0,,14823621,00Se eu analisar a raiz das duas palavras, é possível que elas digam mais da metade do que se queira dizer neste estudo, pois enquanto consumição tem origem na ação de consumir – desgosto, apreensão, inquietude -, tranqüilidade, originária do latim, significa serenidade (tranquillita) ou paz de espírito (tranquillitati)…

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Não é de hoje que consumição x tranqüilidade trava uma luta junto aos indivíduos deste Planeta: Enquanto os primeiros se lambuzam e se consomem nos prazeres do ter, os demais buscam serenidade e paz de espírito em ser.

Mas não haverá um meio termo? Sim! O Evangelho segundo o Espiritismo em seu item 6 referenda esse equilíbrio ao dizer que o homem em atender quer instintiva ou inteligentemente seu progresso e conservação, “trabalha por necessidade, por gosto e por dever” e que “Deus (…) não condena os gozos terrenos; condena, sim, o abuso desses gozos em detrimento das coisas da alma.”

“Detrimento das coisas da alma” é possível que seja a linha que rompe o equilíbrio da questão entre o ter e o ser, a consumição e a tranqüilidade. Aqui, alguns aspectos desse embate, utilizando-me da escrita itálica para o primeiro e da ordinária para o segundo:

Sempre que o estresse pinta na vida de um indivíduo é muito provável que ele, ou não esteja respeitando os limites de suas forças físicas e mentais, ou esteja muito mais preocupado em adquirir coisas físicas. Ao perfeccionista, milimetrado ou inseguro por não ver as coisas saírem perfeitas, a sua quota de perturbações psíquicas ou orgânicas será ainda agravada.

O indivíduo tranqüilo sabe que é eterno e que sua encarnação atual é dividida em dias e noites e que não poderá resolver todas as coisas num só dia. Ao estabelecer prioridades nessas resoluções, age preventivamente contra agressores de seu corpo e de seu Espírito.acabar-estresse-ficar-calma

Carro novo apresentando problemas que o velho não dava; a casa novinha, mas sem aconchego; roupas e cosméticos caríssimos que não proporcionam conforto, tampouco estética; o sapato da moda, mas que em nada alivia o joanete e incapacita o andar. A eterna disputa do ter: Eu preciso ter coisas mais novas e melhores que meu amigo, meu vizinho da frente ou do lado…

Os indivíduos, por serem ímpares, suportam cargas também diferentes. Saber cada um o seu limite, a hora de parar, se entregar a uma reflexão, descanso, relaxamento e lazer, hobby, tarefa trivial, é não dar combustível ao estresse, é colecionar pequenas felicidades.

Projetos desatinados e insanos, sem nenhuma perspectiva de serem realizados, poderão deixar maluco o indivíduo do ter, da consumição, do perfeccionismo. Inflexibilidades, intolerâncias e não perdão completarão a carga estressante da qual esses sujeitos ficarão reféns.

Pessoas doces, que se aceitam e aceitam seu próximo como é; as que, conhecendo suas limitações, abraçam projetos factíveis; que, sobretudo, são tolerantes com as próprias falhas e as do semelhante; e que sabem que o estresse é combatido com calma, ponderação, reflexão e possíveis intervalos em suas lutas diárias, são pessoas candidatas, não a um altar, mas aspirantes a participarem da Promoção Planetária…

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A tranqüilidade é o relaxamento responsável; a consumição é a excitação inconseqüente e irreflexa…

Quando a consumição se utiliza dos combustíveis que formam ‘coletâneas de ter’, a tranqüilidade é um ‘escrete de pequenas felicidades’, que leva os indivíduos à ponderação de serem.

(Sintonia: Cap. Respeitando o estresse, pg. 57 de O Evangelho é um santo remédio, de Joseval Carneiro, Editora EME) – (Primavera de 2013).

One comentário para “Consumição x tranqüilidade”

  • Silvia Gomes says:

    “O indivíduo tranqüilo sabe que é eterno e que sua encarnação atual é dividida em dias e noites e que não poderá resolver todas as coisas num só dia. Ao estabelecer prioridades nessas resoluções, age preventivamente contra agressores de seu corpo e de seu Espírito.”

    Verdade Claudio! Ainda não podemos nos considerar indivíduos totalmente tranquilos, mas já temos uma pequena noção e seguimos… hora em consumição, hora em tranquilidade… Mas acho que já podemos dizer que um pouquinho mais tranquilos do que consumistas e consumidos…!
    Obrigado pela partilha! Bela crônica meu amigo! Abraços!

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