Crônicas doutrinárias

Entre a predicação e as obras

“Não podemos esquecer que o celeste Amigo (Cristo), se doutrinou no monte, igualmente no monte multiplicou os pães [e os peixes] para o povo esfaimado, restabelecendo-lhe o ânimo.” (Emmanuel).

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No mesmo capítulo Emmanuel continuará sua exortação informando-nos que não nos desincumbiremos da tarefa salvacionista, simplesmente pronunciando alguns discursos admiráveis. É imprescindível usar nossas mãos (mãos, braços, pernas, pés, intelecto, habilidades, talentos, capacidades, a título de empréstimo) nas obras do bem.

Sabemos que a maior caridade que realizaremos em prol da doutrina será sua divulgação: temos aí a predicação. Saindo de nossa zona de conforto, a que nos planta na comodidade do lar, e passando a utilizar nossas mãos, braços, pernas pés, intelecto, habilidades, talentos, capacidades, nos converteremos em obras. Dessa forma, predicação e obras farão parte de nosso bem.

O Guia e Modelo Maior nos dá todos os exemplos a respeito deste assunto, não só na multiplicação de pães e peixes por ocasião do sermão, como ao estender a mão à adúltera, concitando-a a “não mais pecar”, ao penetrar na casa de Zaqueu para a ceia, nas inúmeras curas e em todas as situações em que predicou e obrou.

Se ainda não podemos trabalhar na sopa, na distribuição de víveres ou roupas, coloquemos à disposição das Casas Espíritas a boa vontade de nossos horários livres, na qualidade de instrutores, facilitadores, fluidoterapeutas, atendentes fraternais… Que possamos ir mais além: Imprimamos abnegação, responsabilidade, disciplina e assiduidade às tarefas com as quais nos tenhamos comprometido.

Joanna de Angelis e Divaldo se referem ao trabalho como “remunerado” e “abnegação” (Estudos espíritas, FEB, 1995, Cap. 11). Com o primeiro modificamos o entorno de nosso habitat; e com o segundo modificamos a nós mesmos. Aposentados e enquanto “válidos”, se não pudermos obrar em tarefas mais braçais, que obremos intelectualmente em favor da comunidade. Que não nos falte a aplicação de nossas habilidades, talentos, capacidades.

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Palavras lindas, só a ação, ou ambas, sempre serão bem vindas. Tudo dependerá do momento: O Bom Samaritano, até porque seu assistido estava desfalecido, nada predicou, somente agiu. E como agiu! Sabermos usar o equilíbrio entre a predicação e as obras, sempre será uma arte!

(Sintonia: Fonte viva, Cap. 33 Erguer e ajudar, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, 1ª edição da FEB) – (Outono de 2016).

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