451- Nascente do Rio Vez

O agora grande rio que se mistura ao oceano, mas ainda guarda a identidade de suas águas, nasceu de um pequeno olho d’água ou da captação de geleiras nas grandes alturas. Ao longo de seus vários quilômetros, contornou montanhas a procura de vales; ora quietou-se ora se precipitou; quem sabe um descanso em lagos formados às suas margens;

Os pássaros que vorazes comem as frutas que lhes ofereço a partir da minguante de julho, logo após as podas, e que me encantarão até o início da primavera, por ocasião desta se recolherão aos seus ninhos para procriarem e ver crescer seus filhotes. No próximo julho serão mais, pois os filhotes lhes farão companhia; e

As árvores possuem um tempo para germinar, crescer, florar e frutificar. Muitas delas ciclicamente, na hora certa e atendendo as necessidades dos homens, perderão suas folhas, tornarão a brotá-las, novos galhos surgirão e enchê-los-ão de sombra quando o escaldante verão chegar. Quando o inverno rigoroso aparecer, a partir de maio, suas folhas cairão para a penetração dos necessários raios do sol…

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Dizem os sábios que a vida poderá ser o fruto de aproximadamente cinco bilhões de anos, ou que o “princípio inteligente” inoculado e gerando vida é fruto de paciencioso e natural processo…

Hammed ao abordar o tema, me diria o que ‘é’ e o que ‘não é’ paciência: Que paciência ‘é’ a capacidade de persistir numa atividade com constância e perseverança, ou o potencial da serenidade, persistência e constância a ser desenvolvido. Que paciência ‘não é’ passividade, estagnação, ociosidade ou paralisação.

 À luz destes ensinamentos, e voltando às analogias iniciais, parece-me desconfortável imaginar o rio, os pássaros e as árvores sem uma constância, perseverança e ritmicidade próprios de suas naturezas. Inimaginável, também, vê-los acomodados, ociosos ou paralisados, interrompendo o sagrado fluxo que lhes são impostos pela Mãe Natureza.

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Paciência também é a grande mensagem passada pelos Espíritos Superiores através da questão 801 de O livro dos Espíritos: Eles – os Orientadores Maiores – ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou desnaturaram, mas que podem compreender atualmente… O decálogo mosaico não foi bem compreendido e até foi desnaturado à época em que foi ditado. Apesar de resumido a dois por Jesus, continuou não bem entendido. O ilustre professor Rivail, em meados do século XIX, ao simplificar o já simples, estabelece o “amar’ não como uma das, mas a única condição de alcançar a Vida, afirmando que “fora da caridade não haveria salvação”. E junto com esta máxima, o Séquito de Amor do Espírito da Verdade daria à humanidade, já considerada madura, todas as informações que poderiam compreender atualmente, ou daquele tempo em diante.

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Paciência – ou a ‘ciência da paz’ – é a virtude que transborda todas as qualidades e equilíbrios da Mãe Natureza.

Quando, dentro de minha natureza ‘afoita’ convivo com uma pessoa paciente, equilibrada, essa me transmite uma paz imensa… Torna-se, para mim, aquele ‘objeto de desejo’, ante a algariação que me é peculiar.

A Natureza está aí a me ditar os mais belos exemplos daquele sossego, quietude, tranqüilidade e paciência que falta à humanidade moderna que se acostumou – ou mal acostumou – com máquinas velozes, tarefas para ontem, intercomunicação de ‘n’ megas, alvoroço nas ruas, repartições e lojas de serviço.

O sossego e a calma interioranos ou da época de meus avôs, parece que ficou no saudosismo dos contadores de histórias e causos.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Paciência, pag. 41 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Verão de 2013).

3 Comentários para “O que ‘é’ e o que ‘não é’ paciência”

  • Silvia Gomes says:

    Linda crônica Claudio! Diria que é preciso paciência para adquirir a virtude da Ciência da Paz! Caminho longo devido ainda a nossa infância espiritual, não obstante os fartos ensinamentos a nossa disposição, trazidos por todos estes Orirntadores Maiores que tu citastes.
    Muito obrigado mais uma vez pela partilha! Abraços!

  • Elci Senna Mano says:

    Linda crônica, Claudio. Sim, o mundo está carente de paciência, talvez por isso tantas pessoas doentes do corpo e da alma…Persegui-la, cultivá-la deve ser sempre nosso objetivo…

  • fatima says:

    Precisamos ter PACIÊNCIA, para diariamente treinar a paciência novamente.

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