Domino pouquíssimo o assunto. ‘Mal e porcamente’ vou administrando minhas viciações. Admirei-me, entretanto com a forma carinhosa e sensata com que Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed abordam o tema nos dois capítulos – pg. 81 a 88 – de As dores da Alma.

Chamou-me a atenção – com negritos por minha conta:

  • “O viciado é um ‘conservador’, pois não quer correr o risco de se lançar à vida, tornando-se, desse modo, um comodista por medo do mundo que, segundo ele, o ameaça.”
  • “O vício pode ser um ‘erro de cálculo’ na procura de paz e serenidade, porque todos queremos ser felizes e ninguém, conscientemente, busca de propósito viver com desprazer, aflição e infelicidade.”
  • “Os dependentes negam seu medo e se escondem à beira do caminho. Interrompem a ‘procura existencial’, dificultando, assim, o fluxo do desenvolvimento espiritual…”
  • “Não podemos entendê-los como uma problemática que abrange, exclusivamente, delinqüentes e vadios… Viciados são todos aqueles que se enfraqueceram diante da vida e se refugiaram na dependência de pessoas ou substâncias. Pelas crenças tradicionais, são tachados de criminosos e vagabundos; para nós, no entanto, representam, acima de tudo, companheiros do caminho evolutivo, merecedores de atenção e entendimento.”

Sob essa ótica compassiva e piedosa, se torna mais fácil ao viciado de qualquer natureza esquadrinhar seu íntimo, constatar ser um doente e fixar-se na Misericórdia Divina, vislumbrando, a partir daí, uma luzinha no final do túnel.

(Primeiro dia do outono de 2012).

2 Comentários para “O vício é um “erro de cálculo” (Hammed)”

  • Euridice says:

    maravilha amigo! achei espetacular as definiçoes dos viciados e como vc decifrou o medo,parabens!abço fraterno

  • Fernanda says:

    Os viciados, e aqui me refiro aos dependentes químicos e etc, e não aos que se entregam às paixões, porque aí não escaparia ninguém, sempre me inspiraram extrema piedade. A mim sempre pareceram pessoas desesperadas em busca da fuga da realidade, pessoas temerosas de enfrentar a realidade a vida de peito aberto. Com medo de sofrer e até mesmo de ser feliz escondem-se atrás da máscara do vício, atrás da garrafa, da seringa, etc…
    Um dia a realidade baterá a sua porta e não terão outra escapatória a não ser enfrentá-la e através dos sofrimentos encontrar finalmente a felicidade (que acredito ser realmente seu verdadeiro medo)… divaguei demais

Deixe um comentário