fraternidade

18 de fevereiro, 09:30h – Numa das capelas mortuárias do cemitério local, uma pequena multidão de familiares, amigos e conhecidos dava sincero adeus ao pai de querida amiga de minha filha mais moça. Nesse exato horário, um jovem sacerdote da paróquia a que pertencia a família, começava uma impecável, comovida e fraterna celebração acompanhada por católicos em sua maioria e talvez por cristãos de outros credos. Eu era um deles. Mas o que importaria naquele momento é que a mais afetuosa fraternidade se revelava nas lágrimas sentidas dos presentes e de credos de cores diversas. O mais importante, no momento, não era a religião, mas a religiosidade!

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Ora, se as mãos de Deus me criaram perfectível, será impensável atingir um dia a perfeição sem que essa minha ‘nave’ navegue pelos ‘céus’ da fraternidade. Aliás, a condição única! Perfectível também significa que Deus ao me integrar à Natureza não me fez de maneira ‘pronta’; aprontar-me seria a ‘minha’ tarefa…

Tudo o que acontece com a Terra, acontece com os filhos da Terra. O homem não tece a teia da vida: ele é apenas um fio. Tudo o que faz à teia ele faz a si mesmo, diria um chefe Seattle norte americano. Hammed também diz que no futuro, a religião superior ou natural só será fundamentada na mais afetuosa fraternidade e professada individualmente pela criatura que superou o “ser religioso” e desenvolveu em si o “ser religiosidade”.

Ou, se me importar com o navegante meu companheiro, sempre haverá um retorno a mim e em auxílio de minha navegação rumo à perfeição. Parafraseando o chefe indígena sou fio e tecelão, associado a tantos outros fios e tecelões.afetividade-dia-do-amigo

Se dez credos diferentes se utilizarem do mesmo fio – a fraternidade – é muito provável que os credos percam a importância de suas ‘cores’, mas que a teia da perfeição seja construída.

Talvez a fraternidade – amor, caridade, afetividade, benevolência, boa vontade, bem… – seja o melhor traço pelo qual Deus deseje se revelar aos seus filhos… Ou a melhor ou única forma de os filhos de Deus legitimar a sua filiação.

Diversas religiões ao se digladiarem pela supremacia de suas idéias serão tão somente seitas separatistas e não estarão construindo malha nenhuma. Todas, entretanto, as que participarem com o fio da fraternidade, estará ligando ou religando fios a fios… Ou a religiosidade se sobrepondo à religião. Perceber o outro, importar-se com ele, é religiosidade; o egocentrismo de indivíduos, malbaratando recomendações Crísticas, pode ser tão somente religião. A religião poderá ser mais moralizadora, já a religiosidade sempre será a mais ética.

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Bons filhos somente demonstrarão seu amor ao Pai se forem fraternos, ou a afetividade terá o poder de mensurar a qualidade dessa filiação.

Se Deus tivesse assinado os diversos quadros que pintou, Sua assinatura, aposta na humanidade, seus filhos, seria a da fraternidade.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Afetividade, pag. 53 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

2 Comentários para “Fio e tecelão…”

  • fatima says:

    Realidade pura… Que nos tornemos hábeis,amorosos,fiéis tecelões tal qual a família e o iluminado jovem sacerdote referidos. Que o Pai Maior os ilumine sempre!

  • Silvia Gomes says:

    Depende de cada um de nós desarmar o espírito, aceitar que podemos ser diferentes na forma, na maneira de nos relacionarmos com Deus, porém sempre seremos irmãos e em essência filhos amados do mesmo Pai! Obrigado mais uma vez Claudio! Abraços fraternos!

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