Crônicas doutrinárias

Despretensiosos

São muito temerárias as expressões: ‘Fulano saiu-se muito melhor que beltrano’; ‘tal indivíduo é o melhor da classe’; ‘a equipe A levou enorme vantagem sobre a B’…

Num Planeta que depende de parcerias para seu progresso, promoção ou redenção o sentido de equipe é prioridade e as individualidades que a compõem possuem utilidades diferenciadas, cumprem deveres diferentes, incumbências diversas, mas todas interdependentes. A média da classe ou da equipe muitas vezes depende de trabalhos anônimos, realizados sem alarde e por pessoas consideradas de menor capacidade dentro do grupo.

Considere-se que resultados obedecem a uma relatividade: A galinha polaca – aquela do pescoço pelado – será feia se comparada ao galo mais vistoso do terreiro; mas também o mesmo galo passará despercebido se colocado no ambiente em que estiver um pavão bem colorido…

Individualidade por si só já ‘mata a charada’, pois representa a singularidade do degrau de cada indivíduo, estágio único de evolução, capacidade diferente de executar tarefas, talento só dele ao desempenhar a missão.

Por que, então desconsiderar os feitos menores de indivíduos ainda menos capacitados? Não são esses feitos que ‘completarão’ o todo de uma tarefa?

Ninguém, portanto, é inútil, ou a utilidade em qualquer grau do indivíduo, desde que despretensiosa, sempre será de utilidade ao grupo.

“Será exaltado”, no dizer de Jesus, “aquele que a si mesmo se humilhar” (Lucas 14:11). E aqui o “se humilhar” não significa se menosprezar ou se achar incompetente pela humildade da tarefa, mas aquele que de forma nenhuma se pavoneia, qualquer seja a importância de sua missão.

“Pequeno como uma criança” é parâmetro, bitola ou molde de todos aqueles que se candidatam a construir o Reino dos Céus…

… Aliás, essa a receita para “ser o maior Nesse Reino”; ou, despretensiosos, será o título que lhes será mais adequado!

* * *

“O homem bom tira boas coisas do bom tesouro de seu coração…” (Mateus 12:35). Ou, independente do tamanho ou quantidade dessas boas coisas, colocá-las, silenciosamente, à disposição do grupo será fundamental!

O rio generosamente fornece a água; o motor levanta essa água; esta é conduzida pelos dutos até os tanques; alguém a trata; canos menores a conduzirá até o consumidor; e ela só chegará a este se aberta a torneira… Ah! Precisará de um copo!

(Sintonia: Cap. Ninguém é inútil pg. 56 do Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono de 2014).

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