Jesus, em sua curta encarnação e em sua também curta vida pública, utilizou-se, inúmeras vezes, de alegorias para transmitir-nos algo superior. E uma de suas mais célebres parábolas, foi, sem dúvida, a do Filho Pródigo.

Escolhemos justamente esta bela história do Nazareno para ensejarmos este pequeno estudo e defendermos que, em nossa maioria, aproximamo-nos, um dia, de uma Casa Espírita, devido à nossa prodigalidade.

Evitaremos aqui narrar toda a parábola; analisaremos nossos esbanjamentos, à luz de, tão somente, quatro fragmentos da narrativa:

  • Após dissipar os bens que lhe coubera, o jovem filho cai em si e passa a questionar-se: “Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar o meu pai…”. Faltou-nos um dia, em nossa evasão libertina, algum tipo de pão e as chagas dos excessos cobriram temporariamente nosso corpo. Mas talvez, a penalização do arrependimento e a fome do espírito mais nos atormentassem.
  • Não teve mais dúvidas o infeliz; urgia, agora, fazer o caminho de volta: “… quando seu pai o viu, encheu-se de compaixão, correu e lançou-se ao pescoço, cobrindo-o de beijos. O filho, então, disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho’”. Foram os braços abertos e os beijos da prece, do estudo e do trabalho que, certamente, encorajaram, um dia, o nosso repatriamento. Não ambicionaríamos ser chamados de filhos, novamente, mas e daí se o amor do Pai é incondicional!?
  • Então aquele Pai faz uma auto-avaliação da incontida alegria: “Ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés… pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado!”. Também nós, um dia ao engajar-nos na Casa Espírita, nos reencontrados e revivemos ante a túnica da proteção, o anel da responsabilidade e as sandálias da segurança.
  • E conclui aquele felizardo Pai, perante a fúria do irmão mais velho: “… era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois esse teu irmão estava… perdido e foi reencontrado!” Quanto não terá se rejubilado a espiritualidade na hora do nosso estalo; com um só clique, instalamos o programa para uma vida nova, tendo agora, como teto, uma Casa Espírita.

Não à toa, Batuíra, ao elencar as instâncias superiores de um Centro Espírita, define-o, entre outras, como uma Farmácia da Alma e uma Estalagem Fraterna: A farmácia, “promove a cura dos doentes do corpo, mas estabelece, acima de tudo, as metas para não mais adoecerem, revigorando-os com os ensinamentos espirituais.” A estalagem, “acolhe e socorre os cansados e desnutridos, dando-lhes guarida perante as lutas expiatórias e as dores provacionais que enfrentam…” 2     

Este novo rumo, porém, que a doutrina passa a nos proporcionar, envolve compromissos, responsabilidades. Retornamos à fartura da Casa do Pai, pela dor das feridas e da fome, mas ao engrenarmos a charrua, precisaremos prosseguir, progredir e fazer jus à confiança que o Pai nos devolveu.

Esse nosso retorno, através de uma Casa Espírita nos trará, certamente, farturas e, não morreremos de fome quando emparelhados e engajados na prece, estudo e labores diversos.

 (Subsídios: 1. Lucas 15, 11-32; 2. Batuíra/Francisco do Espírito Santo Neto –Conviver e Melhorar)

(Verão de 2010/11, preparando um estudo para um sarau artístico-literário, que o DAPS realizará em março, por ocasião do aniversário de nossa Casa Espírita) – Pub. RIE, Jul 2011.

2 Comentários para “De volta à “fartura” da casa do Pai”

  • Fernanda says:

    O Mestre a todo momento nos mostrando a misericórdia infinita do Pai, que sempre nos proporciona novas chances, sempre de braços abertos à nossa espera…

    “Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas e uma delas se extravia, não deixa as noventa e nove e vai aos montes procurar a que se extraviou? E se acontecer achá-la, em verdade vos digo que se regozija mais por causa desta, do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Assim não é da vontade do vosso Pai que está nos Céu que pereça nenhum desses pequeninos”. (Mateus, XVIII, 12-14 – Lucas, XV, 3-7)

  • cleri moro says:

    Muito linda esta parábola. QUando a leio percebo que se nós conseguissemos olhar para o outro com os olhos da alm enxergaríamos apenas as qualidades e, com certeza, o sorriso seria permante em nossos lábios.

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