem tanto; positivas, ou nem tanto; voltadas para uma Vida Futura, ou nem tanto, elaboramos uma planilha de comparações que, longe de ser radical – pois assim não age o nosso Pai -, evidenciarão aqueles ídolos que elegeremos para o nosso dia-a-dia e que poderão ser totalmente antagônicos:

  • Preocupações ou prece? – Nossa opção começa logo cedinho: Poderemos entregar nossa jornada ao Criador, com uma prece muito simples, porém de coração; poderemos nos recomendar aos Bons Espíritos, solicitando-Lhes boas decisões, proteção… Ou já na primeira hora enuviaremos nossa mente com preocupações corrosivas e na maioria das vezes infundadas sobre coisas que nem sabemos se acontecerão;
  • Paisagem urbana ou paisagem rural? – Vivemos, em nossa maioria, peleando numa selva de pedras; somos eminentemente urbanos e embora reconhecendo o valor desse habitat, por que não repaginar ao menos os domínios de nossa morada? Por de trás de nossa vidraça, onde acomodadamente mateamos e nos deliciamos com nossa leitura, poderemos vislumbrar uma área totalmente árida ou… Plátanos, álamos, parreirais e muitos, mas muitos irmãos menores por nós aquerenciados e alimentados soltos nesse novo ambiente que por nós seria implantado e que no máximo em três anos estaria amenizando nossa então selva de pedras;
  • Casa ou Lar, aconchego, recanto? – Trabalhamos às vezes uma vida inteira, para possuir uma casa… Até competimos para que tenha a melhor arquitetura, o melhor acabamento e o melhor ajardinamento. E se raciocinássemos que antes de casa esse sagrado santuário é um lar, um recanto e o aconchego pelo qual ansiamos em nos refugiar após árduo dia de trabalho?
  • Emprego, Fonte de renda ou trabalho? – Dizia-nos São João Bosco, que o trabalho dignifica e enobrece a alma de um homem… Trabalho gera progresso e aí deverá estar fixada a nossa grande responsabilidade. A sociedade em que vivemos, mergulhados neste terceiro milênio, é ardilosa em querer nos mostrar o contrário querendo nos convencer que a fonte de renda que o emprego poderá nos oferecer é o que importa;
  • Carro ou utilitário? – Temos batido pé, freqüentemente, nesta questão: Nosso automóvel, independente de ser de coleção, antigo, novo, do ano, precisará tornar-se um utilitário – transporte, lazer, ambulância se necessário… – a serviço daqueles que nos circunvizinham. O Perigoso do carro é o cuidado excessivo, a adoração, o brilho, a sua intocabilidade em se tratando de certas atividades altruísticas;
  • TV de LCD ou ‘Radinho de pilha’? – Vivemos em uma região – sul do Rio Grande do Sul – onde não possuímos emissoras de rádio com uma programação completa e de bom gosto; existe, entretanto, na capital, mais de uma dessas, com programação completa e variada, que pegam em nosso radinho e impede que nossos pés fiquem chumbados à frente de uma TV, esse aparelho que chegou às nossas casas na década de 60, primeiro à válvula e em preto e branco e de lá para cá, numa tecnologia crescente tornou-se um aparelho perigoso que atribuímos a dois fatores: Em frente à TV, sempre há uma poltrona que poderá nos alienar e emissoras totalmente inescrupulosas e fúteis, incapazes, em sua maioria, de satisfazer nossas expectativas. Nosso radinho nos dá liberdade e informação… Sem cercear nossos movimentos!
  • Carreteiro de três dias ou macarrão no óleo e alho? – Aproveitaremos este item para realizar o recreio de nosso estudo… Quando iniciamos este trabalho, as idéias não estavam fluindo muito bem e nosso cônjuge, atarefado com as lides domésticas, atividades extra-casa e cuidados com a própria pessoa, chegou a pensar em nos servir no almoço um carreteiro de três dias… Como o tema era livre-arbítrio e usando-o sua escolha final recaiu sobre um macarrão ao alho e óleo, por sinal gostosíssimo e oportuno, pois à tarde ambos estaríamos envolvidos em tarefas mediúnicas;
  • Internet ou Livros – Acompanhávamos, outro dia – por nosso radinho – a Jornada Internacional de Literatura, realizada periodicamente em Passo Fundo-RS e diziam os seus organizadores que as mães grávidas daquele importante pólo lêem para seus filhos ainda não nascidos. Não relegavam a um segundo plano, esses organizadores, a importância da Internet; deixavam, porém, e bem claro, que o livro nos induz ao raciocínio, ao contrário da ferramenta em questão que, além de suas armadilhas, poderá nos alucinar. Livro não tem mouse e às vezes até lambemos o dedo para virar suas páginas; os assuntos, capítulos, não são minimizados para posteriore, mas utilizamos gostosos e atraentes marca-páginas para não perdermos as referências. Se por um lado a internet nos oferece muitas coisas prontas, os livros nos facultam aprontar coisas. Apesar da concorrência, os livros não caíram de moda!
  • Autores de novelas ou Chico Xavier, Emmanuel, André Luiz, Hammed, Francisco do Espírito Santo Neto…? – Aqui a coisa pega! A maioria dos autores de novelas, estas senhoras e senhores literatos, principalmente os da emissora mais tradicional do país, subestimam, totalmente nossa inteligência e nosso senso de justiça… Vilão de novela pratica o mal do primeiro ao penúltimo capítulo e no último… Ele não é julgado e nem vai para a prisão… Ele morre. Está estabelecida, aí, a apologia ao crime. Muito pelo contrário, as apologias ao bem, à justiça e ao amor nos vêm de encarnados e desencarnados integralmente comprometidos com a ética de Jesus Cristo. Neste caso, ao contrário dos primeiros, não há uma visão mercadológica do trabalho, tendo em vista que todos os literatos sérios de nossa doutrina têm uma destinação filantrópica para os lucros de suas vendas;
  • Time do Coração ou Esporte sadio? Coração é vermelho, mas, independente da cor, o time do coração poderá nos judiar, poderá nos tirar o sono e a ressaca do dia seguinte poderá ser grande. O jogo de nosso time poderá não ser o mais importante da rodada, mas certamente, sofreremos com ele e à toa. Poderemos ter à nossa disposição algo mais sério como uma boa partida de vôlei, basquete ou até mesmo de um futebol onde não haja simulações, cai-cai, vícios atuais de nossos ídolos que empanam o esporte bretão;  
  • Duro de matar 4.0 ou Leitura edificante? – Estamos chegando ao ponto nevrálgico no qual encerraremos nossa jornada e ingressaremos noutra, esta fora de nosso corpo físico: A interpretação de Bruce Willis certamente não será a melhor companhia para prepararmos uma investida noturna; uma leitura edificante, indubitavelmente estabelecerá um intróito mais adequado à viagem ora proposta.

Como podemos verificar, nosso livre-arbítrio nos possibilita a escolha de ídolos dos mais diversos naipes: Dos mais exóticos aos divinamente simples; dos imprescindíveis, mas que requerem um equilíbrio, aos totalmente fúteis; das ações pouco dignificantes às grandes e fraternas ações; de comportamentos lascivos a sérias atitudes; dos mais caros, exigentes e chantagistas como carro, aparelhos sofisticados, clube do coração, àqueles que não nos darão nenhuma despesa e são verdadeiras manifestações da atenção Divina como, por exemplo, sanhaços, sebinhos, bem-te-vis, corruíras beija-flores e calhandras não engaiolados mas que buscam seu quinhão diariamente em nosso quintal e nos recordam máximas do Mestre tais como não semeiam nem ceifam mas o Pai do Céu nos delega o privilegiado hobby de cuidá-los.

Sempre manifestamos, voltando aos atributos Divinos, nossa admiração por Sua infinita justiça, amor e bondade. Na questão do livre-arbítrio, não poderia ser diferente, visto que Ele “conseguintemente, não condena os gozos terrenos; condena, sim, o abuso desses gozos em detrimento das coisas da alma.”2 Ou seja, sendo Deus e a Natureza equilibrados, é natural que a Sua Providencial Bondade assim nos deseje.

A propósito, depois de excursionar em nossa jornada diária, como procedemos na escalação de nossos ídolos? Que critérios adotamos para defini-los e elegê-los? Nossas opções tem valido à pena? Que peso essas escolhas terão, considerando nossa Vida Futura?

Temos a consciência que algumas são totalmente equivocadas, mas apesar disso, as veneramos, cultuamos, endeusamo-las. Estamos cientes, também que esses ídolos escolhidos visando somente a Vida Terrestre, nos roubarão o sono, a saúde, a alma; dar-nos-ão despesas, nos causarão irritação, preocupações.

Fazendo uso de nosso livre-arbítrio, com qualquer intensidade, em qualquer tempo e seja na direção que for, escalaremos nossos ídolos e os mensuraremos. Conforme nossa vontade eles nos cansarão e atormentarão o nosso sono ou facilitarão nosso repouso e nossa paz.

Somos responsáveis quando da escolha de nossos ídolos – ou nossos carrascos? – e pelo tipo de satisfação que nos proporcionarão. Os primeiros são reluzentes, caros, chantagistas e perigosos: Poderão nos decepcionar! Os últimos são Divinamente simples, financiam uma real felicidade e… Cabem em nosso orçamento.

 (Inverno de 2011) – Bibliografia: 1. Guillon Ribeiro, O Livro dos Espíritos; 2. Guillon Ribeiro, O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 6 do Cap. II – Pub. RIE, Dez 2011.