LEITE233831

A generosidade (…) propõe ajuda ao próximo, validando, acima de tudo, sua realidade pessoal.

Uma cooperativa de laticínios – o assunto da moda… – se faz recolhendo o produto de inúmeros fornecedores e reunindo-os na sede para beneficiamento e produção de uma diversidade de itens. Também a partir da validação, recolhimento e utilização das verdades de cada indivíduo se constrói um conjunto maior, diferenciado e real de verdades, ou uma ampla visão de Mundo.

Sou de uma época em que as vizinhas pediam às outras um açucareiro de açúcar, quando este faltava e a venda era muito longe. Coisa muito natural naquela época era este recíproco exercício de generosidade, pois… logo ali adiante a que pediu o açúcar iria emprestar uma quota de farinha…

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No momento em que vou chegando ao final de mais uma relida em Prazeres da alma e cada vez me apaixono mais pelas obras deste querido Orientador, percebo que todas as virtudes, que constroem o Céu no interior dos indivíduos, convergem ao grande anseio do Pai a respeito de seus filhos: A evolução! A generosidade não ficará para trás, porque quando se pensa numa pessoa que já adquiriu essa virtude, imagina-se uma pessoa notoriamente doce, desprendida, de colaboração e convívio fácil.

Se alguém perguntar na escola ao menino baixinho, de cabelo e pele descuidados, negro e pobre, com quem ele desejará estar à hora do recreio, e ele responder que ‘com aqueles que não pegam de meu pé’, não tenham a menor dúvida que ele estará se referindo aos seus colegas generosos.zeca-pagodinho-chuvas

Dir-se-ia que o generoso não ‘manga’ dos diferentes ou não os bullyiniza, mas que possui uma profunda compreensão de seus gostos e maneira especial de ser. Generoso ‘e’ esperto porque ainda aprende com as diferenças.

Sendo os indivíduos distintos, – diversos, diferentes… – qual deles que não gostaria de ter sua diversidade validada, reconhecida? Partindo-se do pressuposto que ninguém é tão pobre que não tenha algo a oferecer e nem tão rico que não tenha algo a receber, a generosidade é a virtude que homologa este ditado tão popular quanto verdadeiro. Se a realidade pessoal é tão única e a maior verdade que um indivíduo possa ter no presente momento, reconhecê-la como proveitosa à minha vida poderá ser, ao mesmo tempo, além de atitude inteligente, um ato de nobreza.

Quando em janeiro último Zeca Pagodinho, que é de Xerém, Duque de Caxias, esteve em auxílio às vítimas das cheias da Baixada Fluminense, até levando desabrigados para sua casa, esteve lá ele como um comum… Ele não foi lá cantar ou fazer demagogia, mas, como todos os de boa vontade, se uniu a propósitos da maioria. Primeiros socorros não prevêem de mim o declinar de um acervo que eu possa ter ou que meu curriculum proporcione a socorridos discursos de uma moral humilhante; todas as minhas ‘verdades’, nesse momento, deverão ficar em segundo plano. A regra mais básica de minha generosidade nessa hora será eu me nivelar, o mais que puder à situação de penúria do socorrido.

Quem generaliza, não socorre: Se eu encarar o problema de meu próximo como algo comum ou minimizá-lo ao compará-lo aos meus, dificilmente socorrerei, pois estarei a léguas da principal máxima evangélica.

Mas a generosidade, longe de somente prover, prevê o encorajamento, a capacitação, a singeleza no servir e um profundo respeito pela realidade pessoal do assistido material ou moralmente.criancas-na-escola-31062

É possível que muitos indivíduos não desejem grandes coisas de outros indivíduos, mas tão somente sua generosidade em forma de respeito à sua realidade de vida. Ou então cada qual não possuiria sua parcela de verdade! A missão do homem neste Planeta não é modificar o seu semelhante, mas a partir de uma modificação própria, promover a evolução da Terra e aí sim, com seu exemplo, levar de roldão, possíveis ‘retardatários’.

O que um não faz, o outro faz,assim se expressariam com sabedoria na questão 804 de O livro dos Espíritos os Benevolentes da Codificação, desejando informar que nem todos os espíritos possuem o mesmo adiantamento ou que tiveram vontade de desenvolver todas ou iguais faculdades; talentos diversos oportunizarão e estimularão o exercício do devotamento. Imagine-se um Mundo só de médicos, dentistas ou advogados… quem apagaria incêndios, quem construiria estradas, onde se comprariam mantimentos, quem fabricaria os móveis, quem cortaria ou pintaria cabelos?…

Cada talento não é melhor nem pior que os demais, apenas diferente e útil aos propósitos da Providência Divina ou Divinas Intenções.

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Em nada contribuirá ou influirá o acervo de um dentista que se coloca à frente de um carpinteiro e lhe encomenda uma mesa; como de nada valerá toda a capacidade profissional do carpinteiro que na cadeira do dentista lhe suplica que o livre de uma terrível dor. Sim, porque…

… O que um não faz, o outro faz!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Generosidade, pag. 197 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

2 Comentários para ““O que um não faz, o outro faz””

  • fatima says:

    “Me nivelar o mais que puder à situação de penúria do socorrido.”
    “Profundo respeito pela realidade pessoal do assistido material ou moralmente.”
    Grandes dicas para praticarmos a generosidade, com auxílio material, uma prece, um abraço, um sorriso, um telefonema, enfim… trabalho não falta, temos que querer.
    Dá-lhe Zeca!!!
    Dá-lhe Claudio!!!

  • Silvia Gomes says:

    “É possível que muitos indivíduos não desejem grandes coisas de outros indivíduos, mas tão somente sua generosidade em forma de respeito à sua realidade de vida. Ou então cada qual não possuiria sua parcela de verdade! A missão do homem neste Planeta não é modificar o seu semelhante, mas a partir de uma modificação própria, promover a evolução da Terra e aí sim, com seu exemplo, levar de roldão, possíveis ‘retardatários’.”

    Belo texto meu amigo! Na verdade é isso basicamente. Ser compreensivo com a realidade do outro, se colocar no lugar dele, entender que todos temos uma história própria e que não podemos viver pelo outro, só por nós mesmos.
    Ajudar sem julgar, pois cada um tem seu tempo de aprender e evoluir e a nossa coloaboração para o conjunto vem do nosso próprio exemplo.

    Obrigado pelos ensinamentos! Abraços!

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