“O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros… Quero aqui falar apenas do dever moral e não do dever que as profissões impõem… Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração… O dever é o resumo prático de todas as especulações morais; é uma bravura da alma que enfrenta as angústias da luta; é austero e brando…” Lázaro. (Paris, 1863.)
Negritos por minha conta, tocou-me este pequeno trecho do ESE, cap. XVII, item 7. Fiquei a me perguntar como cumprir meu dever e ao mesmo tempo conviver com as críticas que inevitavelmente originar-se-ão dele? Como me atirar à austeridade de meu dever conciliando-o com a brandura que devo ter em vivendo junto a compatriotas de uma Família Universal?
Certamente a busca do equilíbrio entre estas duas virtudes – austeridade e brandura – seja o melhor caminho; e aqui copio uma receita, mas não adiantará somente copiá-la… Precisarei executá-la na cozinha de meu dia-a-dia!
Falando de equilíbrio a coisa poderá ficar muito vaga; precisarei dar um nome a esse boi: E seu nome é a fuga do fanatismo, pois este sim deverá minimizar minha austeridade e elevar a minha brandura.
Não poderei me iludir, visto que avassalados os há em todos os ‘rebanhos’ e viver com meus pés plantados neste Planeta – que, temporariamente, é o meu! – me ajudará a controlar fanatismos.
O dever, portanto, é uma dupla bravura d’alma: Não poderei negligenciar a austeridade do Evangelho, mas, por vezes, precisarei largá-lo, colocar meus pés em meu Planeta e exercer a descontração e a brandura em meu complicado, denso, porém útil Orbe.
(Verão de 20112).

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