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José Alberto Mujica Cordano, ou Pepe Mujica, é o 40º Presidente da República Oriental do Uruguai (ROU). Ex-militante Tupamaro (Movimento de Libertação Nacional), Mujica é casado com Lucía Topolanski, também ex-militante. O presidente recebe de salário 12,500 U$ dos quais destina 90% a ONGs e pessoas carentes. Sobrevive com o restante do salário, – aproximadamente R$ 2.538,00. Seu carro é um fusca que ele mesmo dirige. Perguntado se era pobre respondeu “sou rico, pois o pouco que a mim destino me torna rico” e mais “este dinheiro me basta e tem que bastar porque há outros uruguaios que sobrevivem com bem menos…”

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Hammed me orienta hoje que muitas vezes é no “ato de perder” que encontramos a razão da própria existência e logo a seguir passa a definir a liberdade sob vários aspectos: Na ciência, a experimentação e o raciocínio; na filosofia o bom senso e a sensatez; na religião o discernimento e a naturalidade; na arte, a originalidade e a inspiração; na sociedade, a igualdade e a solidariedade…

Vê-se que, para ser liberto verdadeiramente, precisa-se livrar de uma série de penduricalhos, afetações, insensatezes, cópias e picuinhas e munir-se de tudo aquilo que é natural. Sendo natural o indivíduo ‘perde’ uma porção de coisas supérfluas e se sente leve, descompromissado de uma série de adereços, liberto!

O indivíduo com grau de amadurecimento espiritual elevado, e em conseqüência também liberto, passa a desanexar uma série de valores que nenhum valor tem, ou ao perdê-los, passará a ganhar…banner-papa-francisco-I-reverencia1

  • Em sociedade, já livre de seus penduricalhos, se nivelará a todos os demais que também já conseguiram sua libertação. Muitas etiquetas sociais já não farão mais parte do perfil desses indivíduos. Compromissos antes afetados já não mais pesarão sobre seus ombros;
  • Ainda em sociedade, suspeitar para o liberto, sempre será um verbo saudável, pois não fará da suspeita uma desconfiança patológica, visto saber que nada nem ninguém poderá se apropriar de suas conquistas;
  • Quando filosofa, o indivíduo liberto se propõe a ser mais simplório do que importante, pois sabe que sua filosofia pilhéria o aproxima mais da simplicidade do que das etiquetadas importâncias de pensadores orgulhosos e vaidosos;
  • Sem perder o perfil da liberdade, na ciência das idéias aproveita as experiências de terceiros – parentes, amigos, companheiros… utiliza e anexa as boas e silenciosamente descarta as inadequadas;
  •  O liberto, também chamado de equilibrado, já conseguiu, através da reflexão, se afastar das perigosas pontas dos episódios, pois sabe que a Natureza não possui extremos ao se conduzir com paciência, calma e confiança. Uma vez entregue à reflexão, saberá o que é bom e mau para si e conseqüentemente para os outros, princípio esse da igualdade e solidariedade;
  • No campo das artes, longe de ser um copista, o liberto sempre procurará inovar, sem deixar de se inspirar nos bons e nas coisas boas que vê e ouve;
  • Não haverá para o liberto discriminação a religiosidades. Juiz em sua intimidade quanto à veracidade ou valor de cada credo saberá aproveitar a quantidade de religiosidade que há em cada um deles. Saberá compreender, por exemplo, o que quis dizer Jorge Mário Bergoglio, bispo de Roma, com a frase de impacto “sem Jesus Cristo, podemos ser uma ONG piedosa, mas não a igreja”, porque sabe que o Missionário Rabi sempre foi ‘religiosidade’ e nunca ‘religião’…

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Quando me deparo com os novos personagens que ora despontam na mídia – José Mujica e Francisco I, as ‘bolas da vez’ – considero-os autoridades, até que me provem o contrário, para me arrazoar que sempre será importante perder para ganhar…

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Liberdade, pag. 83 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Finalzinho do verão de 2013).

2 Comentários para “Perder para ganhar”

  • Elci Senna Mano says:

    São autoridades, sim, meu amigo. Aprenderam a se libertar do peso dos penduricalhos, a viver simples e a pensar no seu próximo. Que exemplo! Bela crônica, Claudio!

  • Silvia Gomes says:

    Com certeza meu amigo! Ser pequeno aos olhos do mundo é ser grande… muito grande aos olhos de Deus!
    Lindo texto! Espero que surjam mais autoridades desse calibre! Abraços!

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