A afirmação é do Cardeal Morlot, François-Nicolas-Madeleine e data da época da Codificação: “A felicidade não é deste mundo”, dizendo ser uma máxima do Eclesiastes, livro do antigo testamento, cheio delas, mas de origem autoral incerta. Confesso que gastei todos os meus cliques e quase um mouse inteiro e não achei a frase ipsis litteris no aludido livro.

Também percorrendo os cap. 5, 6 e 7 de São Mateus – o evangelista que discorre sobre o Sermão da Montanha inteirinho -, em nenhum momento verifiquei esta máxima. Muito pelo contrário, o Mestre neste que é o resumo de sua Missão Messiânica – dizem que só o Sermão da Montanha bastaria como preceitos para a humanidade -, deixa as fórmulas que me evidenciam que posso, sim – e devo! -, conquistar a felicidade ainda neste mundo. Quando o Messias me diz que serão Bem aventurados os mansos, os misericordiosos e os puros de coração, – entre tantos outros – verifico estar exatamente aí o caminho. Dir-me-ão vocês: Mas isso não é fácil! Claro que não é! Mas é o caminho das possibilidades.

Mais do que convicção da possível felicidade tenho sérias restrições à infelicidade. Reuni alguns pensamentos sobre o assunto e gostaria de compartilhar com vocês:

  • Persigo sempre a felicidade; dificilmente adaptar-me-ei à infelicidade;
  • Não me taxem de pretensioso, mas se a felicidade não é deste mundo, e se já vivi na alternância de outros, devo ter trazido na mala um pouquinho dela de lá;
  • Se eu não tiver a compreensão sobre os motivos de meus momentos infelizes, tão pouco entenderei a ufania de meus momentos felizes;
  • A maior certeza: A felicidade passa, necessária e inevitavelmente pela prática do bem;
  • Dependendo de minhas atitudes, na mais completa infelicidade poderei estar feliz;
  • Quando mensuro – quando meço! – os motivos de minha felicidade ou de minha infelicidade, chego à conclusão que todos eles são relativos…
  • Fazendo um trocadilho, estar feliz é uma grande felicidade; estar infeliz, além de salutar pode não ser tão mau;
  • Muitos palhaços – curto-os! – administram a sua infelicidade fazendo a felicidade e a alegria de seu público; e
  • Concluindo com um novo trocadilho, quando não estou feliz, procuro entender a feliz mensagem que essa infelicidade temporária deseja me transmitir.

É, meus amigos, o caminho da felicidade está nitidamente delineado. Não acreditem ser fácil; mas também não tenham a menor dúvida, pois, se “o homem é quase sempre o obreiro da sua própria infelicidade…” – questão 921 de O Livro dos Espíritos -, por que não poderá sê-lo de sua felicidade… E ainda neste mundo? Eu a estou perseguindo – ou campeando -, como diz o gaúcho!

(Verão de 20112).

4 Comentários para “Felicidade: ‘Quando’ teria dito Jesus que ela não é deste mundo…?”

  • Hilton disse:

    Velhinho, você está com toda razão. Ótima linha de raciocínio. Também pesquisei em todo evangelho e não encontrei NENHUMA citação da palavra felicidade. Porém, 112 citações da palavra PAZ! Creio que precisamos mudar nossa busca, deixar de perseguir a tal felicidade, e tentar viver a plenitude de uma alma em PAZ!

  • Velhinho disse:

    Fato, Hilton! Obrigado pela alavanca! Acompanha e dispõe de meu trabalho, para melhor divulgarmos a doutrina. Na página atual (home), considerações, à luz da doutrina, sobre os recentes fatos ocorridos na capital francesa. Abraço fraterno! Claudio

  • izildinha carelli disse:

    amei como discorreu sobre o assunto.
    obrigada. de coração

  • Roni disse:

    Jesus não usou a palavra “felicidade” mas disse: “Meu reino não é deste mundo”(João 18:36)

Deixe um comentário