“… As paixões podem levá-lo [o homem] à realização de grandes coisas. O abuso que delas se faz é que causa o mal”. E “Estudai todos os vícios [todas as ‘paixões’] e vereis que no fundo de todos há egoísmo”. (Questões 907 e 913 de O Livro dos Espíritos).

Uma pessoa egoísta – e todos são em maior ou menor grau – sofre porque outras pessoas não correspondem à sua expectativa. O egocêntrico é um fantasioso ao imaginar que o mundo gira em torno de si…

Vacino-me contra a gripe desde os cinqüenta anos… De lá para cá, – e aí se vão treze anos – é possível que conte nos dedos de uma só mão, as vezes em que me gripei gravemente.

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‘Todos são em maior ou menor grau’. Uma constatação, um ‘consolo’ e a seguir a reação: Preciso imunizar-me! E se há hoje no Planeta vacinas para tantos males que outrora vitimaram grandes populações, por que ainda não descobriram a imunização contra o egoísmo? É possível que esta chaga seja imanente ao tipo de população que povoa o planeta Terra e aos de igual categoria. Somente com a ‘promoção’ desses indivíduos e conseqüentemente de seu habitat é que o egoísmo irá se dissipar. E enquanto e para que isso aconteça, Chico e Emmanuel vão apresentando algumas vacinas ou preventivos com o poder de resguardar de tal chaga:

1. A caridade como simples dever – A caridade não é nenhum favor e quem explica isso de forma categórica é a alternância de ‘status’ em vivências diversas. Possuo o dever – velado, é claro – de realizar a caridade porque em pretérita existência eu já fui socorrido por aquele que ora pretendo socorrer. O auxílio, aqui, é a vacina!

2. Se vingança, ódio, desespero, inveja ou ciúme são as infecções, indubitavelmente o amor é a vacina. Não há outro que imunize essas defecções mentais.

3. A fogueira do mal deverá ser extinta na fonte permanente do bem – Antes de afirmar que a cada dez chamadas a mídia reserva ao bem somente uma, deverei me perguntar que tipo de espaço ‘eu’ estou roubando ao mal!?

4. O bem como dissolvente das mágoas – Mágoas são como aquele acúmulo de tinta grossa que nem o solvente comum retira… somente com ácido ou tíner! O serviço aos outros é como esse removedor poderoso que vai amolecendo os corações e dissipando as nódoas das rusgas.

5. O trabalho como Lei – Não falam os autores aqui do trabalho remunerado, que é útil e promove o bem estar dos indivíduos e de suas famílias, mas do trabalho voluntário, onde a moeda envolvida é a Lei de Justiça e do amor. Como por exemplo, consumir-se o indivíduo como a vela que se gasta iluminando gratuitamente.

6. O ciúme como patologia da mente – Pior que a bronca, a reivindicação e até o azedume de alguém para com alguém é ignorar o próximo, não notá-lo, atestando-o insignificante… O ciúme poderá protagonizar desatenção, desestímulo e insensibilidade!

7. A bênção do socorro ou o querosene da discórdia? – Em ‘clamores da paz’ diria eu que ‘é possível que paz, em teoria, seja um dos termos mais leves e belos. É mais possível, ainda, que na sua prática, a paz seja um dos desafios mais difíceis dos dias atuais… ’ Cóleras, irritações, discórdias deverão ser ‘apagadas’ com o extintor apropriado. E o adequado, aqui, é o da compreensão e do socorro que abrirão brechas para a Paz.

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Em todos os casos que se apresente o perigo do egoísmo, todas as precauções, todas as vacinas, todos os extintores serão úteis, mas o mais importante serão os profissionais dessa área – ‘bombeiros, enfermeiros’… – que se disponham a arregaçar as mangas e buscarem o livramento do egoísmo, do orgulho e da vaidade, para realizar a imunização.

(Sintonia: Cap. Quando…, pg. 101 de Meditações Diárias, de André Luiz/Chico Xavier, editora IDE) – (Inverno de 201).

One comentário para “Imunizar-me!”

  • Silvia Gomes says:

    “O ciúme como patologia da mente – Pior que a bronca, a reivindicação e até o azedume de alguém para com alguém é ignorar o próximo, não notá-lo, atestando-o insignificante… O ciúme poderá protagonizar desatenção, desestímulo e insensibilidade!”
    Não tinha olhado ainda por esse ângulo Claudio!
    Acho que um dos piores males que podemos fazer a alguém, não é nem a agressão física ou verbal que são doloridas, bem sei, mas a indiferença, o fato de deixar claro a outro ser humano que ele simplesmente não existe para nós. A indiferença talvez seja a mais hedionda face do nosso egoísmo.
    Deus nos ajude a todos para que possamos lutar e vencer esse monstro que mora dentro de todos nós!

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