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Utilizando-me de linguagens alegóricas, umas mais antigas e outras mais modernas, o perdão é aquela borracha macia com a qual se apagam todos os maus escritos do lápis; ainda, o antigo mata-borrão que se aplicava na tinta fresquinha para que não se maculasse uma bela página escrita. Também poderá ser o ‘Ctrl z’ ou o ‘delete’ utilizados para excluir termos equivocados e retomar uma digitação mais correta…

Perdoar é, acima de tudo, a habilidade de compreender dificuldades.

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 ‘Perdoar-me’ é a expressão mais cristalina na qual admito que em algum momento – ou em muitos! – eu errei, ou que os indivíduos que vivem neste Planeta são, todos, farinhas de um mesmo saco, não por força de um alegórico ‘pecado original’, mas por arbitrarem equivocadamente no uso das liberdades individuais. Inábeis ainda, os indivíduos deste orbe possuem extrema dificuldade em associar compreensão, perdão e tolerância…

Se o patamar individual evolutivo é a contabilidade de erros e acertos de outras e desta vivência, também é verdade que esse cálculo envolve todos os perdões sonegados e declarados.deletus

Necessitando serem felizes e traçarem um projeto de Vida Futura, – a evolução – os indivíduos deveriam entender que se assenhorear dessa habilidade de compreender dificuldades é como ‘zerar’ equívocos recíprocos e partir para frente e para o alto, juntos, os possuidores de dificuldades semelhantes… Tal qual utilizar a borracha, o mata-borrão, o ‘Ctrl z’ ou o ‘delete’!

Assim procedendo, os indivíduos descarregam os pesados fardos de culpa e se sentem aliviados e autorizados a retomar os sagrados diálogos relativos às tratativas da evolução. Está aí instaurada a ‘conspiração’ da compreensão nos ‘porões’ da remissão!

(…) Tudo, no Universo, está regido por leis em que se revelam a sabedoria e a bondade [de Deus]. Na sabedoria de Deus está implícito o seu desejo que os indivíduos progridam partindo de entendimentos mútuos e a bondade talvez seja a ‘caneta’ com a qual tenha assinado a ‘tela’ da compreensão entre os indivíduos.  Seu Mensageiro Maior, quando aqui esteve não teria ratificado todas estas coisas? Vide Madalena, Zaqueu, o bom Samaritano, o centurião, o óbolo da viúva, Dimas…mata-borrao

“Seus numerosos pecados lhe estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama”, assim se expressaria Jesus ao fariseu Simão, ao ter seus pés lavados por lágrimas de arrependimento de uma prostituta. (Lc VII, 47)

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O perdão é a conspiração da compreensão realizada nos ‘porões’ da remissão e que fatalmente levará, os que depuseram o ‘fardo’ da culpa, a uma ‘batalha’ de desarmados…

Perdão é aquele sagrado encontro de arrependidos, generosos, tolerantes e compreensivos, no qual todos discutem a necessidade da progressão. O avanço se dá a partir daí para todos, farinhas de um mesmo saco, mas a caminho de serem pães…

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Perdão, pag. 175 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

2 Comentários para “Farinhas de um mesmo saco”

  • euridice says:

    amigo querido,hoje,tirei um tempinho para por em dia minhas leituras atrasadas…dentre elas,seu blog,confesso! Li até “COMPREENSAO DE DEUS”,sem palavras!
    Sua maneira de escrever é profunda,ao mesmo tempo,compreensivel,nos atinge a alma! Seu blog,a cada dia,mostra seu interior,tudo perfeito amigo,tudo!Parabens,nao deixe de escrever aqui,vale a pena ler cada materia.abço fraterno

  • Silvia Gomes says:

    “O Amor é o caminho que nos conduz a Deus. O caminho do Amor é o Perdão.” Linda mensagem Claudio Viana Silveira!Abraços e um ótimo feriado!

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