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Imagina uma cebola: Quando a tomo da cesta ela se apresentará em seu estado bruto; precisarei me utilizar de uma faquinha apropriada e ir retirando a sua casca mais de fora, depois talvez outra e mais outra até que ela fique branquinha – também roxinha… Quanto mais ao seu interior eu chegar, mais ela me mostrará a sua essência…

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Conhecer-me é, alegoricamente, mais ou menos como descascar a cebola: A cada vivência é necessário que eu vá sacando minhas cascas mais grosseiras representadas pelas imperfeições. Quando eu estiver próximo à essência, estarei começando a me conhecer, e capacitado, quem sabe, a ‘temperar’, ou ajudar a dar sabor à minha vida e estender esse tempero à vida de outros…

Percorrendo o capítulo Autoconhecimento, de Os prazeres da alma, verifico que Hammed me diz que autoconhecimento é a capacidade inata que nos permite perceber, de forma gradativa, tudo o que necessitamos transformar… Amplia a consciência sobre nossos potenciais adormecidos, a fim de que possamos vir a ser aquilo que somos em essência.

Perceber de ‘forma gradativa’ – Ora, meu autoconhecimento não se realiza de uma hora para a outra: Precisarei de muitas vivências para, de forma gradativa, ir retirando as ‘camadas da cebola’ que não servirão para temperar adequadamente. É muito provável que essas casquinhas queiram representar todas as minhas maledicências, indelicadezas, desrespeitos e aqui até aqueles inocentes que, quando me dou conta, estão ‘bullyinizando’ amigos ou nem tão amigos. Preconceitos, petulâncias e autoritarismo poderão fazer parte dessas arestas a serem ‘descascadas’;cebola2

Necessidade de ‘transformação’ – É inevitável que eu percorra o mal para me dar de conta o que seja o bem, ou será preciso que o Espírito adquira experiência e, para isso, é preciso que ele conheça o bem e o mal (questão 634).Todos os degraus inferiores que aparentemente estão por baixo servem de suporte para os degraus superiores; só se sobem os degraus de baixo para cima e todos os grandes acertos começaram com equívocos. A transformação é necessária, mas a cebola para se desenvolver na terra precisou de todas as suas camadas mais grosseiras que hoje, para o tempero já não são mais necessárias; e

Vir a ser ‘essência’Essência ou essencial é aquela parte de mim que já se despiu do supérfluo. Ou o que interessará para, como já disse, temperar minha vida e a de outros. Quem, à minha volta, precisará de minhas ‘cascas’? Para que conviver com meu homem velho se meu novo é mais essencial?!

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Inevitável que ‘gaste’ muitas vivências para descobrir minha essência. Somente minha transformação terá o poder de realizar esse feito: Sabe, matar o homem velho para que nasça o novo; descascar a cebola para aproveitar seu cerne…

Tal qual a cebola, riquíssima em flavonóides – antioxidante, antiinflamatório, protetor cardíaco, anti câncer, anti diabético, entre outros… minha essência, a do homem novo, terá o poder de proporcionar infindos bem estares.

Quase esqueço: Há cebolas e cebolas… Há aquelas que descasco depois de muito choro!…

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Autoconhecimento, pag. 61 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

2 Comentários para “Descascar a cebola…”

  • Elci Senna Mano says:

    Uma reflexão muito profunda, amigo Claudio. Fico pensando que essa cebola tem infindáveis cascas e que descascá-la até o fim é realmente um trabalho árduo. Mas, perseveremos! Não haverá de nos faltar o respaldo e a força Divina… Grata pela partilha!

  • Silvia Gomes says:

    “Quase esqueço: Há cebolas e cebolas… Há aquelas que descasco depois de muito choro!…”
    Choro necessário! Mais uma bela crônica meu amigo! Muito obrigado pelos ensinamentos! Abraços fraternos!

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