caminho do meio balança“… A paz legítima resulta do equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos do Senhor, na posição em que nos encontramos.” (Emmanuel).

* * *

Como em dois pratos de balança (das antigas), o equilíbrio se firmará quando nossos desejos e os propósitos do Senhor a nosso respeito estiverem com pesos idênticos. Equilíbrio que gera a paz – a verdadeira!

Para obtê-la, fruto do equilíbrio dos pratos, convém fazermos considerações:

Nossos desejos – Possuímos, neste pobre Orbe, desejos diversos; inúmeras influências; aliás, influímos e influenciam-nos; temos bons e maus desejos; diante destes venceremos arrastamentos ou sucumbiremos; nossos pensamentos fermentam os desejos; e nossa liberdade arbitrará por quais optaremos, transformando-os em falas e realizações.

Propósitos do Senhor – O Criador, ao nos gerar Espíritos simples, mas fadados à angelitude, mantém expectativas a nosso respeito: Sim! Pois Ele tem seus desígnios; é esperançoso sobre o que criou. Não esperaria de nós?!

Nossa posição – Esse Pai-nosso respeita nossa vontade e nosso patamar evolutivo: possuindo caprichoso ‘sistema de informações’, tem ciência de nossa exata posição; de nossas possibilidades; ou do quanto podemos produzir em serviço, respeito e compreensão às demais criaturas.

* * *

Se já entendemos que alguém só dá o que tem, quanto mais, nosso Pai dos Céus, tem desígnios ajustados a cada degrau. Tudo é natural e razoável no Seu Universo.

Valorizar oportunidades é render-nos às Suas expectativas. A paz é proporcional a esse equilíbrio; ou, proporcional ao bom uso de nosso potencial.

(Sintonia : Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, Cap. 79 Sigamos a paz; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2017).

2014-04-16_21-18-15_1“Se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para torná-los a enxertar.” (Romanos, 11:3).

* * *

Missionários fantásticos, como o divino Rabi e Paulo de Tarso, utilizaram-se da linguagem parabólica agropastoril/pesqueira, para exemplificar suas exortações. Não poderia ser diferente, pois a Palestina do Jesus encarnado era vocacionada à pesca e atividades pastoris/agrícolas.

Emmanuel, neste estudo, que intitulamos linguagem de campo, usará a mancheias os termos semeador/pomicultor, enxertia, sementeira, adubação, germinação, floração, frutificação, colheita, seiva, árvore consciente. Alegoricamente, colocará uma pitada de ensinos em cada um dos termos:

O divino Semeador/pomicultor é o Mestre das searas e dos pomares: elo entre a Divindade e a complexidade do ‘arvoredo’ sob seus cuidados, através de suas palavras e, principalmente, de seus feitos, se nos anuncia como o mais diligente “Guia e Modelo.”

Somos Espíritos criados por Deus; Suas enxertia e seiva. Apesar de criados simples e ignorantes, temos o potencial da perfectibilidade. Se somos irmãos do Governador e este nos prometeu, por ocasião das despedidas de sua encarnação redentora que “depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde  eu estou, também vós estejais” (João 14:3), é isto a ratificação da promessa de angelitude, pois só poderemos lhe fazer costado, atingido o topo da evolução.

A sementeira é o início de um processo; o começo da trajetória espiritual: simples e ignorantes significa que inicialmente somos só sementes. Mas sementes com potencial, como já dito.

Plantada a semente, ela receberá todos os cuidados do Pomicultor. Zeloso, em todos os tempos, designou profetas, antigos e novos, para que fôssemos adubados com palavras e exemplos. Conforme se adiantava o juízo da humanidade, designava reveladores, para que fôssemos sendo atualizados quanto aos desígnios amorosos do Pai.

Germinar significa o aproveitamento que tivemos das revelações. Significa a maneira como nos aplicamos nas diversas encarnações; ou que não desistimos de nós mesmos e crescemos um pouquinho em cada uma, até que um dia…

… Florescêssemos! O maior e mais natural indício que desejaríamos, logo adiante, frutificar.

E para que frutificássemos, precisou que nossa flor se metamorfoseasse e dela se desencasulassem frutos de amor, respeito, tolerância e serviço, necessários à renovação Planetária.

Então surge a colheita como resultado de árvores conscientes, com vontade própria e liberdade: boa semeadura, com a perseverança do processo restante, boa colheita! Mas como muitos interrompemos o ciclo proposto por Deus, colheremos igualmente, mas os equívocos.

* * *

Interessante compreendermos que “colheita obrigatória” sempre nos permitirá reflexões: se boa colheita, pertence ela ao Semeador/pomicultor, o dono do campo, mas com créditos ao Espírito exitoso. Se má colheita – a ‘quebra de safra’ – nos caberá a consideração para o reparo de metas, pois nesta linguagem de campo, são perfeitos os ciclos, denotados pelas estações da atual vivência e pela pluralidade dessas revivências.

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, em seu Cap. 78 Enxertia divina; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2017).

bc3adblia1“Com um simples adjetivo possessivo – “Pai-nosso” – o Mestre nos exalta a compreendermos as necessidades e as aflições, os males e as lutas de todos os que nos cercam…” (Emmanuel).

* * *

“Quando orardes, – ensinou o Mestre – dizei ‘Pai-nosso’”… Não nos sugeriu que pronunciássemos “Pai meu, ou teu, ou seu, ou vosso, ou seu”, mas “nosso”, chamando-nos a uma compreensão abrangente; concitando-nos a não vivermos isolados; conclamando-nos a uma sociedade que se importa; preocupando-se com um Progresso que depende das habilidades ímpares de todos; e que, por ser o Planeta ainda de provas e expiações, necessidades, aflições, males e lutas campeariam, ainda por bom tempo no Orbe Terra.

Que maravilha: um pronome possessivo adjetivando um Pai soberanamente – e, convenhamos, oportunamente –  Justo e bom! Ou o atributo exatamente dentro de nossas necessidades de Terráqueos.

A prece dominical que começa com louvores e termina com várias rogativas, informa-nos de um Reino que é para todos, não havendo, portanto, pré-destinações; da pluralidade dos Céus do Pai; que a Terra é, apenas, uma de Suas Pátrias; que o pão do corpo e o do Espírito deve ser comum e não individual, meu ou teu; que devemos nos perdoar mutuamente, a mancheias e não estabelecendo cotas; que, a favor da promoção Planetária, será conveniente não sucumbirmos ao mal; e que o bem comum deverá ter uma perseguição constante…

Nada, portanto, de individual, no Pai-nosso; tudo coletivo; tudo possessivo plural! Todos os triunfos ou fracassos nos pertencem; por eles somos responsáveis, pois a prece, bem compreendida, assim ecoa nos hemisférios norte e sul; no ocidente e no oriente.

* * *

“Pai-nosso”, o maior antídoto ao império do eu!

Sintonia : Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, em seu Cap. 77 Pai-nosso; 1ª edição da FEB – (Verão de 2017).

Natal_-_anjinho_e_diabinho“Os raios [de ação] de nossa influência (…) pesam na balança do mundo para o bem ou para o mal (…). Pensamento é fermentação espiritual. Em primeiro lugar, estabelece atitudes, em segundo gera hábitos e, depois, governa expressões e palavras, por intermédio das quais a individualidade influencia na vida e no mundo.” (Emmanuel).

* * *

O pensamento, mais rápido que a mais rápida das internets, sempre será a origem de nossas influências. Será, também, a origem de todo o bem e de todo o mal que possamos arquitetar. Em última análise poderá planificar coisas fúteis, as quais não significarão muito ao bem ou ao mal…

Numa primeira fase, dando asas a nossos pensamentos, iremos planejar quaisquer atos que desejemos executar, tanto para o bem, quanto para o mal. Bem e mal têm, pois, sua fermentação nos pensamentos.

Em segunda fase, executaremos aquilo planejado pelo pensamento: é a utilização de nosso livre arbítrio. Se planejarmos algo muito ruim e abortamos sua execução ou se planejarmos algo muito bom e o executarmos, mérito nosso, pois não só não sucumbiremos, como lograremos êxito no bem planejado. Se planejarmos algo muito ruim e o executarmos ou se planejarmos o bem sem a sua consecução, seremos derrotados pelo equívoco.

A terceira fase é a boa ou má influência que tal êxito ou logro irá causar, pois vivemos numa sociedade de modismos, influenciável; altamente sugestionável!

Paulo de Tarso há quase dois mil anos atrás já nos advertia a respeito disto quando afirmava que “um pouco de fermento leveda a massa toda” (I Coríntios 5:6), chamando-nos a atenção para a responsabilidade de persuasão perante o Mundo.

Vivendo hoje em meio a uma sociedade que se comunica quase que com a velocidade do pensamento, não tem jeito, pois exerceremos influência e seremos influenciados não só pelas pessoas com as quais convivemos muito próximo como também pelas outras que vivem em nosso hemisfério ou fora dele; no ocidente ou no oriente.

Também como não vivemos em clausura, – isso não é saudável e assim não o desejamos – e visto possuirmos já o hábito de equilibrar-nos em nossos próprios riscos, imediatamente iremos incorporar à índole de nosso caráter as influências que desejarmos, boas ou más, pois neste ainda Planeta de transição, há influências para todos os gostos.

Todas estas influências são fermentadas numa família que acolhe Espíritos de diversos matizes. Será na família que tais cidadãos deverão passar por um refino, antes de serem lançados à sociedade. Do maior ou menor requinte proporcionado pela família a esses indivíduos, antes de lançá-los à sociedade, dependerá o Progresso dessa mesma sociedade. Notem que grafamos Progresso com ‘pê’ maiúsculo, visto que, doutrinariamente, desejamos falar de um Progresso Moral que consiga acompanhar mais de perto a intelectualidade Planetária.

Tal qual o fermento, que excita a massa e a convida a crescer, somos nós em sociedade: através de nossas influências, convocamos – e somos convocados – pelas existências alheias a agirmos de tal e tal forma; a nos pronunciarmos assim ou assado. Confirmamos isso quando passamos a declinar sentenças que pessoas já enunciaram; em contrapartida repetirão elas expressões por nós criadas.

* * *

Compilando as sugestões de Paulo de Tarso e de Emmanuel, convém-nos acatar as melhores instigações ao bem: que este se origine em nossos pensamentos; mergulhe na boa vontade de nosso livre arbítrio e passe às expressões e ações; e gere todos os hábitos de uma influência sadia. Mas não nos iludamos: por vezes será necessário que uma chuva de sentimentos substitua a garoa ácida de algumas razões. A balança do mundo pode estar pesada delas, influenciando-nos a modismos inconvenientes. Nosso coração precisa ditar soluções e estabelecer as boas influências

(Sintonia com Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, Fonte viva, em seu Cap. 76 Fermento espiritual; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2017).

Perdidas-e-ingresos-patrimoniales“Presta conta da tua administração!…” (Lucas, 16:2).

* * *

Sempre que ouvimos o termo recursos, o associamos, automaticamente, a bens pecuniários, dinheiro; ao material. O Mestre Jesus, filósofo por excelência, no parabolismo de suas colocações nos deixa a do “administrador infiel”, para que livremente a interpretemos e sobre ela reflitamos.

A doutrina dos Espíritos, a qual vem para esclarecer – e, automaticamente para consolar – nos dirá através de sua codificação e das obras complementares de seus colaboradores que administrar recursos é muito mais amplo do que possamos imaginar:

Visto que a doutrina não se faz com recursos pecuniários, ou só pelos que os possuem, precisamos entender que administrar recursos pode referir-se, principalmente, aos recursos sutis, muito fora do ouro ou da prata; do papel moeda; moeda cartão de plástico; ou do níquel…

Emmanuel nos afirmará no estudo ora proposto que, sejam tais recursos densos, mais ou menos ou totalmente sutis, que nos foram dados pelo Pai para administrarmos, mais dia, menos dia, seremos chamados a dar conta de tal administração:

Do corpo físico, da saúde, do trabalho, do serviço, do aprendizado, do tempo, do lar, amigos, experiências… são todos recursos, a nós confiados, alguns emprestados, outros incorporados a nosso caráter e perante os quais precisaremos responder, consciencialmente e a cada aportada no cais da erraticidade.

Pegarmos carona nos vícios egoísticos do mundo atual e mal versarmos os talentos a nós confiados, sejam eles de quaisquer ordens, como nos conta a parábola do Mestre, implicará em repetirmos nossa contabilidade a pesadas penas e trabalhosos ‘cálculos…’

(Sintonia: Fonte viva, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, Cap. 75, Administração; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2017).

Flor-de-Lótus-brancoEvidente que parte da programação de nossa TV nos repugna; ela faz parte, ainda, da transição de um Planeta que precisará passar por tais escândalos até o advento da Regeneração pela purificação.

Já damos muito ‘murro em ponta de facas’, com censura insana a realitys, novelas, programas humorísticos e séries de TVs abertas ou pagas de nosso País.

Já peregrinamos pela incomplacência a esses escândalos; mas Espíritos Esclarecidos em seus apontamentos, legados sérios à humanidade, têm-nos chamado à razão para tais fatos, constrangendo-nos à tolerância e fazendo-nos compreender que será inevitável, neste Planeta, frequentarmos, tomarmos conhecimento da lama, enlameando-nos o menos possível…

Somos obrigados a reconhecer que Ícones de primeira grandeza, a Mãe Natureza e Espíritos de Envergadura Celestial, que por aqui passaram e inda frequentam nosso Orbe, na qualidade de seus Auxiliares, já nos chamaram e continuarão chamando a atenção sobre os escândalos, suas finalidades e consequências:

  • Jesus – Diria ele que “haverá necessidade que os escândalos aconteçam, mas ai daqueles pelos quais eles venham.” E Emmanuel nos dirá que o Mestre [apagou] a própria claridade, fazendo-se à semelhança de nossa fraqueza, para que lhe testemunhássemos a missão redentora;
  • A Mãe Natureza – Lótus herda, por acaso, do pântano, seu cheiro e suas cores? E o raio de luz visita as entranhas do abismo e dele se retira sem alterar-se…
  • Paulo de Tarso“Fiz-me fraco, para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos para, por todos os meios, chegar a salvar alguns.” (I Coríntios, 9:22). Num trocadilho filosófico/poético fantástico, Paulo sintetiza o valor de “estar no mundo, sem a ele pertencermos.”
  • Espíritos Superiores – Estes – quem não tem o seu como guardião?! – estão sempre à disposição da humanidade para lhe minimizar os solavancos. Nas obras de André Luiz, que nos traz informações preciosas do Plano Espiritual, são incansáveis as caravanas de Equipes desses Espíritos a zonas inferiores, levando-lhes resgate e socorro.

Longe de ‘afrouxarmos o garrão’ perante escândalos e infames bandalheiras de nossas mídias – não o faremos! – somos obrigados a aprender com o Alto que tais escândalos por um tempo ainda acontecerão em nosso Planeta; e que só agora estamos entendendo coisas que antes não podíamos entender, pois…

… Haverá o tempo de tripudiar; o tempo da intransigência; do aprendizado; e, finalmente, o da tolerância.

* * *

Quando esse tempo chegar para nós, iremos à lama sem enlamear-nos; tal qual a flor-de-lotus, não herdaremos nem a cor nem o cheiro do pântano; e a visão dos escândalos, sem deles participarmos, nos será o aprendizado normal, num Planeta de transição, onde eles hoje ainda são necessários.

(Sintonia: Fonte viva, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, Cap. 72, Incompreensão; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2017).

laranjeira-com-frutos-e-flores-1342105646605_615x300Enquanto que tudo de bom e belo, a flor é, ainda, somente uma flor. A flor transformada em fruto se tornará ‘efetiva’.

O cristão que ‘aprecia’ o Cristo, mas não vai além disso, é ainda flor; já o cristão engajado, será semelhante ao fruto que alimenta.

O cristão ainda flor, para este Mundo mesquinho, goza de inteira sanidade; já o cristão fruto, para este Planeta adoecido, sempre será o desajustado, inadaptado e louco; vulgarmente, ‘trouxa!’ Para Jesus é um vaso de bênçãos ou seu corpo seja a cruz viva onde o Mestre se agita crucificado.

Então, iremos nos maldizer ou mortificar por ainda não sermos fruto? Maldizer-nos, não, mas mortificar-nos, sim! Pois devemos compreender que nosso patamar evolutivo ainda não nos permite sermos fruto, mas a mortificação – exame consciencial – nos levará a propósitos de nos tornarmos fruto…

Toda flor é a promessa; e todo o fruto é o que resulta dessa promessa. Ou, se para todos nós a destinação é a angelitude, todos nós, um dia, iremos frutificar. Frutificando evoluímos e evoluímos porque frutificamos…

Apressar-nos? Sim e não! Darmos curso a uma evolução lenta e gradual, sem perdermos oportunidades. Aproveitarmos, como a Natureza o faz, todas as etapas: semeadura, germinação, floração, frutificação…

Então, flor ou fruto? Quase frutos? Reflitamos!

(Sintonia: Fonte viva, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, Cap. 74, Quando há luz; 1ª edição da FEB) – (Cassino; verão de 2017).

Wallpaper-eclipse-8Pobre Planeta Terra: há batalhões de eclipsados nas suas veredas! Indigentes do corpo e muitos do Espírito; soluços lancinantes das necessidades de filhos, pais, jovens e velhos produzido pelo nevoeiro de ganâncias diversas; leitos de hospitais lotados dos que não conseguem reverter ao lar; infâncias cedidas ao ilícito, ao fácil, pois lhes faltou o lar como escola e a escola como segundo lar; Espíritos enclausurados no nevoeiro da incapacidade mental; aleijumes e imobilidades de corpos e Espíritos; lares sem o pão do corpo e o pão da harmonia; e cegos da visão e do saber…

Mas, perante o horror dessas desluzências, lembramo-nos das bem aventuranças do Mestre que proclamava no Monte que “bem aventurados seriam os aflitos, os pobres de Espírito, os puros de coração, os brandos, os pacíficos, os misericordiosos…” e o Apóstolo dos Gentios, dirigindo-se à comunidade de Filipos garante-lhes que “o meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades, em glória, por Cristo Jesus.” (Filipenses, 4:19).

Então, como esperar a “glória” de Paulo se estamos ‘agora’ vivendo num mundo carnal onde, além das necessidades do Espírito, possuímos as necessidades da matéria densa? Se Paulo e o Mestre já não mais estão entre nós, encarnados?

Emmanuel nos acode lembrando-nos que os não eclipsados que possuímos braços para ajudar e cabeça habilitada a refletir no bem dos semelhantes [somos] realmente superiores a um rei que possuísse um mundo de moedas preciosas [mas] sem coragem de amparar a ninguém.

Se viver na Terra exige-nos resiliência e se já possuímos tal superação, quando Deus ‘parecer’ estar ausente da vida desses eclipsados, Ele precisa estar ‘disfarçado’ em cada irmão que esteja ao lado desses infelizes…

… Nesse momento, então, “é possível que a tua própria dor desapareça aos teus olhos” (Emmanuel) e possamos desembrumar parte que for possível da névoa que eclipsa nosso irmão…

(Sintonia: Fonte viva, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, Cap. 73, Estímulo fraternal; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2017).

feixeAutomóveis mais pesados possuem em sua suspensão traseira um feixe de molas. São molas tipo lâminas que irão contornar os impactos das imperfeições de rodovias de maneira que a carroçaria não fique prejudicada com os açoites de uma carga…

* * *

Ao abordamos o tema sociedade, – doutrinariamente Lei de Sociedade – e para melhor entendê-la, somos forçados a examinar como anda nosso “feixe de molas”, ou o conjunto de virtudes que deve compor nosso caráter o qual irá facilitar nosso dia a dia na difícil e imperfeita rodovia que é nossa sociedade: respeito, tolerância, doçura, humildade, cooperação, solidariedade, simpatia, discrição, agradabilidade, simplicidade, ética, esforço… comporão esse feixe e dele dependeremos para bem ou mal viver em sociedade; para realizarmos ou não todos os aprendizados necessários; e verificarmos, finalmente, que com ou sem o feixe de molas ‘em dia’ a vida em sociedade nunca será fácil.

Dessa forma, somos obrigados a fazer-nos três perguntas importantes com relação à vida em sociedade: Viver em sociedade é bom? É necessário? É fácil? Naturalmente que tudo, é lógico, dependerá de nosso feixe de molas:

Controvertidamente alguns dirão que viver em sociedade é muito bom e outros afirmarão ser extremamente ruim. Nos primeiros veremos uma ‘suspensão’ em dia, pois todos os predicados exigidos a uma convivência fraterna lhes fazem já parte do caráter; são pessoas totalmente cooperativas, comprometidas com “o que um não faz o outro faz”; relevam patamares diferenciados; respeitam, apreciam e aprendem com opiniões diversas; a humildade e a doçura lhes fazem costado, são afáveis no trato. Os que afirmam ser muito ruim, ainda não estão comprometidos com nada disso; possuem uma ‘suspensão’ totalmente avariada; falta-lhes o feixe de molas que os primeiros já possuem.

Porém todos – ao menos os de sã consciência – afirmarão que viver em sociedade é necessário. Somente ela, e não o isolamento nos fará crescer e melhorar os itens de nossa ‘suspensão’: será em sociedade que veremos os bons e maus procedimentos; os que desejaremos incorporar aos nossos Espíritos individuais e os que desejaremos evitar. Adquiriremos a compreensão de que apesar de uma evolução individualizada precisaremos das alavancas dos irmãos de um mesmo grupo familiar; de um mesmo grupo de trabalho remunerado ou não; de pessoas que nos escorem nas dores e que vibrem conosco em horas de regozijo. Quantos e belos momentos de solidariedade e de fraternidade são escondidos por nossas mídias! Se divulgados, veríamos que nem tudo está perdido e nossos cidadãos compreenderiam a necessidade e a importância de uma sociedade equilibrada…

Quanto ao fácil, por enquanto ainda não será! Porque ainda em nosso Planeta, o bom e o belo e a vontade do aprendizado – ou sua necessidade – ainda estão distantes das características de um Orbe de provas e expiações. Das grandes multidões nas quais poderemos viver, até o menor núcleo familiar, muitas vezes representado apenas pelo casal, as dificuldades serão enormes. E tais dificuldades sempre serão diretamente proporcionais ao nosso feixe de molas: se ajustado e ‘azeitado’ tais dificuldades serão amortizadas. Mas, se corroído e oxidado pelos vícios atrelados ao orgulho, ainda normal em nosso planetazinho, é lógico que nada se tornará fácil em nossa sociedade.

* * *

“… Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação1.” Na “vida de relação”, aplicação ou exercitamento de nossas faculdades expomos diariamente todo o equilíbrio ou toda a fragilidade de nosso feixe de molas. Em sociedade pomos à prova sua resistência. Recolher nosso utilitário ao ‘sossego’ do isolamento, ou à garagem do bem estar, será condenar seu conjunto – corpo e alma – à oxidação, pois “no insulamento ele se embrutece e [enfraquece]2.”

Bibliografia:

  1. Kardec, Allan, O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro, 71ª edição da FEB, em sua questão 766; e
  2. Idem, questão 768.

(Na orla do Cassino, conversando com Maria de Fátima sobre sociedade; verão de 2017).

fa8f38c65ee6bac57d7ca2b8392b9ac5Pedágios são taxas ou tarifas pagas a concessionária de rodovia por condutores que desejam movimentar-se de um local C para um D. Tais tarifas destinam-se à manutenção (ou construção) da via que desejamos trafegar em segurança. Traduzindo, para chegarmos com segurança ao local D, muitas vezes precisamos pagar pedágio…

* * *

São João, o Evangelista, em sua primeira epístola, asseverará diversas vezes ao seu ‘rebanho’ que também para chegarmos a Deus – ou local D – precisaremos ‘desembolsar’ algumas ‘tarifas’. São dele as afirmações:

“Deus é Luz (…). Se dizemos ter comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos! Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos (…). Se reconhecemos os nossos pecados, Deus aí está para nos perdoar. E aquele que diz conhecê-lo e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso…” (I João, 1:5, 6 e 8 e 2:4). João, ao chamar de “filhinhos” os seus, estabelecerá a Luz, a Verdade e a Obediência às Leis Divinas ou Naturais, como alguns dos pedágios para Deus.

Mas o mais importante enunciará mais adiante: “aquele que não ama seu irmão a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê.” (I João 4:20). Este o maior, mais ‘caro’ e mais querido dos pedágios para Deus.

No capítulo em estudo, Emmanuel nos adverte que todo nosso aprendizado, tesouros terrenos, grandeza (fortaleza) moral e educação só serão validados quando esclarecermos, ajudarmos, protegermos e servirmos. E que todo o benefício de qualquer natureza, tal qual elástico ou Lei de retorno, nos fará os primeiros beneficiários: é como não sujarmos a água da fonte da qual nós próprios iremos beber ou contagiar-nos com a alegria que nós mesmos espalhamos…

* * *

“O próximo é a nossa ponte de ligação com Deus. Se buscas o Pai, ajuda a teu irmão, amparando-vos reciprocamente…” (Emmanuel).

No grande paradoxo dos dias atuais e quando muros impedem a aproximação dos irmãos, Espíritos Esclarecidos vêm nos informar que a aproximação e serviço aos irmãos é a melhor ponte de ligação com Deus.

Não nos iludamos: esse pedágio precisará ser pago; e com satisfação!

(Sintonia: Fonte viva, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, Cap. 71, Aproveita; 1ª edição da FEB) – (Verão de 2017).