“Se crê e pratica o princípio de que somente auxiliando o próximo, é que seremos auxiliados, você estará dando passos largos para libertar-se da sombra, entrando, em definitivo, no trabalho da auto desobsessão” (André Luiz/Chico).

Devido a frieiras nas mãos, – inchaços por falta de circulação em climas frios e úmidos – sempre tive dificuldades com algumas lides caseiras, como estender uma cama, lidar com água, e, principalmente, lavar a louça…

* * *

Pegando ‘carona’ com os autores e fazendo uma co-relação às minhas frieiras que hoje já não me atormentam tanto, considero a maior hipocrisia eu pretender auxiliar o próximo fora de casa, se ainda não consigo auxiliar o meu ‘mais próximo’ dentro de casa. Não por isto deixarei de abordar o tema e que Deus me ajude a que o primeiro efeito dele seja em mim mesmo.

O “seremos auxiliados” dos autores, não deseja significar um ‘toma lá dá cá’, interesseiro e vulgar, mas o indivíduo se sintonizar, através do auxílio, com as claridades. Muitas vezes a claridade que provém do auxílio poderá me imunizar contra tristezas, marasmos, preguiças, vazios e colaborar sobremaneira com minha auto-desobsessão.

Ora, esses auxílios, que vão muito além do material, – de lavar a louça, por exemplo – são a ajuda que colabora comigo no aclaramento e poderá significar:

1. Evitar a ‘fofoca’: O que eu escutar ou presenciar de maldoso, não precisará ser levado adiante, pois ‘a fofoca me distancia da luz como ao diabo da cruz’.

2. Domar a intemperança: Uma luta diuturna. Digo diuturna porque a cada minuto do dia precisarei vigiá-la e as ‘atividades’ de minha noite serão o reflexo da calma ou da intemperança de meu dia.

3. Transmitir conhecimentos: Tenho estudado? Estudando, tenho aprendido? Estudando e aprendendo, tenho passado adiante os conhecimentos que julgo úteis? Eis aqui uma ajuda importante!

4. Dar o primeiro passo: Dou o primeiro passo na direção do perdão ou espero que o outro, o acaso ou o Universo o realize? Pois bem, acaso não existe e o Universo é que ficará ‘esperando’ a minha boa vontade, visto não avançar nunca em meu livre arbítrio.

5.  Aceitar minhas limitações: Este Orbe ‘é’ de limitados. Neste Planeta não urgem tarefas – ajudas – maiores ou menores; urgem ajudas!

6. A não deserção: Qual o conceito que gozo entre aqueles com os quais ombreio tarefas? Se ruim, mais ou menos, bom… mesmo assim não desisto e me esforço na sua qualificação?

7. Respeitar às diferenças: Dou aos outros o direito de serem como desejam ser, dentro de seu estágio evolutivo? Preocupo-me mais com a evolução alheia, desleixando a minha?

8. Compreender que o bem é difícil e exigente: Apesar dos amargores que o bem poderá me resultar, adoço-o com a perseverança e a humildade?

* * *

Lembras da história das frieiras? Hoje liberto das frieiras físicas, restam-me – ou restam-nos! – outras frieiras que preciso combater todos os dias, como este ‘octálogo’ que precisarei ler diariamente para não adquirir as frieiras da desajuda!

(Sintonia: Cap. Auto-desobsessão, pg. 125 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno gelado de 2013).

One comentário para “Frieiras da desajuda”

  • Silvia Gomes says:

    “Dar o primeiro passo: Dou o primeiro passo na direção do perdão ou espero que o outro, o acaso ou o Universo o realize? Pois bem, acaso não existe e o Universo é que ficará ‘esperando’ a minha boa vontade, visto não avançar nunca em meu livre arbítrio.
    Perfeito Claudio! Sempre dependerá de mim e não do Universo, do acaso ou do outro, não adquirir ou me livrar das ‘frieiras da desajuda’.
    Bela crônica! Obrigado por compartilhar! Abraços!

Deixe um comentário