Crônicas doutrinárias

“Óleo do coração”

“A chama da cabeça não derrama a luz da felicidade sem o óleo do coração” (Emmanuel).

* * *

No uso excessivo da razão – ou de suas razões – o homem “amontoou calamidades sobre a sua cabeça”. Por abandonar o sentimento, lambuzar-se mais em seu raciocínio e desconsiderar o combustível do coração cometeu o grave desengano de ‘atirar no próprio pé’.

Dessa forma e considerando muitas vezes a razão em detrimento da emoção, o lucro em detrimento do serviço, o material em detrimento do espiritual, o ouro em detrimento do benefício gratuito, esse mesmo homem extinguiu a luz da felicidade no momento em que:

  • Construiu hospitais fantásticos, mas os segregados da sociedade utilizam somente seus corredores;
  • Inventou o avião para encurtar distâncias e os bombardeiros alongaram sofrimentos de muitos;
  • Mapeou, através satélites, o mundo inteiro em HD invejável, e suas imagens muitas vezes são utilizadas para fins escusos;
  • Inventou a TV, criou a internet como instrumentos de entretenimento, informação rápida e pesquisa e essas máquinas promovem solidão e desagregação, transmitem luxúria, rusgas, se detém quase que somente em tragédias e ainda viabilizam certos crimes…
  • Conseguiu o Brasileiro ser cinco vezes campeão mundial de futebol, mas não consegue evitar massacres orquestrados pelas torcidas (des)organizadas e com aval e benesses de dirigentes de seus clubes;
  • Elevou a medicina ao mais alto patamar, mas ainda não consegue evitar, na sofisticação ou na penúria da clandestinidade as técnicas do aborto;
  • Criou uma parafernália de comunicação móvel, inclusive disponível na palma da mão e com alta tecnologia, porém não consegue conter as armadilhas diárias de operadoras inescrupulosas e impunes; e
  • Inventou vacinas como soluções fantásticas para a poliomielite, HPV, tétano, coquetéis para aidéticos, controle de muitos cânceres… porém não consegue qualificar álcool e fumo como drogas ilícitas.

Quando a “taça da iniqüidade transborda de todos os lados”, a supercultura se sobrepõe ao supersentimento, e galopa a razão sem coração, talvez seja a hora de largar do “espanto” e retomar a “santa e divina moral do Cristo”.

“Não vim destruir a Lei e os profetas, mas cumpri-la” (Mateus, 5:17). Até que desapareça o último iota ou o último til da Lei, o Mestre ainda estará convidando esse mesmo homem a, sem “espanto”, abastecer a razão com o óleo do coração.    

(Sintonia: Cap. Supercultura, pg. 59 do Livro da esperança, de Emmanuel/Chico, CEC Editora) – (Outono de 2014).

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